Arte e Cultura

Solitários com arte

CapaSketchersdoBrasil

Por Jairo Máximo

Pikarocomprimido Madri, Espanha – (Blog do Pícaro) − Quando em fevereiro passado, durante uma estadia no Brasil, a ceramista nipo-brasileira Miha Nakatani me presenteou com um exemplar da obra Sketchers do Brasil e escreveu na dedicatória: “Um pequeno recorte do Brasil”, sabia que tinha na mão uma joia que ia cruzar comigo o oceano Atlântico para ser contemplado com placidez na península ibérica.

De volta à casa, constatei que Sketchers do Brasil, organizado por Antonio Dias, Fabiano Vianna, Raro de Oliveira, Simon Taylor e Thiago Salcedo,  foi editado em 2016, em Curitiba, Brasil, e reúne o trabalho de 51 artistas, que possibilita constatar as diferenças do estilo, traço, tema e técnica, utilizada por cada um deles. São mais de 500 imagens deslumbrantes.

Na obra encontramos sketch realizados em 21 cidades do país. Porto Alegre, Contagem, Salvador, Mogi das Cruzes, Curitiba, Brasília, São Paulo, Joinville, Fortaleza, Araraquara, Maceió, Goiânia, São Carlos, São Luis, Rio de Janeiro, Natal, São José dos Campos, Londrina, Santos, Paraty e Vitória.

Literalmente, vê-las através de seus sketchers é como estar fisicamente nelas sem nunca ter estado; nem espiritualmente.

Caçando tempo. Desde remotos tempos é possível encontrar nos espaços públicos artistas absortos que desenham lentamente um momento da vida que passa. São os internacionalmente conhecidos como sketchers. Do Impressionismo até os dias atuais grandes obras artísticas foram concebidas partindo desta dinâmica: registrar um lugar cotidiano através do desenho.

“Os sketchers são pescadores de atmosferas. (…) Tenho a sensação de estarem registrando um tempo que já escoou. Isso teria em comum com os cronistas: registram a paisagem com os olhos do futuro. Sabem que vêem e capturam reflexos, ideias, desejos, sonhos. E, sobretudo, coisas cujo destino inescapável é o sumidouro. Projetos de destroços. E é daí, dessa consciência do escombro, que salta a grande beleza de seu trabalho. (…) Para mim, o que esse pessoal faz é literatura”, escreve o cronista, contista e músico curitibano, Luís Henrique Pellanda, no prefácio da obra.

“São artistas visuais que registram as cidades em diários gráficos. Na sua maioria, independentes de sua formação profissional, ou como arquitetos, desenhistas, pintores, poetas, designers, ou mesmo escritores, fotógrafos… são cronistas visuais do urbano. (…) Nessa linda e sensível publicação viajamos pelas cidades e paisagens urbanas brasileiras através das viagens-olhares de seus autores”, escreve no texto de apresentação André Lissonger, arquiteto e diretor geral do grupo Urban Sketchers Brasil.

Para o arquitecto, professor e ilustrador curitibano Fabiano Vianna, “Sketchers do Brasil não trata apenas de um catálogo de desenhos, mas sim de um passeio pelos processos que definem o estilo de cada artista”.

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Cine Urupema por Ana Rafful

Volta ao passado. Entre os belos e distintos sketch publicados, acompanhados de um pequeno texto informativo sobre que é quem neste mundo artístico, foi com surpresa que encontrei vários sketch que me transportaram as minhas origens brasileiras.

Miha Nakatani e Ana Rafful retratam Mogi das Cruzes, a cidade em que nasci no final dos anos 50 do século passado. As imagens que registraram conseguiram ativar o território da minha memória. Com um sketch de Ana Rafful, reencontrei com as minhas tardes cinematográficas infantis e juvenis no antigo Cine Urupema. Com o de Miha Nakatani, o restaurado Casarão do Chá, uma simbólica construção única e excepcional relacionada à história da imigração japonesa em Mogi das Cruzes.

Ana Rafful é uma das fundadoras do grupo Urban Sketchers em Mogi das Cruzes, com o objetivo de promover e divulgar o desenho de observação na região do Alto Tietê. Diversas cidades brasileiras possuem grupos ativos de sketchers: Aracaju, Ouro Preto, Belo Horizonte, Ribeirão Preto, Santo André, Blumenau, Recife, Campo Grande, dentre outras. Urban Sketchers (USK) foi fundado em Seattle, em 2007, pelo jornalista e ilustrador espanhol Gabriel Campanario.

Os sketch realizados com talento têm alma. A obra Sketchers do Brasil é um exemplo. ●

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Casarão do Chá por Miha Nakatani

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Londrina por Patrick Rocha

SketchersdeSimonTaylor

Curitiba por Simon Taylor

SketchersdeLuanaKallas

Brasília por Luana Kallas

SketchersdeEduardoBajzek

São Paulo por Eduardo Bajzek

SketchersdeKei Isogai

São Paulo por Kei Isogai

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São Paulo por João Pinheiro

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Salvador por André Lissonger

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Porto Alegre por Achylles Costa Neto

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Natal por Jota Clewton

Nota do autor: Artigo publicado em espanhol no MagacínACPE

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Cartas em mão

Capacartasbrasileiras

Por Jairo Máximo

Carta para pícaroMadri, Espanha – (Blog do Pícaro) – Ilustríssimo leitor, em janeiro passado encontrei numa livraria de São Paulo uma publicação que imediatamente despertou minha curiosidade: Cartas brasileiras, uma seleção de 80 missivas históricas.

Meu interesse por esta obra relaciona-se com Cartas extraordinárias, do inglês Shaun Usher, uma compilação de 125 epístolas assinadas por pessoas célebres e anônimas do mundo todo e de todas as épocas.

Desejava encontrar o paralelismo entre estes dois trabalhos transatlânticos nos quais o protagonista é A Carta, um apreciado meio de se comunicar ao borde da extinção.

Em Cartas brasileiras (2017), organizado Sérgio Rodrigues, as missivas publicadas vão acompanhadas de breves textos contextualizados e diferentes imagens gráficas: cartas originais, fac-símiles, fotografias e ilustrações.

Encontramos cartas de Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Carlos Gomes, Olavo Bilac, Lima Barreto, Machado de Assis, Torquato Neto, Joaquin Silvério dos Reis, Charles Darwin, Jorge Amado, Glauber Rocha, Tarsila do Amaral, Lygia Clark, Nise da Silveira, Iberê Camargo, Santos Dumont, Paulo Freire, Roberto Marinho, Graciliano Ramos, Oscar Niemeyer, Oswaldo Cruz, Getúlio Vargas, Vinicius de Moraes, Dorival Caymmi, Chico Buarque de Holanda, Ronald Biggs, Caio Fernando Abreu, Don Pedro I, Cândido Rondon, Padre Antonio Vieira…

Dignas de reflexão. As 80 epístolas brasileiras têm o poder de ajudar a compreender avulsos momentos da história do Brasil. Ao mesmo tempo, evidencia a vinculação de destacados estrangeiros −de ontem e hoje− com o País Tropical.

Antigamente, tanto no inicio como no final de qualquer carta, o profundo respeito do remetente ao destinatário era a tônica.

“Meu querido, meu bem, prezado senhor, prezada amiga, meu filhinho, meu caro pai, queridos, sinceras saudações”, eram alguns dos vocábulos mais utilizados para começar. “Abraços fraternais, com a mais alta estima, muito sinceramente, de seu amigo, um grande abraço, beijos, respeitosamente”, eram os que se usavam para terminar as cartas de ontem.

CartaPeroVazdeCaminha

A carta mais antiga de Cartas brasileiras é de 1º de maio de 1500. Foi escrita por Pero Vaz de Caminha (1450-1500), escrivão da frota de Pedro Álvares Cabral (1467-1520). O destinatário é D. Manuel I (1469-1521), rei de Portugal. Relata as belezas da terra nova encontrada: Terra da Vera Cruz. É a carta mais famosa do Brasil. Uma referência do encontro de uma nova colônia portuguesa. Por outro lado, a carta mais recente é 7 de dezembro de 2015, escrita pelo vice-presidente Michel Temer, destinada a presidente Dilma Rousseff. “Senhora presidente, Verba volant, scripta manent. Por isso lhe escrevo. (…) Sei que a senhora não tem confiança em mim e no PMDB, hoje, e não terá amanhã. Lamento, mas esta é a minha convicção. Respeitosamente”.

No texto de apresentação da obra, Sérgio Rodrigues escreve: “Caro leitor, Espero que esta o encontre bem. (…) O tempo das cartas passou, levado pelo tsunami digital que varreu o mundo, mas a velha correspondência manuscrita ou datilografada conserva seu poder mágico de máquina do tempo. Poucas coisas são tão capazes de nos transportar inteiros, cabeça e coração, para outras eras, outros mundos e mentalidades. (…) Inspirado no belo Cartas extraordinárias, de Shaun Usher, publicado por esta editora, Cartas brasileiras é uma seleção eclética de missivas brasileiras incríveis que se destacam como cápsulas de tempo”.

Sérgio Rodrigues é escritor, crítico literário e jornalista. Mineiro de nascimento e carioca de adoção. Autor do romance O drible (2013), vencedor do prêmio Portugal Telecom (atual Oceanos) e lançado na Espanha, na França e em Portugal, e do almanaque Viva a língua brasileira!

Cartas alheias

Carta 4 – Escrita no dia 2 de setembro de 1822. Da princesa Leopoldina para D. Pedro I.Princesa Leopoldina

 “Pedro, o Brasil está como um vulcão. Até no Paço há revolucionários. Até portugueses são revolucionários. Até oficiais das tropas são revolucionários. As Cortes portuguesas ordenam a vossa partida imediatamente, ameaçam-vos e humilham-vos. (…) O Brasil será em vossas mãos um grande país. O Brasil vos quer para seu monarca. Com o vosso apoio ou sem o vosso apoio ele fará a sua separação. O pomo está maduro, colhei-o já, senão apodrecerá. (…) Pedro, o momento é o mais importante de vossa vida. Já dissestes aqui o que ireis fazer em São Paulo. Fazei, pois. Tereis o apoio do Brasil inteiro e, contra a vontade do povo brasileiro, os soldados portugueses que aqui estão nada podem fazer”.

A culta princesa Maria Leopoldina de Áustria (1797-1826) escreveu esta carta para seu marido D. Pedro I de Brasil e IV de Portugal (1798-1834), que tinha viajado a São Paulo, onde declarou nas margens do rio Ipiranga, no dia 7 de setembro de 1822, a independência do Brasil. Ela nunca deixou de ser fiel ao marido infiel e ao país de adoção: Brasil. Morreu vítima de depressão com 29 anos.

Carta 9 – Escrita em 22 de maio de 1925. De Albert Einstein para o Comitê do Prêmio Nobel.

CartaAlbertEinsteinParte1“Prezado Senhor! Permita-me chamar sua atenção para a atividade do general Rondon, do Rio de Janeiro, porque em minha visita ao Brasil tive a impressão de que este homem seria um digno merecedor do prêmio Nobel da paz. Seu trabalho consiste na integração de tribos indígenas aos meios civilizados sem uso de armas nem qualquer forma de coerção. Minhas informações foram passadas por professores da Universidade Técnica do Rio de Janeiro, que se pronunciaram de forma muito calorosa sobre o homem e seu trabalho. Também me foi mostrada alguma coisa em filme. Não conheci pessoalmente o general Rondon. Sendo de seu interesse, posso fornecer mais detalhes, mas seria melhor se o senhor – por meio de seus enviados noruegueses – buscasse diretamente a informação. Com a mais alta estima”.

Carta 16 – Escrita em 11 de fevereiro de 1938. De Mário de Andrade para Pimentel Redondo.CartadeMariodeAndrade

O poeta, ficcionista, ensaísta e musicólogo Mário de Andrade (1893-1945), autor do clássico Macunaíma (1928) e do poema Minha alma tem pressa, era um prolífico escritor de cartas, tanto para remetentes conhecidos como desconhecidos. Nesta carta responde a um jovem desconhecido poeta que lhe pede sua opinião sobre seus primeiros poemas.

“Há poetas enormes que principiaram com poemas péssimos, muito piores que os de você. Há poetas detestáveis e totalmente medíocres que começaram com poemas muito melhores que os seus. (…) Tendo o  orgulho de jamais aconselhar, só posso lhe dizer o mau exemplo. Hoje, por certo, eu não publicaria mais nem meu primeiro livro de versos, nem muitos dos poemas que mesmo depois disso publiquei. Si vier a São Paulo venha conversar um bocado. Muito sinceramente”.

Carta 22 – Escrita provavelmente em 1979. De Paulo Leminski para Régis Bonvicino.

O multidisciplinar artista Paulo Leminski (1944-1989) dizia: “Vivo para fazer poesia”. Fez muita poesia da boa. E viveu intensamente… A carta que mandou para seu amigo Régis Bonvicino, poeta, tradutor e editor é um poema em si. Oportunamente, um fragmento da sua missiva original é a capa de Cartas brasileiras.

depois que v. se foi daqui 

só fiz UM POEMA

de 3 linhas

o q para mim é uma proeza


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Carta 39 – Escrita em 3 de junho de 1942. De Clarice Lispector para Getúlio Vargas.

Quando tinha 21 anos, a magnífica escritora Clarice Lispector (1920-1977), pediu ao presidente ditador Getúlio Vargas (1882-1954) ajuda no processo de concessão da nacionalidade brasileira. Ela era ucraniana que chegou ao Brasil quando era um bebê. Seu pedido não foi atendido. Atualmente sua obra literária pode ser lida em dezenas de idiomas. É uma das melhores escritoras do século vinte. Em 2011, seu amigo, o poeta Lêdo Ivo (1924-2012), me disse em Madri: “Quiçá Clarice vá a ser a grande contribuição da literatura brasileira do século 20 à literatura universal. Uma figura solitária, sofrida e misteriosa. Um mito. Admirável”.

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“Senhor presidente Getúlio Vargas, quem lhe escreve é uma jornalista, ex-redatora da Agência Nacional (Departamento de Imprensa e Propaganda), atualmente n’A Noite, acadêmica da Faculdade Nacional de Direito e, casualmente, russa também. (…) Que não conhece uma só palavra de russo, mas que pensa, fala, escreve e age em português, fazendo disso sua profissão e nisso pousando todos os projetos do seu futuro, próximo ou longínquo. (…) Que deseja casar-se com brasileiro e ter filhos brasileiros. Que, se fosse obrigada a voltar à Rússia, lá se sentiria irremediavelmente estrangeira, sem amigos, sem profissão, sem esperanças. (…) Como jornalista, tomei parte em comemorações das grandes datas nacionais, participei da inauguração de inúmeras obras iniciadas por Vossa Excelência, e estive mesmo ao lado de Vossa Excelência mais de uma vez, sendo que a última em 1º de maio de 1941, Dia o Trabalho. Se trago a Vossa Excelência o resumo dos meus trabalhos jornalísticos não é para pedir-lhe, como recompensa, o direito de ser brasileira. Prestei esses serviços espontânea e naturalmente, e nem poderia deixar de executá-los. Se neles falo é para atestar que já sou brasileira. (…) Senhor presidente. Tomo a liberdade de solicitar a Vossa Excelência a dispensa do prazo de um ano, que se deve seguir o processo que atualmente tramita pelo Ministério da Justiça, com todos os requisitos satisfeitos. Poderei, trabalhar, formar-me, fazer os indispensáveis projetos para o futuro, com segurança e estabilidade. A assinatura de Vossa Excelência tornará de direito uma situação de fato. Creia-me, senhor presidente, ela alargará minha vida. E um dia saberei provar que não a usei inutilmente”.

Carta 46 – Escrita em 22 de fevereiro de 1942. De Stefan Zweig para o Povo Brasileiro e ao Mundo.

Stefan Zweig (1881-1942) é considerado como um dos mais brilhantes e versáteis escritores do século 20. Em 1934, no auge do nazismo, abandonou a Áustria e iniciou um longo exílio. Na noite de 22 de fevereiro de 1942, na serrana Petrópolis, ele e Charlotte Altmann, sua jovem segunda esposa e secretária, suicidaram-se com uma overdose de barbitúricos. De despedida deixou escrito uma carta com a epígrafe “Declaração”, destinada as autoridades brasileiras e, ao mesmo tempo, ao conjunto da humanidade. 

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“Antes de deixar a vida, de livre vontade e juízo perfeito, uma última obrigação se me impõe: agradecer do mais íntimo a este maravilhoso país, o Brasil, que propiciou a mim e à minha obra tão boa e hospitaleira guarida. A cada dia fui aprendendo a amar mais e mais este país, e em nenhum outro lugar eu poderia ter reconstruído por completo s minha vida, justo quando o mundo de minha própria língua se acabou para mim e meu lar espiritual, a Europa, se auto-aniquila. Mas depois dos sessenta anos precisa-se de forças descomunais para começar tudo de novo. E as minhas se exauriram nestes longos anos de errância sem pátria. Assim, achei melhor encerrar, no devido tempo e de cabeça erguida, uma vida que sempre teve no trabalho intelectual a mais pura alegria, e na liberdade pessoal, o bem mais precioso sobre a terra. Saúdo a todos os meus amigos! Que ainda possam ver a aurora após a longa noite. Eu, demasiado impaciente, vou-me embora antes”.

No Brasil, Stefan Zweig escreveu Novela de Xadrez (1941), sua novela mais famosa, sobre a neurose obsessiva que um homem desenvolve pelo xadrez durante seu cativeiro nas mãos da Gestapo. Atualmente em Petrópolis está instalada a Casa-museu Stefan Zweig, dedicada ao escritor e a todos os exilados europeus no Brasil.

img014Carta 64 – Escrita em 16 de novembro de 1889. De D. Pedro II para o Povo Brasileiro.

Pedro II (1825-1891) foi imperador do Brasil. Reinou durante 48 anos (desde sua coroação, aos dez anos de idade). Recusou todos os apelos dos monarquistas para que liderasse a repressão à revolta republicana. Morreu em Paris como um pobre mais.

“À vista da representação escrita que me foi entregue hoje, às três horas da tarde, resolvo, cedendo ao império das circunstâncias, partir, com toda a minha família, para a Europa, deixando esta pátria, de nós tão estremecida, à qual me esforcei por dar constantes testemunhos de entranhado amor e dedicação durante quase meio século em que desempenhei o cargo de chefe de Estado. Ausentando-me, pois, com todas as pessoas de minha família, conservarei do Brasil a mais saudosa lembrança, fazendo os mais ardentes votos por sua grandeza e prosperidade”.

Epilogando. Cartas brasileiras conta com um projeto gráfico e estilo de apresentação dos textos contextualizados idêntico ao de Cartas extraordinárias. Também é uma obra digna de ler lida e contemplada.

Os saúda respeitosamente seu fiel escrevente. ●

Lampiaobueno

De  Lampião para Rodolfo Fernandes.

PadreVieira

Do Padre Antônio Vieira para D. João IV.

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Cartas en mano

Carta para pícaro

Carta de ayer / Archivo Blog do Pícaro

Por Jairo Máximo

Madrid, España – (Blog do Pícaro) – Ilustrísimo lector, en enero pasado encontré en una librería de São Paulo una publicación que al momento avivó mi curiosidad: Cartas brasileñas, una selección de 80 misivas históricas.

Mi interés por dicha obra se remonta a Cartas memorables (2013), del inglés Shaun Usher, una recopilación de 125 epístolas firmadas por gente célebre y anónima de todo el mundo y de todas las épocas.

Deseaba encontrar el paralelismo entre ambos trabajos transatlánticos en los cuales el protagonista es La Carta: un apreciado medio de comunicarse al borde de la extinción.

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En Cartas brasileiras (2017), organizada por Sérgio Rodrigues, las misivas publicadas van acompañadas de breves textos explicativos y material gráfico: facsímiles de las cartas,  fotografías e ilustraciones.

Hay epístolas de Clarice Lispector, Carlos Drummond de Andrade, Elis Regina, Maysa, Carlos Gomes, Olavo Bilac, Lima Barreto, Machado de Assis, Torquato Neto, Joaquim Silvério dos Reis, Charles Darwin, Jorge Amado, Glauber Rocha, Tarsila do Amaral, Lygia Clark, Nise da Silveira, Iberê Camargo, Santos Dumont, Paulo Freire, Roberto Marinho, Graciliano Ramos, Oscar Niemeyer, Oswaldo Cruz, Getúlio Vargas, Vinicius de Moraes, Dorival Caymmi, Chico Buarque de Holanda, Ronald Biggs, Caio Fernando Abreu, Don Pedro I, Cândido Rondon, Padre Antonio Vieira…

Dignas de reflexión. Las 80 epístolas brasileñas tienen el poder de aclarar puntuales momentos de la historia de Brasil. Al mismo tiempo, evidencia la conexión de celebridades extranjeras −de ayer y de hoy− con el país Tropical.

Antiguamente, tanto en las primeras palabras como en las últimas de cualquiera misiva, el profundo respecto del remitente al destinatario era la tónica. “Mi querido, querida mía, estimado señor, mi hijito, mi estimado padre, estimadísimo, mis más sinceros saludos”, eran algunos de los vocablos utilizados para iniciarlas. “Un abrazo afectuoso, respetuosamente, con la más alta estima, muy sinceramente, besos”, eran los más utilizados para concluirlas.

CartaPeroVazdeCaminha La misiva más antigua de Cartas brasileiras está fechada en 1 de mayo de 1500. Fue escrita por Pêro Vaz de Caminha (1450-1500), escribano en flota de Pedro Álvares Cabral (1467-1520). Va dirigida a Don Manuel I (1469-1521), rey de Portugal. Habla de las lindezas de la tierra nueva “encontrada”: Terra da Vera Cruz. Es la carta más famosa de Brasil, un referente del ¿descubrimiento o avistamiento? de la nueva colonia portuguesa. Por otro lado, la carta más reciente es del 7 de diciembre de 2015, está firmada por el vicepresidente Michel Temer, dirigida a la presidenta Dilma Rousseff. “Señora presidente, Verba volant, scripta manent. Es por eso que le escribo. (…) Sé que la señora no tiene confianza en mí y en el PMDB, hoy, y no la tendrá, mañana. Lo lamento, pero esta es mi convicción”.

En el texto de presentación de la obra, el brasileño Sérgio Rodrigues escribe: “Querido lector, espero que al recibo de esta se encuentre bien. El tiempo de las cartas ha pasado, barrido por un tsunami digital, sin embargo, la antigua correspondencia, manuscrita o dactilografiada, conserva su poder mágico de máquina del tiempo. Pocas cosas son tan capaces de transportarnos enteros, cabeza y corazón, a otros tiempos, otros mundos y mentalidades.  (…) Inspirado en el bello Cartas memorables, de Shaun Usher, publicado en Brasil, Cartas brasileiras es una selección ecléctica de misivas brasileñas increíbles que se destacan como cápsula del tiempo”.

Sérgio Rodrigues, es escritor, crítico literario y periodista. Autor de la novela O drible (2013), vencedora del premio Portugal Telecom (actual Oceanos) que ha sido traducido al español y francés. En 2016 publicó ¡Viva la lengua brasileña!, una guía desenfadada sobre gramática y dudas idiomáticas.

Cartas Ajenas

Princesa Leopoldina

Carta 04 – Fechada en septiembre de 1822, firmada por la culta princesa Leopoldina, va dirigida a Don Pedro I.

“Pedro, Brasil está como un volcán. (…) Hasta los portugueses son revolucionarios. (…) Las Cortes portuguesas ordenan vuestro regreso inmediato, te amenazan y te humillan. (…) Brasil será en vuestras manos un gran país. Brasil os quiere como su monarca. Con su apoyo o sin vuestro apoyo él hará su separación. El pomo está maduro, cógelo ya, sino se pudre. (…) Pedro, el momento es el más importante de vuestra vida. Ya dijiste aquí lo que vas a hacer en São Paulo. Haced, entonces. Tendrás el apoyo del Brasil entero y, en contra la voluntad del pueblo brasileño, los soldados portugueses que aquí están nada pueden hacer”.

María Leopoldina de Austria (1797-1826) escribió esta carta a su marido Don Pedro I de Brasil y IV de Portugal (1798-1834) que había viajado a São Paulo, donde declaró a las orillas del río Ipiranga, el día 7 de septiembre de 1822, la independencia de Brasil. Ella nunca dejó de ser leal a su marido infiel y al país de adopción: Brasil. Murió víctima de la depresión a los 29 años.

Carta 09 − Fechada en mayo de 1925, firmada por Albert Einstein, va dirigida al Comité del Premio Nobel.

En mayo de 1925 el físico alemán Albert Einstein (1879-1955) estuvo durante una semana en Río de Janeiro. Allí, entre otras cosas, le impresionó mucho los relatos que oyó sobre el trabajo humanitario que realizaba el mariscal Cándido Rondon (1865-1958). De regreso a Berlín envió esta carta de sugerencia al presidente del Comité del Nobel en Noruega.

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“Permítame llamar su atención sobre la actividad del mariscal Rondon, de Río de Janeiro, porque en mi visita a Brasil tuve la impresión de que este hombre sería un digno merecedor del premio Nobel de la Paz. Su trabajo consiste en la integración de las tribus indígenas al mundo civilizado sin la utilización de armas o cualquier forma de coacción. Mis informaciones fueron repasadas por profesores de la Universidad Técnica de Río de Janeiro, que se pronunciaron de forma muy calurosa sobre este hombre y su trabajo. Incluso me han enseñado alguna película sobre su actividad. No conocí personalmente al mariscal Rondon. Si está interesado, puedo facilitarle más detalles, no obstante, sería mejor si el señor –a través de emisarios noruegos- recopilase directamente la información”.

Carta 16 − Fechada en febrero de 1938,  firmada por Mário de Andrade, va dirigida a “Pimentel Redondo”, pseudónimo de Araldo Alexandre de Almeida Souza.

El poeta, novelista y ensayista Mário de Andrade (1893-1945), autor del clásico Macunaíma (1928) y del poema Minha alma tem pressa, era un prolífico escritor de cartas tanto para remitentes conocidos como desconocidos. Aquí contesta a un joven poeta que le pide su opinión sobre sus poemas.

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“Hay poetas enormes que empezaron con poemas pésimos, mucho peores que los tuyos. Hay poetas detestables o totalmente mediocres que empezaron con poemas mejores que los tuyos. (…)Teniendo el orgullo de jamás aconsejar, puedo decirle mi ejemplo. Hoy yo no publicaría más ni uno de mis primeros libros de versos ni muchos de los poemas que posteriormente he publicado”.

Carta 22 − Fechada en 1979, firmada por Paulo Leminski, va dirigida al poeta, traductor y editor brasileño Régis Bonvicino.

El polifacético artista Paulo Leminski (1944-1989) decía: “Vivo para hacer poesía”. Por supuesto que hizo mucha poesía de la buena. Y vivió a tope… La carta que envió a su amigo Régis es un verso suelto. Acertadamente un fragmento de su misiva original es la portada de Cartas brasileiras.

“Después que tú te has ido de aquí / solo hice UN POEMA / de 3 líneas / lo q para mí es una proeza”.

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Carta 39 − Fechada en junio de 1942, firmada por Clarice Lispector, va dirigida al presidente Getúlio Vargas, dictador del Estado Novo.

Cuando contaba con 21 años la gran Clarice Lispector (1920-1977) pidió al presidente Getúlio Vargas (1882-1954) ayuda para agilizar su solicitud de nacionalidad brasileña. Ella era ucraniana que llegó al Brasil cuando era una cría. Su petición no fue atendida. Hoy su obra literaria puede ser leída en decenas de idiomas. Es una de las mejores plumas del siglo XX. En 2011, su amigo, el poeta Lêdo Ivo (1924-2012), me dijo: “Quizá Clarice va a ser la gran contribución de la literatura brasileña del siglo XX a la literatura universal”.

ClariceCartasBrasileiras3“Señor presidente Getúlio Vargas, quien le escribe es una periodista, ex redactora de la Agencia Nacional (Departamento de Prensa y Propaganda), actualmente trabajando en diario A Noite, académica de la Facultad de Derecho y, casualmente, rusa también. (…) Que no conoce una sola palabra en ruso pero que piensa, habla, escribe y actúa en portugués, haciendo de eso su profesión. (…) Que desea casarse con un brasileño y tener hijos brasileños. Que, si fuera obligada a volver a Rusia, allí se sentiría extranjera, sin amigos, sin profesión, sin esperanzas. (…) Como periodista, estuve en celebraciones de las grandes fechas nacionales, participé de la inauguración de innumerables obras iniciadas por Vuestra Excelencia, y hasta estuve al lado de Vuestra excelencia más de una vez, siendo la última el 1 de mayo de 1941, día del Trabajo. Si traigo a Vuestra Excelencia el resumen de mis trabajos periodísticos nos es para pedirle, como recompensa, el derecho de ser brasileña. He prestado esos servicios espontanea y naturalmente, y no podría dejarlo de ejecutar. Si hablo sobre ellos es para demostrar que soy brasileña. (…) Señor presidente. Tomo la libertad de solicitar a Vuestra Excelencia la dispensa del plazo de un año, que debe seguir mi proceso de obtención de nacionalidad, que actualmente tramita el Ministerio de Justicia, con todos los requisitos satisfechos. Podré trabajar, formarme, hacer los indispensables proyectos para el futuro, con seguridad y estabilidad. La firma de Vuestra Excelencia hará de derecho una situación de hecho. Créame, señor presidente, ella alargará mi vida. Y un día sabré probar que no la utilicé inútilmente”.

Carta 46 − Fechada en noviembre de 1942, firmada por Stefan Zweig, va dirigida a la nación brasileña y al mundo.

Stefan Zweig (1881-1942) es considerado uno de los más importantes escritores del siglo XX. En 1934, tras la ascensión de Adolf Hitler (1889-1945), empezó un largo exilio sin retorno. En la noche de 22 de febrero de 1942, en la serrana Petrópolis, él y Charlotte Altmann (1908-1942), su joven segunda esposa y secretaria, se suicidaron con una sobredosis de un poderoso calmante. En Petrópolis se encuentra la Casa-museo Stefan Zweig, dedicado al escritor y a todos los exiliados europeos en Brasil.

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“Antes de dejar esta vida por voluntad propia, con la mente lúcida, me impongo la última obligación: dar un afectuoso agradecimiento a este maravilloso país: Brasil… Diariamente he aprendido a amar este país, más y más. En ningún otro lugar habría podido reconstruir mi vida, ahora que el mundo de mi lengua está perdido, y mi patria espiritual −Europa− se ha destruido a sí misma… Por eso me parece mejor concluir a tiempo y con ánimo sereno una vida para la que el trabajo espiritual siempre fue la alegría más pura y la libertad personal el mayor bien sobre la tierra. Saludo a mis amigos: ¡Ojalá puedan aún ver el amanecer! Yo, demasiado impaciente, me adelanto a ellos”.

Carta 64 − Fechada en noviembre de 1889, firmada por Don Pedro II, va dirigida al pueblo brasileño.

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Don Pedro II (1825-1891) fue emperador de Brasil. Reinó durante 48 años (desde su coronación cuando contaba con 10 años). Rechazó la llamada de los monárquicos brasileños para luchar contra la revuelta republicana que terminó imponiéndose en Brasil. Murió en París en penuria económica.

“A la vista de la representación escrita que me fue entregada hoy, a las tres horas de la tarde, decido, cediendo al imperio de las circunstancias, partir con toda mi familia, para Europa, dejando esta patria nuestra, tan estremecida, por la cual me esforcé con amor y dedicación durante casi medio siglo en el que desempeñé el cargo de Jefe de Estado. Me ausento, con todas las personas de mi familia, conservaré del Brasil el más nostálgico recuerdo, deseando fervientemente su grandeza y prosperidad”.

En definitiva. Cartas brasileñas cuenta con un proyecto gráfico y estilo de presentación de los textos contextualizados calcado al de Cartas memorables. Sin embargo, también es digna de ser leída y contemplada.

Les saluda respetuosamente su fiel escribiente. ●

PadreVieira

Carta que el Padre Antonio Vieira (1608-1697) envió a Juan IV de Portugal (1604-1656), criticando los modales de los colonizadores.

CartaparaMussolini

Carta del periodista, político y poeta brasileño Félix Pacheco (1879-1935) enviada a Benito Mussolini (1883-1945) revelando su admiración al dictador italiano.

Nota del autor: Artículo publicado en MagacínACPE

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Política

100 días para llorar

PosseBolsonaro100Dias

Por Jairo Máximo (Textos y fotos)

Madrid, España – (Blog do Pícaro) – Hace poco más de cien días que Jair Bolsonaro es el 38º Presidente de la República Federativa de  Brasil. Es el quinto presidente electo democráticamente tras la dictadura militar brasileña.

En su primer discurso institucional en el Congreso Nacional, en Brasilia (DF), el 01 de enero pasado, el Excelentísimo presidente afirmó que su campaña electoral “atendió” a la llamada de las calles y “forjó” el compromiso de colocar Brasil por encima de todo y Dios por arriba de todos. Declaró que con la bendición de Dios, el apoyo de su familia y la fuerza del pueblo brasileño, trabajaría incansablemente para que Brasil “encuentre su destino y se transforme en la gran nación que todos queremos que sea”. Asimismo, prometió que Brasil volvería a ser un país “libre de ataduras ideológicas”. También agradeció a Dios por “estar vivo”; por ser “el presidente” y que con Él (Dios) “vencería los obstáculos”.

El ultraderechista Bolsonaro, militar de reserva (ex capitán del Ejército), apodado de “mito” por sus seguidores, empezó su andadura presidencial con un discurso desorientado. Ignora que en la gobernabilidad terrestre el gran desaparecido es Dios. Que llevar el lema militar de su campaña electoral “Brasil por encima de todo, Dios por arriba de todos” para el terreno de su gobernanza, es pisar en zona minada. Brasil siempre ha convivido armoniosamente con diferentes credos religiosos. Igualmente ignora que encontrar el destino de una nación no es un cometido de los mortales y que cualquier atadura ideológica, de izquierdas o de derechas, es atroz para los pueblos.

Bolsonaro, político de poca monta del ignoto Partido Social Liberal (PSL), es un hombre nostálgico de la dictadura, homófobo, racista y ultrarreligioso. Considera que la dictadura militar, que asoló Brasil entre 1964 y 1985, nunca existió. Incluso intentó sin éxito que 31 de marzo se celebrase en el país los 55 años del aniversario de la implantación del Gobierno Militar.

Le encantan las armas y las pescas ilegales. Ya fue multado tras ser pillado in fraganti pescando en área protegida. Poco después de llegar a la presidencia, el inspector ambiental que le había multado fue apartado del cargo, y la infracción económica que le había puesto anulada. Brasil disfruta de 7 mil kilómetros de costa atlántica y es la mayor reserva de agua dulce del mundo.

“No soy economista, ya dije que no entendía de economía”, manifestó Jair Messias Bolsonaro (Glicério, São Paulo, 1955).

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El Gobierno Bolsonaro no estuvo a la altura de su responsabilidad en la tragedia de Brumadinho.

Gobierno ausente. Pasados los primeros días de presidencia, el nuevo Gobierno −una fusión de evangélicos, militares y tecnócratas− se encontró con su primer gran desafío el día 25 de enero. La rotura de la Presa I de la Mina Córrego do Feijão, en Brumadinho, en el estado de Minas Gerais, de la minera Vale, que ocasionó centenares de muertes y una destrucción medioambiental sin precedentes.

Después de sobrevolar la zona devastada, Bolsonaro tiró de Twitter y escribió: “Haremos lo que esté a nuestro alcance para atender a las víctimas, minimizar los daños, aclarar los hechos, hacer justicia y prevenir nuevas tragedias, como la de Mariana y Brumadinho, para el bien de los brasileños y del medio ambiente”. Sin embargo, a continuación, declaró a una emisora de radio brasileña: “El Gobierno no tiene nada que ver con este tema de Vale”.

En la tragedia anunciada de Brumadinho la minera Vale evidenció que su avaricia no tiene límites en cuanto que el Gobierno Bolsonaro demostró que es ineficaz. La rotura de la presa de Vale fue una negligencia empresarial y no un desastre natural.

Pese a todo, para el conjunto de la sociedad brasileña, los verdaderos héroes anónimos de Brumadinho son los bomberos brasileños que mostraron al mundo su resistencia y heroicidad ante una situación límite.

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Los bomberos brasileños fueron los héroes de la tragedia de Brumadinho.

Sin bozal. En febrero, cumpliendo órdenes de uno de sus hijos y cesando al ministro Gustavo Bebbiano, de la Secretaria General de la Presidencia, Bolsonaro puso en alerta máxima a sus pocos aliados. Los popularmente conocidos como Los pitbull del presidente –Flávio Bolsonaro, senador; Carlos Bolsonaro, concejal, y Eduardo Bolsonaro, diputado−, cada día que pasa se hacen más fuertes. Caminan sin correas y bozal. Cariñosamente son llamados por su padre presidente Cero Uno, Cero Dos y Cero Tres.

“Él me puso aquí y debería ser ministro”, dice el presidente sobre su hijo Cero Dos (Carlos Bolsonaro), concejal de la Cámara Municipal de Río de Janeiro desde 2001. Cero Dos es el estratega del presidente en Internet. “Tuve 4 hijos hombres. Aflojé y tuve una mujer”, revela el presidente.

“Es preocupante cuando un hijo del presidente ataca al presidente de la Cámara de Diputados. Nosotros no vamos a permitir eso”, afirmó Rodrigo Maia, presidente de la Cámara de Diputados en Brasilia, refiriéndose a las palabras de desprestigio a la Cámara de Diputados proferidas recientemente por Cero Dos (Carlos Bolsonaro). Maia acusó al mismísimo Cero Dos de “creer que gobernar Brasil es un juego de niños”.

Simultáneamente, el diputado José Nieto, puntualizó: “Los hijos de Bolsonaro se consideran también presidentes. No estamos en la República Federativa de Brasil; estamos en la “República Federativa de la familia Bolsonaro”.

“Mi Gobierno será el de la democracia y la libertad”, avisa el presidente  Bolsonaro, máxima autoridad de la primera potencia económica de Latinoamérica, que cuenta con 208 millones habitantes y es el quinto país más poblado del mundo.

“No nací para ser presidente, nací para ser militar”, dice el presidente. “Patria amada Brasil” es el lema de cabecera de su Gobierno.

Lluvia dorada en marzo. Cuando llegó el Carnaval brasileño, a principios de marzo, Bolsonaro sorprendió la nación divulgando en su cuenta de Twitter un video de contenido sexual aberrante, captado al vuelo en una céntrica calle de São Paulo, durante las celebraciones del carnaval. Con la publicación de esta imagen el presidente dejó caer que “en eso” que se estaba transformando la fiesta brasileña por antonomasia. Ofendió a millones de personas con este paralelismo. Días después el presidente eliminó el vídeo de su cuenta, pero no pidió excusas a la nación brasileña. El desgate político de esta acción fue brutal. Mientras tanto, durante la celebración del 8M, hizo constar que su Gobierno es “paritario”. De los 22 ministros que le acompañan en el Gobierno solo dos son mujeres.

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Manifestación del 8 de marzo pasado en Madrid donde las mujeres hicieron una exitosa huelga reivindicando sus derechos e igualdad.

Analfabeto histórico. En su reciente visita institucional a Israel, para afianzar su sintonía política con el derechista primer ministro israelí, Benjamín “Bibi” Netanyahu, después de visitar el Museo del Holocausto, Bolsonaro tuvo el descaro de declarar que “no hay duda de que el nazismo fue un movimiento de izquierdas”. Al momento, tanto la dirección del Museo como diversos especialistas, le contestaron diplomáticamente: “El nazismo fue un movimiento cruel de la extrema derecha”.

Coincidentemente, en Brasil, uno de sus retoños, el Cero Uno, senador  Flávio Bolsonaro, escribió en Twitter: “Quiero que vosotros exploten”. Su deseo belicista iba dirigido al grupo palestino Hamás, considerado una organización terrorista por la Unión Europea, por censurar a su padre que anunció que abrirá una oficina de negocios de Brasil en Jerusalén. Durante la campaña electoral Bolsonaro había prometido trasladar la Embajada brasileña de Tel Aviv a Jerusalén.

Por otro lado, cabe resaltar que el hijo Cero Tres, diputado Eduardo Bolsonaro, considera que Steve Bannon es un “icono en el combate al marxismo cultural”. El ultraderechista estadounidense Bannon fue apartado del Gobierno Trump por ser demasiado radical. Actualmente vive en Europa y se codea con cualquier ultra que encuentra.

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En algunas fachadas la imagen de Bolsonaro está visible.

Peor imposible. Tras 100 días en la presidencia, Bolsonaro ya ha cesado a dos ministros: Gustavo Bebbiano, ministro de la Secretaria General de la Presidencia, y Ricardo Vélez, ministro de Educación. No ha conseguido formar una base aliada para gobernar y las divisiones internas en su Gabinete son públicas. Su arrinconamiento en las redes sociales donde levantó diversas polémicas es patético. Escribe sin pensar. De igual forma, el oscuro pasado político de sus retoños −Cero Uno, Cero Dos y Cero Tres−, es preocupante. Los hechos revelados por la prensa brasileña hasta el momento así lo indican. Incluso algunos de ellos están siendo investigados por la Justicia.

Bolsonaro, que incluye en su Gobierno a ocho antiguos militares, dirige un Gobierno errático, desgastado y aislado. Ha cumplido 12 de los 58 compromisos asumidos durante la campaña electoral. Desea imponer una “atadura” de derechas, revisar la historia de Brasil y, de paso reescribir la historia de la Humanidad. ¡Cuánta cultura!

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Cartel encontrado en São Paulo en enero de 2019 muestra Bolsonaro y dice “Escupa aquí”.

Una de promesas estrellas de la campaña electoral del presidente electo es la alteración del Código Penal para incluir la “exención penal” a los policiales que matan delincuentes en acto de servicio. La promesa está en el limbo por ser inconstitucional.

“De vez en cuando le pregunto a Dios, ¿Yo qué hice para estar aquí?, dijo Bolsonaro durante la ceremonia para celebrar sus 100 días de presidencia. “Vivo en arresto domiciliario sin tobillera electrónica”, añadió.

“La verdad por delante”, pregona el ministro Onyx Lorenzoni, jefe de Gabinete de la Presidencia de la República.

Para rizar el riso, el 18 de abril pasado, día del Ejército, durante la ceremonia con los militares en São Paulo, Bolsonaro señaló: “Estimados integrantes de los medios, independiente de que haya algunos percances entre nosotros, nosotros necesitamos de vosotros para que la llama de la democracia no se apague. Necesitamos de vosotros, cada vez más. Palabras, letras e imágenes que estén en perfecta sintonía con la verdad. Nosotros, juntos, trabajando con este objetivo, haremos un Brasil mayor, grande y reconocido en todo el escenario mundial. Es eso lo que nosotros queremos”.

Dios mío… ¿No es para llorar? ●

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Nota del autor: Artículo publicado en MagacínACPE

 

 

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Literatura

Anjos Arcanjos

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Grafite encontrado em São Paulo, novembro de 2018.

Por Jairo Máximo (Texto e fotografias)

Mogi das Cruzes, São Paulo, Brasil – (Blog do Pícaro) −Durante uma viagem de 90 dias que este viajante realizou ao seu país natal, entre as muitas preocupações que levou em mente estavam: cuidar bem de si mesmo, estar perto de pessoas íntimas e, sobretudo, não esquecer objetos pessoais no meio do caminho.

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Posse do presidente Jair Bolsonaro, janeiro de 2019.

Quando cumpriu 70 dias de estadia no país, numa manhã de verão, com a ajuda de uma amiga jornalista, tentei copiar em meu notebook as fotografias e vídeos que tinha registrado até aquele momento, com a câmera fotográfica e celular. Era uma urgência intuitiva. Mas foi em vão. O desconhecimento técnico causou o fracasso da operação. As fotografias da posse do presidente direitista Jair Bolsonaro, da tragédia de Brumadinho, das igrejas evangélicas, da exposição artística Galhinhos Entre Nós, corriam sério perigo.

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Igreja evangélica em Mogi das Cruzes, fevereiro de 2019.

No mesmo dia, fui até a casa de outra amiga. Lá, encontrei um antigo amigo fotógrafo que me disse: “Um amigo nosso, também fotógrafo, te ajudará neste trabalho. Ele sabe muito…”. Dito e feito! Imediatamente fui pedir ajuda e logicamente fui ajudado. Fizemos cópias de tudo que tinha na câmera e no celular.

Finalizado o necessário trabalho de resgate, para relaxar, fui fumar um baseado, numa praça próxima à residência do meu amigo, um lugar que faz parte da história de minha infância. Em silêncio agradeci aos amigos que encontrei pelo caminho ao longo do dia e pensei nas fotografias e vídeos jornalísticos que foram salvos sobre a tragédia de Brumadinho. Também pensei no apoio estratégico que tive do jovem belo-horizontino Gabriel que conheci nas montanhas de Brumadinho.

De repente, do nada, apareceu na praça um jovem desconhecido pedindo uma tragada no baseado. Foram várias tragadas juntos, em silêncio. Em seguida, para quebrar o gelo, perguntei como se chamava, de onde era e quem era.

“Meu nome é Rafael. Nasci aqui em Mogi das Cruzes. Sou um ex-viciado em crak. O crak é o inferno. Hoje sou outro homem”, respondeu. E voltaram a ficar em silêncio. Num determinado momento o desconhecido disse: “Que triste o que aconteceu em Brumadinho. Coitadas das pessoas que morreram. Que tristeza para aquelas que ficaram vivas”.

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Na minha cabeça o pensamento de que as coincidências da vida são mágicas ocupava todo meu espaço mental. Eu pensando nas imagens gráficas captadas da tragédia em Brumadinho, e Rafael falando sobre as vítimas do rompimento da barragem Córrego do Feijão em Brumadinho.

Naquele instante recebi um forte impulso para começar imediatamente escrever a reportagem que tinha em mente: A merda da Vale mata.

Voltei para a loja de fotografias do amigo e agradeci de coração o apoio profissional.

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Detalhe da exposição “Galinhos Entre Nós”, de Maurício Chaer, janeiro de 2019.

Quando faltavam 10 dias para a viagem terminar, tudo corria como o desejado. Não tinha perdido nada. Não tinha esquecido nada. No entanto, faltando apenas cinco dias para voltar para casa, notei que minha câmera fotográfica tinha desaparecido.

Depois de rememorar os últimos momentos vividos antes de dar conta da perda da câmera, este viajante chegou à conclusão de que não sabe se ela foi roubada num descuido ou roubada intencionalmente.

E refletiu: se a câmera foi roubada num descuido, o ladrão não poderá utilizá-la. Sem o cabo especial que se adapta ao computador e sem carregador de bateria ela não funciona. Assim, o cartão fotográfico com as imagens da sua viagem irá direto pra lixeira. Mas, se foi roubada por encomenda, o viajante só perdeu 20% da viagem. Ou seja, pouco menos de um mês porque o resto, 80% da sua estadia no Brasil, outro anjo salvou. ●

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Praia de Boissucanga, litoral paulista, dezembro de 2018.

*Nota do autor: Existem sete arcanjos, porém os únicos três citados nas escrituras sagradas foram: São Gabriel, São Rafael e São Miguel. Gabriel é o mensageiro por excelência. Rafael tem confiada a missão de curar a cegueira e Miguel é cada um nós…

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Política

LA MIERDA DE VALE MATA

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El lodo de la presa rota mató todo lo que encontró por delante: personas, perspectivas de vida, sueños y naturaleza / Foto: Jairo Máximo

Por Jairo Máximo

Brumadinho, Minas Gerais, Brasil – (Blog do Pícaro) – Cuando en la tarde del 25 de enero pasado saltó la noticia de que la Presa I de la Mina Córrego do Feijão, en Brumadinho, se había roto, al  momento consideré que aquello era consecuencia de una negligencia empresarial, que dejaría un rastro de muerte y destrucción ambiental sin precedentes en el país. Las víctimas de la catástrofe van a padecer imprevisibles consecuencias −físicas, sociales y económicas− por un tiempo indeterminado.

La dueña de la minera es Vale, una de las mayores empresas brasileñas dedicada a la extracción de minerales, que emplea en la ciudad aproximadamente dos mil trabajadores, directos e indirectos.

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El homenaje a las víctimas se hace patente al entrar a la ciudad / Foto: Jairo Máximo

Lástima. Cinco días después de la tragedia llegué a la ciudad de Brumadinho, internacionalmente conocida por ser la sede del Instituto Inhotim, considerado el mayor museo a cielo abierto del  mundo, que atesora uno de los más importantes acervos de arte contemporáneo brasileño. Durante el viaje en autobús, de Belo Horizonte a Crucilândia, con parada en Brumadinho, el silencio reinaba entre los pasajeros. Brumadinho,  que cuenta con 37 mil habitantes, está situada en el montañoso y rico estado de Minas Gerais, sudeste de Brasil.

En medio del camino releí el poema “Lira Itabirana”, del gran poeta brasileño Carlos Drummond de Andrade (1902-1987), publicado en 1984.

“O Rio? É doce. / A Vale? Amarga. / (…) Quantas toneladas exportamos / De ferro? / Quantas lágrimas disfarçamos / Sem berro?”.

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Las paredes hablan en las calles de Brumadino / Foto: Jairo Máximo

Luto total. Lo primero con lo que tropecé en el casco histórico de la ciudad fue con una gran pintada que rezaba así: “¿Tragedia? ¡No! Resultado de la Privatización. Vale Asesina”.

En las puertas de algunas tiendas el cartel Cerrado por luto recordaba el alcance de la catástrofe.

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Aviso de luto / Foto: Jairo Máximo

En el cielo azul de verano, el ruido de los helicópteros, que iban y venían de la montaña, rompía el silencio mortal. Cada viaje transportaba los cuerpos de nuevas víctimas para ser identificadas.

En el cementerio, los féretros eran realizados sin tregua. Mientras caminaba presencié el paso de algunos.

En las calles, la ausencia del Ejército brasileño era inexplicable. Estaban aparcados en Belo Horizonte, capital del estado de Minas Gerais, esperando un permiso del Gobierno estatal para actuar que nunca llegó. Ansié tanto la presencia en el lugar de los Cascos Azules de la ONU.

En las orillas del río Paraopeba, que atraviesa Brumadinho, el agua teñida de color mierda a la vista estaba. Abastece nueve provincias de la región y el área metropolitana de la capital Belo Horizonte. Es ley de vida que sin río no existe vida.

El río Paraopeba antes de la tragedia

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El río Paraopeba mide 546, 5 kilómetros / Foto: Portal Minas Gerais

El río Paraopeba después de la tragedia

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Es ley de vida que sin río no existe vida / Foto: Jairo Máximo

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El río Paraopeba atraviesa Brumadinho / Foto: Jairo Máximo

Lodo mortal. A los pies de la presa rota, que desemboca en el río Paraopeba, el Ejército israelí, bien equipado, pisó firme en el lodo de residuos tóxicos durante algunos días. Rescató más de una docena de cuerpos. Un acto loable, dígase de paso, pero el Gobierno brasileño no ha explicado para la nación los pormenores de esta misión fugaz. Han trabajado tres días y se han marchado. Solo el transporte de los 136 hombres y mujeres, que vinieron a ayudar en las tareas de búsqueda, costaron casi 6 millones de euros a Israel.

Mientras tanto, los bomberos de las ciudades Belo Horizonte, São Paulo, Guaratinguetá, Campos do Jordão, Jacareí y otras localidades brasileñas, además de voluntarios llegados de todo el país, se adentraban en cuerpo y alma en el lodo de residuos, a la búsqueda de los cuerpos de los centenares de desaparecidos. El área afectada equivale a 970 campos de fútbol.

Destrozos causados

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Los destrozos fueron cuantiosos  / Foto: Gabriel Nogueira

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Los residuos que almacenaba la presa destrozó muchas viviendas / Foto: Gabriel Nogueira

Encontrando víctimas. Leci Strada, cantante y compositor, es tío de uno de los desaparecidos por la rotura de la presa. Estaba visiblemente afectado con el hecho. Me dijo que cuando los familiares de las víctimas y los residentes sean conscientes de lo sucedido; la depresión, la ansiedad y el suicidio serán el pan nuestro de cada día en la provincia. “Es inevitable. Es ley de vida”, afirma. No obstante, considera que el museo Inhotim puede ser una salida, tanto económica como psicológica, para la ciudad.  “El Inhotim recibe anualmente la visita de miles de personas. Cultura es la salida; no la educación”, afirma.

En seguida, acompañado de su guitarra, me cantó su canción “Vida”.

“Vivo en el presente pensando en el futuro / huyendo de la muerte, trabajando duro”.

Otras víctimas. La pareja formada por Sandro y Soninha es superviviente. Él, barrendero del ayuntamiento. Ella, asistente social. Los residuos que almacenaba la presa invadieron el patio de su casa, situada en las cercanías de la presa rota. Tras la rotura fueron obligados por Vale a abandonarla a toda prisa. De un día para otro han perdido todo –tierra, casa, mobiliario y animales. Han quedado sin nada.

Provisionalmente, Vale los cobijó en un hostel hasta que encuentren una casa para alquilar y reconstruir sus vidas.

Cuando les conocí estaban impactados con lo sucedido. “Tenemos miedo. No queremos nunca más volver a vivir en las inmediaciones de una presa”.

Bomberos brasileños buscando víctimas

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Los bomberos brasileños mostraran su resistencia y heroicidad ante una situación límite / Foto: Gabriel Nogueira

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Foto: Jairo Máximo

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Foto: Jairo Máximo

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Foto: Jairo Máximo

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Las imágenes de las televisiones brasileñas reflejaban la labor de los bomberos brasileños / Foto: Maurício Chaer

¡Vivan los Bomberos! Tras mucho caminar por la montaña, buscando el lecho del río de lodo, muerte y lágrimas, encontré una unidad de bomberos de Belo Horizonte, que se estaba marchando de uno de los lugares afectados. Con mucho respeto, e impactado con la escena, les pregunté si podría fotografiarlos. “Sin problema”, me contestaron, uno a uno, todos con evidente fatiga. “Hemos encontrado un cuerpo en este sitio”, me dijo uno de ellos. En aquél momento constaté que los bomberos brasileños eran los verdaderos héroes anónimos de la negligencia de Vale y la deficiencia del Gobierno brasileño. El ejército israelí era actor de reparto secundario y el ejército brasileño figurante.

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Después que los bomberos abandonaran el sitio fotografié el escenario que encontré. Lo lodo ha destruido, y seguirá destruyendo, todo aquello que encontró por el camino. De pronto, vi a un joven recogiendo botellas de agua vacías. Al momento le pregunté quién era y qué hacía en este triste paraje.

“Mi nombre es Gabriel Nogueira. Soy de Belo Horizonte. Soy funcionario público, y trabajo con niños discapacitados. Estoy aquí para ayudar en aquello que pueda. Recojo las botellas vacías que los bomberos utilizan para que ellas no se queden tiradas en la naturaleza”.

Sorprendido con el gesto del joven, decido ayudarlo. En silencio, recogemos las botellas que encontramos. A continuación, él se ofreció a llevarme en motocicleta a diversas zonas afectadas por la rotura de la presa. En una única tarde visité varios lugares de la zona cero de la tragedia. En los tortuosos caminos, entre paisajes apocalípticos, pensé en el arcángel Gabriel. ¡Aleluya!

Un absurdo. Cuando las alarmas tenían que sonar en la tarde de la rotura de la presa para alertar a los habitantes del entorno, no funcionaron. Fueron siete minutos perdidos que podrían haber salvado muchas vidas. Vale no tenía ni un plan A ni un plan B dispuesto para emergencias desmedidas.

Dos días después, las alarmas han sonado de madrugada en toda Brumadinho. Era un simulacro… Las personas sobresaltadas, que no sabían que era un simulacro, y donde refugiarse, quedaron alteradas y perdidas. A la mañana siguiente, la rabia era generalizada entre los habitantes de la ciudad. La acción preventiva traumatizó aún más a los traumatizados moradores de Brumadinho. “Fue horrible. Tuve mucho miedo aquella madrugada. Mis hijos pequeños aún hoy están asustados”, resume la dueña de un restaurante de la ciudad.

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Panorámica de la montaña donde estaba instalada la Presa I de la Mina Córrego do Feijão / Foto: Jairo Máximo

Película calcada. Semejante negligencia ya había ocurrido en la presa del Fundão, en la  tarde del 5 de noviembre de 2015, en Mariana, también en el estado de Minas Gerais, donde perecieron 19 personas. En aquella ocasión, la dueña de la minera era Samarco Mineração, una joint-venture entre Vale y la anglo-australiana BHP Billiton. Las víctimas del Fundão aún hoy luchan por sus derechos, mientras que los responsables de la tragedia continúan impunes.

El lobby de las mineras brasileñas financia a decenas de diputados con la finalidad de defender sus intereses y que no aprueben leyes que castiguen sus negligencias. En 2015, un proyecto de ley que preveía castigar con contundencia las  mineras fue tumbado. En 2016, otro proyecto de Ley que clasificaba de “crimen hediondo” las negligencias de las empresas  mineras también fue tumbado en el Congreso Nacional.

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Grafiti encontrado en Belo Horizonte en el trayecto de São Paulo a Brumadinho / Foto: Jairo Máximo

Cal + Cal. Un día después de la tragedia anunciada en Brumadinho, el presidente de Brasil, Jair Messias Bolsonaro, utilizó la red social Twitter y escribió (¿o escribieron para él?) estas palabras:

“Difícil quedar delante de todo ese escenario y no emocionarse. Haremos lo que esté a nuestro alcance para atender a las víctimas, minimizar los daños, aclarar los hechos, hacer justicia y prevenir nuevas tragedias, como la de Mariana y Brumadinho, para el bien de los brasileños y del medio ambiente”.

Acto seguido, el ex capitán Bolsonaro –“capitán Bolsonaro” para los íntimos−, declaró a una emisora de radio brasileña: “El Gobierno no tiene nada que ver con este tema de Vale”. Al mismo tiempo, el alcalde Brumadinho, Avimar de Melo, replicó: “La responsabilidad de la tragedia es del Estado brasileño”. Mientras que el alcalde de Mariana, Duarte Júnior, manifestó: “Nosotros, de Mariana, somos mangoneados por Vale”.

“Vale es una joya brasileña” y no puede ser “condenada” por la rotura de presas, afirmó públicamente Fabio Schvartsman, presidente de Vale.  “Vale reitera su  compromiso con la preservación de la vida”, anuncia la minera en publicidad televisiva, intentando convencer al brasileño por –mar, tierra y aire− de que lo ocurrido en Mariana y Brumadinho fue un accidente fortuito.

Cabe resaltar, que en febrero pasado, en comparecencia pública en Brasilia, el innombrable presidente de Vale, fue la única persona que no se  levantó de su silla durante la realización del minuto de silencio in memoriam de las víctimas de la tragedia.

Sorprendentemente, tras el abominable “crimen doloso” en Brumadinho, las acciones de Vale cotizaron al alza en las bolsas de valores internacionales.

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“Para un mundo con nuevos Valores”, expresa el lema de la minera brasileña Vale S.A. / Foto: Jairo Máximo

Santa Vale. En Brasil están operativas 815 presas. El estado de Minas Gerais tiene 428 inestables. Solamente Vale tiene 57 de las mismas características de la Presa I de la Mina Córrego do Feijão. Según documentos oficiales, publicados por la prensa nacional en febrero pasado, desde 2017 Vale sabia de la inestabilidad de la presa de Brumadinho. Aun así, ella se defiende diciendo que “todo estaba en orden”.

Actualmente, las presas de Vale están siendo revisadas. Muchas de ellas se pueden romper en cualquier momento por falta de mantenimiento. Personas que viven cercanos a ellas, en bellos valles montañosos, están siendo desalojados, día sí y otro también.

En Brasil, desde los años cuarenta del siglo pasado, la minería está considerada como una actividad de “utilidad pública”.

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¿De Brasil o de Vale? / Foto: Jairo Máximo

Luto sin cuerpo. Pasado más de un mes de la rotura de la presa, las cifras oficiales hablan de más de 300 víctimas entre muertos y desaparecidos.

En fin, para Vale todo vale. Gana mucho con la vida del otro y paga poco por su muerte.

“Tan solo recuerda que la muerte no es el final”, canta Nick Cave en el álbum Baladas de asesino.

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¡Vivan los bomberos! / Foto: Gabriel Nogueira

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Los bomberos brasileños son los héroes de la negligencia de Vale y de la deficiencia del Gobierno brasileño / Foto: Gabriel Nogueira

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El mar de lodo mató centenares de personas en Brumadinho / Foto: Jairo Máximo

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El residuo de hierro está formado por una combinación de arsénico, mercurio, radio y otros metales pesados / Foto: Jairo Máximo

  • Nota del autor: Reportaje publicado en MagacínACPE
  • Asista abajo vídeos realizados tras la rotura de la Presa I de la Mina Córrego do Feijão, en Brumadinho, Minas Gerais, Brasil. Y escuche la música “Dor de Lama”, de Leci Strada.

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Política

A MERDA DA VALE MATA

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Por Jairo Máximo

Brumadinho, Minas Gerais, Brasil – (Blog do Pícaro) – Quando na tarde de 25 de janeiro passado fiquei sabendo em Mogi das Cruzes (SP) que a barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), tinha rompido, intui que aquilo era um crime doloso, fruto de uma negligência empresarial, que ia deixar um rastro de morte e de destruição ambiental sem precedentes no país. As vítimas vão padecer imprevisíveis conseqüências −físicas, sociais e econômicas− por um tempo indeterminado.

A dona da barragem é a brasileira mineradora Vale S.A., a maior empregadora privada da cidade: são cerca de dois mil funcionários, diretos e indiretos.

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O luto em Brumadinho era visível /Foto Jairo Máximo

Pena. Cinco dias depois da tragédia cheguei à cidade de Brumadinho, de 37 mil habitantes, internacionalmente conhecida por ser a sede do Instituto Inhotim, que abriga um dos mais importantes acervos de arte contemporânea do Brasil e é considerado o maior museu a céu aberto do mundo. Durante a viagem de ônibus, de Belo Horizonte a Crucilândia, com parada em Brumadinho, o silêncio prevalecia entre os passageiros.

No meio do caminho reli o poema Lira Itabirana, do poeta mineiro Carlos Drummond de Andrade (Itabira, 1902 − Rio de Janeiro 1987), publicado em 1984, no jornal Cometa Itabirano.

Lira Itabirana

O Rio? É doce.
A Vale? Amarga.
Ai, antes fosse
Mais leve a carga.
Entre estatais
E multinacionais,
Quantos ais!
A dívida interna.
A dívida externa
A dívida eterna.
Quantas toneladas exportamos
De ferro?
Quantas lágrimas disfarçamos
Sem berro?●

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Sem palavras! / Foto: Jairo Máximo

Luto total. A primeira coisa que encontrei na cidade foi uma pichação: “Tragédia? Não! Resultado da Privatização. Vale Assassina”.

Nas portas de alguns comércios o aviso “Fechado por Luto” recordava o alcance da desgraça.

No céu, o ruído dos helicópteros, que iam e vinham da montanha, rompia o silêncio mortal. Cada viagem levava os restos mortais de mais uma vítima a ser identificada.

No cemitério, os enterros eram realizados sem trégua. Presenciei de passagem vários deles.

Nas ruas, a ausência do Exército brasileiro era inexplicável. Estavam estacionados em Belo Horizonte esperando uma permissão do Governo do Estado para atuar que nunca chegou. Desejei tanto a presença no lugar das Boinas Azuis, que fazem parte da força de paz da ONU.

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A lama da Vale matou o rio Paraopeba e seus afluentes / Foto: Jairo Máximo

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É lei de vida que sem rio não existe vida / Foto: Jairo Máximo

Aos pés do Córrego do Feijão, que deságua no rio Paraopeba, responsável pelo abastecimento de nove municípios da região e da zona metropolitana de BH, o Exército israelense, bem equipado, pisou na lama durante alguns dias. Resgatou mais de uma dezena de corpos de vítimas. Um ato louvável, diga-se de passagem, porém o governo brasileiro não explicou para nação os pormenores desta missão relâmpago. Trabalharam três dias e foram embora. Só o transporte dos 136 homens e mulheres, que vieram ajudar nas buscas, teria custado cerca de R$ 24,5 milhões a Israel. Pátria amada Brasil?

Enquanto isso, os bombeiros de Belo Horizonte, São Paulo, Guaratinguetá, Campos do Jordão, Jacareí, e voluntários, entravam de corpo e alma na lama, a procura dos restos mortais das centenas de desaparecidos.

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As conseqüências do rompimento da barragem Córrego do Feijão são visíveis em Brumadinho. / Foto: Gabriel Nogueira

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O mar de lama da Vale matou pessoas e destruiu a natureza / Foto: Jairo Máximo

Encontrando vítima. Leci Strada, cantor e compositor, é tio de um dos desaparecidos do rompimento da barragem. Estava visivelmente afetado com o acontecido. Disse-me que quando os familiares das vítimas e os moradores da região se conscientizarem do ocorrido, a depressão, a ansiedade e o suicídio será o pão nosso de cada dia da província. “É inevitável. É lei de vida”, afirma. Por outro lado, ele considera que o Inhotim pode ser uma saída, tanto econômica como psicológica para a cidade. “O museu Inhotim anualmente recebe a visita de milhares de pessoas. Cultura é a saída; não a educação”, sintetiza.

Em seguida, acompanhado do seu violão, me cantou sua canção Vida.

“Vivo no presente pensando em futuro / fugindo da morte, trabalhando duro”.

Outras vítimas. O casal Sandro e Soninha é sobrevivente. Ele, gari da prefeitura municipal. Ela, assistente social. O rejeito de minério de ferro invadiu o quintal da casa deles, localizada nas proximidades da barragem Córrego do Feijão. Foram obrigados pela Vale a abandoná-la às pressas, sem contemplação. De um dia para outro perderam tudo – terra, casa e animais. Ficaram sem nada.

Provisoriamente, a mineradora Vale os hospedou no hostel Pé de Caju, até que encontrem uma casa para alugar e reconstruir suas vidas.

Quando os conheci estavam impactados. “Temos medo. Não queremos nunca mais voltar a morar nas imediações de uma barragem.”

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Os bombeiros brasileiros entraram de corpo e alma na lama para encontrar corpos de vítimas / Fotos: Gabriel Nogueira

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Viva os Bombeiros! / Fotos: Jairo Máximo

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Foto: Maurício Chaer

Viva os Bombeiros! Depois de muito andar na montanha, procurando o leito do rio de lama, morte e lágrimas, encontrei uma equipe de bombeiros de Belo Horizonte, que estava abandonando um dos lugares afetados. Com muito respeito, e chocado com a cena, perguntei se podia fotografá-los. “Sem problema”, me responderam, um por um, todos com um aparente cansaço. “Encontramos um corpo neste lugar”, me disse um deles. Naquele momento conclui que os bombeiros brasileiros eram os verdadeiros heróis anônimos. O exército israelense era coadjuvante e o exército brasileiro figurante.

Quando os bombeiros abandonaram o local fotografei o cenário que encontrei. De repente, encontro um jovem recolhendo garrafas de água vazias. Pergunto quem ele é e o que faz neste triste lugar.

“Meu nome é Gabriel Nogueira. Sou de BH. Sou funcionário público e trabalho com crianças com necessidades especiais. Estou aqui ajudando naquilo que posso. Recolho as garrafas vazias que os bombeiros utilizam para que elas não fiquem jogadas na natureza”.

Pego de surpresa com o gesto, decido ajudá-lo. Em silêncio, recolhemos as garrafas que encontramos. Em seguida, ele ofereceu me levar de motocicleta a vários lugares atingidos pelo rompimento da barragem. Numa única tarde visitei vários lugares do centro da tragédia. Nos tortuosos caminhos, entre paisagens apocalípticas, pensei no anjo arcanjo Gabriel. Aleluia!

Um absurdo. Quando as sirenes tinham que tocar, no dia do rompimento da barragem Córrego do Feijão, para alertar os habitantes da área, elas não funcionaram. Foram sete minutos perdido que poderiam ter salvo muitas vidas. A Vale não tinha nem um plano A nem um B preparado para as emergências extremas.

Dois dias depois do rompimento da barragem, as sirenes tocaram em toda Brumadinho. Era uma ação preventiva… As pessoas assustadas que não sabiam que era uma ação preventiva e nem onde se refugiar, ficaram assustadas e perdidas. No dia seguinte, a raiva era generalizada entre os moradores da cidade. A ação preventiva traumatizou ainda mais os traumatizados moradores da região. “Foi horrível. Tive muito medo aquela madrugada. Meus filhos pequenos ainda hoje estão afetados”, sintetiza a dona de um restaurante da cidade.

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Panorâmica da montanha atingida pelo rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho / Foto: Jairo Máximo

Filme repetido. Idêntica negligência já tinha ocorrido na barragem de Fundão, na tarde de 5 de novembro de 2015, em Mariana, também em terras mineras, onde 19 perderam a vida. Neste caso, a dona da mineradora é a Samarco Mineração S.A, uma joint-venture entre a Vale e a anglo-australiana BHP Billiton. As vítimas do Fundão ainda hoje lutam pelos seus direitos, enquanto os responsáveis continuam impunes.

O lobby das mineradoras brasileiras financia dezenas de deputados com o objetivo de defender seus interesses e não aprovar leis que procurem castigar suas negligências. Em 2015, um projeto que previa punir com contundência as mineradoras foi bloqueado. Em 2016, outro projeto que classificaria como “crime hediondo” as negligências também foi bloqueado no Congresso Nacional.

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Grafite encontrado em Belo Horizonte no trajeto a Brumadinho / Foto: Jairo Máximo

Cal e Cal. Um dia depois da tragédia anunciada em Brumadinho, o presidente do Brasil, Jair Messias Bolsonaro, usou o Twitter e escreveu (ou escreveram para ele?) estas palavras:

“Difícil ficar diante de todo esse cenário e não se emocionar. Faremos o que estiver ao nosso alcance para atender as vítimas, minimizar danos, apurar os fatos, cobrar justiça e prevenir novas tragédias como a de Mariana e Brumadinho, para o bem dos brasileiros e do meio ambiente”.

Contudo, em seguida, o vulgo “capitão Bolsonaro”, como é tratado na intimidade por alguns ministros militares, declarou para uma rádio brasileira: “O governo não tem nada a ver com essa questão da Vale”. Ao mesmo tempo, o prefeito de Brumadinho, Avimar de Melo, retrucou: “A responsabilidade da tragédia é do Estado”. Enquanto que o prefeito de Mariana, Duarte Júnior, confessou: ”Nós, de Mariana, somos enrolados pela Vale”.

A Vale é uma “jóia” e não pode ser “condenada” por rompimento de barragens, afirmou publicamente, Fábio Schvartsman, presidente da Vale.  “A Vale reitera seu compromisso com a preservação da vida”, anuncia a mineradora na TV, intentando convencer o brasileiro de que o acontecido em Brumadinho foi um “acidente”.

Vale lembrar, que em fevereiro passado, durante audiência pública em Brasília, a “jóia” do presidente da Vale, foi a única pessoa que não se levantou da cadeira durante a realização de um minuto de silêncio in memoriam às vítimas de Brumadinho.

Surpreendentemente, após este abominável “crime doloso” as ações da Vale tiveram alta nas bolsas de valores internacionais.

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“Para um mundo com novos Valores”, diz o slogan da Vale S.A. / Foto: Jairo Máximo

A santa Vale. O estado de Minas Gerais tem 450 barragens, 428 instáveis. Só a Vale tem 57 barragens, das mesmas características que a do Córrego do Feijão, ou seja, do tipo alteamento ao montante. Segundo documentos oficiais publicados pela imprensa nacional, desde 2017 a empresa sabia da instabilidade da barragem. Mesmo assim, a Vale se defende diariamente –por terra, mar e ar−, dizendo que estava “tudo em ordem”. Só falta declarar, na próxima quarta-feira de cinza, em entrevista coletiva com a imprensa internacional, que a culpa do rompimento da barragem Córrego do Feijão é de Joaquim José da Silva Xavier (1746-1792), vulgo Tiradentes, o líder da Inconfidência Mineira.

Atualmente, todas as barragens da Vale passam por revisão. Muitas delas correm perigo imediato de rompimento por falta de manutenção. Moradores que vivem próximos a elas estão sendo desalojados, dia sim, e outro também.

Luto sem corpo. Quase um mês depois do rompimento da barragem Córrego do Feijão, em Brumadinho (MG), as cifras oficiais mudam diariamente. Hoje −20 de fevereiro de 2019−, estão assim: 171 mortos; 139 desaparecidos; 361 localizadas e 192 resgatadas.

Enfim, para a Vale S.A. tudo vale. A vida do outro lhe vale muito e a sua morte vale muito pouco.

Apenas lembre-se que a morte não é o fim”, canta o australiano Nick Cave, na música Death Is Not the End, do álbum Murder Ballads (Canções de assassinato). ●

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O rejeito de minério de ferro, que está composto por uma combinação de arsênico, mercúrio, radio e outros metais pesados destruíram tudo aquilo encontrou pela frente em Brumadinho. / Foto: Jairo Máximo

Assista abaixo 3 vídeos realizados em Brumadinho. E ouça a música “Dor de lama”, de Leci Strada, sobre a tragédia.

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