Arte

No quarto de Laurie Anderson

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Um visitante desfruta do particular mundo criado por Laurie Anderson e Hsin-Chien Huang na instalação Chalkroom, que oferece experiências únicas personalizadas com óculos de realidade virtual.

Por Jairo Máximo (Texto e Fotografias)

Mogi das Cruzes, São Paulo, Brasil – (Blog do Pícaro) – Acompanho com interesse a trajetória artística da cineasta, desenhista, compositora, cantora, instrumentista, fotógrafa e escritora Laurie Anderson (Glen Ellyn, Illinois, Estados Unidos, 1947), considerada como uma das artistas contemporâneas mais férteis, imaginativas e completas do cenário norte-americano.

A primeira vez que escrevi sobre a mesma foi em 1984, quando ela esteve em São Paulo Image result for portada del album Big Science, de Laurie Andersonpara divulgar o disco Big Science (1982), uma proposta musical radical, e que só era possível adquirir em seletas lojas de disco no eixo Rio/São Paulo. Logo, em 1988, comprei, em Londres, a fita-cassete deste histórico álbum que guardo até hoje como uma relíquia.

Em seguida, nos anos 90 do século XX, e na primeira década do século XXI, tive a oportunidade de assistir vários shows da artista, que visita constantemente a capital espanhola. Em 2007, no dia do show Homeland, era o aniversário do seu marido, o músico Lou Reed (1942-2013), que comemorava 65 anos bem vividos. Para surpresa do público, na metade do show, Laurie anunciou aquela comemorativa data, enquanto Lou entrava em silêncio no palco, acompanhado de sua guitarra e cantava várias músicas para o extasiado público espanhol, que não acreditava no que estava vendo e ouvindo. Marmelada com queijo para todos.

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Fragmento da vídeo instalação Chalkroom (Quarto de giz) / Foto: Laurie Anderson

Chalkroom: No final do ano passado, Laurie Anderson regressou a Madri. Desta vez para participar de diversas atividades. No Centro de Arte Reina Sofia apresentou a performance All the Things I Lost in the Flood, inspirada no livro que escreveu depois que o furacão Sandy alagou seu porão e arrasou tudo o que encontrou pela frente. Na Fundação Telefônica, ela inaugurou a sugestiva instalação Chalkroom, que realizou com o cineasta Hsin-Chien Huang, e deu uma palestra aberta ao público. Na Filmoteca Espanhola lançou o filme Heart of a Dog, que reflete sobre a morte da sua cachorra Lolabelle e a do seu marido Lou Reed.

Chalkroom é uma instalação para se ver sozinho. Cada visitante, depois de se agendar com antecipação, tem 15 minutos para desfrutar da loucura visual que a artista nos faz submergir. A sala, que se parece com um quarto de dormir, tem as paredes pintadas de preto com centenas de palavras e desenhos realizados com giz branco. Ao chegar, o visitante senta numa das três cadeiras disponíveis e coloca um óculos de realidade virtual. A partir deste momento, cada visitante vê o que quer ver. É uma experiência artística pessoal e única.

“Quis fazer algo poeirento. (…) Cada um decide onde andar, voar ou deslizar. Existem centenas de caminhos nesta peça. Ainda não encontraram todos os segredos que ela esconde. (…) Não existe nenhum caminho estabelecido. Tem-se que tomar as decisões para onde ir. Existe quem é como Ícaro e quer voar até o Sol, sem olhar para os lados. (…) A realidade virtual mistura memória e percepção. É uma vivência estranha. Te isolas do mundo. Colocas os óculos e desapareces”, diz Laurie Anderson.

Na realidade, Chalkroom são paredes que aparecem e desaparecem. Corredores infinitos. Lugares em que tudo parece possível. Já foi exibida em São Paulo e em Taipei, e premiada no 74º Festival Internacional de Cinema de Veneza. “A minha maior motivação artística é desaparecer. Meu objetivo secreto em Ckalkroom é chegar a essa voz que se ouve e me converter nela”, confessa Laurie Anderson.

Arte e Vida: No ano passado, Laurie Anderson lançou o álbum Lanfall que trata sua experiência como vítima do Furacão Sandy que assolou Nova Yorque em 2012. Por culpa do Sandy, a artista perdeu grande parte de seu arquivo pessoal: projetores, teclados antigos, documentos, livros, fotografias, etc. que faziam parte do seu passado.

Na música Everything Is Floating ela narra: “Vi tudo aquilo flutuando na água escura e brilhante, dissolvendo-se, / todas as coisas que fui guardando cuidadosamente durante toda minha vida transformando-se em nada a não ser lixo. / E pensei: que belo, que mágico e que catastrófico”.

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Landfall relata aquilo tudo que todos perdemos com uma tormenta. É um alerta, uma lembrança. Uma purificação; uma condena. ●

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Arte e Cultura

Trem da Hora

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Por Jairo Máximo (Texto e fotografias)

OLYMPUS DIGITAL CAMERAMogi das Cruzes, São Paulo, Brasil  − (Blog do Pícaro) – Em Madri, na Espanha, sempre é possível encontrar exposições de arte contemporânea.

No final do ano passado foi exibida com êxito a exposição Art Is Not a Crime, 1977-1987, uma retrospectiva dedicada ao trabalho do fotógrafo e documentarista Henry Chalfant, reconhecido mundialmente como o grande embaixador da cultura do grafite.

A exposição é uma original imersão na arte do grafite realizada em Nova York, nos Estados Unidos, entre 1977-1987, que não deixa nenhum expectador indiferente. Concebida em distintos ambientes, cada espaço da exposição tem uma temática particular.

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Para ver, ouvir e sentir: Na sala Vídeo introdução/Origem há a projeção de fragmentos do vídeo World Photography no qual vemos como os grafiteiros deixam recados para Henry Chalfant na secretaria eletrônica de sua casa para lhe informar onde pintaram. Em seguida, Henry sai com sua câmara para capturar os trens grafitados e finalmente montar as fotografias em seus arquivos. A sala Quantidade/Constância apresenta um mosaico com mais de 500 fotografias de vagões completos, numa parede de 3,20 metros de altura x 25 metros de comprimento, sem deixar um único vão livre na parede. A sala Tamanho 1:1 / Arte Humano mostra vagões em tamanho natural, real da época, com diferentes estilos e forma de pintar. A sala Vídeo Instalação é formada por 60 fotografias de vagões pintados de tamanho real, que entram em movimento na plataforma da estação, param uns segundos e arrancam, até completar 60 vagões.  Com uma iluminação tênue, os visitantes sentados no chão vêm como os trens passam como se estivessem numa estação esperando seu trem chegar.

Também tem o espaço Atmosfera sonora, onde ouvimos os sons envolventes dos vagões, barulhos da cidade, das pessoas… O espaço Vitrinas, onde encontramos Black books, livros de originais e de esboços dispersos e uma seleção de diferentes latas de spray da época em que se pintava. O espaço A Olhada de Henry mostra o que ele olhou, viu, capturou, documentou, divulgou e expandiu.

Deslumbrar mentes: A exposição deslumbra; olhe por onde se olhe. A underground estética. O didático conteúdo. A qualidade fotográfica e a beleza das instantâneas. A espetacular montagem. A iluminação dos espaços e, evidentemente, o diversificado público de idades e estéticas diferentes que as visitaram. Uma maravilha!

“Já surgiram tantas coisas maravilhosas desde a primeira incerta origem que consistiu em deixar seu nome escrito num trem… O Street art chegou muito longe desde que o grafite propôs fazer renascer a arte pública. Deixar seu nome pode ter sido o desejo original, porém dizer algo mais que “eu estou aqui” expressando desejos profundos e paixões, criando beleza, revelando o drama da vida, tendo voz política é mais difícil, porém tudo isto hoje é possível e está acontecendo em todos os lugares”, diz Henry Chalfant.Image result for portada del libro Subway Arte de Henry ChalfantNo texto da apresentação da exposição, o grafiteiro espanhol SUSO33 explica que este projeto “comemora o 35 aniversário da estréia do mítico documentário Style Wars e a publicação do livro Subway Art, que mudaram para sempre a maneira de entender, experimentar e nos relacionar com a arte na cidade. A exposição nasce como tributo, com a intenção de reconhecer seu valor e sua obra, verdadeira antropologia visual de um movimento artístico, o do grafite, que transformou a paisagem urbana e a cultura contemporânea das últimas décadas. Obrigado, Henry, por seu um mestre para todos nós”.

Há décadas Henry Chalfant (Sewickley, Pensilvânia, Estados Unidos, 1940) acompanha os artistas que pintam os vagões de trens de Nova York, a grande urbe norte-americana. Com sua obra deixa para posteridade belas imagens desta efêmera arte, hoje em dia denominada Street Art.

Eis aqui uma seleção fotográfica da exposição Art Is Not a Crime, 1977-1987 exibida em Fuenlabrada (Madri). ●

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Arquitetura

Lina Bo Bardi é tupiniquim

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Lina Bo Bardi retratada pelo fotógrafo brasileiro Bob Wolfenson

Se voltasse a nascer só colecionaria amores, fantasias, emoções e alegrias. (Lina Bo Bardi, arquiteta ítalo-brasileira)

Por Jairo Máximo

Madri, Espanha –(Blog do Pícaro) – Quando estudava Comunicação Social na Universidade de Mogi das Cruzes, São Paulo, na segunda metade dos anos 70, dois nomes próprios eram reverenciados pela comunidade estudantil: os dos imigrantes Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi.

Aqueles que estudavam Arquitetura, Engenharia ou Matemáticas tinham como musa a arquiteta ítalo-brasileira Lina Bo Bardi. Pressagiavam que ela ia ter um lugar na historia da arquitetura e da arte contemporânea brasileira e internacional.

“Sou estrangeira em qualquer lugar. É muito bom não ser presa de nada. A liberdade é muito importante”, dizia ela.

Suas obras – a Casa de Vidro; o MASP (Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand); o Sesc-Pompéia; o Teatro Oficina, recentemente eleito arquitetonicamente como o melhor teatro do mundo pelo diário inglês The Guardian; a restauração do centro histórico de Salvador, declarado Patrimônio da Humanidade pela Unesco em 1985; a cenografia e o figurino da peça Ubu, Pholias Physicas, Pataphysicas e Musicaes, do francês Alfred Jarry, montada pelo grupo brasileiro Ornitorrinco em 1985 –, eram uma referencia de modernidade para uma geração ávida do novo e prático.

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Lina Bo Bardi construiu a Casa de Vidro em São Paulo como residência familiar do casal Bo Bardi / Foto: José Manuel Ballester, 2007 (Coleção Fundação Juan March)

A Casa de Vidro é a primeira obra de Lina no Brasil. Está situada numa pendente e totalmente integrada numa exuberante vegetação. Foi construído entre 1949-1951, na região do Morumbi, zona oeste de São Paulo, antes de o lugar ser devorado pela paulicéia desvairada. É objeto de estudo para arquitetos dos cinco continentes. Hoje em dia é a sede do emblemático Instituto Bo Bardi.

Simbiose transatlântica

Aqueles que estudavam Comunicação Social, Belas Artes e História da Arte tinham como muso o ítalo-brasileiro Pietro Maria Bardi −jornalista, colecionador de arte, escritor e co-fundador do MASP. Apostavam que ele ia ter um lugar na historia da arte e do jornalismo contemporâneo brasileiro e internacional.

“Não sou um artista. Ser artista é fazer arte o dia todo e, se possível, a noite toda”, me disse ele em 1986. “Eu tenho a virtude de um conhecedor de arte”, completou Bardi.

Moral da historia: o casal ítalo-brasileiro Lina Bo Bardi e Pietro Maria Bardi era pau pra toda obra. Ambos são imigrantes do pós-guerra que chegaram ao Brasil nos anos 40 e 50 do século passado procurando paz e pão.

Ele: co-fundador do MASP, o mais importante museu da América Latina e seu diretor por quase 45 anos. Ela: co-fundadora e arquiteta do MASP, localizado na moderna e imponente Avenida Paulista de São Paulo, o mais importante corredor econômico latino-americano. Bingo! Os emigrantes somam. Ambas são figuras icônicas da cultura brasileira do século XX.

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Museu de Arte São Paulo fotografado em 2013 / Foto: Leonardo Finotti

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Pietro Maria Bardi ((La Spezia, Itália, 1900 – São Paulo, Brasil, 1999), fotografado em São Paulo em 1986. / Foto: Marisa Uchiyama (Arquivo Blog do Pícaro)

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Lina Bo Bardi (1914, Roma, Itália – 1992, São Paulo, Brasil) fotografada em São Paulo em 1991

O edifício do MASP foi inaugurado em 8 de novembro de 1968, com a presença da rainha Elizabeth 2ª da Inglaterra. Está sustentado por quatro pilares e quatro vigas de concreto prensado, grandes plantas diáfanas e abundante iluminação natural que traduz plasticamente a particularidade de um museu construído para ser o melhor e mais ousado da América. É um marco na história da arquitetura do século 20.

A esplanada sob o edifício conhecida por “vão livre”, de 74 metros quadrados, foi pensado como uma praça para uso da população. Faz parte da historia da cidade de São Paulo e sempre foi utilizado de palco para atividades lúdicas culturais e manifestações políticas.

Em 1992, pouco antes de morrer, Lina Bo Bardi constatou: “Olhando o passado e o presente da Avenida Paulista cada um fez o que tinha vontade de fazer e hoje a Avenida não tem memória”.

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O Sesc-Pompéia foi arquitetado entre 1977 e 1986. Para Lina o lugar era uma cidadela de liberdade. “Um sopro der ar fresco numa cidade morta”, dizia ela.

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Teatro Oficina em São Paulo, arquitetura com vistas. Entre 1984-1992 Lina foi a responsável da restauração da sede deste teatro, que se incendiou em 1966. / Foto: José Manuel Ballester

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Lina Bo Bardi, projeto para uma versão da poltrona Bardi’s Bowl Chair, 1951

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Planta do centro histórico de Salvador– Plano de recuperação

Do Brasil para a Espanha

As exposições que a Fundação Juan March, Madri organiza sempre atraem. Recentemente apresentou uma ampla exposição dedicada a arquiteta ítalo-brasileira. Em Lina Bo Bardi: tupí or not tupí. Brasil, 1946-1992 se constata o enorme rastro que a musa geracional brasileira deixou para as futuras gerações sem fronteiras.

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“As 348 obras da exposição é um convite para descobrir as analogias da obra de Lina Bo Bardi com a antropofagia dos anos 20 e o tropicalismo dos anos 60. Desenhos, pinturas, fotografias, objetos, esculturas, documentos e peças de artesanato, não apenas de Lina Bo Bardi, como também de artistas internacionais como Max Bill, Alexander Calder o Saul Steinberg, de artistas brasileiros como Cícero Dias, Lygia Pape, Lygia Clark, Helio Oiticica e de artistas populares e não eruditos, assim como arte indígena. (…) Com um dinamismo multidisciplinar – como arquiteta, museógrafa, desenhista, escritora e ativista cultural− ela conseguiu conectar com as complexas relações entre e modernidade e a tradição, entre a criação de vanguarda e os costumes populares, entre a individualidade do artista moderno e o trabalho do povo”. O texto é da apresentação da exposição em Madri, que contou com a colaboração e o apoio do Instituto Bardi/Casa de Vidro.

Esta magnífica exposição dedicada a Lina é a primeira que se realiza na Espanha, e uma das primeiras que não se limita apenas a sua faceta de arquiteta. Complementa-se com apresentações musicais, palestras, mesa redonda, talheres educativos para escola infantil sobre a obra Grande vaca mecânica (1988), desenhado por Lina, pensando para incentivar o jogo e a participação, que foi reconstruído em Madrid, além de uma seleção de material audiovisual que traz depoimentos de pessoas que se relacionaram com Lina Bo Bardi e a apresentação de documentários do arquiteto chileno Felipe de Ferrari focado nas obras da arquiteta.

Lina Bo Bardi: tupí or not tupí. Brasil, 1946-1992 é uma lúcida imersão na cultura do Brasil entre 1946 e 1992. Avalia a simbiose da arquiteta com a tradição e a modernidade. O cosmopolitismo e o popular. A vanguarda tecnológica e a artesanal. A cidade e a natureza. A arquitetura e a arte.

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Grande vaca mecânica (1988), obra de Lina Bo Bardi

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Polochon (1985), obra de Lina Bo Bardi. Porco com dois traseiros que recebia o público assistente do espetáculo Rei Ubu

Cacá Rosset e Christiane Tricerri em Rei Ubu, em 1985. A premiada cenografia e o figurino da peça foram realizados por Lina Bo Bardi. A consciência de Ubu era uma mulher seminua que saia do interior de uma mala de mão. / Foto: Divulgação Ornitorrinco. (Arquivo Blog do Pícaro)

Da Itália para o Brasil

Achilina Bo, conhecida como Lina Bo Bardi, nasceu em Roma, Itália, em 1914. Formou-se em arquitetura na Universidade La Sapienza de Roma, nos anos 30. Chegou ao Brasil em 1946 acompanhando seu marido, Pietro Maria Bardi e imediatamente se apaixonou do país. Em 1951 lhe concederam a nacionalidade brasileira. Morou no Rio de Janeiro, Salvador e, principalmente em São Paulo, onde morreu em 1992.

Mulher multidisciplinar, Lina Bo Bardi, venerada arquiteta “ecológica” e ativista cultural, também foi paisagista, diretora de revistas, desenhista de móveis e jóias, editora, curadora de exposições, ilustradora, pintora, colecionadora de arte e de objetos de artesanato, especialmente aqueles relacionados com o circo, o teatro, o carnaval e o jogo.

“Há um gosto de vitória e encanto na condição de ser simples. Não é preciso muito para ser muito”, dizia a arquiteta.

Logicamente, depois da morte da artista, ela se transformou numa figura de referência internacional.  “Suas idéias e iniciativas continuam em vigentes neste século, e muitos dos desafios que enfrentou continuam vivos”, sintetiza o texto de apresentação da exposição que se exibe em Madri.

Nos anos 50, depois de obter a nacionalidade brasileira, Lina escreveu: “Quando nascemos não elegemos nada, nascemos por casualidade. Não nasci aqui, elegi este lugar viver. Por esta razão Brasil é duas vezes meu país, é minha “Pátria de Eleição”, e sinto-me cidadã de todas as cidades, do Cariri ao Triângulo mineiro, das cidades do interior e as de fronteira”.

Muito obrigado por tudo Lina Bo Bardi.  “De Madri ao céu”, diz o misterioso ditado popular madrileno. ●

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Obras de artistas brasileiros que fazem parte da exposição dedicada a Lina Bo Bardi em Madri

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Exvotos, S.F. Autor desconhecido, 152 figuras de madeira

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Cenário para um trator para a exposição Agricultura paulista, São Paulo, 1951, obra de Lina Bo Bardi

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Lina Bo Bardi no baile de carnaval de 1948 no Instituto de Arquitetos do Brasil com o colar de água-marinha desenhado por ela em 1947. / Foto: Henri Ballot

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Arquitectura

Lina Bo Bardi es Tupiniquim*

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Lina retratada por el fotógrafo brasileño Bob Wolfenson.

Si volviera a nacer solo coleccionaría amores, fantasías, emociones y alegrías. (Lina Bo Bardi, arquitecta ítalo-brasileña)

Por Jairo Máximo

Madrid, España – (Blog do Pícaro) – Cuando cursaba estudios universitarios en Brasil, en los años setenta del siglo pasado, dos nombres propios eran reverenciados por la comunidad estudiantil: los emigrantes Lina Bo Bardi y Pietro Maria Bardi.

Aquellos que estudiaban Arquitectura, Ingeniería o Matemáticas tenían como musa a la arquitecta ítalo-brasileña Lina Bo Bardi. Predecían que ella iba a ocupar un lugar en la Historia de la arquitectura y del arte contemporáneo brasileño.

“Soy extranjera en cualquier parte. Es muy bueno no ser presa de nada. La libertad es muy importante”, decía ella.

Sus obras −la Casa de Vidrio, el edificio del Masp (Museo de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand), el Sesc (Centro Cultural Pompéia), el Teatro Oficina de São Paulo, elegido como el mejor del mundo (en plan arquitectónico) por el diario The Guardian, la restauración del centro histórico de Salvador de Bahía, declarado Patrimonio de la Humanidad por la Unesco en 1985,  la escenografía y vestuario para la obra teatral Ubu. Folias Physicas, Pataphysicas e Musicaes, de Alfred Jarry, a cargo del grupo brasileño Ornitorrinco, en 1985 −, eran una referencia de modernidad para una generación ávida de lo nuevo y práctico.

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Lina Bo Bardi construyó la Casa de Vidrio en São Paulo como vivienda de la pareja Bo Bardi / Foto: José Manuel Ballester (2007). Colección Fundación Juan March.

A Casa de Vidro es la primera obra de Lina en Brasil. Está situada en una pendiente y totalmente integrada en una exuberante vegetación. Fue edificada entre los 1949-1951, en la zona rural de São Paulo, antes de que el entorno fuera devorado por la  metrópoli. Es objeto de estudio para arquitectos del todo el mundo. Hoy en día  es la sede del emblemático Instituto Bo Bardi.

Simbiosis transatlántica

En contrapartida, aquellos que estudiaban Periodismo, Bellas Artes e Historia del Arte tenían como musa al ítalo-brasileño Pietro Maria Bardi –periodista, coleccionista de arte, escritor y cofundador del Masp. También vaticinaban que él iba a ocupar un lugar en la Historia del arte y periodismo brasileño.

“No soy un artista. Ser artista es hacer arte todo el día y si es posible toda la noche”, me dijo él un día. “Tengo la virtud de un conocedor del Arte”.

Moraleja: los ítalo-brasileños Lina Bo Bardi y Pietro Maria Bardi eran amantes. Una pareja afectiva y  profesional. Ambos formaban parte de la gran ola migratoria europea de postguerra que llegó a Brasil en los años cuarenta y cincuenta del siglo pasado.

Él, cofundador del Masp, el más importante museo de América Latina. Ella, cofundadora y arquitecta del edificio del Masp, ubicado en la aristocrática, moderna e imponente avenida Paulista de São Paulo, la más importante arteria económica latinoamericana. ¡Bingo! Los emigrantes suman…

El museo fue construido entre los años 1957-1968. Es uno de los edificios más emblemáticos de la arquitectura brasileña. Así lo ve el fotógrafo Leonardo Finotti.

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Pietro Maria Bardi en São Paulo en 1986. / Foto: Marisa Uchiyama (Archivo Blog do Pícaro)

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Lina Bo Bardi en São Paulo en 1991.

El edificio del Masp, sostenido por cuatro pilares y cuatro vigas de hormigón pretensado, extensas plantas diáfanas y abundante iluminación natural, traduce plásticamente la singularidad de un museo construido para ser el mejor y el más osado de América. Fue inaugurado oficialmente el 8 de noviembre de 1968 con la presencia de la reina Isabel II de Inglaterra.

Este año, 2018, el Masp cumple 50 años bien vividos.

En 1992, antes de morir Lina Bo Bardi dijo: “Mirando el pasado y el presente de la avenida Paulista cada uno hizo lo que tenía la gana de hacer y hoy la avenida no tiene memoria”.

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El Centro Cultural Sesc-Pompéia, en São Paulo, fue concebido entre los años 1977 y 1986. Para Lina era una ciudad de libertad, “un soplo de aire fresco en una ciudad muerta”.

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Teatro Oficina en São Paulo, arquitectura con vistas. Entre los años 1984-1992 Lina se hizo cargo de la recuperación de la sede de este teatro, que había sufrido un incendio en 1966. / Foto: José Manuel Ballester

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Lina Bo Bardi, Proyecto para una versión del sillón Bardi’s Bowl Chair, 1951.

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Lina Bo Bardi, Planta del centro histórico de Salvador, Bahía – Plan de recuperación, 1986.

De Brasil a España

Las exposiciones que la Fundación Juan March, Madrid, exhiben siempre  ilusionan.

En estos momentos podemos contemplar la amplia exposición denominada Lina Bo Bardi: tupí or not tupí. Brasil, 1946-1992 que la institución dedica a la artista ítalo-brasileña. En ella constatamos la enorme huella que la musa generacional de la arquitectura brasileña dejó para las futuras generaciones sin fronteras.

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“Las 348  obras de la exposición invitan a descubrir las analogías de la obra de Lina Bo Bardi con la antropofagia de los años veinte y el tropicalismo de los años sesenta. Dibujos, pinturas, fotografías, objetos, esculturas, documentos y piezas de artesanía, no solo de Lina Bo Bardi sino también de artistas internacionales como Max Bill, Alexander Calder o Saul Steinberg, de artistas brasileños como Cícero Dias, Lygia Pape, Lygia Clark, Hélio Oiticica y de artistas populares y no eruditos, así como arte indígena. (….) Con dinamismo multifacético –como arquitecta, museógrafa, diseñadora, escritora y activista cultural- hizo rotar el eje de las complejas relaciones entre la modernidad y la tradición, entre la creación de vanguardia y las costumbres populares, entre la individualidad del artista moderno y el trabajo colectivo del pueblo”, se puede leer en el texto de presentación de la exposición, que contó con la colaboración y el apoyo del Instituto Bardi/Casa de Vidrio.

La magnífica exposición dedicada a Lina Bo Bardi es la primera que se celebra en España, y una de las primeras que no se limita a su faceta de arquitecta. Se complementa con conciertos musicales, coloquio, ciclos de conferencia, talleres educativos dirigidos a centros escolares alrededor de la obra Gran vaca mecánica (1988), artefacto diseñado por Lina, pensado para inspirar el juego y la participación, que ha sido reconstruido en Madrid.

Durante la visita a la exposición se puede asistir, en sesión continua, a una selección de materiales audiovisuales que muestran testimonios recogidos de personas que trataron a Lina, además de documentales del arquitecto chileno Felipe de Ferrari sobre las obras de la arquitecta.

Lina Bo Bardi: tupí or not tupí. Brasil, 1946-1992 es una lúcida inmersión en la cultura de Brasil entre 1946 y 1992. Refleja la simbiosis de la arquitecta con la tradición y la modernidad. El cosmopolitismo y lo popular. La vanguardia tecnológica y la artesanal. La ciudad y la naturaleza. La arquitectura y el arte.

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Gran vaca mecánica (1988), obra de Lina Bo Bardi.

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Polochon (1985), obra de Lina Bo Bardi. Cerdo con dos culos creado para recibir  al público que acudía al espectáculo Ubú Rey.

Cacá Rosset y Christiane Tricerri en un momento de Ubú Rey, en 1985. El premiado vestuario y escenografía de la obra fueron realizados por Lina Bo Bardi. / Foto: Divulgación Ornitorrinco.

De Italia a Brasil

Nacida como Achillina Bo, en Italia, Lina Bo Bardi (Roma, 1914 – São Paulo, 1992), se graduó en arquitectura en la Universidad La Sapienza de Roma en los años treinta. Llegó a Brasil en 1946 junto a su marido, Pietro Maria Bardi, e inmediatamente quedó enamorada del país. En 1951 obtuvo la nacionalidad brasileña. Vivió en Río de Janeiro, Salvador y, principalmente en São Paulo.

Mujer multifacética, Lina Bo Bardi, además de venerada arquitecta “ecológica” y activista cultural, también fue directora de revistas, diseñadora de exteriores, muebles y joyas, editora, comisaria de exposiciones, ilustradora, pintora, coleccionista de arte y de objetos de artesanía, especialmente los relacionados con el circo, el teatro, el carnaval y el juego.

“Hay un sabor de victoria y encanto en el hecho de ser sencillo. No es preciso mucho para ser mucho”, manifestaba la arquitecta.

Desde su fallecimiento en 1992 la artista se ha convertido en una figura de referencia internacional, cuyo conocimiento ha contribuido a difundir las exposiciones celebradas desde 1992 y a partir de 2014, centenario de su nacimiento, en torno a su obra. “Sus ideas e iniciativas siguen vigentes en el nuevo siglo, en que muchos de los retos a los que se enfrentó aún siguen vivos”, sintetiza el texto de presentación de la exposición que se exhibe en Madrid.

Tras hacerse brasileña, escribió: “Cuando nacemos no elegimos nada, nacemos por casualidad. No he nacido aquí, he elegido este lugar para vivir. Por este motivo Brasil es dos veces mi país, es mi “Patria de Elección”, y me siento ciudadana de todas las ciudades, de Cariri al Triángulo Minero, de las ciudad del interior y a las de frontera”.

Gracias por todo Lina Bo Bardi. De Madrid al cielo. ●

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Obras de otros artistas brasileños que se muestran en la exposición dedicada a Lina Bo Bardi.

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Exvotos, S. F. Autor desconocido. 152 figuras de madera.

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Escenario para un tractor para la exposición Agricultura paulista, São Paulo, Brasil, 1951. Obra de Lina Bo Bardi.

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Lina Bo Bardi en el baile de carnaval de 1948 en el Instituto de Arquitectos de Brasil con el collar de aguamarinas diseñado por ella en 1947. / Foto: Henri Ballot

*Tupiniquim: Propio de Brasil; brasileño.

Nota del autor: Artículo publicado en Megacín ACPE

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Fotografia

Más allá de la tumba

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Robert Mapplethorpe, autorretrato como mujer, 1980.

“La fotografía es un secreto, a propósito de un secreto, y cuanto más nos hablan menos sabemos”. (Diane Arbus)

Por Jairo Máximo

Madrid, España ― (Blog do Pícaro) ― Fue en la prensa brasileña, a principios de los años ochenta  del siglo pasado, cuando vi por primera vez bellas instantáneas del fotógrafo neoyorquino Robert Mapplethorpe. Belleza y erotismo eran la marca de la casa. Al momento floreció un flechazo artístico. ¡Amor plástico! El artista realizaba una obra compleja y atractiva. Su mirada fotográfica atrapa y escandaliza a la vez.

Años después, en junio de 1991, acudí en Madrid a la rueda de prensa con motivo de la inauguración de la muestra Fotografía Americana del Siglo XX, donde pude contemplar dos imágenes originales en blanco y negro y de gran formato de autoría del fotógrafo, incluidas en aquella exposición, que reunió 257 fotografías de sesenta y cuatro autores que ilustra la evolución de este arte en Estados Unidos durante el período comprendido entre 1920 y 1990.

Claudia Summer, 1980, fotografiada por Robert Mapplethorpe.

En el catálogo de la muestra Sheril Conkelton, escribe: “Las sencillas imágenes de las fotografías de Robert Mapplethorpe ―flores elegíacas y formas humanas posando elegantemente― utilizan cualquier convención de  estudio imaginable para presentar iconos perfeccionados. Sus imágenes constituyen inconsútiles ejemplos  de la producción moderna. Sus temas carecen de tiempo y espacio, de contexto político o social; existen en un plano aparte. El perfil de Claudia Summer no tiene relación alguna con una personalidad: es pura forma. Irónicamente, el logro más duradero de Mapplethorpe lo constituirán posiblemente las fotografías de la hasta ahora invisible y enormemente desconocida clase homosexual de Manhattan; en estas fotos, su activa adhesión a las convenciones modernas proporcionaba el vigor adecuado a esos no manumitidos personajes. Así pues, emulando los cánones estéticos establecidos para incrementar su autoridad visual, lo invisible se tornó visible y se embelleció traumática y eficazmente”.

Resultado de imagen de fotografias de flores de Robert Mapplethorpe

Calla Lily, 1984, por Robert Mapplethorpe

Resultado de imagen de retrato de William Burroughs, por Robert Mapplethorpe

Tulip, 1985, por Robert Mapplethorpe

CAPTANDO ALMAS

Una década mas tarde, volví a encontrar a Robert Mapplethorpe, ahora en las páginas del valioso libro La Fotografía del siglo XX, del Museum Ludwig Colonia, editado en 2007. En él la autora Marianne Bieger-Thielemann, escribe: “Mapplethorpe tenía una marcada predilección por los temas clásicos, a los cuales aportaba el mismo rigor, a nivel de la composición y la misma extraordinaria definición. (…) La libertad con que abordaba particularmente el sexo masculino y manifestaba al mismo tiempo sus inclinaciones homosexuales, llegó incluso a provocar la incautación de sus fotografías en oportunidad de una de sus exposiciones”.

Resultado de imagen de Foto sin título (desnudo masculino), 1981, por Robert Mapplethorpe

Sin título, 1981, por Robert Mapplethorpe.

Durante su existencia el contenido sexual de parte de su producción artística fue calificado de pornografía, además de haber generado diversas polémicas durante su carrera. En 1989, la galería de arte Corcoran, de Washington, le censuró algunas fotos. Tras tres décadas de su prematuro desaparecimiento, Robert Mapplethorpe continúa escandalizando.

La última polémica acaba de ocurrir en el Museo de Arte Contemporáneo Serralves, en Oporto, Portugal, donde han sido “apartadas” 20 fotografías de una retrospectiva de la obra del artista, constituida por 179 imágenes, que incluyen collages, retratos de famosos, autorretratos, flores, bodegones y desnudos. De nada sirvió que el director artístico del museo, João Ribas, por precaución, colocase un cartel advirtiendo que las 20 fotografías separadas y agrupadas en una sala anexa, podrían herir sensibilidades… Con todo, no le han perdonado. Ha sido cesado horas después de la abertura de la exposición.

“Me fueron impuestas restricciones e intervenciones que crearon un punto de ruptura en términos de autonomía artística y de una actividad de programación libre de intromisiones. Tales restricciones interfirieron de modo grave en la conceptualización expositiva”, declaró a la prensa portuguesa el dimitido João Ribas.

En el cartel que prohíbe el paso a menores de 18 años a la sala separada por una puerta corredera, se puede leer: “Alertamos para a dimensão provocatória e o caráter eventualmente chocante da sexualidade contida en algumas obras expostas. A admissão nesta sala está reservada a maiores de 18 anos. [Alertamos de la dimensión provocativa y el carácter eventualmente chocante de la sexualidad contenida en algunas obras expuestas. La admisión en esta sala está reservada a los mayores de 18 años]”.

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Kin Moody, 1983, posando para Robert Mapplethorpe.

ARTISTA PROVOCADOR

Robert Mapplethorpe (1946, Nueva York ―1989, Boston, Estados Unidos) cuando era niño quería ser músico. En la adolescencia estudió pintura. Finalmente decidió ser fotógrafo y se tornó un de los fotógrafos más controvertidos del siglo XX, considerado una referencia a nivel mundial.

Fue su amigo John McEndry, el conservador de la colección gráfica y fotográfica del Metropolitan Museum of Art de Nueva York, quien le incentivó a descubrir la fotografía. Al principio coleccionaba viejas imágenes fotográficas y realizaba collages con material fotográfico encontrado, hasta que se encontró con una pequeña cámara polaroid y empezó a tomar fotografías de flores, en particular orquídeas y lirios de agua, de desnudos de aspecto escultural ―tanto de hombres como de mujeres―, además de hacer retratos de celebridades, entre ellas, Susan Sarandon, Blondie, Andy Warhol, Lousie Bourgeois, Susan Sontag, William Burroughs, Patti Smith, Lydia Cheng, Arnold Schwarzenegger, Richard Gere, Carolina Herrera, Cindy Sherman, Annie Leibovitz.

Robert Mapplethorpe trabajaba principalmente en su estudio. La etapa “oscura y sadomasoquista” de su obra constantemente recibía el calificativo de escandalosa. ●

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La cantante Patti Smith, 1975, retratada por Robert Mapplethorpe.

Resultado de imagen de retrato de William Burroughs, por Robert Mapplethorpe

El escritor William Burroughs, 1979, retratado por Robert Mapplethorpe.

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La escultora Lousie Bourgeois, 1982, posando con una de sus míticas esculturas fálicas para Robert Mapplethorpe.

Resultado de imagen de retratos de Robert Mapplethorpe

Jill Chapman y Ken Moody, 1983, posando para Robert Mapplethorpe.

Resultado de imagen de retrato de William Burroughs, por Robert Mapplethorpe

Instantánea de Robert Mapplethorpe.

Imagen relacionada

Diversas  instantáneas del fotógrafo neoyorquino Robert Mapplethorpe.

 

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Fotografia

De cementera a viviendas

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

“La fotografía ayuda a las personas a ver”. (Berenice Abbott, fotógrafa estadounidense)

Por Jairo Máximo

Madrid, España ― (Blog do Pícaro) ― Durante más de tres años la mirada singular del renombrado fotógrafo estadounidense Robert Royal captó imágenes de la demolición de las instalaciones de una fábrica de  cemento y la posterior urbanización que creció en su lugar. A través de sus instantáneas contemplamos la transformación  de la cementera en un solar de  viviendas.

Con esta temática el fotógrafo acaba de presentar en Vicálvaro, Madrid, la exposición Proyecto Valderrivas 1998-2001, de innegable valor artístico compuesta por 30 imágenes que reflejan parte de la historia reciente de Vicálvaro. La protagonista es la conocida fabrica Cementos Portland Valderrivas, ubicada en Vicálvaro, Madrid.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

En el texto de presentación de la exposición, Robert Royal (Alabama, Estados Unidos, 1940), aclara  que  su proyecto empezó en 1998 cuando le han pedido documentar la demolición de la Fábrica de Cementos Portland Valderrivas, y la concluyó en 2001, con la posterior construcción de casi 6.000 viviendas en la primera fase.

“Esta exposición está dedicada a los vecinos que vivieron durante mucho tiempo prácticamente en las puertas de la fábrica”, confiesa Robert Royal.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

Para el sociólogo Jesús Martín, esta exposición en Vicálvaro es una oportunidad para que los vecinos sepan de donde vinieron.

“Me ha gustado mucho la exposición, sin embargo estoy molesto con las autoridades de entonces porque no han preservado la histórica chimenea. Las futuras generaciones tenían que saber que en aquél solar en un tiempo pasado reciente hubo una potente cementera  que tenía una chimenea que era un hito arquitectónico”.

Las bellas y reveladoras fotografías captadas por Robert Royal a lo largo de muchos años son un marco para el recuerdo de cómo fue aquél paraje que hoy es habitado por millares de familias españolas.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

PLASMANDO EL CAMBIO

He aquí el texto de presentación de la exposición Proyecto Valderrivas 1998-2001 de Robert Royal:

“Trabajando como fotoperiodista en España tuve la oportunidad única de poder observar y documentar un periodo importante dentro de su larga historia, la transición política, que empezó en 1975, dando lugar a un desenfrenado crecimiento económico y al desarrollo social que ha permanecido casi ininterrumpidamente hasta el día de hoy.

Cementos Portland Valderrivas se convirtió en protagonista clave de este periodo de crecimiento y desarrollo urbanístico ya que fabricaba el material de construcción más básico, el cemento. La empresa expandió sus fábricas, comprando y modernizando otras a lo largo de España, Norteamérica, Sudamérica y el norte del continente africano.  Tuve la suerte, como periodista y  proveedor privado de imágenes dentro de la compañía, de fotografiar el rapidísimo crecimiento del Grupo Cementos Portland Valderrivas en los tres continentes.

Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

Un día en 1998 Vicente Ynzenga, alto ejecutivo encargado de la imagen corporativa de la empresa y descendiente de su fundador, solicitó mi presencia en la oficina del Grupo Cementos Portland Valderrivas, en la madrileña Calle de José Abascal. Aquella reunión fue para tratar sobre un proyecto nuevo y yo me imaginé que sería acerca de una nueva expansión o adquisición de la empresa.

Pero para mi gran sorpresa, se me pidió documentar la demolición y reciclaje de una fábrica ya existente: la Fábrica de Cementos Portland Valderrivas, localizada en el sureste de Madrid, en la vieja villa de Vicálvaro. Este proyecto fue denominado “Proyecto Valderrivas” por unos y “Proyecto Vicálvaro” por otros.

Cementera

Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

La Fábrica se había convertido en un gran obstáculo en el crecimiento y desarrollo urbano de esta zona y por ello el Ayuntamiento de Madrid y el Grupo Cementos Portland Valderrivas llegaron a un acuerdo para deshacerse de la gran fábrica y la cantera que había allí. El proyecto comenzó en 1998 y en su lugar se construyeron casi 6.000 viviendas en la primera fase.

Esta exposición de fotografías está especialmente dedicada a aquellos habitantes de Vicálvaro que vivieron durante mucho tiempo prácticamente en las puertas de la fábrica; muchos de ellos, a día de hoy, se han convertido en amigos como resultado de mis visitas semanales a Vicálvaro durante más de dos años mientras retrataba el desmantelamiento y reciclaje de la fábrica y la desaparición de su cantera.

Quisiera agradecer especialmente su colaboración a la Casa Consistorial del Distrito de Vicálvaro y a sus administradores que han permitido esta exposición”. ●

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

Nota del autor: Artículo publicado en el MegacínACPE

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Viaje a lo desconocido

Resultado de imagen de imagenes de la novela grafica Emigrantes, de Shaun Tan

Por Jairo Máximo

Madrid, España ― (Blog do Pícaro) ― Durante mi infancia oía a menudo los vocablos emigrante e inmigrante. No entendía la diferencia entre estos términos lingüísticos. Emigrante: dejar uno su propio país para establecerse en otro extranjero. Inmigrante: llegar a un país para establecerse en él.

Por entonces también desconocía mi ascendencia. Mis abuelos paternos eran portugueses inmigrantes que llegaron a Brasil a finales del siglo XIX. Y los maternos eran, ella portuguesa, y él brasileño, hijo de esclavos africanos.

Sin saberlo era hijo de flujos migratorios. En el cole casi la totalidad de mis compañeros eran descendientes de portugueses, italianos, españoles, japoneses, árabes, franceses, alemanes, polacos, judíos, chinos, etcétera. En el Brasil mestizo había cabida para todos. Fue construido por inmigrantes. El país es un crisol de nacionalidades, etnias y creencias religiosas.

Pasé mi infancia creyendo que la convivencia era una norma universal. Aún no sabía nada de la historia contemporánea. Pese a eso, intuía que cada uno de “nosotros” teníamos una historia familiar para contar.

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Empatía con el desconocido

Fue con sumo interés que leí la extraordinaria novela gráfica, sin textos, titulada Emigrantes, de Shaun Tan. Magníficamente ilustrada, su atenta lectura inquieta del principio al fin. Genera un mar de sensaciones. Es como una película clásica del cine mudo. Engancha. Las imágenes, muchas de ellas surrealistas, cuentan seis diferentes historias, que despiertan encontrados sentimientos: compasión, desasosiego, rabia y alegría.

Según Shaun Tan, que tardó 5 años en concluir esta obra, editada en 2007,  “buena parte de esta historia está inspirada en las anécdotas de muchos emigrantes de distintos países y periodos históricos, entre ellos mi padre, el cual llegó a Australia Occidental desde Malasia en 1960”.

La obra Emigrantes atrae porque es diferente, valiente y cercana. Es un homenaje a todos los emigrantes, refugiados, desplazados y exiliados que han realizado el viaje a lo desconocido por necesidad. Los dibujos de color sepia recuerdan aquellas fotos antiguas que han pasado largas temporadas viajando, de un sitio a otro, hasta encontrar un puerto seguro y ser colgadas en la pared de la nueva habitación.

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Emigrantes es una historia contada como una serie de imágenes sin palabras que podrían venir de una época ya olvidada. Un hombre deja a su esposa y su hijo en un pueblo empobrecido, en busca de mejores perspectivas en un país desconocido al otro lado de un vasto océano. Con el tiempo, se encuentra en una ciudad extranjera de costumbres desconcertantes, animales peculiares, objetos flotantes curiosos y lenguajes indescifrables. Con solo una maleta y un puñado de monedas, el emigrante debe encontrar un lugar donde vivir, algo para comer y un trabajo. Es ayudado por el camino por amables desconocidos, cada uno con su propia historia: momentos de lucha y supervivencia en un mundo de violencia sin sentido, agitación y esperanza”, explica el autor.

“Los dibujos de los emigrantes en el navío son un homenaje a la pintura de Tom Roberts titulada Coming South, la cual está en la National Gallery of Victoria, Melbourne. Entre las demás referencias e inspiraciones visuales se encuentra una fotografía de un repartidor de periódicos de 1912 en la que se anuncia el hundimiento del Titanic, postales de Nueva York de finales del siglo XIX y comienzos del XX, fotografías callejeras de la posguerra europea, el filme de Vittorio De Sica titulado Ladrón de bicicletas (1948) y el grabado de Gustave Doré llamado Sobre Londres en tren (h. 1870). Varios de los dibujos sobre el trato que reciben los inmigrantes, de las fotografías de pasaporte y del “pasillo de llegada” se basan en fotografías tomadas en la neoyorquina isla de Ellis entre 1892 y 1954, muchas de las cuales forman parte de la colección de Ellis Island Inmigration Museum”, esclarece Tan.

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Para todos los públicos

La obra Emigrantes ya ha vendido más de 500 000 ejemplares en todo el mundo. Como todo best-seller han sido muchas las opiniones vertidas sobre ella.

“Se trata de una espléndida y pertinente historia de esperanza y perseverancia: profundamente conmovedora, perturbadora y, a la vez, rebosante de una tranquila alegría”. (The Monthly)

“Las ilustraciones de Tan son cautivadoras y tienen un ritmo brillante. La historia se desarrolla a la perfección y jamás anula la interpretación que pueda hacer el lector acerca de lo que trata el relato”. (The Age)

“Una diestra y extraordinaria obra de arte”. (The Sunday Times)

“Un triunfo de la imaginación. Debería haber un ejemplar de esta obra en todos los hogares”. (The Times)

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Autor prolífico

 Resultado de imagen de imagen de Shaun TanShaun Tan (Perth, Australia, 1974) es dibujante, cineasta, escenógrafo y artista conceptual. Graduado en Bellas Artes y Literatura Inglesa por la Universidad de Western Australia, es hijo de chino y australiana.

Está considerado como una de las voces más originales e interesantes de los últimos años en el mundo del libro ilustrado.

Entre sus obras gráficas, traducidas a muchos idiomas, están Los conejos (1998), Memorial (1999), El árbol rojo (2001), Cuentos de la periferia (2008), Las reglas del verano (2013), entre otras. En 2001 ganó el Oscar por el cortometraje La cosa perdida. En 2011 recibió el prestigioso galardón Astrid Lindgren Memorial Award en Suecia como reconocimiento a toda su obra.●

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Nota del autor: Artículo publicado en el MegacínACPE.

 

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