Literatura

THOREAU: MANANCIAL DE IDEIAS

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Nem todos os homens sabem ser livres. (H. D. Thoreau)

Por Jairo Máximo

MADRI ―Espanha  ― (Blog do Pícaro) ― Este ano comemora-se o segundo centenário do nascimento do filósofo, escritor e poeta, Henry David Thoreau, que defendia o respeito à Vida, à Natureza e o direito de utilizar a desobediência civil ante os abusos do Estado.

Thoreau se autodefinia como “professor de escola, tutor particular, topógrafo, jardineiro, granjeiro, pintor (de paredes), carpinteiro, pedreiro, granjeiro, fabricante de lápis, fabricante de papel de lixa, escritor e poetastro”. No entanto, seu autêntico emprego foi “Inspetor de ventanias e dilúvios”, insistia.

“É necessário dizer: ame a verdade e escreva sinceramente”, dizia.

Henry David Thoreau (1817―1862, Concorde, Massachusetts, Estados Unidos) escreveu durante mais de duas décadas um diário contemplativo ―germe de sua frutífera obra – onde vertia suas ideias e visão de como viver em harmonia com a Natureza e a sociedade. Pensava que as ideias somente tinham sentido sob a condição de que tomassem corpo numa pratica eficaz e concreta.

“Elegi as letras como profissão”, escreveu Thoreau ao bibliotecário da Universidade de Harvard, em setembro de 1849. “A linguagem é a obra de arte mais perfeita do mundo. O cinzel de mil anos a retoca”, afirmava.

Foi seu amigo o escritor, filósofo e poeta, Ralph Waldo Emerson (1803-1882), quem lhe incentivou a escrever o diário. O resultado é um suculento experimento original, sem precedentes literários, publicado postumamente.

“Não busques expressões, busque ideias para expressar”.

“Não prefiro nenhuma religião ou filosofia por cima de outra. Não tenho nenhuma simpatia pelo fanatismo e a ignorância que fazem distinções transitórias, parciais ou supérfluas, entre a fé de outro, como cristão e pagão. Rezo para me ver liberto do pequeno olhar, da parcialidade, do exagero e do fanatismo. Para o sábio, todas as religiões, todos os países, são iguais. Amo a Brahma, Krishna, Buda e ao Grande Espírito tanto como a Deus”.

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FRUTÍFERO BOSQUE

Entrar no fantástico bosque ―literário, poético e filosófico― de Thoreau é encontrar um manancial luminoso de ideias. Sua sublime obra convida a levar uma vida filosófica no dia a dia, não a cinzelar conceitos para utilização exclusiva de bibliotecas.

“Assim é sempre a busca do saber. Os frutos celestiais, as maças douradas das Hespérides estão permanentemente escoltadas por um dragão de cem de cabeças que nunca dorme, e colhê-las é um trabalho hercúleo”, considerava.

Martin Luther King (1929-1968), Mahatma Gandhi (1869-1948) ou o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, deixaram-se influenciar por suas ideias. Gandhi o descobriu enquanto cumpria pena de prisão e o adotou como seu mestre. Luther King afirmou ter dado vida aos ensinamentos do filósofo nas atitudes que tomou contra a segregação racial dos afro-americanos.

Michel Granger, professor emérito de literatura americana do século XIX na Universidade de Lyon, especialista nos escritores do “Renascimento norte-americano”, em particular Nathaniel Hawthorne (1804-1864), Herman Melville (1819-18912) e Thoreau, considera que convém ter em mente que Thoreau é principalmente um homem de letras, enquanto que, nestes últimos anos lhe queiram outorgar maior importância à sua faceta de filósofo ou de pensador político.

THOREAU

“O pensamento de Thoreau é complexo, mutante, paradoxo, provocador. É preciso ler (e reler) o texto de seus ensaios atentamente para levar em consideração à retórica, para interpretar corretamente a pose de orador, já que frequentemente seus ensaios foram, num primeiro lugar, conferências ou discursos: desta forma, evita-se reduzir seu pensamento a um punhado de ideias sem apenas relação com suas intenções”, explica o professor.

Caminhar, contemplar, voar, pensar, escrever, respeitar e preservar o planeta foram as consignas que Thoreau levou ao extremo; com beleza e simplicidade.

“Não existe em absoluto o sentido comum: é semsentido comum”.

Andar a Pé (Ebook)

POÇO SEM FUNDO

De seu legado literário já foi publicado tudo; ou quase tudo. Ensaios, poesias, conferências, reflexões e correspondências. De sua ─pessoa e vida─ também já foram publicados diversos ensaios, biografias e teses doutorais. Inclusive, atualmente, existem vários blogs dedicados unicamente ao estudo de seu Diário- 1837-1861, um poço sem fundo de ideias e pensamentos. Em 2013 foi publicada na França e na Espanha a deslumbrante história em quadrinhos Thoreau A vida sublime, autoria de A. Dan y Le Roy.

WaldenEntre suas obras mais emblemáticas estão Diário, A desobediência civil, Uma semana nos rios Merrimack e Concorde, Os bosques de Maine, Vida sem Princípio, Maças Silvestres & Cores de Outono, Cape Cod e a obra-prima Walden ou a Vida nos Bosques, escrita e reescrita entre 1847 e 1854.

 “Vive-se muito rápido. Os homens acreditam que o importante é que o país tenha comércio, que exporte gelo, que tenha comunicações telegráficas e que se possa viajar a quarenta quilômetros por hora; mas não param para pensar se eles a necessitam ou não. Resulta incerto se atuando assim vivemos como homens ou como babuínos”.

“A riqueza supérflua nos possibilita comprar somente coisas supérfluas. Para comprar aquilo que a alma necessita o dinheiro não faz falta”.

“Tinha três cadeiras na minha casa: uma para a sociedade, outra para a amizade e uma terceira para a sociedade”.

“O intelecto é uma navalha; discerne e abre caminho ao segredo das coisas”.

 DESOBEDIENTE TRANSCENDENTAL

A Desobediência Civil Seguido De Walden

Como consequência de sua decidida oposição a escravidão, ainda vigente nos Estados Unidos, e a guerra que seu país mantinha contra o México, em 1849 Thoreau publicou A resistência ao governo civil, republicado postumamente como A desobediência civil, que o levou a ser considerado como “pai” da desobediência civil: proposição individual e potencialmente coletiva que solicita impugnar um poder (um decreto, uma lei, etc.) ilegítimo ou autoritário, pelo método de negar seu consentimento─ que continua sendo válido e prático hoje em dia.

“A única obrigação que tenho direito de assumir é a de fazer em todo o momento aquilo que considero equânime”.

“Aceito de todo coração o lema: “O melhor governo é aquele que menos governa”, e gostaria que atuasse com mais honestidade e esforço. O qual, levado em pratica, significa que “o melhor governo é aquele que não governa em absoluto”, coisa que também estou convencido. E quando os homens estiverem preparados para isso, será o governo que terão”.

Seu magistral Diário (1837-1861), de 14 volumes, que foi publicado pela primeira vez em 1906, 44 anos depois da sua morte, continua sendo a grande referência para os estudiosos de sua obra. A Universidade de Princeton publica há 40 anos a edição mais completa e confiável dos escritos de Thoreau.

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Diário original de Thoreau

O primeiro registro do Diário foi escrito no dia 22 de agosto de 1937; e o último em 3 de novembro de 1861, seis meses antes de sua morte. Nele, ele reflete sobre a vida e a escrita, e recria com minúcia o ambiente natural no qual vive. São mais de sete mil páginas.

“Este inverno estão cortando nossos bosques com mais intensidade que antes ─ Fair Haven Hill, Walden, Linnae Boreales, Wood etc. etc. Graças a Deus que não podem cortar as nuvens!”.

“Vida cidadã: milhões de seres vivendo juntos em solidão”.

“Quantas batalhas têm que enfrentar o homem por todas as partes para manter seu exército de ideias e marchar com elas em ordenada formação através de um território hostil! Quantos inimigos têm o pensamento lúcido!”.

“Uma lei jamais irá fazer livre o homem; são os homens quem tem que fazer livre as leis”.

“Um livro verdadeiramente bom é algo tão ferozmente natural e primitivo, misterioso e maravilhoso, fértil e celestial, como um líquen ou um fungo”.

“A imprensa é, quase sem exceções, corrupta”.

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PINCELADAS DE UMA VIDA

Henry David Thoreau nasce no dia 12 de julho de 1817. Era o terceiro de quatro irmãos. Sua família era descendente de emigrantes franceses. Levou uma vida discreta; porém intensíssima. Faz parte do denominado “Renascimento norte-americano” junto a outros quatros criadores fundamentais: Ralph Waldo Emerson, Walt Whitman (1819-1892), Herman Melville e Nathaniel Hawthorne. São cinco nomes que nos campos do ensaio, da poesia e da novela constituem a grande tradição norte-americana, cinco pilastras que sustentam uma literatura.

Em 1837, com apenas 20 anos, graduou-se pela Universidade de Harvard. Este mesmo ano retornou a sua cidade natal e começou a dar aulas em um colégio, entretanto renunciou este trabalho depois que lhe obrigaram, contra sua vontade, a dar uma surra em seis alunos, seguindo as ordens do diretor da escola.

Em seguida, começou a trabalhar no negócio da família: fabricação de lápis de grafite. Quando teve êxito e seus amigos o felicitaram por ter criado a possibilidade de enriquecer, ele respondeu que jamais fabricaria outro lápis. ”Para quê?”, disse. “Não quero fazer outra vez aquilo que já fiz uma vez”.

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Em julho de 1845, abandonou a casa familiar de Concorde e foi morar na cabana que construiu às margens da lagoa de Walden Pond, em um terreno que lhe cedeu seu amigo Emerson. Durante dois anos escreveu ali a obra homonímia na qual descreve sua economia doméstica, seus experimentos em agricultura, seus visitantes e vizinhos, as plantas e a vida selvagem.

Em 1846, seu compromisso cívico gerou problemas com a justiça. É preso e passou uma noite na cela da cadeia por negar a pagar seus impostos como protesto contra a guerra com México (1846-1948), que considerava totalmente injustificada.

Um ano depois, em 1847, abandonou definitivamente a cabana de Walden. Em 1849, publicou seu primeiro livro, Uma semana nos rios Concorde e Merrimack, depois de se comprometer a arcar com os gastos da edição e renunciar seus direitos autorais. Neste mesmo ano, publicou o ensaio Resistência ao governo civil.

Comprometido com a causa contra a escravidão, participou no denominado “trem subterrâneo”, uma rede de pessoas que escondiam em suas casas os escravos que fugiam das plantações do Sul e os ajudavam a chegar ao Canadá. A prisão em Boston, em 1854, do escravo fugitivo Anthony Burns lhe inspirou a escrever o ensaio A escravidão em Massachusetts.

Cape Cod (Ebook)Durante uma viagem a Nova Iorque, em 1856, conheceu o poeta Walt Whitman, quem lhe presenteou com uma cópia dedicada de Folhas de relva. Thoreau ficou fascinado pelo pai da poesia norte-americana. Em uma carta que enviou ao seu amigo e discípulo Harrison Blake, explicou: “Parece o maior democrata que o mundo já viu. […] Mesmo que aparentemente seja peculiar e áspero, em essência é um cavaleiro”.

 Em 1861, a tuberculose que contraiu quando era adolescente piorou. Incapaz de sair de casa, e consciente que tinha pouco tempo de vida, revisou suas obras para que a sua irmã Sophie se responsabilize de sua publicação póstuma. Não teve força para materializar seu acariciado projeto de escrever um estudo etnográfico sobre os índios. Morreu no dia 6 de maio deste mesmo ano, com 44 anos. Suas últimas palavras foram: “alce” e “índio”.

Para o poeta e dramaturgo espanhol Antonio Machado (1875-1939), o norte-americano Thoreau era um “intelectual que sonhou como latino, e como anglo-saxão colocou em pratica seu sonho”. É um clássico, que emerge e submerge.

“Podemos estar seguros de que qualquer livro ou frase que suporta ser lida duas vezes foi pensado duas vezes”, dizia Thoreau. •

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Em 2013 foi publicada a história em quadrinhos Thoreau – A vida sublime, de A. Dan e Le Roy.

Nota do autor: Artigo publicado em espanhol no site da Acpe e na revista El Siglo de Europa

 

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THOREAU: MANANTIAL DE IDEAS

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No todos los hombres saben ser libres. (H. D. Thoreau)

Por Jairo Máximo

MADRID – España – (Blog do Pícaro) – Este año se cumple el segundo centenario del nacimiento del filósofo, escritor y poeta, Henry David Thoreau, que abogaba por respetar la Vida, la Naturaleza y, de paso, contemplar la Desobediencia civil frente a los abusos del Estado.

Thoreau se autodefinía como “profesor de escuela, tutor particular, topógrafo, jardinero, granjero, pintor (de paredes), carpintero, albañil, jornalero, fabricante de lápices, fabricante de papel de lija, escritor y poetastro”. No obstante, su auténtico empleo fue “Inspector de ventiscas y diluvios”, recalcaba.

“Es necesario decir: amad la verdad y escribid sinceramente”, decía.

Henry David Thoreau (1817― 1862, Concord, Massachusetts, Estados Unidos) escribió durante décadas un Diario contemplativo ―germen de su fructífera obra― donde vertía sus ideas y visión sobre cómo vivir en sintonía con la Naturaleza y la sociedad. Consideraba que las ideas solo tenían sentido a condición de que tomasen cuerpo en una práctica efectiva y concreta.

“Elegí las letras como profesión”, escribió al bibliotecario de la Universidad de Harvard, en septiembre de 1849. “El lenguaje es la obra de arte más perfecta del mundo. El cincel de mil años lo retoca”, sostenía.

Fue su amigo el escritor, filósofo y poeta, Ralph Waldo Emerson (1803-1882), que le incentivó llevar a cabo la escritura de un Diario. El resultado es un jugoso experimento original, sin precedentes literarios, publicado póstumamente.

“No busques expresiones, busca ideas para ser expresadas”.

“No prefiero ninguna religión o filosofía sobre otra. No siento ninguna simpatía por el fanatismo y la ignorancia que hacen distinciones transitorias, parciales y pueriles entre la fe de otro, como cristiano y pagano. Rezo por verme liberado de la estrechez de miras, la parcialidad, la exageración y el fanatismo. Para el sabio, todas las religiones, todos los países, son iguales. Amo a Brahma, Hari, Buda y al Gran Espíritu tanto como a Dios”.

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FRUCTÍFERO BOSQUE

Adentrarse en el fantástico bosque ―literario, poético y filosófico― de Thoreau es encontrar un manantial de ideas. Su sublime obra invita a llevar una vida filosófica en el día a día, no a cincelar conceptos para uso exclusivo de las bibliotecas.

“Así es siempre la búsqueda del conocimiento. Los frutos celestiales, las manzanas doradas de las Hespérides están permanentemente custodiadas por un dragón de cien cabezas que nunca duerme, y cogerlas es una labor hercúlea”, consideraba.

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Martin Luther King Jr. (1929-1968), Mahatma Gandhi (1869-1948), Barack Obama y otros contemporáneos se dejaron influenciar por sus ideas. Gandhi le descubrió en la cárcel y lo eligió como su “maestro”. Luther King afirmó haber dado vida a las enseñanzas del filósofo en sus acciones contra la segregación racial de los afroamericanos.

Michel Granger, profesor emérito de literatura americana del siglo XIX en la Universidad de Lyon, y especialista en los escritores del “Renacimiento americano”, en particular Nathaniel Hawthorne (1804-1864), Herman Melville (1819-1891) y Thoreau, considera que conviene tener presente que Thoreau es principalmente un hombre de letras, mientras que, en estos últimos años, se ha querido otorgar mayor importancia a su faceta de filósofo o de pensador político.

“El pensamiento de Thoreau es complejo, cambiante, paradójico, provocador. Hay que leer (y releer) el texto de sus ensayos con una atención continua para tomar en consideración la retórica, para interpretar correctamente la pose del orador, ya que con frecuencia los ensayos fueron, en primer lugar, conferencias o discursos: de esta forma, se evita reducir su pensamiento a un entramado de ideas sin apenas relación con sus intenciones”, explica el profesor.

Caminar, contemplar, volar, pensar, escribir, respetar y preservar el planeta, fueron las consignas que Thoreau llevó al extremo; con brillantez y sencillez.

“No existe en absoluto el sentido común: es sinsentido común”.

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POZO SIN FONDO

De su legado literario ya se han publicado prácticamente todo ―o casi todo. Ensayos, poesías, conferencias, reflexiones y correspondencias. Sobre su personalidad y vida han sido publicados diversos ensayos, biografías y tesis doctorales. Asimismo, actualmente hay varios blogs dedicados exclusivamente al estudio de su Diario, un pozo sin fondo de ideas y pensamientos. En 2013 se publicó en Francia el cómic Thoreau – La vida sublime.

Entre sus obras de referencias están Diario, La desobediencia civil, Una semana en los ríos Merrimack y Concord, Cape Cod, Los bosques de Maine y la obra maestra Walden, escrita y rescrita entre 1847 y 1854.

“Dadles a los ancianos viejos retos y a los jóvenes retos nuevos”.

“Se vive demasiado deprisa. Los hombres creen que lo importante es que el país tenga comercio, que exporte hielo, que haya comunicaciones telegráficas y que pueda viajar a cuarenta kilómetros por hora; pero no se detienen a pensar si ellos lo necesitan o no. Resulta incierto si actuando de esta manera vivimos como hombres o como babuinos”.

“El intelecto es una cuchilla: discierne y se abre camino hacia el secreto de las cosas”.

“Tenía tres sillas en mi casa: una para la soledad, otra para la amistad y una tercera para la sociedad”.

 “La riqueza superflua nos permite comprar sólo cosas superfluas. Para comprar lo que necesita el alma no hace falta dinero”.

DESOBEDIENTE TRANSCEDENTAL

A raíz de su frontal oposición a la esclavitud, aún en vigor en los Estados Unidos, y a la guerra que su país mantenía contra México, en 1849 Thoreau publicó La Resistencia al gobierno civil, retitulado póstumamente como La desobediencia civil, que le llevó a ser considerado como “el padre” de la desobediencia civil ―proposición individual y potencialmente colectiva que reclama impugnar un poder (un decreto, una ley, etc.) ilegítimo o autoritario, por el método de negarse a consentirlo―que sigue teniendo aplicaciones prácticas hoy en día.images

 “La única obligación que tengo derecho a asumir es la de hacer en todo momento aquello que considero recto”.

“Acepto de todo corazón el lema: “El mejor Gobierno es el que menos gobierna”, y me gustaría que actuase con la mayor honestidad y diligencia. Lo cual, llevado a la práctica, significa que “el mejor Gobierno es el que no gobierna en absoluto”, de lo que también estoy convencido. Y cuando los hombres estén preparados para ello, será el gobierno que tendrán”.

Su magistral Diario, de 14 volúmenes, fue publicado por primera vez en 1906, cuarenta y cuatro años después de su muerte y, todavía, continúa siendo la gran referencia para los estudiosos de su obra. La Universidad de Princeton lleva cuarenta años publicando la edición más completa y fiable de los escritos de Thoreau.

La primera entrada del Diario corresponde al 22 de agosto de 1837; y la última al 3 de noviembre de 1861, seis meses antes de su fallecimiento. En él reflexiona sobre la vida y la escritura, y recrea minuciosamente el entorno natural en el que se mueve. Son más de 7.000 páginas

“Este invierno están cortando nuestros bosques con más seriedad que en ninguna otra ocasión anterior ―Fair Haven Hill, Walden, Linnae Boreales, Wood, etc., etc. ¡Gracias a Dios que no pueden cortar las nubes!  thoreau-portada

 “Vida ciudadana: millones de seres viviendo juntos en soledad”.

“¡Cuantas batallas debe librar un hombre por todas partes para mantener su ejército de ideas y marchar con ellas en ordenada formación a través de un territorio hostil! ¡Cuántos enemigos tiene el pensamiento lúcido!”.

 “Una ley jamás hará libre a un hombre; son los hombres quienes tienen que hacer libre a las leyes”.

“Un libro verdaderamente bueno es algo tan ferozmente natural y primitivo, misterioso y maravilloso, fértil y celestial, como un liquen o un hongo”.

“La prensa es, casi sin excepciones, corrupta”.

PINCELADAS DE UNA VIDA

Henry David Thoreau nació el 12 de julio de 1817. Era el tercero de cuatro hermanos. Su familia descendía de emigrantes franceses. Vivió una vida discreta; pero muy intensa. Forma parte de lo que se denomina “Renacimiento americano” junto con otras cuatro figuras capitales: Ralph Waldo Emerson, Walt Whitman (1819-1892), Herman Melville y Nathaniel Hawthorne. Son cinco nombres que en los campos del ensayo, la poesía y la novela forjan la gran tradición americana, cinco pilares que sustentan una literatura.

En 1837, con solo veinte años de edad, se graduó por la Universidad de Harvard, y regresa a su pueblo natal y empieza a dar clases en un colegio, pero renuncia después de verse obligado, en contra de su voluntad, a azotar a seis alumnos, siguiendo las órdenes de un superior.

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En seguida se puso a trabajar en el negocio al que estaba dedicado su padre: la fabricación de lapiceros de grafito. Cuando tuvo éxito en este negocio y sus amigos lo felicitaron por haberse abierto la perspectiva de hacerse rico, él respondió que jamás fabricaría otro lapicero. “¿Para qué?”, dijo. “No quiero hacer de nuevo lo que haya hecho una vez”.

En julio de 1845 abandona la casa familiar de Concord y se instala en la cabaña que ha construido junto a la laguna de Walden Pond, en un terreno que le cedió su amigo Emerson. Durante dos años escribe allí la obra homónima en la que describe su economía doméstica, sus experimentos en agricultura, sus visitantes y vecinos, las plantas y la vida salvaje.

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En 1846 su compromiso cívico le provoca problemas con la justicia. La policía lo arresta y pasa una noche en la cárcel de Concord por negarse a pagar sus impuestos como protesta contra la guerra con México (1846-48), que considera totalmente injustificada.

Un año después, en 1847, abandona definitivamente la cabaña de Walden, y en 1849 publica su primer libro, Una semana en los ríos Concord y Merrimack, tras comprometerse a hacerse cargo del coste de la edición mediante la renuncia a sus derechos. Ese mismo año publica el ensayo Resistencia al gobierno civil.

Comprometido con la causa antiesclavista, participó en el llamado “tren subterráneo”, una red de personas que escondían en sus casas a los esclavos que huían de las plantaciones del Sur y les ayudaban a llegar a Canadá. El arresto en Boston en 1854 del esclavo fugitivo Anthony Burns le incita a escribir el ensayo La esclavitud en Massachusetts, que editan varias publicaciones progresistas.

En 1854 publicó Walden, que según los estudiosos “es un modo de escribir, de ponerse a disposición de las palabras, pero también es una Escritura, una forma de aprender lo que la vida nos enseña”.

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Diario de Thoreau.

Durante un viaje a Nueva York, en 1856, conoce a Walt Whitman, quien le da una copia firmada de Hojas de hierba. Thoreau queda fascinado por el patriarca de la poesía norteamericana. En una carta que le envía el 19 de noviembre a su amigo y discípulo Harrison Blake, le explica: “Parece el más grande demócrata que ha visto el mundo. […] Aunque resulta peculiar y áspero a simple vista, es en esencia un caballero. Me ha dejado desconcertado”.

En 1861 la tuberculosis que contrajo cuando era adolescente empeora. Incapaz de salir de casa, y consciente de que le queda poco tiempo de vida, revisa sus obras para que su hermana Sophie se encargue de su publicación póstuma. No puede afrontar el acariciado proyecto de escribir un estudio etnográfico sobre los indios. Muere el 6 de mayo de este año, a los 44 de edad. Sus últimas palabras fueron “alce” e “indio”.

Para el poeta y dramaturgo español Antonio Machado (1875-1939), el estadounidense Thoreau era un “intelectual que soñó como latino, y como sajón puso en práctica su sueño”. Es todo un clásico, que emerge y desaparece.

“Podemos estar seguros de que cualquier libro o frase que soporta ser leído dos veces ha sido pensado dos veces”, decía Thoreau. ●

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En 2013 la editorial española Impedimenta publicó el cómic biográfico Thoreau―La vida sublime, de Maximilien Le Roy y A. Dan.

 Artículo publicado en la revista El Siglo de Europa y Acpe

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Comunicação

CHAVES NOGALES: DE PEITO ABERTO

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Manuel Chaves Nogales / Foto: Arquivo Pessoal Pilar Chaves Jones.

Por Jairo Máximo

MADRI – Espanha – (Blog do Pícaro) – O jornalista e escritor espanhol Manuel Chaves Nogales é autor de uma inspiradora obra literária que inclui esplêndidos artigos jornalísticos, reportagens, biografias, contos e novelas.

“Minha técnica – a jornalística – não é uma técnica científica. Andar e contar é o meu ofício”, dizia o jornalista.

Segundo os estudiosos, alguns dos melhores livros jornalísticos de língua espanhola têm sua inconfundível autoria. A leitura de um deles conduz a outro e assim sucessivamente.

Manuel Chaves Nogales (Sevilha, 1897 – Londres, 1944) utilizou a pluma como uma navalha para contar os fatos tal como eram. Ia direto ao ponto sem subterfúgios. Fez parte de uma estirpe de jornalistas que nos anos 30 viajavam com frequência ao estrangeiro para realizar reportagens e entrevistas.

Democrata e republicano convencido, durante toda sua vida ―profissional e pessoal― lutou para ser livre e se manter livre. E conseguiu!

“Sou um pequeno burguês liberal cidadão de uma república democrática e parlamentaria”.

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Filho de mãe pianista e pai jornalista, desde jovem começou a exercer o ofício de jornalista em sua cidade natal. Em 1923, durante a entre guerra, chegou à Madri. Entre os anos 1927 e 1937 saboreou o êxito, escrevendo reportagens para os principais jornais da época.

A partir de 1931 foi diretor do diário Ahora (1930-1939), publicação favorável a Manuel Azaña (1880-1940) ―político e escritor que foi presidente do Governo entre 1931 e 1933, e presidente da Segunda República entre 1936 e 1939. Chaves Nogales era um reconhecido partidário de Azaña. Apoiava a República e não se deixava levar pelas correntes totalitárias que arruinavam Europa.

DAR A CARA

Quando estourou a Guerra Civil espanhola, no dia 18 de julho de 1936, Chaves Nogales se colocou ao serviço da Segunda República, até que o Governo abandonou definitivamente Madri, e se instalou em Valência, momento no qual, pressagiando a vitória dos franquistas e a posterior catástrofe eminente, em novembro deste mesmo ano, decide se exilar com sua família em Paris, sem ter renunciado nunca às suas convicções democráticas nem às suas lealdades republicanas.

Na capital francesa escreveu para um grande grupo de jornais americanos de língua espanhola que publicavam suas crônicas “redatadas única e exclusivamente ao serviço da causa francesa”, afirmava. Ao mesmo tempo, diariamente, a Rádio Francesa para Espanha e América do Sul divulgava seus comentários de atualidade. Além disso, em Paris, fundou e editou uma pequena publicação sobre atualidade destinada aos exilados republicanos na França.

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Em 1940, depois de saber que era objetivo dos nazistas que estavam às portas de Paris, Chaves Nogales se mudou para Bordeaux antes de ir morar definitivamente em Londres. Na capital inglesa, fundou uma agência, escreveu artigos para jornais latino-americanos e trabalhou como jornalista no frente de guerra, ao lado dos exércitos aliados que lutavam na Europa contra a Alemanha nazista.

“Porém, a catástrofe da França, como a da Espanha, não era a derrota definitiva. Era somente uma nova etapa dolorosa de uma luta que não tem pátrias nem fronteiras porque não é senão a luta da barbárie contra a civilização, das forças destruidoras contra o espírito construtivo e o instinto de conservação da humanidade, da mentira contra a verdade…”, escreveu no prólogo do relato A agonia da França, publicado em Montevidéu, em 1941, e reeditado na Espanha quase sessenta anos depois. Neste relato, Chaves Nogales conta com lucidez como o país que tinha sido durante um século e meio o faro da democracia no mundo se colocou em junho de 1940 aos pés do nazismo.

Em 1944 quando tinha apenas 47 anos, Manuel Chaves Nogales, morreu de uma peritonite, em Londres, Reino Unido, onde descansa em paz numa tumba desamparada. Dignificou uma profissão prisioneira do servilismo político. É um referencial do bom jornalismo. Construiu uma obra difícil de catalogar.

“Ambicioso, vazio, extravagante, a hora de Chaves Nogales passou. Nem foi, nem é e nem voltará a ser nada”, escreveu o desprestigiado jornalista Francisco Casares no livro Azaña e eles: cinquenta perfis vermelhos (1938).

Contudo, com o passar do tempo, Manuel Chaves Nogales seria considerado “um paradigma” de intelectual comprometido com seu tempo. “É um dos grandes, o que soube disparar de uma distância precisa”, considera o escritor e jornalista valenciano Manuel Vicent.

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Cartaz do documentário O homem que estava ali, sobre o inclassificável jornalista e escritor Manuel Chaves Nogales.

Banido e esquecido pela direita e pela esquerda espanhola durante mais de sete décadas, atualmente seus livros são reeditados com êxito. Sobre seu legado se organizam conferências, colóquios e se publicam diversos textos sobre sua pessoa. Como reconhecimento, o governo de Sevilha editou sua obra jornalística completa em dois tomos. Em 2013 se estreiou o documentário O homem que estava ali, baseado em sua pessoa e legado. Em Alcorcón, em Madri, há um colégio público que tem o seu nome e, na capital espanhola, tentam, sem muito êxito, honrar-lhe com o nome de rua depois de sete décadas de sua morte.

 PRONTO PARA LER

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Ler hoje a obra de Chaves Nogales ajuda a compreender a história do século XX. Inesquecíveis são: A defesa de Madri, reportagem publicada em 16 capítulos na imprensa mexicana, em 1938, e editado em livro em Sevilha em 2011; a biografia Juan Belmonte, matador de toros. Sua vida e suas façanhas (1935); a novela O maestro Juan Martínez que estava ali (1934), ou a surpreendente reportagem O que sobrou do Império dos czares (1931), publicada originalmente nesse mesmo ano no jornal Ahora. Revela a vida dramática dos dois milhões de pessoas que tiveram que abandonar à Rússia depois da Revolução de 1917, uma revolução que naquela época era defendida e admirada pela esquerda espanhola.

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Suas diversas reportagens, entrevistas e perfis de famosos e anônimos, realizadas de peito aberto, lhe levaram a ser considerado como um dos melhores jornalistas do século XX. Sua obra é um antídoto para aqueles que hoje em dia anseiam “conquistar o céu” a base de mentiras e manipulações. Nos não tão distantes anos 30 Chaves Nogales já denunciava contundentemente que o populismo mata.

“É uma lei histórica que todo povo vencido adota fatalmente a forma de governo do vencedor”.

Em Com sangue e fogo ―heróis, bestas e mártires da Espanha, publicado pela primeira vez no Chile em  1937, título de nove emocionantes e alucinantes relatos que ele escreveu sobre a Guerra Civil espanhola (durante seu exílio na França) é um manual que reforça o sem razão das guerras. Na Espanha são muitos aqueles que consideram que esta obra é um dos melhores livros escritos sobre a Guerra Civil espanhola (1936 ―1939).

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No prólogo desta obra, Chaves Nogales constatou: “Mas a estupidez e a crueldade se apoderaram da Espanha. Por onde começou o contágio? Os caldos de cultivo desta nova peste, germinada nesse grande panteão da Ásia, nos proporcionaram os laboratórios de Moscou, Roma e Berlim, com as etiquetas de comunismo, fascismo ou nacional-socialismo, e o despreocupado homem celtibero os absorveu avidamente. (…) É perder tempo tentar apontar os focos do contágio da velha febre fratricida neste ou naquele setor social, nesta ou naquela área da vida espanhola. Nem brancos nem vermelhos têm nada que dizer um do outro. Idiotas e assassinos foram produzidos e atuaram com idêntica profusão e intensidade nos dois bandos que se dividiram Espanha”.

TOUREANDO UM TOUREIRO

Na biografia Juan Belmonte, matador de touros: sua vida e suas façanhas, considerada a melhor biografia escrita em espanhol, Chaves Nogales conta a vida de seu compatriota, o toureiro Juan Belmonte García (1892―1962), que no começo do século 20 brilhou como ninguém ―dentro e fora― das arenas espanholas, numa época em que a devoção às touradas era transcendente e chegava a diversas classes sociais que professavam uma paixão febril pela tauromaquia, a arte de tourear.

A biografia do sevilhano Juan Belmonte, apelidado Pasmo de Triana, que foi escrita como uma autobiografia é fruto dos vários encontros que o jornalista, que não era amante das touradas, teve com o toureiro. Narra a apaixonante história daquele menino Juan que nasceu pobre e sofreu preconceitos na infância, porém, quando cresceu se tornou uma celebridade imensamente rica “fundadora do toureio moderno”.

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Depois de saborear a glória, e com quase 70 anos, Juan Belmonte se suicidou em abril de 1962. Apesar de ser um suicida, se permitiu que ele fosse enterrado no cemitério São Fernando de Sevilha.

Para Chaves Nogales, “Belmonte tinha um forte espírito de superação e caráter conciliador, inimaginável em um toureiro”.

No prólogo da reedição editada em 2009 pela editora catalã Libros del Asteroide, o poeta e escritor espanhol Felipe Benítez Reys, escreve: “Com este livro sobre Juan Belmonte, Chaves Nogales deu uma lição de literatura e uma lição de jornalismo que consegue ascender ao âmbito da grande literatura”.

Idealizado originalmente como folhetim, Juan Belmonte, matador de touros: sua vida e as suas façanhas, foi publicado pela primeira vez na revista espanhola Estampa, entre junho e dezembro de 1935 em 25 magníficos capítulos.

 PALAVRAS DE TOUREIRO

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“Tenho que insistir na minha convicção de que o toureio é fundamentalmente um exercício de ordem espiritual e não uma atividade simplesmente esportiva”.

“Uma tarde eu estava toureando em Tablada às margens do rio; tinha atravessado de uma margem a outra nadando, e toureava completamente desnudo. Da outra margem do Triana, umas mocinhas que voltavam do trabalho em alguma fazenda me cumprimentavam de longe, agitando alegremente os braços. Tinha conseguido separar um bezerro e quando percebi que estava sendo contemplado de longe por aquele grupo feminino, comecei a tourear com todo o estilo que era capaz. Em um dos lances o bezerro passou tão perto de mim, que me cortou o lábio. Rodei pelo chão. Já estava outra vez de pé e com a blusinha nas mãos quando ouvi o eco perdido do grito de terror que na outra margem deram as mulheres quando me viram ser ferido. Percebi que o ferimento era pequeno; no entanto, como acontece com todas as feridas no rosto, sangrava abundantemente. Percebi que o contratempo não era grave e deixei que o sangue escorresse por todo o corpo para continuar toureando. Não queria ser mal visto por aquelas mulheres que do outro lado do rio se entusiasmavam vendo aquele jovem garoto pelado que toureava sozinho o touro. Mas quando elas me viram com o corpo coberto de sangue se assustaram e começaram a dar uns gritos espantosos. Umas tapavam o rosto com as mãos, outras corriam até a margem do rio me chamando com vozes de angustias, outras fugiam horrorizadas. Levaram à Triana uma imagem espantosa daquele garoto que toureava sozinho, desnudo e sangrando em pleno campo de Tablada.”

“O dia em que se toureia a barba cresce mais rápido. É o medo. (…) Não é necessário dar muitas voltas. É o medo. (…) É um íntimo amigo meu. (…) O medo nunca me abandonou. É sempre o mesmo. Meu companheiro inseparável. (…) O medo que se passas nas horas que antecedem uma tourada é espantoso. (…) Muda o tom de voz, se emagrece de hora em hora, modifica-se o caráter e surgem na gente umas ideias extraordinárias. Depois, quando já se está frente ao touro, é distinto. O touro não deixa tempo para a reflexão”.

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“Sempre me sublevo ante aos abusos do poder”.

“Teve uma época que as touradas tinham uma ressonância e transcendência que hoje não tem. (…) Era a época em que depois de uma boa tourada se encontrava gente toureando pelas ruas”.

“Se eu fosse ensaísta no lugar de toureiro, me atreveria a esboçar uma teoria sexual da arte; pelo menos, da arte de tourear”.

“Hoje, depois de milhares de anos, todos nós comemos o touro. A besta está dominada e derrotada. E, naturalmente, o touro está em franca decadência. Se conseguiu tudo o que se podia conseguir. O touro não tem hoje nenhum interesse. É uma pobre besta derrotada. (…) Subiste a beleza da festa, mas o elemento, a emoção, a angústia sublime da luta selvagem se perdeu. A festa está em decadência”.

DANÇANDO COM JUAN

Na obra O mestre Juan Martínez que estava ali, Chaves Nogales realiza um comovedor relato sobre os passos que os dançarinos de flamenco Juan Martínez (1896-1961), e a sua mulher Sole, realizaram para subsistir durante a revolução bolchevique na Rússia do começo século 20.

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A dupla artística denominada “Los Martínez”, primeiro triunfou em Madri; depois na Paris boêmia, onde aceitaram um convite para realizar uma turnê na enigmática Turquia. Jamais poderiam imaginar as amargas experiências que o destino lhes tinha reservado. O casal embarcou em Marselha com destino ao Oriente no dia 26 de junho de 1914. Quarenta dias antes de começar a Primeira Guerra Mundial (1914-1919).

E foi assim que, sem querer, Los Martínez, encurralados em terras russas, viveram primeiro a guerra, depois a revolução bolchevique, que lhes perseguiam.  Foram testemunhas a força da violenta revolução bolchevique, que queria conquistar o céu- para eles- e o inferno para o outro.

No prólogo da reedição realizada em 2007 pela editora catalã Libros del Asteroide, o escritor e poeta Andrés Trapiello, escreve: “Chaves Nogales não quis fazer uma novela. As declarações de Martínez, que continuava trabalhando em Paris em cabarés, o impressionaram. É um relato linear, que após uma breve introdução, passa para os lábios de Martínez. Poderíamos considerar este livro como suas memórias russas. Não existe nela recordação íntima, nem estudos psicológicos, quase tudo transcorre em função dos acontecimentos”.

Em 1922, Los Martínez retornaram à Espanha, e pouco tempo depois voltaram a morar definitivamente em Paris. Chaves Nogales publicou sua história primeiro por capítulos no semanário Estampa, em 1934.

PALABRAS DE DANÇARINO DE FLAMENCO

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Retrato do espanhol Juan Martínez publicado na revista Estampa.

“Veja bem… Eu sou de Burgos, na Espanha, e apesar disso, estava entre os muçulmanos de Istambul como se estivesse na minha casa. (…) Poucos dias depois de estar ali se iniciou a guerra. Eu não compreendi o que era aquilo até que os diretores franceses do teatro onde trabalhávamos nos disseram que eles que não podiam nos pagar porque fechavam o negócio e abandonavam o país. Fomos ver o cônsul da Espanha. Como sempre passa com os nossos cônsules, não podia fazer nada. (…) No começo a guerra não se percebia muito, porém pouco a pouco, tudo foi mudando. As pessoas tinham a cara cada dia mais desconfiada, mais rude. Não voltamos a ver caras alegres, suaves, sorridentes, até muitos anos depois. E para ser sincero, acredito que caras amáveis como as de antes da Primeira Guerra não se voltaram a ser vistas pelas ruas da Europa”.

 “Eu nunca quis me meter em política”.

“Em Bucareste nos hospedamos no hotel Central, que estava em frente ao Correios. Apresentei-me pedindo trabalho num cabaré chamado Alhambra e estreamos cinco dias depois. Gostaram muito do nosso espetáculo e estávamos felizes. Tinha pão e paz. Quantas vezes depois presenciei homens matando homens, todos clamando por essas duas coisas: o pão e a paz!”.

“Naquela época aprendi que não é verdade que as revoluções se fazem com famintos. Quando se tem fome não se é capaz de nada”.

“Os bolcheviques, bons ou ruins, insistiam que os artistas de cabaré não tínhamos direito de viver e desejavam que morrêssemos o quanto antes”.

“Os vermelhos se impuseram utilizando o terror desde o primeiro momento, implantando o comunismo de guerra com uma ferocidade sem limites”.

“A viagem a Kiev foi um horror, porque o trem soviético ia cheio de militares, quer dizer, de camponeses que dias antes tinham recebido um fuzil e a autorização para assassinar qualquer pai de família que encontrasse pela frente, e aquela gente nos tratou a golpes. (…) Numa estação eu estava enchendo de água nosso bule, sem prestar muito atenção aos gritos que ouvia, quando de repente se aproximou um grandalhão grosseiro, que com violência pegou o utensílio da minha mão e disse:
― Vai embora daqui, porco burguês!
―Fora, se não quer ser preso! ―disseram em coro uns dez ou doze safados que lhes seguiam.
Fiquei furioso por ser tratado tão injustamente.
―Mas, por quê?
―Porque você é um burguês asqueroso e vamos te enforcar agora mesmo!
―Eu sou tão proletário como vocês.
Respondeu-me uma gargalhada coletiva. Realmente, eu, com meu pescoço rígido e o blazer curto que levava, devia ter para aqueles bárbaros que se vestiam de farrapos, uma presença ridícula.

Imagen relacionada ―Eu sou tão proletário como os senhores! Ou mais! ―gritei desesperado.
―Mentira!
―Mentira!
―Ou demonstra agora mesmo que você ganha à vida trabalhando como um operário ou te prenderemos.
―Quereis que eu lhes prove que sou um proletário? ―perguntei petulantemente.
―Se não provar agora mesmo não escapará de nossas unhas, canalha!
Ouve um momento de silêncio. Desafiante olhei para os seus olhos e gritei com raiva:
―Veja! Idiotas.
E mostrava, passando pelos seus narizes, as palmas de minhas mãos deformadas pelos enormes calos, cuja contemplação causou um grande impacto naquelas gentes.Eram os calos que saem em todos os dançarinos de flamenco de tanto tocar as castanholas.
Eles me salvaram”. ●

Artigo publicado em espanhol na revista El Siglo de Europa e Acpe

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Comunicación

CHAVES NOGALES: A PECHO DESCUBIERTO

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Manuel Chaves Nogales / Foto: Archivo de Pilar Chaves Jones.

Por Jairo Máximo

MADRID – España ― (Blog do Pícaro) ― El periodista y escritor Manuel Chaves Nogales es autor de una inspiradora obra literaria que abarca espléndidos artículos periodísticos, reportajes, biografías, cuentos y novelas.

“Mi técnica ―la periodística―no es una técnica científica. Andar y contar es mi oficio”.

Según los especialistas algunos de los mejores libros del reporterismo español llevan su inconfundible firma. La lectura de uno conduce a otro y así sucesivamente.

Manuel Chaves Nogales (Sevilla, 1897―Londres, 1944) utilizó la pluma como un cuchillo para contar los hechos tal como eran. Iba directo al grano sin subterfugios. Perteneció a una estirpe de periodistas que, en los años 30, viajaron a menudo por el extranjero, realizando reportajes y entrevistas.

Demócrata y republicano convencido, durante toda su vida ―profesional y personal― luchó por ser libre y mantenerse libre. ¡Y lo consiguió!

“Soy un pequeño burgués liberal ciudadano de una república democrática y parlamentaria”.

Hijo de madre pianista y padre periodista del diario sevillano El Liberal, desde muy joven empezó a ejercer el oficio de periodista, primero en Sevilla y después en Córdoba. En 1923 se trasladó a Madrid de entreguerras. Entre los años 1927 y 1937 saboreó el éxito, escribiendo reportajes para los principales periódicos de la época.

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A partir de 1931 fue subdirector del diario Ahora (1930-1939), publicación afín a Azaña, de quien Chaves Nogales era un reconocido partidario. Apoyaba la República sin dejarse tentar por las corrientes totalitarias que asolaban Europa. Manuel Azaña (1880-1940), político y escritor fue presidente del Gobierno entre 1931 y 1933, y presidente de la Segunda República entre 1936 y 1939.

“Los totalitarismos son la puntilla de la República y la ignorancia su mortífero instrumento”, escribió proféticamente Chaves Nogales en 1934.

A LO HECHO, PECHO

Al estallar la Guerra Civil el 18 de julio 1936 se puso al servicio de la Segunda República, hasta que el Gobierno abandona definitivamente Madrid, y se instala en Valencia, momento en que presagiando la victoria de los fascistas franquistas, y la subsiguiente catástrofe por venir, en noviembre de ese mismo año decide exiliarse con su familia en París, sin haber renunciado nunca ni a sus convicciones democráticas ni a sus lealtades republicanas.

En la capital gala, escribió para un grupo numeroso de periódicos americanos de lengua española que publicaba sus crónicas “redactadas única y exclusivamente al servicio de la causa francesa”, afirmaba. Al mismo tiempo, diariamente, la Radio Francesa para España y América del Sur divulgaba sus comentarios de actualidad. Además, en París fundó y editó una publicación semi-artesanal sobre la actualidad española dirigida a los exiliados republicanos en Francia.

En 1940, tras saber que era “presa de caza” de los nazis, que estaban a las puertas de París, Chaves Nogales se trasladó a Burdeos y desde allí a Londres. En la capital inglesa fundó una agencia, escribió artículos para los periódicos latinoamericanos y trabajó como periodista en la filas de los ejércitos aliados que luchaban en Europa contra la Alemania nazi.

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“Pero la catástrofe de Francia, como la de España, no era la derrota definitiva. Era sólo una nueva etapa dolorosa de una lucha que no tiene patrias ni fronteras porque no es sino la lucha de la barbarie contra la civilización, de las fuerzas de destrucción contra el espíritu constructivo y el instinto de conservación de la humanidad, de la mentira contra la verdad…”, escribió en el prólogo del relato La agonía de Francia, publicado en Montevideo en 1941, y reeditado en España casi sesenta años después. Cuenta con lucidez como el país que había sido durante siglo y medio el faro de la democracia en el mundo se puso en junio de 1940 en manos del nazismo.

En 1944 con 47 años, Manuel Chaves Nogales falleció víctima de una peritonitis, en Londres, Reino Unido, donde cria malvas en una tumba desamparada. Dignificó una profesión presa del servilismo político. Es toda una referencia al buen hacer periodístico. Construyo una obra indecidible ―aquello que resulta imposible decidir si se trata de una cosa o de otra.

“Ambicioso, vacío, extravagante, la hora de Chaves Nogales pasó. Ni fue, ni ha sido ni volverá a ser nada”, escribió el deslucido periodista Francisco Casares en su libro Azaña y ellos: cincuenta semblanzas rojas (1938).

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Con todo, con el paso del tiempo, Manuel Chaves Nogales sería considerado “un paradigma” del intelectual comprometido con su tiempo.

“Es uno de los grandes, el que supo disparar desde la distancia precisa”, considera el escritor y periodista valenciano Manuel Vicent.Resultado de imagen de portada del libro ¿Que pasa con Cataluña?, de Nogales

Desterrado y olvidado por la derecha e izquierda española durante más de siete décadas, actualmente sus libros son reeditados con éxito, y sobre su legado se organizan charlas, coloquios y se publican diversos textos. En 2001 la Diputación Provincial de Sevilla publicó su obra periodística completa en dos tomos, con edicción y estudio introductorio de María Isabel Cintas Guillén. En 2013 se estrenó el documental El hombre que estaba allí, basado en su figura. En Alcorcón, Madrid, está ubicado un colegio público de educación secundaria que lleva su nombre, y en la capital española se intenta, a duras penas, honrarle con una calle tras más de siete décadas de su muerte.

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Cartel del documental El hombre que estaba allí, sobre el inclasificable Chaves Nogales.

LISTOS PARA LEER

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Leer hoy la obra de Chaves Nogales ayuda a comprender la historia del siglo XX. Inolvidables son: La defensa de Madrid, reportaje publicado en 16 entregas en la prensa mexicana en 1938 y editado como libro en Sevilla en 2011; la biografía Juan Belmonte, matador de toros. Su vida y sus hazañas (1935); la novela El maestro Juan Martínez que estaba allí (1934) o el sorprendente reportaje Lo que ha quedado del imperio de los zares (1931), publicado originalmente ese mismo año en el periódico Ahora. Revela la vida dramática de los dos millones de personas que tuvieron que salir de Rusia tras la Revolución de 1917, una revolución que por aquellos años era defendida y admirada por la izquierda española.

Sus diversos reportajes, realizados a pecho descubierto, y editados posteriormente en libros, le llevaron a ser considerado como uno de los mejores periodistas del siglo XX. Son un antídoto para aquellos que anhelan “conquistar el cielo” a base de mentiras y manipulaciones. En los años treinta del siglo pasado Chaves Nogales ya denunciaba a cuatro vientos que el populismo mata.

“Es una ley histórica que todo pueblo vencido adopta fatalmente la forma de gobierno del vencedor”.

En  A sangre y fuego – héroes, bestias y mártires de España, publicado por primera vez en Santiago de Chile en 1937, título de nueve emotivos y alucinantes relatos que él escribió sobre la Guerra Civil española (durante su exilio en Francia) es un manual que incide en la sin razón de las guerras. En España son muchos los que consideran que  esta obra es uno de los mejores libros que se han escrito jamás sobre la Guerra Civil española que ocurrió entre 1936 y 1939.

Resultado de imagen de imagenes publicas de chaves nogalesEn el prólogo de la obra Chaves Nogales constató: “Pero la estupidez y la crueldad se enseñoreaban de España. ¿Por dónde empezó el contagio? Los caldos de cultivo de esta nueva peste, germinada en ese gran pudridero de Asia, nos los sirvieron los laboratorios de Moscú, Roma y Berlín, con las etiquetas de comunismo, fascismo o nacionalsocialismo, y el desapercibido hombre celtíbero los absorbió ávidamente. (…) Es vano el intento de señalar los focos de contagio de la vieja fiebre cainita en este o aquel sector social, en esta o aquella zona de la vida española. Ni blancos ni rojos tienen nada que reprocharse. Idiotas y asesinos se han producido y actuado con idéntica profusión e intensidad en los dos bandos que se partieran España.”

LIDIANDO UN MATADOR DE TOROS

Resultado de imagen de PORTADAS DE LIBROS DE CHAVES NOGALES En Juan Belmonte, matador de toros: su vida y sus hazañas, considerada una de las mejores biografías jamás escritas en castellano, Chaves Nogales realiza una magnífica biografía de su paisano, el matador de toros Juan Belmonte García (Sevilla, 1892 – Utrera, 1962), que a principios del siglo XX brilló como nadie ―dentro y fuera― de los ruedos españoles, en una época en la cual la afición a los toros era trascendente y llegaba a los diversos extractos sociales, que profesaban una pasión febril por la tauromaquia.

La biografía de Juan Belmonte, el llamado Pasmo de Triana, está redactada en forma de autobiografía a partir de las numerosas conversaciones que el periodista, que no era amante de la lidia, mantuvo con el diestro. Narra la apasionante historia de aquél niño que nació pobre y marginado, pero que de mayor se convirtió en una celebridad  “fundador del toreo moderno”.

Tras saborear la gloria y a punto de cumplir 70 años, Juan Belmonte se suicidó de un disparo en su cortijo de Gómez Cardeña en 1962. A pesar de ser un suicida se le permitió ser enterrado en el cementerio de San Fernando de Sevilla. Según Chaves Nogales, “Belmonte tenía un marcado espíritu de superación y talante conciliador, inimaginable en un torero”.

En el prólogo de la reedición editada en 2009 por la editorial catalana Libros del Asteroide, el poeta y escritor Felipe Benítez Reyes, escribe: “Con este libro sobre Juan Belmonte, Chaves Nogales dio una lección de literatura y una lección de periodismo: el periodismo que logra ascender al ámbito de la gran literatura”.

Concebida originalmente como un folletín, Juan Belmonte, matador de toros. Su vida y sus hazañas, apareció por primera vez por entregas en el semanario Estampa del 29 de junio al 14 de diciembre de 1935 en veinticinco magníficos capítulos.

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Juan Belmonte retratado en 1924 por Ignacio Zuloaga.

PALABRAS DE TORERO

“Tengo que insistir en mi convicción de que el toreo es fundamentalmente un ejercicio de orden espiritual y no una actividad meramente deportiva”.

“Siempre me han sublevado los abusos de poder”.

“Una tarde estaba yo toreando en Tablada junto a la orilla del río; había cruzado el cauce a nado y toreaba completamente desnudo. Desde la orilla de Triana, unas muchachas que volvían de trabajar en algún cortijo me saludaban a lo lejos agitando alegremente los brazos. Había conseguido apartar un becerro, y al sentirme contemplado a distancia por aquel grupo femenino me puse a torear con todo el estilo de que era capaz. En uno de los lances pasó el becerro tan cerca de mí, que me dio un puntazo con el pitón en la cara y me partió el labio. Rodé por el suelo. Ya estaba yo otra vez en pie y con la blusilla en las manos cuando llegó hasta mí el eco perdido del grito de terror que en la otra orilla dieron las mujeres al ver la cogida. La herida era pequeña; pero, como ocurre con todas las heridas en la cara, manaba sangre en abundancia. Me di cuenta de que el percance no era grave y dejé que la sangre me corriera por el cuerpo para seguir toreando. No quería quedar mal ante aquellas mujeres que desde la otra banda del río se entusiasmaban viendo aquel muchacho desnudo que lidiaba a solas a los toros. Pero cuando ellas me vieron con el cuerpo tinto en sangre se asustaron y se pusieron a dar unos gritos espantosos. Unas se tapaban la cara con las manos, otras avanzaban hasta el borde del agua llamándome con voces angustiadas, otras huían despavoridas. Llevaron a Triana una imagen pavorosa del aquel muchacho que toreaba solo, desnudo y sangrante en pleno campo de Tablada”.

“El día que se torea crece más la barba. Es el miedo. (…) No hay que darle vueltas. Es el miedo. (…) Es un íntimo amigo mío. (…) El miedo no me ha abandonado nunca. Es siempre el mismo. Mi compañero inseparable. (…) El miedo que se pasa en las horas que preceden a la corrida es espantoso. (…)  Se cambia el tono de la voz, se adelgaza de hora en hora, se modifica el carácter y se le ocurren a uno las ideas más extraordinarias. Luego, cuando ya se está ante el toro, es distinto. El toro no deja tiempo para la introspección”.

“Entonces, las corridas de toros tenían una resonancia y una trascendencia que hResultado de imagen de JUAN BELMONTEoy no tienen. (…) Era la época en que después de una buena faena se veía a la gente toreando por calles”.

“Si yo fuese ensayista en vez de ser torero, me atrevería a esbozar una teoría sexual del arte; por lo menos, del arte de torear”.

“Hoy, al cabo de miles de años, todos nos comemos al toro. La bestia está dominada y vencida. Y, naturalmente, el toro está en franca decadencia. Se ha logrado todo lo que se podía lograr. El toro no tiene hoy ningún interés. Es una pobre bestia vencida. (…) Subsiste la belleza de la fiesta, pero el elemento dramático, la emoción, la angustia sublime de la lucha salvaje se ha perdido. Y la fiesta está en decadencia”.

 BAILANDO CON “LOS MARTÍNEZ”

 Resultado de imagen de PORTADAS DE LIBROS DE CHAVES NOGALESEn El maestro Juan Martínez que estaba allí, Chaves Nogales realiza un conmovedor relato novelado de los pasos que el bailaor Juan Martínez (1896-1961) y su esposa Sole, bailaora, que se hacían llamar Los Martínez, realizaron para subsistir durante la convulsa revolución bolchevique en Rusia de principios del siglo XX.

La pareja artística, primero triunfó en los tablaos de la Cava Baja de Madrid; después en el París bohemio, donde aceptaron una invitación para realizar una gira a la enigmática Turquía. Jamás podrían imaginar las amargas experiencias que el destino les tenía reservado. La pareja embarcó en Marsella rumbo a Oriente el día 26 de junio de 1914. Cuarenta días antes de estallar la Gran Guerra (1914-1919).

Sin quererlo, Los Martínez, terminaron atrapados en tierras rusas donde primero la guerra, después la revolución bolchevique, les apretaban los talones. Fueron testigos forzosos de la violenta revolución bolchevique, que quería conquistar el cielo ―para ellos― y el inferno para ―el otro.

En el prólogo de la reedición editada en 2007 por la editorial Libros del Asteroide, el escritor y poeta Andrés Trapiello, escribe: “Chaves Nogales no quiso hacer una novela. El testimonio de Martínez, que seguía trabajando en París en lo suyo, el cabaret, le impresionó. Es un relato lineal, que tras una breve obertura, pasa a labios de Martínez. Podríamos considerar este libro sus memorias rusas. No hay en ellas recuerdos íntimos, ni estudios psicológicos, casi todo discurre por el nudo de los acontecimientos”.

En 1922 Los Martínez regresaron a España, y poco después, volvieron a instalarse definitivamente en París. Chaves Nogales publicó su historia primero por entregas en el semanario Estampa en 1934.

PALABRAS DE BAILAOR

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Retrato del bailaor burgalés Juan Martínez publicado en la revista Estampa a principios del siglo pasado.

Imagen relacionada “Ya ve usted. Yo soy de Burgos, Pues, a pesar de eso, estaba entre los musulmanes de Estambul como en mi casa. (…) A los pocos días de estar allí se declaró la guerra. Yo no me di cuenta de lo que era aquello hasta que los directores del teatro donde trabajábamos, que eran franceses, nos dijeron que no podían pagarnos, que cerraban y que se iban. Fuimos a ver al cónsul de España. Como les pasa siempre a nuestros cónsules, no pudo hacer nada. (…) Al principio la guerra no se notaba mucho, pero poco a poco todo fue cambiando. La gente tenía la cara cada vez más apretada, más dura. Ya no volvimos a ver caras anchas, abiertas, sonrientes, hasta muchos años después. Y, la verdad, creo que caras amables como las de antes de la guerra no se han vuelto a ver por las calles de Europa”.

“Yo nunca me he querido meter en política”.

“En Bucarest fuimos a parar al hotel Central, que estaba frente a Correos. Me presenté pidiendo trabajo en cabaret llamado Alhambra y debutamos a los cinco días. Gustamos mucho y nos sentimos felices. Había pan y paz. ¡Cuántas veces he visto después a los hombres hacerse matar, clamando por estas dos cosas: el pan y la paz!”.

“Aprendí entonces que no es verdad que las revoluciones se hagan con hambrientos. Cuando se tiene hambre no se es capaz de nada”.

“Los bolcheviques, buenos o malos, sostenían que los artistas de cabaret no teníamos derecho a la vida y deseaban que nos muriésemos cuanto antes”.

“Los rojos se impusieron por el terror desde el primer momento, implantando el comunismo de guerra con una ferocidad sin límites”.

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“El viaje a Kiev fue terrible, porque el tren soviético iba lleno de militares, es decir, campesinos a los que días antes les habían dado un fusil y la autorización para asesinar a los padres que se les pusiesen por delante, y aquella gente nos trató a baquetazos. (…) En una estación estaba yo llenando de agua nuestra tetera, sin hacer caso de los gritos, cuando se me acercó un hastial, que de un manotazo me tiró el cacharro, y me dijo:
― ¡Largo de aquí, cochino burgués!
― ¡Largo, si no quieres que te arrastremos! – corearon diez o doce gandules que le seguían.
Me revolví furioso al verme atropellado tan injustamente.
― Pero ¿por qué?
― ¡Porque eres un burgués asqueroso, y te vamos a colgar ahora mismo!
― Yo soy tan proletario como ustedes.
Me contestó una salva de carcajadas. Yo, realmente, con mi cuello almidonado y el gabancito corto que llevaba, debía de tener entre aquellos bárbaros, que lucían las ropas en jirones, un aire bastante ridículo.
― ¡Yo soy tan proletario como ustedes! ¡O más! ― grité exasperado.
― ¡Mentira!
― ¡Mentira!
―O demuestra ahora mismo que se gana la vida trabajando como un obrero o le arrastramos.
― ¿Queréis que os pruebe que soy un proletario? ― pregunté jactancioso.
― ¡Como no lo pruebes no sales de nuestras uñas, canalla!
Hubo un momento de silencio. Les miré a los ojos retándoles y les grité con rabia:
― ¡Mirad, idiotas!
Y les mostraba, metiéndoselas por las narices, las palmas de mis manos deformadas por dos callos enormes, cuya contemplación causó un gran estupor a aquellas gentes.
Eran los callos que a todos los bailarines flamencos nos salen en las manos de tocar las castañuelas.
Ellos me salvaron”. ●

● Artículo publicado en la revista El Siglo de Europa y Acpe

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Busto de Manuel Chaves Nogales obra de Emiliano Barral.

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Arte e Cultura

“O INSTITUTO CERVANTES É UMA CASA ABERTA”

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Juan Manuel Bonet Planes, diretor do espanhol Instituto Cervantes em Madri. / Foto: Instituto Cervantes

por Jairo Máximo

MADRI, Espanha ― (Blog do Pícaro) ― Juan Manuel Bonet Planes (Paris, França, 1953) Escritor, poeta e crítico de arte e literatura. Tem publicados diversos livros de poemas, ensaios e monografias. Foi curador de importantes exposições e organizador de mostras e retrospectivas que sempre levam sua particular marca de identidade. Também foi diretor do Instituto Valenciano de Arte Moderna e do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia de Madri. Atualmente é diretor do espanhol Instituto Cervantes, mas antes disso dirigiu o Cervantes em Paris. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, Bonet afirma: “Chego ao Cervantes para aportar ideias novas”.

Desde criança você vive na vanguarda intelectual?

―Sim. Nasci numa família na qual a arte e a cultura são uma tradição. O meu pai falava que a mãe escrevia, que o seu pai militar pintava e que um familiar de Lugo, na Galícia, Evaristo Correa Calderón (1899-1986), que eu conheci quando ele era idoso, era vanguardista. Correa Calderón era amigo de Jorge Luis Borges, e foi ele quem introduziu a vanguarda em Lugo. No meu livro Dicionário das Vanguardas na Espanha, 1907―1936, que lancei em 1995, falo das vanguardas que conheci. Deste homem de Lugo, Correa Resultado de imagen de portada del libro diccionario de las vanguardias españolasCalderón, meu tio-avô, que na sua juventude madrilenha participou, no Café de Pombo, da tertúlia organizada pelo escritor e jornalista Ramón Gómez de la Serna, emblema da vanguarda espanhola. Ele contava que José Gutiérrez Solana, que imortalizou a tertúlia no quadro A Tertúlia do Café de Pombo (1920),fez um retrato a óleo dele, em 1921, que ele nunca conseguiu comprar porque a obra de Solana era muito cara. Também tinha a sua relação com Borges, porque nas obras completas de Borges, editadas em francês, Correa Calderón aparece como um dos signatários de um poema coletivo. Daí vem a tradição. Meu pai Antonio Bonet Correa ―historiador e catedrático―, primeiro estudou na Universidade de Santiago de Compostella; depois ampliou os estudos em Paris, onde nasci. Na capital francesa ele se relacionou com escritores e pintores. Em 1958 regressou à Espanha e aqui continuou relacionando-se com pintores e escritores. Portanto, desde criança vivi na vanguarda intelectual.

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A Tertúlia do Café de Pombo, 1920, obra de Solana.

Que luxo!

―Claro! Lembro-me da época quando o meu pai dirigia o Museu de Belas- Artes de Sevilha, além de editar algumas páginas do ativo e crítico jornal El Correo de Andalucía. Foi nestas páginas onde eu comecei a escrever.

Que menino mais precoce…

―(risos) E para que não falassem que era um protegido assinava com outro nome.

Com pseudônimo?

―Sim. Juan de Hix, em referência a Hix, uma pequena cidade da Sardenha francesa, onde nasceu a minha avó materna. Nesta época eu também pintava, mas para sorte da pintura abandonei o intento.

(risos) Mas ganhou à poesia, a crítica artística e literária, a curadoria de arte contemporânea.

―Isso foi dos 13 aos 18 anos, quando comecei a escrever poesia. Depois trabalhei durante duas temporadas de verão no Museu de Arte Abstrato Espanhol de Cuenca. Foi o primeiro museu com o qual me relacionei. A partir deste momento, pouco a pouco, comecei a me dedicar a escrever sobre arte. Em seguida fui o primeiro diretor-artístico da galeria de arte madrilenha Buades. Nesta mesma época colaborei com vários meios de comunicação espanhóis. Atualmente colaboro com o diário espanhol ABC. Durante uma época da minha vida escrevi muitas críticas de arte e literárias, no entanto, hoje em dia não escrevo mais críticas.

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Museu Provincial de Teruel, instituição cultural criada em 1955.

Quando começou sua aproximação ―profissional― aos museus contemporâneos mais importantes da Espanha?

―O primeiro museu com o qual eu me vinculei foi o Museu da Província de Teruel, onde realizavam muitas exposições relacionadas com o surrealismo. Foi neste momento quando comecei a estudar as velhas vanguardas pictóricas, o cubismo, o surrealismo, o ultraismo etc. O movimento Ultraismo (1818-1925) é um tema que sempre me interessou muito. Era como o modernismo brasileiro. Na continuação, o escultor canário Martín Chirino, fundador do Centro Atlântico de Arte Moderna, me convidou para pertencer ao conselho assessor da instituição.

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O Centro Atlântico de Arte Moderna, inaugurado em 1974, é o principal museu de arte contemporânea de Canárias.

Lá fui curador de uma bela exposição denominada Surrealismo entre o Velho e o Novo Mundo (1989), que contava como durante a 2ª Guerra Mundial o surrealismo atravessou do Velho para o Novo Mundo ―Cuba, México, Estados Unidos― tendo as Ilhas Canárias como um ponto de encontro, um cruzamento de caminhos entre Europa, África e América. Foi fascinante investigar uma época tão particular. Foi no Centro Atlântico onde aprendi muito como funciona um museu. Em seguida, me convidaram para dirigir o jovem e experimental Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), que conta com uns aspectos que para mim são fascinantes.

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O Instituto Valenciano de Arte Moderna, fundado em 1989, tem como objetivo a investigação e a difusão da arte moderna e contemporânea.

Trabalhei ali proporcionando minha experiência pessoal, somando uma perspectiva artística interna. Realizamos uma exposição sobre o Ultraismo, que até aquele momento os museus não tinham se fixado muito nele, era um movimento poético que tinha Guillermo de Torre, Salvador Dalí, Rafael Barradas, entre outros, em suas trincheiras. O meu trabalho no IVAM foi um pouco ir espanhalizando, em alguns aspectos; e iberoamericanizando, em outros. Foi uma época na qual também me interessei muito pelas coisas do Novo Mundo. Tenho boas recordações do IVAM. Foi uma ótima aprendizagem. Além disso, foi ali onde coloquei em marcha a grande exposição brasileira Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia. Essa exposição começava na Semana de Arte Moderna de 1922, origem do modernismo brasileiro, e acabava na colocação da primeira pedra da construção de Brasília. Mescle diferentes disciplinas artísticas ―pintura, arquitetura, fotografia, cinema, música, dança, literatura. Expus quadros de Cícero Dias, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti; mostrei planos de jardins de Burle Marx; maquetas de edifícios de Oscar Niemeyer; exemplares da revista Klaxon; manuscritos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes; coloquei música ambiental de Heitor Villa-Lobos e, inclusive, exibi a primeira produção cinematográfica brasileira de vanguarda São Paulo ―Sinfonia da Metrópole, 1929, dirigida por Rodolpho Lustig e Adalberto Kemeny, uma visão cotidiana da cidade de São Paulo, e que nunca entrou nos circuitos comerciais. É um tipo de exposição pela qual me apaixonei porque conta um pouco à vida intelectual dos artistas e da cidade como um marco. Quando foi inaugurada a exposição eu já não estava como diretor do IVAM.

Estava no trem-bala de viagem à capital espanhola?

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O Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia é um dos museus mais importantes da Espanha. / Foto: Jairo Máximo

―(risos) Ainda não existia o trem-bala. No Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia de Madri não me esqueci do Brasil. Comprei muita arte brasileira: Tarsila do Amaral, Tunga, Beatriz Milhazes. Solidifiquei muito a coleção do museu Rainha Sofia. Naquela época tínhamos bastante dinheiro para comprar obras de artistas consagrados: Salvador Dalí, Juan Gris, Joan Miró. Fiz exposições de arte contemporânea, de fotografia e de outras disciplinas artísticas que não tinham sido realizadas na Espanha com grandiosidade, como é o caso da mostra do espanhol Ramón Gómez de la Serna (1888-1963), Homem orquestra das vanguardas; retrospectivas de José Gutiérrez Solana, o pintor das tertúlias do Café de Pombo; do escultor e pintor Alberto Sánchez Pérez; dos pintores Ramón Gaya e Juan Manuel Díaz-Caneja. Fiz todo àquilo que estava ao meu alcance. Naquele momento o Museu Rainha Sofia não tinha tanta autonomia como tem hoje em dia. Tinha uma responsabilidade de um discurso mais institucional.

Depois do Museu Rainha Sofia, no que você trabalhou?

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Antropofagia, 1929, obra da brasileira Tarsila do Amaral.

―Trabalhei em casa, uma coisa que eu gosto muito de fazer. Nesta época recebi uma encomenda da espanhola Fundação Juan March para organizar a primeira grande mostra na Espanha da artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973), umas das máximas figuras das vanguardas latino-americanas e símbolo do modernismo brasileiro. A exposição foi inaugurada em 2009 em Madri e, em 2011, foi exposta em São Paulo, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Até agora este é o meu último projeto brasileiro em um museu. Resultado de imagen de portada del libro fervor de la metrópoli, de juan manuel bonet, Dan GaleriaEm seguida, surgiu à possibilidade de realizar uma parceria com a Dan Galeria, de São Paulo. Uma visão de São Paulo realizada por mim e pelo fotógrafo e pintor espanhol José Manuel Ballester. O título da obra que acabamos de publicar é Fervor de Metrópoli, que é una combinação de Fervor de Buenos Aires, primeiro livro de poemas de Borges, de 1923, e o filme São Paulo, Sinfonia da Metrópole, de 1929, que te comentei antes. Esse é o último capítulo da minha historia com o Brasil. Nestes anos no qual passei ―sem museus― realizei trabalhos como esse do Brasil. Contudo, em 2012, apareceu à oportunidade de dirigir o Instituto Cervantes de Paris.

Como você cruzou os montes Pirineus com destino a Paris: de carro, trem, avião, esquiando ou a pé?

―(risos) De repente. A minha mãe Monique estava sempre falando, oh! Juan Manuel, você tem que trabalhar algum dia na França. Então, me apresentei a um concurso público para uma vaga no Instituto Cervantes de Paris e fui escolhido. Estive ali mais de quatro anos. Foi à única vez em que morei de verdade na minha cidade natal, de onde sai quando tinha três anos.

Um reencontro memorável.

―Sim. Morar de verdade em Paris. Com seus problemas. Inclusive em 2015 vivi os atentados jihadistas ao semanário satírico Charlie Hebdo e a sala de espetáculos Bataclan e cafeterias.

Considera que o atentado contra Charlie Hebdo que matou 12 pessoas no dia 7 de janeiro de 2015 evidenciou que o humor mata sem contemplação.

―Sim. Inclusive tivemos que reforçar a segurança das dependências do Instituto Cervantes. Paris reagiu muito bem pós-atentado. O povo francês e o governo deram um exemplo de unidade. Mas mesmo assim criou-se um estado bastante especial. Geraram e causaram muitos problemas. Apareceram gretas. O turismo caiu muito em Paris.

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Sede central do Instituto Cervantes em Madri. / Foto: Jairo Máximo

O que você sentiu quando te avisaram que seria o novo diretor do emblemático Instituto Cervantes, uma instituição criada pela Espanha em 1991 para promover e ensinar o espanhol e para difundir a cultura da Espanha nos cinco continentes?

―Uma mescla de surpresa, honra e responsabilidade. É um desafio. Sou a primeira pessoa que antes de ser diretor da Rede dirigiu uma sede. Considero que isto me proporciona um conhecimento prévio de como é a estrutura da casa. Chego para aportar ideias frescas a uma estrutura que funciona bem. Uma das instituições mais valorizadas espanholas. Quero retornar um pouco a ideia de que a própria central mande coisas de qualidade às suas sedes. Igualmente, considero que quanto às artes plásticas, está um pouco pobre, porque se olhamos bem, muitas vezes, estamos em função do que se pode fazer a escala local. Quando o Instituto Cervantes entrou em funcionamento ele era mais espanhol, entretanto, hoje em dia é um lugar no qual qualquer ibero-americano o sente como um lugar próprio. Em Paris fizemos muitas atividades com os argentinos, peruanos, mexicanos etc. Isso é algo que temos que continuar fazendo. Qualquer diretor do Cervantes sabe isto: o Instituto Cervantes é uma casa aberta para todos.

Posso considerar que a exposição Panóptica (1973-2011), do desenhista de HQ e ilustrador espanhol Max, que foi exposta com êxito em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador é a linha de trabalho que pretendes seguir?

―Esta exposição era muita boa. É um exemplo de que sim é possível organizar uma exposição que saia daqui da sede central e visite outros centros Cervantes dos cinco continentes. Estamos fortalecendo muito a razão de ser ibero-americana do Cervantes. É uma coisa que está…

No DNA do Cervantes?

―Sim. A primeira exposição da minha gestão é Retorno a Max Aub (1903-1972) dedicado ao novelista, dramaturgo e poeta hispânico-mexicano de origem judeu alemão Max Aub, o eterno judeu errante da nossa literatura.

“Retorno a Max Aub” ofrece un recorrido por la vida y obra creativa del novelista, poeta, cuentista, antólogo, ensayista, crítico y hasta falso pintor.

O que você pensa da arte do grafite?

―Considero que as fronteiras entre a arte popular e arte não são estagnadas. No Instituto Cervantes de Paris eu organizei uma exposição do grafiteiro francês El Tono, que faz uns grafites geométricos que eu gosto muito. O artista plástico Basquiat começou grafitando nos muros de Nova York e hoje em dia suas obras estão supervalorizadas. Nas minhas recentes viagens ao Brasil encontrei belos grafites em São Paulo e no Rio de Janeiro. Alguns deles muito interessantes que mesclam Tarsila do Amaral, com influência pop, com influência indígena.

O que você pensa do populismo em alça na América e aqui na Europa?

―É preciso contemplá-lo com muita preocupação. Seja de um extremo ou de outro.

Resultado de imagen de portada del libro las cosas se han rotoPor que no começo da entrevista você falou: “o Ultraismo era como o Modernismo brasileiro”?

―Porque no Brasil vocês consideram a Semana de Arte Moderna como o início de um movimento, enquanto que aqui na Espanha, como em seguida surgiu à denominada geração de 27 ―Lorca, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Rafael Alberti, e outros― os ultraistas que eram verdadeiramente vanguardistas foram um pouco marginalizados. Mas eu considero que eles são muito importantes. Inclusive em 2012 publiquei uma antologia de poesia ultraista titulada Las cosas se han roto, que é um verso do poema “Chuva”, do poeta ultraista espanhol Pedro Garfias. Menciono as referências brasileiras porque na grande revista de vanguarda brasileira Klaxon, aparece colaborações do líder do ultraismo Guillermo de Torre. Os ultraistas utilizavam muito a metáfora como expressão de metáforas. Mais ou menos o que faziam os brasileiros Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Luis Aranha. Aliás, em 2012 fiz o prólogo da tradução ao espanhol  do livro de poema Cocktails, do diplomata e poeta Luis Aranha.

Como você descobriu ―intelectualmente― o Brasil?

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―No começo da década setenta do século passado na casa dos meus pais lendo com avidez exemplar antigos da Revista do Brasil, que a embaixada brasileira editava aqui na Espanha quando o poeta e escritor João Cabral de Melo Neto era membro do corpo diplomático. Ali apareciam poemas de Mário de Andrade, Raúl Bopp, Murilo Mendes, entre outros. Depois fui descobrindo mais coisas sobre o Brasil a base de encontrar livros antigos. Comecei a comprar livros de João Cabral de Melo Neto, de Oswald de Andrade, de Mário de Andrade, que tinham sido publicados em Barcelona por Cabral de Melo, porque quando ele foi vice-cônsul em Barcelona, nos anos 40, ele tinha uma pequena gráfica na sua casa. Editava livros de sua autoria, de brasileiros ―Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Murilo Mendes― e de espanhóis. Ele era um poeta impressor e mantinha amizade com o pintor Joan Miró e com poeta Joan Brossa. Tenho bastante destes livros. Um deles é Resultado de imagen de joão cabral de melo netouma relíquia de Cabral de Melo com capa de Miró. Cabral de Melo é uma pessoa que teve uma grande importância entre os dois países. Um mensageiro. Dos autores espanhóis que ele publicou está Brossa, Joan Pons ―que emigrou ao Brasil―, como tantos outros vanguardistas espanhóis. Existe um caminho brasileiro na vanguarda espanhola. Quem sabe eu faça uma exposição, desde aqui da sede do Instituto Cervantes, para mostrar esse diálogo. Esse ponto de conexão. Sempre me interessei muito pelo Brasil.

Sei que você está escrevendo um novo livro. Do que se trata?

―Arte brasileira. É uma encomenda de uma editora francesa e vou intitulá-lo Maravilha. Será um livro com o mesmo espírito da exposição que fiz no IVAM sobre arte brasileira: Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia. Mesclar um pouco de tudo: música, fotografia, artes plásticas, literatura, arquitetura etc. Neste livro abordarei coisas do Brasil que fui conhecendo ―direta ou indiretamente― nas doze cidades brasileiras que conheço pessoalmente. Por exemplo, em São Paulo, descobri no restaurante Dalvo e Dita, de Alex Attala, um painel de azulejos fantásticos de autoria do pintor, escultor e arquiteto carioca Athos Bulcão. São coisas assim que vou abordar no livro.

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Azulejos de Athos Bulcão.

Você é um homem feliz?

―Sim, com moderação. Trabalho naquilo que gosto. Tenho uma família, mulher e filhos, com quem sou muito feliz. Também fomos felizes em Paris, porque defender os valores da Espanha e dos países irmãos na França é muito interessante. Neste momento estou feliz de me reencontrar com Madri. Um sempre está dividido: onde estou? de que lugar venho? ●

N. do A. – Entrevista publicada em espanhol na revista El Siglo de Europa.

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No livro Via labirinto: poesia (1978-2015) Juan Manuel Bonet reúne seus poemas, que recopila 37 anos de escrita.

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Arte e Cultura

“EL CERVANTES ES UNA CASA COMÚN”

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Juan Manuel Bonet Planes en Madrid / Foto: Instituto Cervantes

Por Jairo Máximo

MADRID, España (Blog do Pícaro) ― Juan Manuel Bonet Planes (París, Francia, 1953) es escritor, poeta y crítico de arte y literatura. Tiene publicados diversos poemarios, monografías, ensayos y un dietario. Ha comisariado varias exposiciones y organizado muestras y retrospectivas con su particular sello de identidad. Ha sido director del Instituto Valenciano de Arte Moderno y del Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía de Madrid. Actualmente es director del Instituto Cervantes en Madrid, pero antes dirigió el Cervantes de París. En esta entrevista exclusiva, concedida en Madrid, Bonet afirma: “Llego al Cervantes para aportar ideas frescas”.

¿Has vivido desde niño en la vanguardia intelectual?
―Sí. He nacido en una familia en la cual el arte y la cultura han sido una tradición. Mi padre hablaba que su madre escribía, que su padre militar pintaba y que un familiar suyo de Lugo, Evaristo Correa Calderón (1899-1986), que yo lo conocí ya mayor, era vanguardista. Correa Calderón era amigo de Jorge Luis Borges, y fue él quien introdujo la vanguardia en Lugo.Resultado de imagen de portada del libro diccionario de las vanguardias españolas En mi Diccionario de las Vanguardias en España, 1907 1936, que publiqué en 1995, hablo de las vanguardias que conocí. De este hombre de Lugo, Correa Calderón, mi tío abuelo, que en su juventud madrileña había participado en el histórico Café de Pombo de la tertulia de Ramón Gómez de la Serna, figura central de la vanguardia española. Él contaba que José Gutiérrez Solana, que inmortalizó la tertulia en el cuadro La Tertulia del Café de Pombo (1920), le había hecho en 1921 un retrato al óleo que él no pudo nunca comprar porque la obra de Solana era muy cara. También está su relación con Borges, porque en las obras completas de Borges, editadas en francés, Correa Calderón aparece como uno de los firmantes de un poema automático colectivo. De ahí viene la tradición. Mi padre ―Antonio Bonet Correa ―historiador y catedrático― primero estudió en la Universidad de Santiago de Compostela; después continuó estudios en París, dónde nací. Allí contactó con escritores y pintores. En 1958 volvió a España y aquí siguió frecuentando a pintores y escritores. Entonces, desde niño viví en la vanguardia intelectual.

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La Tertulia del Café de Pombo (1920), obra del madrileño José Gutiérrez Solana.

¡Qué lujo!
―¡Claro! Me acuerdo de la época de Sevilla cuando mi padre dirigía el Museo de Bellas Artes de Sevilla, además de unas páginas del activo y crítico periódico El Correo de Andalucía. Fue en esas páginas donde yo comencé a escribir.

Que niño precoz…
―(risas) Para que no dijeran que yo era un enchufado firmaba con otro nombre.

¿Con pseudónimo?
―Sí. Juan de Hix, en referencia a Hix, un pueblo de la Cerdaña francesa, donde nació mi abuela materna. En esta época yo también pintaba pero por suerte para la pintura lo dejé.

(risas) Pero ganó la poesía. Ganó la crítica artística y literaria. Ganó el comisariado del arte contemporáneo.
―(risas) Eso fue de los 13 a los 18 años cuando empecé a escribir poesías. Tardé bastante en publicar porque escribía crítica de arte. Posteriormente trabajé durante dos veranos en el Museo de Arte Abstracto Español de Cuenca. Fue el primer museo con el cual tuve que ver. A partir de entonces poco a poco pasé a dedicarme a escribir sobre el arte. Luego fui el primer director artístico de la extinta galería madrileña Buades (1973-2003). Allí estaban Pérez Villalta, Carlos Alcolea, Manolo Quejido, Navarro Bakldeweg, Miguel Navarro. También estuve en El País en sus inicios y en el desaparecido Diario 16. Últimamente colaboro con el diario ABC. Durante una época de mi vida escribí muchas críticas de arte y literatura, sin embargo, hoy en día ya no las hago.

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Museo Provincial de Teruel, institución cultural creada en 1955.

¿Cómo empieza su acercamiento, en plan profesional, a los museos contemporáneos más importantes de España?
―El primer museo al que me vinculé fue el Museo Provincial de Teruel. Allí había muchas exposiciones que tenían que ver con el surrealismo. En eso momento me puse a estudiar las viejas vanguardias pictóricas, el ultraísmo ―herencia familiar de mi tío abuelo―, el surrealismo. El movimiento Ultraísmo (1818-1925) es un tema que siempre me interesó. Era como el Modernismo brasileño. Después el escultor canario Martín Chirino, que fundó el Centro Atlántico de Arte Moderno (CAAM), me invitó a participar del consejo asesor de la institución.

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El Centro Atlántico de Arte Moderno, inaugurado en 1974, es el principal museo de arte contemporáneo de Canarias.

Allí fui comisario de una exposición preciosa Surrealismo entre el Viejo y el Nuevo Mundo (1989), que contaba como el surrealismo pasó durante la Segunda Guerra Mundial del Viejo al Nuevo Mundo ―Cuba, México, Estados Unidos―, teniendo Canarias como un punto de encuentro, un cruce de caminos entre Europa, África y América. Fue fascinante investigar una época tan particular. Fue allí donde aprendí mucho sobre lo que es un museo. A continuación me propusieron dirigir el joven y experimental Instituto Valenciano de Arte Moderno (IVAM), dotado de aspectos que me parecen fascinantes.

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El Instituto Valenciano de Arte Moderno, fundado en 1989, tiene como objetivo la investigación y difusión del arte moderno y contemporáneo.

Trabajé allí, entre 1995 y 2000, aportando mi experiencia personal, añadiendo una mirada interna. Hice en compañía de Carlos Pérez una exposición El ultraísmo y las artes plásticas (1997) porque hasta aquel momento los museos no lo habían mirado mucho, era un movimiento poético que tenía en sus filas a Guillermo de Torre, Dalí, Barradas, Vicente Huidobro, entre otros. En síntesis, mi trabajo en el IVAM fue un poco ir españolizando, en algunos aspectos; e iberoamericanizando, en otros. Fue una época en la cual también me fijé muchísimo en cosas del Nuevo Mundo. Tengo un buen recuerdo del IVAM. Fue un buen aprendizaje. Además, fue donde allí puse en marcha la gran exposición brasileña Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia (2000) comisariado por Jorge Schwartz. Esa exposición empezaba en la Semana de Arte Moderno de 1922, realizada en São Paulo, que dio origen al modernismo brasileño, y acababa en la primera piedra de la construcción de Brasilia. Mezclé distintas disciplinas artísticas: pintura, arquitectura, fotografía, cine, música, danza. Cuadros de Cícero Dias; Tarsila do Amaral y Di Cavalcanti; planos de jardines de Burle Marx; maquetas de edificios de Oscar Niemeyer; ejemplares de la revista Klaxon; manuscritos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes; músicas de Heitor Villa-Lobos e, incluso, la exhibición de la película brasileña de vanguardia São PauloSinfonia da Metrópole (1929), que es una visión cotidiana de la ciudad de São Paulo. Es un tipo de exposición a la cual yo me aficioné porque cuenta un poco la vida intelectual de los artistas y de la ciudad como marco. Cuando se inauguró la exposición yo ya no estaba como director del IVAM.

Estaba en el AVE de camino a la Villa y Corte de Madrid.

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El Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía es uno de los museos más importantes de España. / Foto: Jairo Máximo

―(risas) Todavía no había AVE. En el Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía de Madrid no me olvidé tampoco de Brasil. Compré mucho arte brasileño: Tarsila de Amaral, Tunga, Beatriz Milhazes. Consolidé mucho la colección del museo Reina Sofía. Hubo bastante dinero para comprar obras de artistas consagrados: Salvador Dalí, Juan Gris y Joan Miró. Hice exposiciones de arte contemporáneo, de fotografía y de otras disciplinas que no se habían hecho en España en plan grande, como una muestra del escritor y periodista Ramón Gómez de la Serna Puig (1888-1963), Hombre orquesta de la vanguardia; retrospectivas de José Gutiérrez Solana, el pintor de las tertulias del Café de Pombo; del pintor y escultor Alberto Sánchez Pérez; del pintor Ramón Gaya; del pintor Juan Manuel Díaz-Caneja. Hice lo que pude. El Museo Reina Sofía era un museo más o menos encorsetado. No tenía tanta autonomía como ahora. No era tan experimental. Tenía más la responsabilidad de un discurso canónico.

Antropofagia

Antropofagia (1929), obra de la brasileña Tarsila do Amaral.

Y después del Reina Sofía, ¿qué?
―Trabajar en casa, cosa que me gusta mucho. En esta época recibí el encargo de la Fundación Juan March para organizar la primera gran muestra de la brasileña Tarsila de Amaral (1886-1973), una de las máximas figuras de las vanguardias latinoamericanas y emblema del modernismo brasileño. La exposición fue inaugurada en 2009 y hasta ahora es mi último proyecto brasileño en un museo. En seguida surgió la posibilidad de realizar un proyecto conjunto con la Dan Galería, de São Paulo. Una visión de São Paulo hecha por mí y por el fotógrafo y pintor español José Manuel Ballester. El título de la obra que acabamos de publicar es Fervor de Metrópoli, que es una mezcla de Fervor de Buenos Aires, primer libro deResultado de imagen de portada del libro fervor de la metrópoli, de juan manuel bonet, Dan Galeria poemas de Borges, de 1923,  y la película São Paulo, Sinfonía da Metrópoli, de 1929, de la que te he hablado antes. Ese es el último capítulo de mi historia con Brasil. En estos años que yo pasé sin los museos, hice trabajos como ese de Brasil. Con todo, en 2012, llegó la oportunidad de dirigir el Instituto Cervantes de París.

¿Cómo cruzaste los Pirineos: carretera, tren, avión, esquiando o a pie?
―(risas) De repente. Mi madre Monique estaba siempre diciendo, ¡oh Juan Manuel!, tendrías que trabajar alguna vez en Francia. Entonces me presenté a concurso a una plaza en el Instituto Cervantes de París y fui escogido. Estuve cuatro años largos. Fue la única vez que he vivido de verdad en mi ciudad natal, de donde había salido cuando tenía 3 años.

Un reencuentro a lo grande.
―Sí. Vivirla de verdad. Con sus problemas. Me tocó vivir en 2015 los atentados yihadistas al semanario satírico Charlie Hebdo y a la sala de espectáculos Bataclan y terrazas.

¿Y qué ha pasado?
―Supuso reforzar la seguridad del Instituto. París ha reaccionado muy bien. El pueblo francés y el gobierno dieron un ejemplo. No obstante, ha creado un estado muy especial. Ha bajado mucho el turismo en París. Ha generado y creado muchos problemas. Ha habido fisuras.

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Sede del Instituto Cervantes en Madrid. / Foto: Jairo Máximo

¿Qué has sentido cuando te notificaron que eras el nuevo director del Instituto Cervantes ―institución creada por España en 1991 para promover y enseñar el español y para difundir la cultura de España en cinco continentes?
―Una mezcla de sorpresa, honor y responsabilidad. Soy la primera persona que antes de ser director de la Red, dirigió una sede. Creo que eso me da un conocimiento previo de como es la estructura de la casa. Llego para aportar ideas frescas a una estructura que funciona muy bien. Una de las instituciones más valoradas españolas. Quiero volver un poco a la idea de que la propia central está mandando cosas de mucha calidad a sus sedes. Asimismo, creo que en la parte de artes plásticas, está un poco más pobre, porque si te fijas, muchas veces, se queda en función de lo que puedas hacer a escala local. Cuando el Instituto Cervantes empezó a funcionar era más español, sin embargo, hoy es un lugar en el que cualquier iberoamericano lo siente como propio. En Paris hacíamos muchísima actividad con los argentinos, peruanos, mexicanos. Eso es algo que hay que seguir haciendo. Lo sabe cualquier director del Cervantes: este sitio es una casa común. Estamos reforzando mucho la condición iberoamericana del Cervantes. Es algo que está en…

¿El ADN del Cervantes?
―Sí. La exposición más inmediata de mi gestión es Retorno a Max Aub (1903-1972), destacado escritor hispano-mexicano de origen judío alemán. Después de todo lo que ha pasado con su nombre en Madrid. ¡Un absurdo! Por suerte los de Podemos y confluencias han rectificado; pero tarde y mal. Max Aub es el eterno judío errante de nuestra literatura.

“Retorno a Max Aub” ofrece un recorrido por la vida y obra creativa del novelista, poeta, cuentista, antólogo, ensayista, crítico y hasta falso pintor.

¿Qué piensa del populismo en alza en España y Latinoamérica?
―Hay que mirarlo con mucha preocupación. Sea de un extremo o de otro.

¿Crees que el populismo del Podemos español es una herencia genética del populismo bolivariano?
―No me dedico a política, por lo tanto, tengo que ser neutral. En lo que a mí me concierne, como ciudadano y persona que ha vivido la Transición española, el aspecto que me parece más sorprendente es la negación de la Transición. Los consensos fueron necesarios. Fue muy difícil porque había gente que había estado en las trincheras de la Guerra Civil (1936-1939). No se puede tirar por la borda. Me da pena que se intente eso. Eso es lo que diría al respecto. No quiero meterme mucho en la cuestión, porque, digamos, dirijo el Instituto Cervantes, que tiene que estar por encima del debate político, pero en ese aspecto soy un hombre que ha vivido la Transición y mi generación reivindica esa tradición de pactos, de reconciliación, del no al odio al adversario.

¿Por qué al principio de la entrevista me hablabas que “el Ultraísmo era como el Modernismo brasileño”?Resultado de imagen de portada del libro las cosas se han roto
―Es que en Brasil se considera la Semana de Arte Moderno, realizada entre el 11 y el 18 de febrero de 1922, como piedra fundacional de algo, mientras que en España, como en seguida vino la generación de 27 ―García Lorca, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Rafael Alberti― los ultraístas que eran los verdaderamente vanguardistas fueron un poco marginados. Pero siempre les he considerado muy importantes. Inclusive en 2012 publiqué una antología de la poesía ultraísta titulada Las cosas se han roto que es un verso del poema Lluvia, del poeta ultraísta andaluz Pedro Garfias. Los ultraístas utilizaban mucho la metáfora como expresión de metáforas. Un poco lo que hacía los modernistas brasileños Mário de Andrade, Oswald de Andrade y Luis Aranha.

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En 2012 Juan Manuel Bonet hizo el prólogo del bilingue libro Cocktails, la única obra del modernista brasileño Luis Aranha publicada en 1984.

¿Cuándo descubriste Brasil?
―A principios de los años sesenta en la casa de mis padres leyendo con avidez antiguos ejemplares de la Revista do Brasil que editaba la Embajada de Brasil, en España, teniendo al poeta y escritor João Cabral de Melo Neto como vicecónsul en Barcelona, en los años 40. Allí aparecían poemas de Mário de Andrade, Raúl Bopp, Murilo Mendes, entre otros. Cabral de Melo era amigo del pintor Joan Miró, Resultado de imagen de portadas de libros de joão cabral de melo netodel poeta Joan Brossa, y tenía una pequeña imprenta en su casa. Era un poeta impresor. Hacia libros suyos, de brasileños y españoles. Tengo bastantes de esos libros, incluso uno de Cabral de Melo con portada de Miró. Él es alguien que tuvo gran importancia entre los dos países. Un mensajero. Quizá haga una exposición, desde el Instituto Cervantes, para mostrar ese diálogo. Ese punto de conexión. De brasileños que han venido aquí, y de españoles que han ido allá. Siempre me ha interesado Brasil.

¿Qué piensa del grafiti?
―Creo que las fronteras no son estancas entre el arte popular y arte. En el Instituto Cervantes de París hice una exposición del francés El Tono, que hace un grafiti geométrico que me gusta mucho. El extraordinario artista haitiano Basquiat empezó haciendo grafitis en las calles de de Nueva York.

¿Eres un hombre feliz?
―Moderadamente sí. Trabajo en lo que me gusta. Tengo una familia, mujer e hijos, con quién soy muy feliz. También hemos sido muy felices en París, porque defender los valores de España y de los países hermanos en Francia es muy interesante. En este momento estoy feliz de reencontrarme con Madrid. Uno está siempre dividido: ¿dónde estás? ¿de dónde eres? ●

Entrevista publicada en Acpe y revista El Siglo de Europa

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En 2015 Juan Manuel Bonet publicó Via labirinto: poesía (1978-2015) que recopila 37 años de escritura.

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Literatura

ZWEIG: ASTRO ERRANTE

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“Mas toda sombra é, no fim das contas, filha da luz e somente quem conheceu a claridade e as trevas, a guerra e a paz, a ascensão e a caída, somente este viveu de verdade”. (Stefan Zweig)

Por Jairo Máximo

MADRI, Espanha ―(Blog do Pícaro)― Este ano faz 75 anos que o célebre novelista, poeta, dramaturgo, biógrafo e tradutor austríaco Stefan Zweig e sua esposa, Charlotte Elisabeth Altmann, se suicidaram em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Zweig é considerado como um dos mais brilhantes e versáteis escritores do século vinte, dono de um estilo inconfundível. Provavelmente, o maior escritor de best sellers do seu século. Era imensamente popular, principalmente porque chegava a todos os estratos sociais. Tinha uma surpreendente habilidade narrativa para aprofundar nas coisas mais ocultas da alma humana.

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 Apaixonado da alta cultura e liberdade, sua obra foi traduzida em mais de cinquenta idiomas. É autor de poemas, contos, relatos, novelas, biografias, ensaios históricos e literários que inspiraram mais de 38 roteiros de cinema, alguns dirigidos por Roberto Rossellini, Max Anderson, Robert Siodmak, Patrice Leconte, Xu Jinglei ou Max Ophüls. Em 1948, Ophüls realizou uma fantástica adaptação do fascinante relato Carta de uma desconhecida, estrelado por Joan Fontaine e Louis Jourdan.

Triunfou entre o público culto da época com os magistrais ensaios biográficos sobre alguns dos seus criadores prediletos: Três mestres: Balzac, Dickens, Dostoievski (1920) e Três poetas de suas vidas: Casanova, Stendhal, Tolstoi (1928); e com as esplêndidas biografias de Joseph Fouché, Erasmo de Rotterdam, Montaigne, Maria Antonieta ou Mary Stuart, que ainda hoje em dia não foram superadas. Também fez traduções de poemas de Baudelaire e de alguns de Verlaine, Keats e William Morris.

“Cada idioma, com seus giros próprios, se resiste a ser recriado em outro e desafia às forças da expressão… Nesta modesta atividade de transmissão de valores artísticos ilustres encontrei pela primeira vez a segurança de estar realizando uma coisa prática e inteligente, uma justificativa para minha existência”.

“Para entusiasmar os demais, tem que ser capaz de se entusiasmar”, dizia o escritor.

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NASCE UMA ESTRELA

Resultado de imagen de capas de livros de stefan zweig em português Stefan Zweig nasceu em 1881, em Viena, na Áustria, no berço de uma família classe média de judeus não religiosos. Apesar da boa situação econômica, a família Zweig não era amiga do luxo e da ostentação.

“Cresci em Viena, metrópole duas vezes milenária e supranacional, de onde tive que fugir como um criminoso antes que fosse rebaixada à condição de cidade de província alemã. Na língua que eu tinha escrito e na mesma terra na qual meus livros conquistaram a amizade de milhões de leitores, minha obra foi reduzida a cinzas. Assim agora sou um ser de nenhuma parte, forasteiro em todas. Hóspede no melhor dos casos… O que um homem, durante a sua infância, assimilou da atmosfera da época e incorporou ao seu sangue, perdura nele e já não se pode eliminar… O desejo propriamente dito do judeu, o seu ideal inerente é ascender ao mundo do espírito, a um estrato superior”.

Durante a sua infância, o “judeu acidental”, Zweig, desenvolveu seu talento para a escrita. Quando chegou à juventude começou a publicar poemas, traduções de poemas e ensaios nos jornais e revistas de Viena.

“Foi aos 13 anos quando começou a me atacar aquela infecção intelectual literária, deixei a patinagem sobre gelo e utilizei na compra de livros o dinheiro que os meus pais me davam para as aulas de dança; aos 18 anos ainda não sabia nadar nem dançar nem jogar tênis”.

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“Cada vez que um jornal qualquer publicava uma poesia de minha autoria, a confiança em mim mesmo, frágil por natureza, recebia um novo impulso. Porém, a grande surpresa e a mais inesperada de todas se produziu quando Max Reger, junto com Richard Strauss, o maior compositor vivo daquela época, me pediu permissão para colocar música em seis poesias. Desde aquele momento, quantas vezes já ouvi em concertos meus próprios versos, que durante muitos anos eu tinha esquecido e, inclusive, negado sua existência, eram levados mais além pela arte fraternal de um maestro”.

Quando Zweig completou 15 anos ganhou de presente de aniversário do pai um manuscrito de Mozart. Foi o princípio de uma vocação de colecionador de manuscritos, autógrafos e objetos pessoais dos criadores universais que cultivou com grande paixão até seus últimos anos de vida, e no qual investiu grande parte do dinheiro que ganhava, e cuja dispersão a força quando chegaram os nazistas descerebrados, foi um dos mais desgostos da sua vida.

“Quando começou a era de Hitler e tive que abandonar a minha casa, acabou-se o prazer que me proporcionava minha coleção, como também a segurança de poder conservar qualquer coisa para sempre”.

“De todos os meus livros e quadros somente a lâmina de rei João, também conhecido como João Sem-Terra, de William Blake, me acompanhou durante mais de trinta anos e, quantas vezes o olhar magicamente iluminado deste rei louco me contemplou da parede! De todos os meus bens perdidos e distantes, este é o desenho que mais sinto falta na minha peregrinação”.

Em 1904, graduou-se Doutor em Língua e Literatura Românticas.

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“Acordei numa manhã de 1931 e tinha cinquenta anos… De presente de aniversário, a editora Insel editou uma bibliografia dos meus livros publicados em todos os idiomas, que por si já era um livro; não faltava nenhum idioma, nem o búlgaro nem o finlandês, nem o português nem o armênio, nem o chinês nem o marata. Em braile, em taquigrafia, em todos os alfabetos e idiomas, minhas palavras e pensamentos tinham alcançado as pessoas; minha existência tinha se expandido infinitamente mais longe do espaço do meu ser”.

“Hoje por hoje, como escritor ―sou alguém que “caminha vivo atrás do seu próprio cadáver”.

BRASIL ENCANTOS MIL

Stefan Zweig chegou ao Brasil pela primeira vez no dia 21 de agosto de 1936 e foi recebido com honras de Estado pelo governo constitucional de Getúlio Vargas. “Durante esta semana fui Marlene Dietrich”, escreveu para um amigo sobre a calorosa recepção de bem-vindo. A segunda vez foi no mesmo dia, entretanto do ano 1940, com permissão de residência em ordem, porém agora com a ditadura Vargas, ou Estado Novo, instaurada em 1937.

Resultado de imagen de capa do livro Brasil, pais de futuro, Zweig

Em 1941 publicou o ensaio Brasil, um país do futuro, editado em Estocolmo, Suécia, que foi um grande êxito de vendas, inclusive no Brasil. Absurdamente, a esquerda brasileira criticou com fúria o ensaio e ao seu autor. Desaprovavam seus tópicos e censuravam seu apoio― implícito?― à ditadura Vargas. Em seguida, Zweig escreveu uma carta aberta reiterando “sua paixão pelo país e ao povo brasileiro”.

Ao mesmo tempo, no prólogo da obra editada em português, o então ministro de Cultura do Brasil, Afrânio Peixoto, salientou: “Zweig: andou, passeou, viu, viajou, não quis nada, nem condecoração, nem festas, nem recepções, nem discursos, não quis nada”.

A primeira edição do livro Brasil, um país do futuro esteve esgotada durante quarenta anos. Contudo, quando se comemorou o centenário do escritor, em 1981, o livro foi reeditado e colocado à venda na Alemanha e, curiosamente, terminou vendendo dez vezes mais que a primeira. Um fenômeno curioso para um livro desta característica.

“Nunca tinha pensado que com 60 anos me encontraria aposentado numa cidade serrana brasileira, com uma jovem empregada negra descalça a quilômetros e quilômetros de distância de tudo o que antes foi minha vida: livros, concertos, amigos, conversações”, deixou escrito Zweig.Resultado de imagen de capas de livro Partida de xadrez, de Stefan Zweig

No Brasil, ele escreveu Novela de Xadrez (1941), sua novela mais famosa, sobre a neurose obsessiva que um homem desenvolve pelo xadrez durante seu cativeiro nas mãos da Gestapo.

OUTRA VÍTIMA

Foi um implacável crítico e oponente a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), que inclusive acabou lhe levando a vivê-la desde dentro do escritório de Guerra em Viena, depois de ser considerado “inapto para combate”. Viena naquela época era a capital do Império Austro-húngaro, um estado multirracial, um complexo quebra-cabeça que antes da 1ª Guerra Mundial incluía dezessete nacionalidades diferentes e onde o hino nacional era cantado em treze idiomas.

Nos últimos meses do conflito mundial Zweig se mudou para a Suíça e, tempo depois, para Salzburgo, de onde iniciou uma série de diferentes viagens. Em 1934, no auge do nazismo, e com a iminente anexação da Áustria a Alemanha nazista, abandonou a Áustria e iniciou um longo exílio pelo mundo.

Primeiro foi morar em Londres, depois em Paris, Los Angeles, São Francisco, Nova York e, por último, Petrópolis. No exílio inglês começou a sofrer depressão, pois se sentia um homem sem pátria, sem casa e sem nacionalidade.

Resultado de imagen de capas de livros de stefan zweig em portuguêsEntre 1881-1918 Stefan Zweig foi súbdito do Império Austro-húngaro. Depois, de 1918 a 1938, cidadão austríaco e, a partir de 1938, britânico.

Duro crítico do nazismo atravessou um mar atrás de outro, expulsado, perseguido e privado da pátria amada. Suas obras foram queimadas publicamente e seu nome excluído das editoras e publicações alemãs. Sua casa de Salzburgo, antes de ser saqueada, foi vasculhada a procura de armas escondidas.

“Pela primeira vez fui testemunha da peste da obsessão da pureza da raça, que foi mais prejudicial para nosso século do que a verdadeira peste dos anos anteriores”.

“Antes de 1914 a Terra era de todos. Todo mundo ia ao lugar que queria. Não existia visado nem autorização. Diverte-me a surpresa dos jovens toda vez que lhes conto que antes de 1914 viajei a Índia e a América sem passaporte, e que realmente jamais na minha vida tinha visto um. (…) Foi depois da guerra quando o nacional-socialismo começou a transtornar o mundo, e o primeiro fenômeno visível desta epidemia foi a xenofobia: o ódio ou, pelo menos, o medo ao estranho. Em todos os lugares as pessoas defendiam-se dos estrangeiros, em todos os lugares os excluía”.

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VIDA DE FILME

Entre as suas singulares amizades encontravam-se Thomas Mann, James Joyce, Paul Valéry, Ravel, Richard Strauss, Bartók, entre outros. Ao mesmo tempo, manteve uma fiel correspondência com Sigmund Freud, Hermann Hesse e Joseph Roth.

Durante seu longo exílio por Inglaterra, França, Estados Unidos e Brasil, o escritor chegou a ser uma espécie de “instituição de caridade” para os imigrantes centro-europeus.

Zweig renunciou a vida porque não pode suportar a ideia de ver a humanidade submetida aos assaltos destrutivos dos extremismos.

Na noite de 22 de fevereiro de 1942, na serrana Petrópolis, Zweig e Lotte, sua jovem devota segunda esposa e secretária, depois de jantarem juntos e jogar uma partida de xadrez, suicidaram-se com uma overdose de veronal, substância química derivado do ácido barbitúrico que se utiliza como calmante e sonífero. Seu enterro realizado no Rio de Janeiro com honras de Estado foi um ato que contou com uma multidão de participantes, e que surpreendeu a gente por tratar-se de um forasteiro.

Na inquietante carta de despedida que ele deixou escrita com a epígrafe Declaração (o título em português e o texto em alemão) destinada ao juiz, a polícia e, ao mesmo tempo, ao conjunto da humanidade, se lê:Resultado de imagen de fragmento carta de despedida de Stefan Zweig

“Antes de deixar esta vida por vontade própria, com a mente lúcida, me coloco uma última obrigação: dar um afetuoso agradecimento a este maravilhoso país: Brasil… Diariamente aprendi a amar este país, mais e mais. Em nenhum outro lugar poderia ter reconstruído minha vida, neste momento em que o mundo da minha língua esta perdido, e a minha espiritual ―Europa― destrói-se a si mesma… Por isso, acho melhor concluir a tempo e com o ânimo sereno uma vida para a qual o trabalho espiritual sempre foi a alegria mais pura e a liberdade pessoal o maior bem sobre a terra. Saudações aos meus amigos. Tomara que possam ver o amanhecer! Eu, impaciente demais, me adianto a eles”.

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Em 2016, a atriz e cineasta alemã Maria Scharader filmou Stefan Zweig -Farewell to Europe, focado em seis momentos do exílio do escritor no Brasil.

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Em 1981, Alberto Dines publicou Morte no Paraíso.

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Em 2002, Sylvio Back filmou Lost Zweig, sobre a última semana do escritor.

Atualmente em Petrópolis está instalada a casa-museu Stefan Zweig, dedicada ao escritor e a todos os exilados europeus no Brasil. Em 1981, Alberto Dines, jornalista e biógrafo do escritor, publicou o livro Morte no Paraíso, que aborda as circunstâncias que envolveram a vida e morte do autor austríaco. Em 2002, o cineasta brasileiro Sylvio Back filmou Lost Zweig, sobre a última semana do escritor. Neste momento, aqui na Europa, está em cartaz o filme Stefan Zweig: adiós a Europa, dirigido pela atriz Maria Scharader, que aborda a vida do autor em seis momentos específicos de seu exílio no Brasil.

PENA CRIATIVA

Da pena criativa e vida de filme de Stefan Zweig muito já foi escrito e, felizmente, muito se escreverá. Sua obra perdura.

“Na minha vida pessoal o mais notável foi a chegada de um hóspede que eu não esperava: o êxito. O êxito não me caiu de repente do céu, chegou pouco a pouco, com cautela, porém durou constante e fiel, até o momento em que Hitler lhe passou a mão e o expulsou com as chicotadas dos seus decretos… Meus relatos curtos Amok e Carta de uma desconhecida foram tão populares como, por regra geral, somente chegam sê-lo as novelas; montaram peças de teatro, foram recitados em público e virou filme, um livrinho, Momentos decisivos da humanidade ―lido em todas as escolas―, em pouco tempo chegou a 250.000 exemplares na Biblioteca Insel; em poucos anos eu tinha criado o que, em minha opinião, significa o êxito mais valioso para um escritor: um público, um grupo fiel de gente que sempre ansiava e comprava meu próximo livro, que me depositavam sua confiança e que eu não podia fraudar. Mas sou sincero quando falo que me fiquei feliz com o êxito no referente aos meus livros e ao meu nome literário e que, em troca, me incomodava quando se traduzia em curiosidade pela minha pessoa física… Para mim o anonimato, em todas suas facetas, é uma necessidade”.

SER DE NENHUMA PARTE

Resultado de imagen de capa do livro O mundo de ontem Zweig

O seu fascinante livro O mundo de ontem, recordações de um europeu, publicado postumamente em 1944, está estruturado em 16 apaixonantes capítulos que informa e ilustra o leitor: “Não guardo do meu passado mais daquilo do que levo atrás da frente”.

No prefácio da obra Stefan Zweig explica: “Antes da guerra conheci a forma e o grau mais altos da liberdade individual e depois, seu nível mais baixo a tempo. Fui homenageado e marginalizado, livre e privado de liberdade, rico e pobre. Pela minha vida galoparam todos os corcéis amarelentos do Apocalipse, a revolução e a fome, a inflação e o terror, as epidemias e a emigração; vi nascer e expandir diante dos meus próprios olhos as grandes ideologias de massas: o fascismo na Itália, o nacional-socialismo na Alemanha, o bolchevismo na Rússia e, sobretudo, a pior de todas as pestes: o nacionalismo, que envenena a flor de nossa cultura europeia”.

A obra, atualíssima, é uma joia literária realizada para a posteridade. Deveria ser de obrigatório estudo nos colégios e universidades. Grande parte dela foi escrita no calor do trópico sem arquivos e amigos com os quais compartilharem as recordações do passado. É um antídoto aos populismos e um canto a cultura e a liberdade.

Obrigado, Stefan Zweig, astro errante. ●

N.do A. – Texto publicado em espanhol na revista El Siglo de Europa

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