Arte e Cultura

“O INSTITUTO CERVANTES É UMA CASA ABERTA”

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Juan Manuel Bonet Planes, diretor do espanhol Instituto Cervantes em Madri. / Foto: Instituto Cervantes

por Jairo Máximo

MADRI, Espanha ― (Blog do Pícaro) ― Juan Manuel Bonet Planes (Paris, França, 1953) Escritor, poeta e crítico de arte e literatura. Tem publicados diversos livros de poemas, ensaios e monografias. Foi curador de importantes exposições e organizador de mostras e retrospectivas que sempre levam sua particular marca de identidade. Também foi diretor do Instituto Valenciano de Arte Moderna e do Museu Nacional Centro de Arte Reina Sofia de Madri. Atualmente é diretor do espanhol Instituto Cervantes, mas antes disso dirigiu o Cervantes em Paris. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, Bonet afirma: “Chego ao Cervantes para aportar ideias novas”.

Desde criança você vive na vanguarda intelectual?

―Sim. Nasci numa família na qual a arte e a cultura são uma tradição. O meu pai falava que a mãe escrevia, que o seu pai militar pintava e que um familiar de Lugo, na Galícia, Evaristo Correa Calderón (1899-1986), que eu conheci quando ele era idoso, era vanguardista. Correa Calderón era amigo de Jorge Luis Borges, e foi ele quem introduziu a vanguarda em Lugo. No meu livro Dicionário das Vanguardas na Espanha, 1907―1936, que lancei em 1995, falo das vanguardas que conheci. Deste homem de Lugo, Correa Resultado de imagen de portada del libro diccionario de las vanguardias españolasCalderón, meu tio-avô, que na sua juventude madrilenha participou, no Café de Pombo, da tertúlia organizada pelo escritor e jornalista Ramón Gómez de la Serna, emblema da vanguarda espanhola. Ele contava que José Gutiérrez Solana, que imortalizou a tertúlia no quadro A Tertúlia do Café de Pombo (1920),fez um retrato a óleo dele, em 1921, que ele nunca conseguiu comprar porque a obra de Solana era muito cara. Também tinha a sua relação com Borges, porque nas obras completas de Borges, editadas em francês, Correa Calderón aparece como um dos signatários de um poema coletivo. Daí vem a tradição. Meu pai Antonio Bonet Correa ―historiador e catedrático―, primeiro estudou na Universidade de Santiago de Compostella; depois ampliou os estudos em Paris, onde nasci. Na capital francesa ele se relacionou com escritores e pintores. Em 1958 regressou à Espanha e aqui continuou relacionando-se com pintores e escritores. Portanto, desde criança vivi na vanguarda intelectual.

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A Tertúlia do Café de Pombo, 1920, obra de Solana.

Que luxo!

―Claro! Lembro-me da época quando o meu pai dirigia o Museu de Belas- Artes de Sevilha, além de editar algumas páginas do ativo e crítico jornal El Correo de Andalucía. Foi nestas páginas onde eu comecei a escrever.

Que menino mais precoce…

―(risos) E para que não falassem que era um protegido assinava com outro nome.

Com pseudônimo?

―Sim. Juan de Hix, em referência a Hix, uma pequena cidade da Sardenha francesa, onde nasceu a minha avó materna. Nesta época eu também pintava, mas para sorte da pintura abandonei o intento.

(risos) Mas ganhou à poesia, a crítica artística e literária, a curadoria de arte contemporânea.

―Isso foi dos 13 aos 18 anos, quando comecei a escrever poesia. Depois trabalhei durante duas temporadas de verão no Museu de Arte Abstrato Espanhol de Cuenca. Foi o primeiro museu com o qual me relacionei. A partir deste momento, pouco a pouco, comecei a me dedicar a escrever sobre arte. Em seguida fui o primeiro diretor-artístico da galeria de arte madrilenha Buades. Nesta mesma época colaborei com vários meios de comunicação espanhóis. Atualmente colaboro com o diário espanhol ABC. Durante uma época da minha vida escrevi muitas críticas de arte e literárias, no entanto, hoje em dia não escrevo mais críticas.

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Museu Provincial de Teruel, instituição cultural criada em 1955.

Quando começou sua aproximação ―profissional― aos museus contemporâneos mais importantes da Espanha?

―O primeiro museu com o qual eu me vinculei foi o Museu da Província de Teruel, onde realizavam muitas exposições relacionadas com o surrealismo. Foi neste momento quando comecei a estudar as velhas vanguardas pictóricas, o cubismo, o surrealismo, o ultraismo etc. O movimento Ultraismo (1818-1925) é um tema que sempre me interessou muito. Era como o modernismo brasileiro. Na continuação, o escultor canário Martín Chirino, fundador do Centro Atlântico de Arte Moderna, me convidou para pertencer ao conselho assessor da instituição.

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O Centro Atlântico de Arte Moderna, inaugurado em 1974, é o principal museu de arte contemporânea de Canárias.

Lá fui curador de uma bela exposição denominada Surrealismo entre o Velho e o Novo Mundo (1989), que contava como durante a 2ª Guerra Mundial o surrealismo atravessou do Velho para o Novo Mundo ―Cuba, México, Estados Unidos― tendo as Ilhas Canárias como um ponto de encontro, um cruzamento de caminhos entre Europa, África e América. Foi fascinante investigar uma época tão particular. Foi no Centro Atlântico onde aprendi muito como funciona um museu. Em seguida, me convidaram para dirigir o jovem e experimental Instituto Valenciano de Arte Moderna (IVAM), que conta com uns aspectos que para mim são fascinantes.

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O Instituto Valenciano de Arte Moderna, fundado em 1989, tem como objetivo a investigação e a difusão da arte moderna e contemporânea.

Trabalhei ali proporcionando minha experiência pessoal, somando uma perspectiva artística interna. Realizamos uma exposição sobre o Ultraismo, que até aquele momento os museus não tinham se fixado muito nele, era um movimento poético que tinha Guillermo de Torre, Salvador Dalí, Rafael Barradas, entre outros, em suas trincheiras. O meu trabalho no IVAM foi um pouco ir espanhalizando, em alguns aspectos; e iberoamericanizando, em outros. Foi uma época na qual também me interessei muito pelas coisas do Novo Mundo. Tenho boas recordações do IVAM. Foi uma ótima aprendizagem. Além disso, foi ali onde coloquei em marcha a grande exposição brasileira Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia. Essa exposição começava na Semana de Arte Moderna de 1922, origem do modernismo brasileiro, e acabava na colocação da primeira pedra da construção de Brasília. Mescle diferentes disciplinas artísticas ―pintura, arquitetura, fotografia, cinema, música, dança, literatura. Expus quadros de Cícero Dias, Tarsila do Amaral e Di Cavalcanti; mostrei planos de jardins de Burle Marx; maquetas de edifícios de Oscar Niemeyer; exemplares da revista Klaxon; manuscritos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes; coloquei música ambiental de Heitor Villa-Lobos e, inclusive, exibi a primeira produção cinematográfica brasileira de vanguarda São Paulo ―Sinfonia da Metrópole, 1929, dirigida por Rodolpho Lustig e Adalberto Kemeny, uma visão cotidiana da cidade de São Paulo, e que nunca entrou nos circuitos comerciais. É um tipo de exposição pela qual me apaixonei porque conta um pouco à vida intelectual dos artistas e da cidade como um marco. Quando foi inaugurada a exposição eu já não estava como diretor do IVAM.

Estava no trem-bala de viagem à capital espanhola?

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O Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia é um dos museus mais importantes da Espanha. / Foto: Jairo Máximo

―(risos) Ainda não existia o trem-bala. No Museu Nacional Centro de Arte Rainha Sofia de Madri não me esqueci do Brasil. Comprei muita arte brasileira: Tarsila do Amaral, Tunga, Beatriz Milhazes. Solidifiquei muito a coleção do museu Rainha Sofia. Naquela época tínhamos bastante dinheiro para comprar obras de artistas consagrados: Salvador Dalí, Juan Gris, Joan Miró. Fiz exposições de arte contemporânea, de fotografia e de outras disciplinas artísticas que não tinham sido realizadas na Espanha com grandiosidade, como é o caso da mostra do espanhol Ramón Gómez de la Serna (1888-1963), Homem orquestra das vanguardas; retrospectivas de José Gutiérrez Solana, o pintor das tertúlias do Café de Pombo; do escultor e pintor Alberto Sánchez Pérez; dos pintores Ramón Gaya e Juan Manuel Díaz-Caneja. Fiz todo àquilo que estava ao meu alcance. Naquele momento o Museu Rainha Sofia não tinha tanta autonomia como tem hoje em dia. Tinha uma responsabilidade de um discurso mais institucional.

Depois do Museu Rainha Sofia, no que você trabalhou?

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Antropofagia, 1929, obra da brasileira Tarsila do Amaral.

―Trabalhei em casa, uma coisa que eu gosto muito de fazer. Nesta época recebi uma encomenda da espanhola Fundação Juan March para organizar a primeira grande mostra na Espanha da artista brasileira Tarsila do Amaral (1886-1973), umas das máximas figuras das vanguardas latino-americanas e símbolo do modernismo brasileiro. A exposição foi inaugurada em 2009 em Madri e, em 2011, foi exposta em São Paulo, na Fundação Armando Álvares Penteado (FAAP).

Até agora este é o meu último projeto brasileiro em um museu. Resultado de imagen de portada del libro fervor de la metrópoli, de juan manuel bonet, Dan GaleriaEm seguida, surgiu à possibilidade de realizar uma parceria com a Dan Galeria, de São Paulo. Uma visão de São Paulo realizada por mim e pelo fotógrafo e pintor espanhol José Manuel Ballester. O título da obra que acabamos de publicar é Fervor de Metrópoli, que é una combinação de Fervor de Buenos Aires, primeiro livro de poemas de Borges, de 1923, e o filme São Paulo, Sinfonia da Metrópole, de 1929, que te comentei antes. Esse é o último capítulo da minha historia com o Brasil. Nestes anos no qual passei ―sem museus― realizei trabalhos como esse do Brasil. Contudo, em 2012, apareceu à oportunidade de dirigir o Instituto Cervantes de Paris.

Como você cruzou os montes Pirineus com destino a Paris: de carro, trem, avião, esquiando ou a pé?

―(risos) De repente. A minha mãe Monique estava sempre falando, oh! Juan Manuel, você tem que trabalhar algum dia na França. Então, me apresentei a um concurso público para uma vaga no Instituto Cervantes de Paris e fui escolhido. Estive ali mais de quatro anos. Foi à única vez em que morei de verdade na minha cidade natal, de onde sai quando tinha três anos.

Um reencontro memorável.

―Sim. Morar de verdade em Paris. Com seus problemas. Inclusive em 2015 vivi os atentados jihadistas ao semanário satírico Charlie Hebdo e a sala de espetáculos Bataclan e cafeterias.

Considera que o atentado contra Charlie Hebdo que matou 12 pessoas no dia 7 de janeiro de 2015 evidenciou que o humor mata sem contemplação.

―Sim. Inclusive tivemos que reforçar a segurança das dependências do Instituto Cervantes. Paris reagiu muito bem pós-atentado. O povo francês e o governo deram um exemplo de unidade. Mas mesmo assim criou-se um estado bastante especial. Geraram e causaram muitos problemas. Apareceram gretas. O turismo caiu muito em Paris.

Insituto Cervantes

Sede central do Instituto Cervantes em Madri. / Foto: Jairo Máximo

O que você sentiu quando te avisaram que seria o novo diretor do emblemático Instituto Cervantes, uma instituição criada pela Espanha em 1991 para promover e ensinar o espanhol e para difundir a cultura da Espanha nos cinco continentes?

―Uma mescla de surpresa, honra e responsabilidade. É um desafio. Sou a primeira pessoa que antes de ser diretor da Rede dirigiu uma sede. Considero que isto me proporciona um conhecimento prévio de como é a estrutura da casa. Chego para aportar ideias frescas a uma estrutura que funciona bem. Uma das instituições mais valorizadas espanholas. Quero retornar um pouco a ideia de que a própria central mande coisas de qualidade às suas sedes. Igualmente, considero que quanto às artes plásticas, está um pouco pobre, porque se olhamos bem, muitas vezes, estamos em função do que se pode fazer a escala local. Quando o Instituto Cervantes entrou em funcionamento ele era mais espanhol, entretanto, hoje em dia é um lugar no qual qualquer ibero-americano o sente como um lugar próprio. Em Paris fizemos muitas atividades com os argentinos, peruanos, mexicanos etc. Isso é algo que temos que continuar fazendo. Qualquer diretor do Cervantes sabe isto: o Instituto Cervantes é uma casa aberta para todos.

Posso considerar que a exposição Panóptica (1973-2011), do desenhista de HQ e ilustrador espanhol Max, que foi exposta com êxito em Brasília, Belo Horizonte, Rio de Janeiro e Salvador é a linha de trabalho que pretendes seguir?

―Esta exposição era muita boa. É um exemplo de que sim é possível organizar uma exposição que saia daqui da sede central e visite outros centros Cervantes dos cinco continentes. Estamos fortalecendo muito a razão de ser ibero-americana do Cervantes. É uma coisa que está…

No DNA do Cervantes?

―Sim. A primeira exposição da minha gestão é Retorno a Max Aub (1903-1972) dedicado ao novelista, dramaturgo e poeta hispânico-mexicano de origem judeu alemão Max Aub, o eterno judeu errante da nossa literatura.

“Retorno a Max Aub” ofrece un recorrido por la vida y obra creativa del novelista, poeta, cuentista, antólogo, ensayista, crítico y hasta falso pintor.

O que você pensa da arte do grafite?

―Considero que as fronteiras entre a arte popular e arte não são estagnadas. No Instituto Cervantes de Paris eu organizei uma exposição do grafiteiro francês El Tono, que faz uns grafites geométricos que eu gosto muito. O artista plástico Basquiat começou grafitando nos muros de Nova York e hoje em dia suas obras estão supervalorizadas. Nas minhas recentes viagens ao Brasil encontrei belos grafites em São Paulo e no Rio de Janeiro. Alguns deles muito interessantes que mesclam Tarsila do Amaral, com influência pop, com influência indígena.

O que você pensa do populismo em alça na América e aqui na Europa?

―É preciso contemplá-lo com muita preocupação. Seja de um extremo ou de outro.

Resultado de imagen de portada del libro las cosas se han rotoPor que no começo da entrevista você falou: “o Ultraismo era como o Modernismo brasileiro”?

―Porque no Brasil vocês consideram a Semana de Arte Moderna como o início de um movimento, enquanto que aqui na Espanha, como em seguida surgiu à denominada geração de 27 ―Lorca, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Rafael Alberti, e outros― os ultraistas que eram verdadeiramente vanguardistas foram um pouco marginalizados. Mas eu considero que eles são muito importantes. Inclusive em 2012 publiquei uma antologia de poesia ultraista titulada Las cosas se han roto, que é um verso do poema “Chuva”, do poeta ultraista espanhol Pedro Garfias. Menciono as referências brasileiras porque na grande revista de vanguarda brasileira Klaxon, aparece colaborações do líder do ultraismo Guillermo de Torre. Os ultraistas utilizavam muito a metáfora como expressão de metáforas. Mais ou menos o que faziam os brasileiros Mário de Andrade, Oswald de Andrade e Luis Aranha. Aliás, em 2012 fiz o prólogo da tradução ao espanhol  do livro de poema Cocktails, do diplomata e poeta Luis Aranha.

Como você descobriu ―intelectualmente― o Brasil?

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―No começo da década setenta do século passado na casa dos meus pais lendo com avidez exemplar antigos da Revista do Brasil, que a embaixada brasileira editava aqui na Espanha quando o poeta e escritor João Cabral de Melo Neto era membro do corpo diplomático. Ali apareciam poemas de Mário de Andrade, Raúl Bopp, Murilo Mendes, entre outros. Depois fui descobrindo mais coisas sobre o Brasil a base de encontrar livros antigos. Comecei a comprar livros de João Cabral de Melo Neto, de Oswald de Andrade, de Mário de Andrade, que tinham sido publicados em Barcelona por Cabral de Melo, porque quando ele foi vice-cônsul em Barcelona, nos anos 40, ele tinha uma pequena gráfica na sua casa. Editava livros de sua autoria, de brasileiros ―Manoel Bandeira, Cecília Meirelles, Murilo Mendes― e de espanhóis. Ele era um poeta impressor e mantinha amizade com o pintor Joan Miró e com poeta Joan Brossa. Tenho bastante destes livros. Um deles é Resultado de imagen de joão cabral de melo netouma relíquia de Cabral de Melo com capa de Miró. Cabral de Melo é uma pessoa que teve uma grande importância entre os dois países. Um mensageiro. Dos autores espanhóis que ele publicou está Brossa, Joan Pons ―que emigrou ao Brasil―, como tantos outros vanguardistas espanhóis. Existe um caminho brasileiro na vanguarda espanhola. Quem sabe eu faça uma exposição, desde aqui da sede do Instituto Cervantes, para mostrar esse diálogo. Esse ponto de conexão. Sempre me interessei muito pelo Brasil.

Sei que você está escrevendo um novo livro. Do que se trata?

―Arte brasileira. É uma encomenda de uma editora francesa e vou intitulá-lo Maravilha. Será um livro com o mesmo espírito da exposição que fiz no IVAM sobre arte brasileira: Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia. Mesclar um pouco de tudo: música, fotografia, artes plásticas, literatura, arquitetura etc. Neste livro abordarei coisas do Brasil que fui conhecendo ―direta ou indiretamente― nas doze cidades brasileiras que conheço pessoalmente. Por exemplo, em São Paulo, descobri no restaurante Dalvo e Dita, de Alex Attala, um painel de azulejos fantásticos de autoria do pintor, escultor e arquiteto carioca Athos Bulcão. São coisas assim que vou abordar no livro.

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Azulejos de Athos Bulcão.

Você é um homem feliz?

―Sim, com moderação. Trabalho naquilo que gosto. Tenho uma família, mulher e filhos, com quem sou muito feliz. Também fomos felizes em Paris, porque defender os valores da Espanha e dos países irmãos na França é muito interessante. Neste momento estou feliz de me reencontrar com Madri. Um sempre está dividido: onde estou? de que lugar venho? ●

N. do A. – Entrevista publicada em espanhol na revista El Siglo de Europa.

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No livro Via labirinto: poesia (1978-2015) Juan Manuel Bonet reúne seus poemas, que recopila 37 anos de escrita.

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“EL CERVANTES ES UNA CASA COMÚN”

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Juan Manuel Bonet Planes en Madrid / Foto: Instituto Cervantes

Por Jairo Máximo

MADRID, España (Blog do Pícaro) ― Juan Manuel Bonet Planes (París, Francia, 1953) es escritor, poeta y crítico de arte y literatura. Tiene publicados diversos poemarios, monografías, ensayos y un dietario. Ha comisariado varias exposiciones y organizado muestras y retrospectivas con su particular sello de identidad. Ha sido director del Instituto Valenciano de Arte Moderno y del Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía de Madrid. Actualmente es director del Instituto Cervantes en Madrid, pero antes dirigió el Cervantes de París. En esta entrevista exclusiva, concedida en Madrid, Bonet afirma: “Llego al Cervantes para aportar ideas frescas”.

¿Has vivido desde niño en la vanguardia intelectual?
―Sí. He nacido en una familia en la cual el arte y la cultura han sido una tradición. Mi padre hablaba que su madre escribía, que su padre militar pintaba y que un familiar suyo de Lugo, Evaristo Correa Calderón (1899-1986), que yo lo conocí ya mayor, era vanguardista. Correa Calderón era amigo de Jorge Luis Borges, y fue él quien introdujo la vanguardia en Lugo.Resultado de imagen de portada del libro diccionario de las vanguardias españolas En mi Diccionario de las Vanguardias en España, 1907 1936, que publiqué en 1995, hablo de las vanguardias que conocí. De este hombre de Lugo, Correa Calderón, mi tío abuelo, que en su juventud madrileña había participado en el histórico Café de Pombo de la tertulia de Ramón Gómez de la Serna, figura central de la vanguardia española. Él contaba que José Gutiérrez Solana, que inmortalizó la tertulia en el cuadro La Tertulia del Café de Pombo (1920), le había hecho en 1921 un retrato al óleo que él no pudo nunca comprar porque la obra de Solana era muy cara. También está su relación con Borges, porque en las obras completas de Borges, editadas en francés, Correa Calderón aparece como uno de los firmantes de un poema automático colectivo. De ahí viene la tradición. Mi padre ―Antonio Bonet Correa ―historiador y catedrático― primero estudió en la Universidad de Santiago de Compostela; después continuó estudios en París, dónde nací. Allí contactó con escritores y pintores. En 1958 volvió a España y aquí siguió frecuentando a pintores y escritores. Entonces, desde niño viví en la vanguardia intelectual.

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La Tertulia del Café de Pombo (1920), obra del madrileño José Gutiérrez Solana.

¡Qué lujo!
―¡Claro! Me acuerdo de la época de Sevilla cuando mi padre dirigía el Museo de Bellas Artes de Sevilla, además de unas páginas del activo y crítico periódico El Correo de Andalucía. Fue en esas páginas donde yo comencé a escribir.

Que niño precoz…
―(risas) Para que no dijeran que yo era un enchufado firmaba con otro nombre.

¿Con pseudónimo?
―Sí. Juan de Hix, en referencia a Hix, un pueblo de la Cerdaña francesa, donde nació mi abuela materna. En esta época yo también pintaba pero por suerte para la pintura lo dejé.

(risas) Pero ganó la poesía. Ganó la crítica artística y literaria. Ganó el comisariado del arte contemporáneo.
―(risas) Eso fue de los 13 a los 18 años cuando empecé a escribir poesías. Tardé bastante en publicar porque escribía crítica de arte. Posteriormente trabajé durante dos veranos en el Museo de Arte Abstracto Español de Cuenca. Fue el primer museo con el cual tuve que ver. A partir de entonces poco a poco pasé a dedicarme a escribir sobre el arte. Luego fui el primer director artístico de la extinta galería madrileña Buades (1973-2003). Allí estaban Pérez Villalta, Carlos Alcolea, Manolo Quejido, Navarro Bakldeweg, Miguel Navarro. También estuve en El País en sus inicios y en el desaparecido Diario 16. Últimamente colaboro con el diario ABC. Durante una época de mi vida escribí muchas críticas de arte y literatura, sin embargo, hoy en día ya no las hago.

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Museo Provincial de Teruel, institución cultural creada en 1955.

¿Cómo empieza su acercamiento, en plan profesional, a los museos contemporáneos más importantes de España?
―El primer museo al que me vinculé fue el Museo Provincial de Teruel. Allí había muchas exposiciones que tenían que ver con el surrealismo. En eso momento me puse a estudiar las viejas vanguardias pictóricas, el ultraísmo ―herencia familiar de mi tío abuelo―, el surrealismo. El movimiento Ultraísmo (1818-1925) es un tema que siempre me interesó. Era como el Modernismo brasileño. Después el escultor canario Martín Chirino, que fundó el Centro Atlántico de Arte Moderno (CAAM), me invitó a participar del consejo asesor de la institución.

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El Centro Atlántico de Arte Moderno, inaugurado en 1974, es el principal museo de arte contemporáneo de Canarias.

Allí fui comisario de una exposición preciosa Surrealismo entre el Viejo y el Nuevo Mundo (1989), que contaba como el surrealismo pasó durante la Segunda Guerra Mundial del Viejo al Nuevo Mundo ―Cuba, México, Estados Unidos―, teniendo Canarias como un punto de encuentro, un cruce de caminos entre Europa, África y América. Fue fascinante investigar una época tan particular. Fue allí donde aprendí mucho sobre lo que es un museo. A continuación me propusieron dirigir el joven y experimental Instituto Valenciano de Arte Moderno (IVAM), dotado de aspectos que me parecen fascinantes.

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El Instituto Valenciano de Arte Moderno, fundado en 1989, tiene como objetivo la investigación y difusión del arte moderno y contemporáneo.

Trabajé allí, entre 1995 y 2000, aportando mi experiencia personal, añadiendo una mirada interna. Hice en compañía de Carlos Pérez una exposición El ultraísmo y las artes plásticas (1997) porque hasta aquel momento los museos no lo habían mirado mucho, era un movimiento poético que tenía en sus filas a Guillermo de Torre, Dalí, Barradas, Vicente Huidobro, entre otros. En síntesis, mi trabajo en el IVAM fue un poco ir españolizando, en algunos aspectos; e iberoamericanizando, en otros. Fue una época en la cual también me fijé muchísimo en cosas del Nuevo Mundo. Tengo un buen recuerdo del IVAM. Fue un buen aprendizaje. Además, fue donde allí puse en marcha la gran exposición brasileña Brasil 1920-1950. De la antropofagia a Brasilia (2000) comisariado por Jorge Schwartz. Esa exposición empezaba en la Semana de Arte Moderno de 1922, realizada en São Paulo, que dio origen al modernismo brasileño, y acababa en la primera piedra de la construcción de Brasilia. Mezclé distintas disciplinas artísticas: pintura, arquitectura, fotografía, cine, música, danza. Cuadros de Cícero Dias; Tarsila do Amaral y Di Cavalcanti; planos de jardines de Burle Marx; maquetas de edificios de Oscar Niemeyer; ejemplares de la revista Klaxon; manuscritos de Oswald de Andrade, Mário de Andrade, Murilo Mendes; músicas de Heitor Villa-Lobos e, incluso, la exhibición de la película brasileña de vanguardia São PauloSinfonia da Metrópole (1929), que es una visión cotidiana de la ciudad de São Paulo. Es un tipo de exposición a la cual yo me aficioné porque cuenta un poco la vida intelectual de los artistas y de la ciudad como marco. Cuando se inauguró la exposición yo ya no estaba como director del IVAM.

Estaba en el AVE de camino a la Villa y Corte de Madrid.

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El Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía es uno de los museos más importantes de España. / Foto: Jairo Máximo

―(risas) Todavía no había AVE. En el Museo Nacional Centro de Arte Reina Sofía de Madrid no me olvidé tampoco de Brasil. Compré mucho arte brasileño: Tarsila de Amaral, Tunga, Beatriz Milhazes. Consolidé mucho la colección del museo Reina Sofía. Hubo bastante dinero para comprar obras de artistas consagrados: Salvador Dalí, Juan Gris y Joan Miró. Hice exposiciones de arte contemporáneo, de fotografía y de otras disciplinas que no se habían hecho en España en plan grande, como una muestra del escritor y periodista Ramón Gómez de la Serna Puig (1888-1963), Hombre orquesta de la vanguardia; retrospectivas de José Gutiérrez Solana, el pintor de las tertulias del Café de Pombo; del pintor y escultor Alberto Sánchez Pérez; del pintor Ramón Gaya; del pintor Juan Manuel Díaz-Caneja. Hice lo que pude. El Museo Reina Sofía era un museo más o menos encorsetado. No tenía tanta autonomía como ahora. No era tan experimental. Tenía más la responsabilidad de un discurso canónico.

Antropofagia

Antropofagia (1929), obra de la brasileña Tarsila do Amaral.

Y después del Reina Sofía, ¿qué?
―Trabajar en casa, cosa que me gusta mucho. En esta época recibí el encargo de la Fundación Juan March para organizar la primera gran muestra de la brasileña Tarsila de Amaral (1886-1973), una de las máximas figuras de las vanguardias latinoamericanas y emblema del modernismo brasileño. La exposición fue inaugurada en 2009 y hasta ahora es mi último proyecto brasileño en un museo. En seguida surgió la posibilidad de realizar un proyecto conjunto con la Dan Galería, de São Paulo. Una visión de São Paulo hecha por mí y por el fotógrafo y pintor español José Manuel Ballester. El título de la obra que acabamos de publicar es Fervor de Metrópoli, que es una mezcla de Fervor de Buenos Aires, primer libro deResultado de imagen de portada del libro fervor de la metrópoli, de juan manuel bonet, Dan Galeria poemas de Borges, de 1923,  y la película São Paulo, Sinfonía da Metrópoli, de 1929, de la que te he hablado antes. Ese es el último capítulo de mi historia con Brasil. En estos años que yo pasé sin los museos, hice trabajos como ese de Brasil. Con todo, en 2012, llegó la oportunidad de dirigir el Instituto Cervantes de París.

¿Cómo cruzaste los Pirineos: carretera, tren, avión, esquiando o a pie?
―(risas) De repente. Mi madre Monique estaba siempre diciendo, ¡oh Juan Manuel!, tendrías que trabajar alguna vez en Francia. Entonces me presenté a concurso a una plaza en el Instituto Cervantes de París y fui escogido. Estuve cuatro años largos. Fue la única vez que he vivido de verdad en mi ciudad natal, de donde había salido cuando tenía 3 años.

Un reencuentro a lo grande.
―Sí. Vivirla de verdad. Con sus problemas. Me tocó vivir en 2015 los atentados yihadistas al semanario satírico Charlie Hebdo y a la sala de espectáculos Bataclan y terrazas.

¿Y qué ha pasado?
―Supuso reforzar la seguridad del Instituto. París ha reaccionado muy bien. El pueblo francés y el gobierno dieron un ejemplo. No obstante, ha creado un estado muy especial. Ha bajado mucho el turismo en París. Ha generado y creado muchos problemas. Ha habido fisuras.

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Sede del Instituto Cervantes en Madrid. / Foto: Jairo Máximo

¿Qué has sentido cuando te notificaron que eras el nuevo director del Instituto Cervantes ―institución creada por España en 1991 para promover y enseñar el español y para difundir la cultura de España en cinco continentes?
―Una mezcla de sorpresa, honor y responsabilidad. Soy la primera persona que antes de ser director de la Red, dirigió una sede. Creo que eso me da un conocimiento previo de como es la estructura de la casa. Llego para aportar ideas frescas a una estructura que funciona muy bien. Una de las instituciones más valoradas españolas. Quiero volver un poco a la idea de que la propia central está mandando cosas de mucha calidad a sus sedes. Asimismo, creo que en la parte de artes plásticas, está un poco más pobre, porque si te fijas, muchas veces, se queda en función de lo que puedas hacer a escala local. Cuando el Instituto Cervantes empezó a funcionar era más español, sin embargo, hoy es un lugar en el que cualquier iberoamericano lo siente como propio. En Paris hacíamos muchísima actividad con los argentinos, peruanos, mexicanos. Eso es algo que hay que seguir haciendo. Lo sabe cualquier director del Cervantes: este sitio es una casa común. Estamos reforzando mucho la condición iberoamericana del Cervantes. Es algo que está en…

¿El ADN del Cervantes?
―Sí. La exposición más inmediata de mi gestión es Retorno a Max Aub (1903-1972), destacado escritor hispano-mexicano de origen judío alemán. Después de todo lo que ha pasado con su nombre en Madrid. ¡Un absurdo! Por suerte los de Podemos y confluencias han rectificado; pero tarde y mal. Max Aub es el eterno judío errante de nuestra literatura.

“Retorno a Max Aub” ofrece un recorrido por la vida y obra creativa del novelista, poeta, cuentista, antólogo, ensayista, crítico y hasta falso pintor.

¿Qué piensa del populismo en alza en España y Latinoamérica?
―Hay que mirarlo con mucha preocupación. Sea de un extremo o de otro.

¿Crees que el populismo del Podemos español es una herencia genética del populismo bolivariano?
―No me dedico a política, por lo tanto, tengo que ser neutral. En lo que a mí me concierne, como ciudadano y persona que ha vivido la Transición española, el aspecto que me parece más sorprendente es la negación de la Transición. Los consensos fueron necesarios. Fue muy difícil porque había gente que había estado en las trincheras de la Guerra Civil (1936-1939). No se puede tirar por la borda. Me da pena que se intente eso. Eso es lo que diría al respecto. No quiero meterme mucho en la cuestión, porque, digamos, dirijo el Instituto Cervantes, que tiene que estar por encima del debate político, pero en ese aspecto soy un hombre que ha vivido la Transición y mi generación reivindica esa tradición de pactos, de reconciliación, del no al odio al adversario.

¿Por qué al principio de la entrevista me hablabas que “el Ultraísmo era como el Modernismo brasileño”?Resultado de imagen de portada del libro las cosas se han roto
―Es que en Brasil se considera la Semana de Arte Moderno, realizada entre el 11 y el 18 de febrero de 1922, como piedra fundacional de algo, mientras que en España, como en seguida vino la generación de 27 ―García Lorca, Luis Cernuda, Vicente Aleixandre, Rafael Alberti― los ultraístas que eran los verdaderamente vanguardistas fueron un poco marginados. Pero siempre les he considerado muy importantes. Inclusive en 2012 publiqué una antología de la poesía ultraísta titulada Las cosas se han roto que es un verso del poema Lluvia, del poeta ultraísta andaluz Pedro Garfias. Los ultraístas utilizaban mucho la metáfora como expresión de metáforas. Un poco lo que hacía los modernistas brasileños Mário de Andrade, Oswald de Andrade y Luis Aranha.

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En 2012 Juan Manuel Bonet hizo el prólogo del bilingue libro Cocktails, la única obra del modernista brasileño Luis Aranha publicada en 1984.

¿Cuándo descubriste Brasil?
―A principios de los años sesenta en la casa de mis padres leyendo con avidez antiguos ejemplares de la Revista do Brasil que editaba la Embajada de Brasil, en España, teniendo al poeta y escritor João Cabral de Melo Neto como vicecónsul en Barcelona, en los años 40. Allí aparecían poemas de Mário de Andrade, Raúl Bopp, Murilo Mendes, entre otros. Cabral de Melo era amigo del pintor Joan Miró, Resultado de imagen de portadas de libros de joão cabral de melo netodel poeta Joan Brossa, y tenía una pequeña imprenta en su casa. Era un poeta impresor. Hacia libros suyos, de brasileños y españoles. Tengo bastantes de esos libros, incluso uno de Cabral de Melo con portada de Miró. Él es alguien que tuvo gran importancia entre los dos países. Un mensajero. Quizá haga una exposición, desde el Instituto Cervantes, para mostrar ese diálogo. Ese punto de conexión. De brasileños que han venido aquí, y de españoles que han ido allá. Siempre me ha interesado Brasil.

¿Qué piensa del grafiti?
―Creo que las fronteras no son estancas entre el arte popular y arte. En el Instituto Cervantes de París hice una exposición del francés El Tono, que hace un grafiti geométrico que me gusta mucho. El extraordinario artista haitiano Basquiat empezó haciendo grafitis en las calles de de Nueva York.

¿Eres un hombre feliz?
―Moderadamente sí. Trabajo en lo que me gusta. Tengo una familia, mujer e hijos, con quién soy muy feliz. También hemos sido muy felices en París, porque defender los valores de España y de los países hermanos en Francia es muy interesante. En este momento estoy feliz de reencontrarme con Madrid. Uno está siempre dividido: ¿dónde estás? ¿de dónde eres? ●

Entrevista publicada en Acpe y revista El Siglo de Europa

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En 2015 Juan Manuel Bonet publicó Via labirinto: poesía (1978-2015) que recopila 37 años de escritura.

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Literatura

ZWEIG: ASTRO ERRANTE

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“Mas toda sombra é, no fim das contas, filha da luz e somente quem conheceu a claridade e as trevas, a guerra e a paz, a ascensão e a caída, somente este viveu de verdade”. (Stefan Zweig)

Por Jairo Máximo

MADRI, Espanha ―(Blog do Pícaro)― Este ano faz 75 anos que o célebre novelista, poeta, dramaturgo, biógrafo e tradutor austríaco Stefan Zweig e sua esposa, Charlotte Elisabeth Altmann, se suicidaram em Petrópolis, no Rio de Janeiro.

Zweig é considerado como um dos mais brilhantes e versáteis escritores do século vinte, dono de um estilo inconfundível. Provavelmente, o maior escritor de best sellers do seu século. Era imensamente popular, principalmente porque chegava a todos os estratos sociais. Tinha uma surpreendente habilidade narrativa para aprofundar nas coisas mais ocultas da alma humana.

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 Apaixonado da alta cultura e liberdade, sua obra foi traduzida em mais de cinquenta idiomas. É autor de poemas, contos, relatos, novelas, biografias, ensaios históricos e literários que inspiraram mais de 38 roteiros de cinema, alguns dirigidos por Roberto Rossellini, Max Anderson, Robert Siodmak, Patrice Leconte, Xu Jinglei ou Max Ophüls. Em 1948, Ophüls realizou uma fantástica adaptação do fascinante relato Carta de uma desconhecida, estrelado por Joan Fontaine e Louis Jourdan.

Triunfou entre o público culto da época com os magistrais ensaios biográficos sobre alguns dos seus criadores prediletos: Três mestres: Balzac, Dickens, Dostoievski (1920) e Três poetas de suas vidas: Casanova, Stendhal, Tolstoi (1928); e com as esplêndidas biografias de Joseph Fouché, Erasmo de Rotterdam, Montaigne, Maria Antonieta ou Mary Stuart, que ainda hoje em dia não foram superadas. Também fez traduções de poemas de Baudelaire e de alguns de Verlaine, Keats e William Morris.

“Cada idioma, com seus giros próprios, se resiste a ser recriado em outro e desafia às forças da expressão… Nesta modesta atividade de transmissão de valores artísticos ilustres encontrei pela primeira vez a segurança de estar realizando uma coisa prática e inteligente, uma justificativa para minha existência”.

“Para entusiasmar os demais, tem que ser capaz de se entusiasmar”, dizia o escritor.

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NASCE UMA ESTRELA

Resultado de imagen de capas de livros de stefan zweig em português Stefan Zweig nasceu em 1881, em Viena, na Áustria, no berço de uma família classe média de judeus não religiosos. Apesar da boa situação econômica, a família Zweig não era amiga do luxo e da ostentação.

“Cresci em Viena, metrópole duas vezes milenária e supranacional, de onde tive que fugir como um criminoso antes que fosse rebaixada à condição de cidade de província alemã. Na língua que eu tinha escrito e na mesma terra na qual meus livros conquistaram a amizade de milhões de leitores, minha obra foi reduzida a cinzas. Assim agora sou um ser de nenhuma parte, forasteiro em todas. Hóspede no melhor dos casos… O que um homem, durante a sua infância, assimilou da atmosfera da época e incorporou ao seu sangue, perdura nele e já não se pode eliminar… O desejo propriamente dito do judeu, o seu ideal inerente é ascender ao mundo do espírito, a um estrato superior”.

Durante a sua infância, o “judeu acidental”, Zweig, desenvolveu seu talento para a escrita. Quando chegou à juventude começou a publicar poemas, traduções de poemas e ensaios nos jornais e revistas de Viena.

“Foi aos 13 anos quando começou a me atacar aquela infecção intelectual literária, deixei a patinagem sobre gelo e utilizei na compra de livros o dinheiro que os meus pais me davam para as aulas de dança; aos 18 anos ainda não sabia nadar nem dançar nem jogar tênis”.

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“Cada vez que um jornal qualquer publicava uma poesia de minha autoria, a confiança em mim mesmo, frágil por natureza, recebia um novo impulso. Porém, a grande surpresa e a mais inesperada de todas se produziu quando Max Reger, junto com Richard Strauss, o maior compositor vivo daquela época, me pediu permissão para colocar música em seis poesias. Desde aquele momento, quantas vezes já ouvi em concertos meus próprios versos, que durante muitos anos eu tinha esquecido e, inclusive, negado sua existência, eram levados mais além pela arte fraternal de um maestro”.

Quando Zweig completou 15 anos ganhou de presente de aniversário do pai um manuscrito de Mozart. Foi o princípio de uma vocação de colecionador de manuscritos, autógrafos e objetos pessoais dos criadores universais que cultivou com grande paixão até seus últimos anos de vida, e no qual investiu grande parte do dinheiro que ganhava, e cuja dispersão a força quando chegaram os nazistas descerebrados, foi um dos mais desgostos da sua vida.

“Quando começou a era de Hitler e tive que abandonar a minha casa, acabou-se o prazer que me proporcionava minha coleção, como também a segurança de poder conservar qualquer coisa para sempre”.

“De todos os meus livros e quadros somente a lâmina de rei João, também conhecido como João Sem-Terra, de William Blake, me acompanhou durante mais de trinta anos e, quantas vezes o olhar magicamente iluminado deste rei louco me contemplou da parede! De todos os meus bens perdidos e distantes, este é o desenho que mais sinto falta na minha peregrinação”.

Em 1904, graduou-se Doutor em Língua e Literatura Românticas.

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“Acordei numa manhã de 1931 e tinha cinquenta anos… De presente de aniversário, a editora Insel editou uma bibliografia dos meus livros publicados em todos os idiomas, que por si já era um livro; não faltava nenhum idioma, nem o búlgaro nem o finlandês, nem o português nem o armênio, nem o chinês nem o marata. Em braile, em taquigrafia, em todos os alfabetos e idiomas, minhas palavras e pensamentos tinham alcançado as pessoas; minha existência tinha se expandido infinitamente mais longe do espaço do meu ser”.

“Hoje por hoje, como escritor ―sou alguém que “caminha vivo atrás do seu próprio cadáver”.

BRASIL ENCANTOS MIL

Stefan Zweig chegou ao Brasil pela primeira vez no dia 21 de agosto de 1936 e foi recebido com honras de Estado pelo governo constitucional de Getúlio Vargas. “Durante esta semana fui Marlene Dietrich”, escreveu para um amigo sobre a calorosa recepção de bem-vindo. A segunda vez foi no mesmo dia, entretanto do ano 1940, com permissão de residência em ordem, porém agora com a ditadura Vargas, ou Estado Novo, instaurada em 1937.

Resultado de imagen de capa do livro Brasil, pais de futuro, Zweig

Em 1941 publicou o ensaio Brasil, um país do futuro, editado em Estocolmo, Suécia, que foi um grande êxito de vendas, inclusive no Brasil. Absurdamente, a esquerda brasileira criticou com fúria o ensaio e ao seu autor. Desaprovavam seus tópicos e censuravam seu apoio― implícito?― à ditadura Vargas. Em seguida, Zweig escreveu uma carta aberta reiterando “sua paixão pelo país e ao povo brasileiro”.

Ao mesmo tempo, no prólogo da obra editada em português, o então ministro de Cultura do Brasil, Afrânio Peixoto, salientou: “Zweig: andou, passeou, viu, viajou, não quis nada, nem condecoração, nem festas, nem recepções, nem discursos, não quis nada”.

A primeira edição do livro Brasil, um país do futuro esteve esgotada durante quarenta anos. Contudo, quando se comemorou o centenário do escritor, em 1981, o livro foi reeditado e colocado à venda na Alemanha e, curiosamente, terminou vendendo dez vezes mais que a primeira. Um fenômeno curioso para um livro desta característica.

“Nunca tinha pensado que com 60 anos me encontraria aposentado numa cidade serrana brasileira, com uma jovem empregada negra descalça a quilômetros e quilômetros de distância de tudo o que antes foi minha vida: livros, concertos, amigos, conversações”, deixou escrito Zweig.Resultado de imagen de capas de livro Partida de xadrez, de Stefan Zweig

No Brasil, ele escreveu Novela de Xadrez (1941), sua novela mais famosa, sobre a neurose obsessiva que um homem desenvolve pelo xadrez durante seu cativeiro nas mãos da Gestapo.

OUTRA VÍTIMA

Foi um implacável crítico e oponente a 1ª Guerra Mundial (1914-1918), que inclusive acabou lhe levando a vivê-la desde dentro do escritório de Guerra em Viena, depois de ser considerado “inapto para combate”. Viena naquela época era a capital do Império Austro-húngaro, um estado multirracial, um complexo quebra-cabeça que antes da 1ª Guerra Mundial incluía dezessete nacionalidades diferentes e onde o hino nacional era cantado em treze idiomas.

Nos últimos meses do conflito mundial Zweig se mudou para a Suíça e, tempo depois, para Salzburgo, de onde iniciou uma série de diferentes viagens. Em 1934, no auge do nazismo, e com a iminente anexação da Áustria a Alemanha nazista, abandonou a Áustria e iniciou um longo exílio pelo mundo.

Primeiro foi morar em Londres, depois em Paris, Los Angeles, São Francisco, Nova York e, por último, Petrópolis. No exílio inglês começou a sofrer depressão, pois se sentia um homem sem pátria, sem casa e sem nacionalidade.

Resultado de imagen de capas de livros de stefan zweig em portuguêsEntre 1881-1918 Stefan Zweig foi súbdito do Império Austro-húngaro. Depois, de 1918 a 1938, cidadão austríaco e, a partir de 1938, britânico.

Duro crítico do nazismo atravessou um mar atrás de outro, expulsado, perseguido e privado da pátria amada. Suas obras foram queimadas publicamente e seu nome excluído das editoras e publicações alemãs. Sua casa de Salzburgo, antes de ser saqueada, foi vasculhada a procura de armas escondidas.

“Pela primeira vez fui testemunha da peste da obsessão da pureza da raça, que foi mais prejudicial para nosso século do que a verdadeira peste dos anos anteriores”.

“Antes de 1914 a Terra era de todos. Todo mundo ia ao lugar que queria. Não existia visado nem autorização. Diverte-me a surpresa dos jovens toda vez que lhes conto que antes de 1914 viajei a Índia e a América sem passaporte, e que realmente jamais na minha vida tinha visto um. (…) Foi depois da guerra quando o nacional-socialismo começou a transtornar o mundo, e o primeiro fenômeno visível desta epidemia foi a xenofobia: o ódio ou, pelo menos, o medo ao estranho. Em todos os lugares as pessoas defendiam-se dos estrangeiros, em todos os lugares os excluía”.

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VIDA DE FILME

Entre as suas singulares amizades encontravam-se Thomas Mann, James Joyce, Paul Valéry, Ravel, Richard Strauss, Bartók, entre outros. Ao mesmo tempo, manteve uma fiel correspondência com Sigmund Freud, Hermann Hesse e Joseph Roth.

Durante seu longo exílio por Inglaterra, França, Estados Unidos e Brasil, o escritor chegou a ser uma espécie de “instituição de caridade” para os imigrantes centro-europeus.

Zweig renunciou a vida porque não pode suportar a ideia de ver a humanidade submetida aos assaltos destrutivos dos extremismos.

Na noite de 22 de fevereiro de 1942, na serrana Petrópolis, Zweig e Lotte, sua jovem devota segunda esposa e secretária, depois de jantarem juntos e jogar uma partida de xadrez, suicidaram-se com uma overdose de veronal, substância química derivado do ácido barbitúrico que se utiliza como calmante e sonífero. Seu enterro realizado no Rio de Janeiro com honras de Estado foi um ato que contou com uma multidão de participantes, e que surpreendeu a gente por tratar-se de um forasteiro.

Na inquietante carta de despedida que ele deixou escrita com a epígrafe Declaração (o título em português e o texto em alemão) destinada ao juiz, a polícia e, ao mesmo tempo, ao conjunto da humanidade, se lê:Resultado de imagen de fragmento carta de despedida de Stefan Zweig

“Antes de deixar esta vida por vontade própria, com a mente lúcida, me coloco uma última obrigação: dar um afetuoso agradecimento a este maravilhoso país: Brasil… Diariamente aprendi a amar este país, mais e mais. Em nenhum outro lugar poderia ter reconstruído minha vida, neste momento em que o mundo da minha língua esta perdido, e a minha espiritual ―Europa― destrói-se a si mesma… Por isso, acho melhor concluir a tempo e com o ânimo sereno uma vida para a qual o trabalho espiritual sempre foi a alegria mais pura e a liberdade pessoal o maior bem sobre a terra. Saudações aos meus amigos. Tomara que possam ver o amanhecer! Eu, impaciente demais, me adianto a eles”.

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Em 2016, a atriz e cineasta alemã Maria Scharader filmou Stefan Zweig -Farewell to Europe, focado em seis momentos do exílio do escritor no Brasil.

Resultado de imagen de capa do livro Brasil, pais de futuro, Zweig

Em 1981, Alberto Dines publicou Morte no Paraíso.

Resultado de imagen de cartaz do filme Lost Zweig

Em 2002, Sylvio Back filmou Lost Zweig, sobre a última semana do escritor.

Atualmente em Petrópolis está instalada a casa-museu Stefan Zweig, dedicada ao escritor e a todos os exilados europeus no Brasil. Em 1981, Alberto Dines, jornalista e biógrafo do escritor, publicou o livro Morte no Paraíso, que aborda as circunstâncias que envolveram a vida e morte do autor austríaco. Em 2002, o cineasta brasileiro Sylvio Back filmou Lost Zweig, sobre a última semana do escritor. Neste momento, aqui na Europa, está em cartaz o filme Stefan Zweig: adiós a Europa, dirigido pela atriz Maria Scharader, que aborda a vida do autor em seis momentos específicos de seu exílio no Brasil.

PENA CRIATIVA

Da pena criativa e vida de filme de Stefan Zweig muito já foi escrito e, felizmente, muito se escreverá. Sua obra perdura.

“Na minha vida pessoal o mais notável foi a chegada de um hóspede que eu não esperava: o êxito. O êxito não me caiu de repente do céu, chegou pouco a pouco, com cautela, porém durou constante e fiel, até o momento em que Hitler lhe passou a mão e o expulsou com as chicotadas dos seus decretos… Meus relatos curtos Amok e Carta de uma desconhecida foram tão populares como, por regra geral, somente chegam sê-lo as novelas; montaram peças de teatro, foram recitados em público e virou filme, um livrinho, Momentos decisivos da humanidade ―lido em todas as escolas―, em pouco tempo chegou a 250.000 exemplares na Biblioteca Insel; em poucos anos eu tinha criado o que, em minha opinião, significa o êxito mais valioso para um escritor: um público, um grupo fiel de gente que sempre ansiava e comprava meu próximo livro, que me depositavam sua confiança e que eu não podia fraudar. Mas sou sincero quando falo que me fiquei feliz com o êxito no referente aos meus livros e ao meu nome literário e que, em troca, me incomodava quando se traduzia em curiosidade pela minha pessoa física… Para mim o anonimato, em todas suas facetas, é uma necessidade”.

SER DE NENHUMA PARTE

Resultado de imagen de capa do livro O mundo de ontem Zweig

O seu fascinante livro O mundo de ontem, recordações de um europeu, publicado postumamente em 1944, está estruturado em 16 apaixonantes capítulos que informa e ilustra o leitor: “Não guardo do meu passado mais daquilo do que levo atrás da frente”.

No prefácio da obra Stefan Zweig explica: “Antes da guerra conheci a forma e o grau mais altos da liberdade individual e depois, seu nível mais baixo a tempo. Fui homenageado e marginalizado, livre e privado de liberdade, rico e pobre. Pela minha vida galoparam todos os corcéis amarelentos do Apocalipse, a revolução e a fome, a inflação e o terror, as epidemias e a emigração; vi nascer e expandir diante dos meus próprios olhos as grandes ideologias de massas: o fascismo na Itália, o nacional-socialismo na Alemanha, o bolchevismo na Rússia e, sobretudo, a pior de todas as pestes: o nacionalismo, que envenena a flor de nossa cultura europeia”.

A obra, atualíssima, é uma joia literária realizada para a posteridade. Deveria ser de obrigatório estudo nos colégios e universidades. Grande parte dela foi escrita no calor do trópico sem arquivos e amigos com os quais compartilharem as recordações do passado. É um antídoto aos populismos e um canto a cultura e a liberdade.

Obrigado, Stefan Zweig, astro errante. ●

N.do A. – Texto publicado em espanhol na revista El Siglo de Europa

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Literatura

CON ACUSE DE RECIBO

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Por Jairo Máximo

MADRID, España ― (Blogdopícaro) ― Estimados lectores, cuando empecé la lectura del libro Cartas memorables, de Shaun Usher, que consiste en la recopilación de 125 epístolas firmadas por ―Albert Einstein, Anaïs Nin, Annie Oakley, Benjamin Franklin, Bette Davis, Charles Darwin, Charles Bukowski, Clementine Churchill, Doroty Parker, Elvis Presley, Fidel Castro, Fiódor Dostoievski, Flannery O’Connor, Groucho Marx, Galileo Galilei, Iggy Pop, Jack Kerouac, John F. Kennedy, Louis Armstrong, Ludwig van Beethoven, Mark Twain, Mick Jagger, Nick Cave, Oscar Wilde, Katherine Hepburn, Kurt Vonnegut, Rainer Maria Rilke, Raymond Chandler, Roald Dahl, Ronald Reagan, Zelda Fitzgerald,  entre otros―, no imaginaba que la obra iba afianzar aún más mi adicción por la lectura de una buena carta: “papel escrito, y ordinariamente cerrado, que una persona envía a otra para comunicarse con ella”, como reza en el diccionario de la Real Academia Española (RAE).

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Carta de admiradoras de Elvis Presley dirigida al presidente Eisenhower en 1958.

Entre las misivas incluidas en esta seductora obra, las hay de distinta índole: amorosas, enigmáticas, sarcásticas, reivindicativas, tristes, desesperadas, admirativas, sutiles, lúdicas o desgarradoras. Además, junto a cada carta encontramos un conciso texto informativo donde el autor primero identifica al remitente y destinatario y, después, nos acerca a las circunstancias en las cuales ellas fueron escritas.

Según el autor de Cartas memorables la idea de editar en “papel” esta obra, su primer libro, nació después de que él publicara con éxito en su blog una serie de cartas ajenas. La más antigua es una carta grabada en una tabla de arcilla, que se remonta al siglo XIV a.C, y la más reciente data de octubre de 2008.

“Gracias a la abrumadora acogida de su encarnación on-line, adopta un formato palpable: un museo de cartas en forma de libro de cuidada factura, capaz de fascinar, de transportarnos de una emoción a otra, de instruir en algún caso incluso al más informado y, ojalá, de ilustrar a la perfección la importancia y el encanto incomparable de la correspondencia a la antigua usanza justo cuando el mundo entero se digitaliza y el arte de escribir cartas se desvanece”, aclara Shaun Usher en el prólogo de la obra.

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Carta escrita en corteza de abedul alrededor de 1350.

DELEITE PARA LA MENTE

EPSON MFP imageCarta nº 1 ―Fechada en enero de 1960,  escrita a mano, firmada por la soberana británica Isabel II, va dirigida a Eisenhower, presidente de Estados Unidos. Su contenido es la receta de scones para 16 personas que la soberana preparaba a menudo para sus allegados.

“Palacio de Buckingham / Estimado señor presidente: (…) Creo que es preciso batir la mezcla a conciencia durante la preparación y no dejarla reposar demasiado antes de cocinarla”.

Cinco meses después el presidente estadounidense le contestó enviándole su particular receta de scones.

Carta nº 2 ―Fechada en octubre de 1888, firmada por alguien que decía ser el célebre asesino en serie Jack el Destripador, va dirigida a George Lusk, presidente del Comité de Vigilancia de Whitechapel.

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Carta “Desde el infierno”

“Desde el infierno / Sr Lusk: / Cabayero / Le envio la mitad del rinion que lo saque a una mujer lo he conservado para usted el otro cacho lo frei y me lo comi y estaba mui rico. Puedo mandarle el cuchiyo yeno de sangre con el que lo saque si espera un poco más, firmado, Cojame cuando pueda, sinior Lusk”.

Según se determinó entonces, la cajita enviada al señor Lusk contenía medio riñón humano conservado en vino. Se creyó que el órgano pertenecía a Catherine Eddowes, la cuarta víctima de Jack el Destripador.

EPSON MFP imageCarta nº 4 ―Fechada en febrero de 1587, firmada por María Estuardo, va dirigida a Enrique III de Francia. Fue escrita seis horas antes de que la reina destronada fuera decapitada en presencia de trescientos testigos.

“El portador de esta carta & sus acompañantes, en su mayoría súbditos vuestros, darán testimonio de mi conducta en esta última hora. Sólo me resta pediros, cristianísima majestad, cuñado mío & viejo aliado que tanto amor habéis proferido por mí, que deis prueba de vuestra bondad aliviándome por caridad de un cargo de conciencia que sin vuestra ayuda no podría afrontar y que es el pago de los salarios que se deben a mis desventurados sirvientes. (…) En cuanto a mi hijo, os lo encomiendo a vos en tanto así lo merezca, pues no puedo responder por él”.

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Carta nº 8 ―Fechada en diciembre de 1886, firmada por FC Carr-Gomm, presidente del London Hospital, va dirigida al periódico The Times con el objetivo de solicitar ayuda pública para un entrañable paciente: “el hombre elefante”.

“En este momento, en una pequeña habitación de uno de nuestros desvanes, se encuentra recluido un hombre llamado Joseph Merrick, de unos 27 años de edad, oriundo de Leicester, cuyo aspecto es tan terrible que ni siquiera se ve capaz de salir al jardín a la luz del día.  Lo llaman “el hombre elefante” debido a esta espantosa deformidad. (…) Por terrible que sea su apariencia, hasta el extremo de que las mujeres y las personas nerviosas huyen aterrorizadas al verlo y se le impide ganarse la vida de manera normal y corriente, Merrick tiene una inteligencia superior, sabe leer y escribir, es tranquillo, amable, por no decir incluso de pensamiento refinado. (…) ¿Me podría sugerir alguno de sus lectores un lugar apropiado donde puedan acogerlo? (…) Alrededor de 76.000 pacientes al año cruzan las puertas de nuestro hospital, pero nunca antes se me ha autorizado a llamar la atención sobre ningún caso concreto, de donde podrá deducirse que el que nos ocupa es excepcional”.

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Joseph Merrick, el “hombre elefante”.

Cuatro años después, y tras la muerte del “hombre elefante”, el presidente del London Hospital, escribió otra carta al The Times. Agradecía la publicación de su carta anterior, y notificaba al director la abrumadora solidaridad que tuvo de los ciudadanos para ofrecer el bienestar al señor Joseph Merrick hasta sus últimos días.

EPSON MFP imageCarta 10 ― Fechada en marzo de 1941, firmada por Virginia Woolf, poco antes de suicidarse, va dirigida a su marido Leonard Woolf.

“Tengo la certeza de que voy a enloquecer de nuevo. Siento que no podemos volver a pasar por una de esas fases terribles. Y esta vez no me voy a recuperar. Empiezo a oír voces y no puedo concentrarme. Así que voy a hacer lo que me parece la mejor opción”.

Carta nº 13 ―Fechada en noviembre de 1849, firmada por Charles Dickens, va dirigida al periEPSON MFP imageódico The Times.

“(…) Estoy solemnemente convencido de que ni el más ingenioso podría inventar para esta ciudad un suceso que, en el mismo plazo de tiempo, pudiera generar tanta ruina como una  ejecución pública, y me quedo estupefacto y horrorizado al comprobar la crueldad que se despliega en su entorno”.

Carta nº 19 ―Fechada en agosto de 1865, firmada por Jourdon Anderson, ex esclavo estadounidense, va dirigida a su antiguo amo que le pedía que volviera a trabajar para él.

“Señor: recibí su carta y me alegró que no había olvidado a Jourdon (…) A menudo me he preocupado por usted. (…) Me gustaría saber en concreto cuál esa buena oportunidad que pretende ofrecerme. (…) Aquí me va razonablemente bien. (…) Muchos negros hubieran estado orgullosos, como lo estaba yo, de llamarlo amo. Si me escribe y me dice qué salario me daría, estaré en mejores condiciones de decidir si me conviene volver. (…) Mandy dice que le daría miedo volver sin alguna prueba de su predisposición a darnos un trato bueno y justo, y hemos decidido comprobar su sinceridad pidiendo que nos envíe el salario correspondiente al tiempo que estuvimos a su servicio. Esto nos haría olvidar y perdonar cuentas pendientes y confiar en su justicia y amistad en el futuro. Yo lo serví con lealtad treinta y dos años, y Mandy veinte. A razón de veinticinco dólares al mes para mí y dos dólares a la semana para Mandy, la suma ascendería a once mil seiscientos ochenta dólares. Añada los intereses correspondientes al tiempo durante el que se nos retuvo el salario y descuente lo que pagó por nuestra ropa, las tres veces que me visitó el médico y el diente que le sacaron a Mandy, y la cantidad resultante equivaldrá a lo que en justicia nos corresponde. Por favor, envíe el dinero por Adams’s Express, a nombre del señor don V. Winters, Dayton Ohio. (…) Su antiguo servidor”.

Por supuesto el amo no contestó al señor Jourdon Anderson.

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La familia del señor Jourdon Anderson.

Carta nº 55 ―Fechada hacia 1483, firmada por Leonardo da Vinci, va dirigida a Ludovico Sforza, solicitando trabajo y poniendo en relieve sus dotes como ingeniero y sus habilidades mediante la redacción de una lista de diez puntos con todas sus habilidades.

EPSON MFP image“2. En el transcurso del asedio de un territorio, conozco el modo de retirar el agua de los fosos y de construir una cantidad infinita de puentes, manteletes, escalas y otros instrumentos necesarios para tal propósito”.  “10. En tiempos de paz, puedo ofrecer tan completa satisfacción como cualquiera en el terreno de la ingeniería y de la construcción de edificios, bien sean públicos o privados, así como en el desplazamiento de agua de un lugar a otro”. Además, puedo hacer esculturas en mármol, bronce y arcilla. También en la pintura soy capaz de hacerlo todo tan bien como cualquier otro artista, sea éste quien fuere”.

Carta nº 117 ―Fechada en julio de 1939, firmada por el pacifista Mahatma Gandhi, va dirigida al líder de la Alemania nazi, Adolf Hitler, solicitando que evitara la Segunda Guerra Mundial, “por el bien de la humanidad”.

“Estimado amigo: Mis amigos me instan a escribirle por el bien de la humanidad. Sin embargo, me he resistido a sus peticiones por tener la sensación de que cualquier carta que pudiera mandarle sería una impertinencia. Algo me dice que no debo especular y que será mejor que le dirija mi súplica por si sirviera de algo. Está del todo claro que usted es la única persona del mundo que puede evitar una guerra que podría reducir a la humanidad al salvajismo. ¿Ha de pagar tan alto precio por un objeto, por muy valioso que se le antoje? ¿Va a escuchar la súplica de alguien que ha renunciado de modo deliberado al método de la guerra con un considerable éxito? En cualquier caso, cuento con que sabrá disculparme si he cometido un error al escribirle. Cuente con mi sincera amistad”.EPSON MFP image

La carta enviada por Gandhi nunca llegó a su pretendido destinatario por culpa de una interferencia del gobierno británico. Al cabo de poco más de un mes, el mundo contempló con horror cómo Alemania invadía Polonia, dando inicio así a la II Guerra Mundial.

Bien, resumiendo, Cartas memorables, es una perla. Está magníficamente editado. En sus páginas hay una profusión de imágenes gráficas ―cartas originales, facsímiles, fotografías, dibujos e ilustraciones―, que son un regalo para los ojos y un deleite para la mente. Una celebración del poder de la correspondencia de ayer. Sacia la adicción de los lectores a las cartas escritas por otros.

Les saluda respetuosamente su fiel escribiente.●

Artículo publicado en Acpe

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Carta escrita en inglés por el adolescente cubano Fidel Castro dirigida al presidente de Estados Unidos, Franklin Roosevelt, pedindo un billete de diez dólares.

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Carta del escritor Charles Bukowski dirigida al periodista Han Van den Broek sobre lo que piensa de la retirada de su obra  de una biblioteca holandesa.

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Carta de Galileo Galilei escrita en 1609 dirigida a Leonardo Donato, dogo de Venecia.

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Carta de Nick Cave dirigida a la MTV rechazando una nominación del mejor artista masculino.

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Carta de Annie Oakley (la tiradora de América) dirigida al presidente Mckinley.

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Carta de Alfred D. Wintle dirigida al director de The Times sobre las cartas que él escribía al periódico, pero las tiraba a la papelera.

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ZWEIG: ASTRO ERRANTE

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Stefan Zweig (@CSZ Arquivo)

“Pero toda sombra es, al fin y al cabo, hija de la luz y sólo quien ha conocido la claridad y las tinieblas, la guerra y la paz, el ascenso y la caída, sólo éste ha vivido de verdad”. (Stefan Zweig)

Por Jairo Máximo

MADRID, España ― (Blogdopícaro) ― Este año se cumplen 75 años del suicidio del célebre novelista, poeta, dramaturgo, biógrafo y traductor austriaco Stefan Zweig y su esposa, Charlotte Elisabeth Altmann, que ocurrió en 1942 en Petrópolis, Río de Janeiro, Brasil.

Zweig está considerado como uno de los más brillantes y polifacéticos escritores del siglo XX, dueño de un de estilo inconfundible. Probablemente el mayor escritor de best sellers de su siglo. Su popularidad era extraordinaria, sobre todo porque llegaba a todos los estratos sociales. Tenía una sorprendente habilidad narrativa para profundizar en los más hondos entresijos del alma humana.

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Enamorado de la gran cultura y la libertad, su obra ha sido traducida a más de cincuenta idiomas. Es autor de poemas, cuentos, relatos, novelas, biografías y ensayos históricos y literarios que han inspirado más de 38 guiones cinematográficos, algunos dirigidos por Roberto Rossellini, Max Anderson y Max Ophüls. En 1948, Ophüls hizo una fantástica adaptación del fascinante relato Carta de una desconocida, protagonizada por Joan Fontaine y Louis Jourdan.

Triunfó entre el público culto de la época con unos magistrales ensayos biográficos sobre algunos de sus creadores predilectos: Tres maestros: Balzac, Dickens, Dostoievski (1920) y Tres poetas de sus vidas: Casanova, Stendhall, Tostoi (1928); y con las espléndidas biografías de Fouché, Napoleón, Erasmo de Rotterdam, Montaigne, María Antonieta o María Estuardo, que todavía hoy en día no han sido superadas. Además, hizo traducciones de los poemas de Baudelaire, algunos de Verlaine, Keats y William Morris.

“Cada lengua, con sus giros propios, se resiste a ser recreada en otra y desafía las fuerzas de la expresión…En esa modesta actividad de trasmisión de valores artísticos ilustres encontré por primera vez la seguridad de estar haciendo algo práctico e inteligente, una justificación de mi existencia”.

“Para entusiasmar a los demás, hay que ser capaz de entusiasmarse”, decía el escritor.

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NACE UNA ESTRELLA

Stefan Zweig nació en 1881, en Viena, Austria, en el seno de una acomodada familia de judíos no practicantes. A pesar de su desahogada posición económica, la familia Zweig no era amiga de lujos ni derroches.

“Me crié en Viena, metrópoli dos veces milenaria y supranacional, de donde tuve que huir como un criminal antes de que fuese degradada a la condición de ciudad de provincia alemana. En la lengua en que había escrito y en la tierra en que mis libros se habían granjeado la amistad de millones de lectores, mi obra literaria fue reducida a cenizas. De manera que ahora soy un ser de ninguna parte, forastero en todas; huésped, en el mejor de los casos… Lo que un hombre, durante su infancia, ha tomado de la atmósfera de la época y ha incorporado a su sangre, perdura en él y ya no se puede eliminar… El deseo propiamente dicho del judío, su ideal inmanente, es ascender al mundo del espíritu, a un estrato superior”.

Desde su infancia el “judío accidental” desarrolló su talento para la escritura y pronto empezó a publicar poemas, traducciones de poemas y ensayos en los periódicos y revistas de Viena.

“A los trece años, cuando me empezó a atacar aquella infección intelectual literaria, dejé el patinaje sobre hielo y usé en la compra de libros el dinero que me daban mis padres para las clases de baile; a los dieciocho aún no sabía nadar ni bailar ni jugar al tenis”.

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“Cada vez que un periódico cualquiera me aceptaba una poesía, a confianza en mí mismo, débil por naturaleza, recibía un nuevo impulso. Pero la sorpresa más inesperada de todas se produjo cuando Max Reger, junto con Richard Strauss, el compositor vivo más grande de la época, me pidió permiso para colocar música en seis poesías. ¡Cuántas veces he escuchado desde entonces en conciertos: mis propios versos, que durante años había olvidado y rechazado, eran llevados más allá del tiempo por el arte fraternal de un maestro!”.

Cuando cumplió los quince años, su padre le regaló un manuscrito de Mozart. Fue el comienzo de una vocación coleccionista de manuscritos, autógrafos y objetos personales de creadores universales que cultivó con pasión hasta sus últimos años, en la que invirtió  gran parte del dinero que ganaba y cuya dispersión forzosa al llegar los nazis descerebrados fue uno de los mayores disgustos de su vida.

“Cuando empezó la era  de Hitler y me vi obligado a abandonar mi casa, se acabó el placer que me proporcionaba mi colección, como también la seguridad de poder conservar algo para siempre”.

“De todos mis libros y cuadros sólo la lámina de Rey Juan, de William Blake, me ha acompañado durante más de treinta años y ¡cuántas veces la mirada mágicamente iluminada de este rey loco me ha contemplado a mí desde la pared! De todos mis bienes perdidos y lejanos es éste el dibujo que más echo de menos en mi perigrinación”.

En 1904, se graduó Doctor en Lengua y Literatura Románticas.

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“Para mí el axioma de Emerson, según el cual los buenos libros sustituyen a la mejor universidad, no ha perdido vigencia”.

“Me desperté una mañana de noviembre de 1931 y tenía cincuenta años… Como regalo de cumpleaños, la editorial Insel había editado una bibliografía de mis libros publicados en todas las lenguas, que ya de por sí era un libro; no faltaba ninguna lengua, ni el búlgaro ni el finés, ni el portugués ni al armenio, ni el chino ni el marathi. En braille, en taquigrafía, en todos los alfabetos e idiomas, mis palabras y pensamientos habían llegado a la gente; mi existencia se había extendido infinitamente más allá del espacio de mi ser”.

“Hoy por hoy, como escritor―soy alguien que “camina vivo detrás de su propio cadáver”.

BRASIL ENCANTOS MIL

Stefan Sweig llegó a Brasil por primera vez el 21 de agosto de 1936, y  fue recibido con honores de Estado por el gobierno constitucional de Getulio Vargas. “Durante esta semana he sido Marlene Dietrich”, escribió a un amigo sobre su recepción. La segunda vez fue el mismo día, pero del año 1940, con permiso de residencia en regla y bajo la dictadura Vargas instaurada en 1937.

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En 1941 publicó el exitoso ensayo Brasil, país de futuro editado en Estocolmo. Erróneamente la izquierda brasileña criticó con saña el ensayo y a su autor. Reprochaban sus tópicos y su ¿respaldo implícito? a la dictadura de Vargas. Rápidamente Zweig escribió una carta pública subrayando “su pasión por el país y el pueblo brasileño”.

Simultáneamente, en el prólogo de la obra editada en portugués, el entonces ministro de Cultura brasileño, Afrânio Peixoto, precisó: “Zweig: anduvo, paseó, vio, viajó, vivió. No quiso nada, ni condecoraciones, ni fiestas, ni recepciones, ni discursos… No quiso nada”.

La primera edición de Brasil, país de futuro estuvo agotada durante cuarenta años. Pero, cuando, con motivo del centenario del escritor, en 1981, el libro volvió salir a la venta en Alemania, las nuevas ediciones alcanzaron una difusión diez veces mayor que la primera. Un hecho curioso para un libro de esta naturaleza.

“No había nunca pensado que al cumplir los sesenta años me encontraría aposentado en un pueblecito brasileño, atendido por una chica negra descalza y a kilómetros y kilómetros de distancia de todo lo que antes fue mi vida: libros, conciertos, amigos, conversación”, dejó escrito Zweig.

En Brasil escribió Novela de ajedrez (1941), su novela más famosa, sobre la neurosis obsesiva que un hombre desarrolla por el ajedrez durante su cautiverio en manos de la Gestapo.

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¡MIERDA! I y II GUERRA

Fue un implacable opositor a la Primera Guerra Mundial (1914-1918), que le llevó a vivirla desde la Oficina de Guerra en Viena, tras haber sido nombrado como “no apto para combate”. Viena por entonces era la capital del  Imperio austrohúngaro, un estado multiétnico, un complejo puzle que antes de la Primera Guerra Mundial incluía diecisiete nacionalidades diferentes y cuyo himno era entonado en trece idiomas.

En los últimos meses de la primera contienda mundial Zweig se desplazó a Suiza y, más tarde, se estableció en Salzburgo, desde donde emprendió diferentes viajes. En 1934, en el auge del nazismo, y ante la inminente anexión de Austria a la Alemania nazi, abandonó Austria e inició un largo exilio por el mundo.

Primero se estableció en Londres, después en Paris, Los Ángeles, San Francisco, Nueva York y, finalmente, Petrópolis. En Londres comenzó a tener depresión, pues se sentía un hombre sin patria, sin hogar y sin nacionalidad.

Desde 1881 a 1918 Stefan Zweig fue súbdito del Imperio austrohúngaro. Después, entre 1918-1938, ciudadano austriaco y, a partir de 1938, británico.

Férreo delator del nazismo, atravesó un mar tras otro, expulsado, perseguido y despojado de la patria amada. Sus obras fueron quemadas públicamente, y su nombre prohibido en editoriales y publicaciones alemanas. Su casa de Salzburgo, antes de ser saqueada, fue registrada en búsqueda de armas escondidas.

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“Por primera vez fui testigo de la peste de la obsesión por la pureza de la raza, que ha sido más funesta para nuestro siglo que la verdadera peste de siglos anteriores… Hitler, poco abierto a ideas ajenas, desde el principio poseyó, sin embargo, el instinto de apropiarse de todo lo que podía ser útil para sus fines personales; así, para él, la “geopolítica” desembocaba y terminaba en la política nacionalsocialista y se sirvió de ella todo lo que pudo para sus propósitos”.

“A menudo me sucede lo siguiente: cuando pronuncio de una tirada “mi vida”,  maquinalmente me pregunto: “¿Cuál de ellas?” ¿La de antes de la guerra? ¿De la primera guerra o de la segunda? ¿O la vida de hoy? Otras veces me sorprendo a mí mismo diciendo “mi casa”, para descubrir en seguida que no sé a cuál de ellas me refiero: si a la de Bath o la de Salzburgo, o, tal vez, al caserón paterno de Viena”.

“Antes de 1914 la Tierra era de todos. Todo el mundo iba adonde quería y permanecía allí el tiempo que quería. No existían permisos ni autorizaciones; me divierte la sorpresa de los jóvenes cada vez les cuento que antes de 1914 viajé a la India y América sin pasaporte y que en realidad jamás en mi vida había visto uno… Fue después de la guerra cuando el nacionalsocialismo comenzó a trastornar el mundo, y el primer fenómeno visible de esta epidemia fue la xenofobia: el odio o, por lo menos, el temor al extraño. En todas partes la gente se defendía de los extranjeros, en todas partes lo excluía”.

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MENTE BRILLANTE

Entre sus singulares amistades se encontraban la crème de la crème de la cultura europea de la primera mitad de siglo XX. Thomas Mann, James Joyce, Paul Valéry, Ravel, Richard Strauss, Bartók, entre otros. Asimismo, mantuvo una fiel correspondencia con Sigmund Freud, Hermann Hesse y Joseph Roth.

Durante su largo exilio por Inglaterra, Francia, Estados Unidos y Brasil el escritor llegó a convertirse en una especie de “institución caritativa” para los inmigrantes centroeuropeos.

Zweig renunció a la vida porque no pudo soportar la idea de ver a la humanidad doblegada por los asaltos destructivos de los extremismos.

En la noche del 22 de febrero de 1942, en la serrana Petrópolis, Zweig y Lotte, su joven devota segunda esposa y secretaria, se suicidaron con una sobredosis de veronal, substancia química derivada del ácido barbitúrico que se utiliza como tranquilizante y somnífero. Su entierro celebrado en Rio de Janeiro con honores de jefe de Estado, fue un acto multitudinario, que sorprendió a todos tratándose de un forastero.

83a34-1330025462_064026_1330026603_noticia_normalEn la inquietante carta de despedida que dejó escrita con el epígrafe Declaração (el título en portugués y el texto en alemán), dirigida al juez, a la policía brasileña, y de paso, a la humanidad, leemos:

“Antes de dejar esta vida por voluntad propia, con la  mente lúcida,  me impongo la última obligación: dar un afectuoso agradecimiento a este maravilloso país: Brasil… Diariamente he aprendido a amar este país, más y más. En ningún otro lugar habría podido reconstruir mi vida, ahora que el mundo de mi lengua esta perdido, y mi patria espiritual ─Europa─ se ha destruido a sí misma… Por eso me parece mejor concluir a tiempo y con ánimo sereno una vida para la que el trabajo espiritual siempre fue la alegría más pura y la libertad personal el mayor bien sobre la tierra. Saludo a mis amigos: ¡Ojalá puedan aún ver el amanecer! Yo, demasiado impaciente, me adelanto a ellos”.

Hoy en día en Petrópolis se encuentra la Casa-museo Stefan Zweig, dedicado al escritor y a todos los exiliados europeos en Brasil.

UNA VIDA DE PELÍCULA

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De la pluma fecunda y vida de película de Stefan Zweig mucho ya se ha escrito y, felizmente, se seguirá escribiendo. Su obra perdura.

“En mi vida personal lo más notable fue la llegada de un huésped que yo no había esperado: el éxito… El éxito no me cayó de repente del cielo; llegó poco a poco, con cautela, pero duró, constante y fiel, hasta el momento en que Hitler me lo arrebató y lo expulsó con los latigazos de sus decretos… Mis narraciones cortas Amok y Carta de una desconocida se hicieron tan populares como, por regla general, sólo llegan a serlo las novelas; se pusieron en escena, se recitaron en público y fueron llevadas a la pantalla, un librito, Momentos estelares de la humanidad  ―leído en todas las escuelas―, en poco tiempo llegó a los 250.000 ejemplares en la Biblioteca Insel; en pocos años me había creado lo que, en mi opinión, significa el éxito más valioso para un escritor: un público, un grupo fiel que siempre esperaba y compraba el siguiente libro, que me otorgaba su confianza y al que yo no podía defraudar… Pero soy sincero cuando digo que me alegré del éxito sólo en tanto que se refería a mis libros y a mi nombre literario y que, en cambio, me resultaba molesto cuando se traducía en curiosidad por mi persona física…Para mí el anonimato, en todas sus formas, es una necesidad”.

 SER DE NINGUNA PARTE

Su fascinante libro El mundo de ayer: memorias de un europeo, publicado póstumamente en 1944, está estructurado en 16 apasionantes capítulos que informa e ilustra al lector. “No guardo de mi pasado más que lo que llevo detrás de la frente”.

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En el prefacio de la obra Zweig expone: “Antes de la guerra había conocido la forma y el grado más alto de la libertad individual y después, su nivel más bajo desde siglos. He sido homenajeado y marginado, libre y privado de libertad, rico y pobre. Por mi vida han galopado todos los corceles amarillentos del Apocalipsis, la revolución y el hambre, la inflación y el terror, las epidemias y la emigración; he visto nacer y expandirse ante mis propios ojos las grandes ideologías de masas: el fascismo en Italia, el nacionalsocialismo en Alemania, el bolchevismo en Rusia y, sobre todo, la peor de todas las pestes: el nacionalismo, que envenena la flor de nuestra cultura europea”.

La obra, actualísima, es una joya literaria hecha para la posteridad. Debería de ser de obligatorio estudio en colegios y universidades. Fue escrito mayoritariamente en el calor del trópico sin archivos y amigos con los que compartir los recuerdos del pasado. Es un antídoto a los populismos y un canto a la cultura y la libertad.

Obrigado, Stefan Zweig,  astro errante.●

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El austriaco Stefan Zweig visto por el brasileño Loredano.

Artículo publicado en la revista El Siglo de EuropaACPE

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Literatura

LEMINSKI HILA OTRAS VIDAS

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Paulo Leminski en Curitiba en 1986 / Foto: Jorge Beraldo (Archivo Blogdopícaro)

Por Jairo Máximo

MADRID, España ― (Blogdopícaro) ― Mi encuentro con la pluma del poeta, ensayista, novelista, traductor, compositor y biógrafo brasileño Paulo Leminski fue a principios de los años ochenta del siglo pasado cuando me enamoré de su obra.

Primero fue por su original poemario Caprichos y relajos (1983); después por la traducción del libro El supermacho (1985), del  dramaturgo y poeta francés Alfred Jarry, fundador de la Patafísica ―ciencia de las soluciones imaginarias― y padre del omnipresente tirano Ubú rey.

Actualmente Paulo Filho Leminski (1944-1989), hijo de militar que en vida sólo disparó palabras, está considerado como  uno de los poetas más influyentes en la poesía de Brasil desde los años ochenta. Es venerado ― dentro y fuera de terras brasilians― gracias a las reediciones y traducciones de su fecunda producción artística.

La pluma es la lengua del alma, dijo Cervantes.

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En el libro Vida― 4 biografías (2013) encontramos un Paulo Leminski biógrafo que prima por su literalidad. Hila la vida de los otros con destreza y sabiduría. Procura la esencia y no la apariencia de sus biografiados.

Allí están el poeta negro brasileño que se hizo llamar Cruz e Sousa; el poeta japonés Bashō, considerado el padre del haiku; el profeta judío Jesús de Nazaret, que formuló un mensaje que continua vivo dos mil años después; y el político ruso Trotski, que junto a Lenin realizó la gran  revolución rusa.

En el prólogo de la obra, a  cargo del poeta brasileño Domingos Pellegrini, ya intuimos poéticamente con que nos iba a deparar con su lectura.

“Otros escriban biografías / paso a paso y día a día / como si exhumando el pasado / renaciesen  los biografiados  / seguidos de exhaustiva bibliografía / Estas, no: son vidas recuperadas / por golpes duros y agudos /sin intención de enseñar todo, / sólo queriendo, al fin de las facetas, / revelar vidas lapidadas / por la visión de un poeta”.

Para la poeta Alice Ruiz, que fue compañera sentimental de Leminski, “este Vida es, ante cualquier cosa, un espejo, un parámetro de otra vida. No ha sido por acaso que el autor escogió esos cuatro nombres para biografiarlos. Pero fue probablemente por acaso, también conocido como destino, que ha colocado esos cuatro ejemplos de radicalidad en la vida de Paulo Leminski. Son ellos los que nos aclaran la visión en la trayectoria del poeta. O, al mismo, de la trayectoria de sus sueños”.

Las mini biografías arrebatadoras incluidas en Vida, editada en portugués y español, fueron escritas en los albores de los años ochenta del siglo pasado.

“La vida se manifiesta, de pronto, en la figura de Trotski, o de Bashō, o de Cruz e Sousa, o de Jesús. Quiero homenajear la vida en todos esos momentos”, escribió Paulo Leminski en 1985.

CRUZ E SOUSA ―EL POETA BRASILEÑO

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Retrato de Cruz e Sousa, obra del brasileño Eduardo Dias

João da Cruz e Sousa (1861-1898), periodista y poeta brasileño, fue uno de los principales precursores del simbolismo en Brasil. Nació esclavo a causa del Imperio portugués reinante entonces. Tenía todas las papeletas para ser mozo de carga, mantero, como los de su raza y condición social.

De él Leminski escribe en la biografía titulada “Cruz e Sousa – el negro blanco”:

“En la poesía, la realización en cuanto texto, Cruz e Sousa superó el dilacerar provocado por los antagonismos de ser negro en Brasil (mano de obra) y disponer de los más sofisticado repertorio blanco de su época (el Espíritu)”.

“La figura de retórica más adecuada para la vida de Cruz e Sousa es el oxímoron, la figura de la ironía, que dice una cosa diciendo lo contrario”.

“El dibujo de su vida constituye, de cierta manera, en un poema. Por su singularidad. Originalidad. Sorpresa. Un Camões. Un Rimbaud. Un Ezra Pound. Un Mayakovski. Un Oswald de Andrade”.

“Que céu, que inferno, que profundo inferno, / que outros, que azuis, que lágrimas, que risos, / quanto magoado sentimento eterno / nesses ritmos trêmulos e indecisos…”     (Cruz y Sousa, “Violões que choram”).

BASHO ―EL POETA JAPONÉS

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Matsuo Basho, obra del japonés Katshunika Hokusai

Matsuo Bashō (1644-1694) fue el poeta más famoso del período Edo de Japón. Nació y se educó como samurái. Está considerado como uno de los cuatro grandes maestros del haiku. En Japón muchos de sus poemas se reproducen en monumentos y lugares tradicionales.

De él Leminski escribe en la biografía titulada “Bashō – la lágrima del pez”:

“Sobre su vida, las señales nos llegan concisas y escasas, a la manera de estos dibujos japoneses hechos con media decena de líneas, el resto, trazos, espacio abierto a las interpretaciones y las lecturas individuales”.

“Matsuo Bashō buscó la síntesis. Y la obtuvo. En ciertos aspectos, su haiku es la fina flor de todo que de mejor el Extremo Oriente ha producido: transcendentalismo hindú, realismo y materialismo chino, simplicidad japonesa”.

“furuike ya / kawazu tobikomu /mizu no oto”

velha lagoa / o sapo salta / o som da água

“En su percance físico final, varios le han asistido. Durante algunos días, con ellos, han mantenido conversaciones sobre zen y poesía, en una situación que recuerda la muerte de Sócrates. Preocupados por el desenlace final cercano, pidieron que Bashō hiciese su poema de muerte. El maestro contestó que, en los últimos veinte años, todos sus haikus habían sido escritos como si fueran “su poema de muerte”. En esa noche, tuvo un sueño. Al despertar, concluyó:

“doente em viagem / sonhos vagueian / pela várzea”

JESÚS DE NAZARET―EL PROFETA JUDÍO

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Jesús de Nazaret, obra del estadounidense Greg Olsen

De la vida de Jesús de Nazaret poco se sabe. Lo único cierto que sabemos es que nació en Nazaret, Galilea, hijo del carpintero José y de la “virgen” María. Así como Buda y Sócrates no ha dejado escrito nada de su vida y andanzas. Hoy en día casi mil millones de creyentes le adoran como Dios. Cambió el mundo como pocos.

De él Leminski escribe en la biografía titulada “Jesús a.c.”:

“Jesús de Nazaret es un momento de significación sin fin: un signo de lectura infinita”.

“Todo lo que sabemos de él nos fue reportado por estos evangelios, que nos llegan de la Iglesia primitiva, después que comunidades judaica-cristianas se dispersaran por todas las grandes metrópolis helénica-romanas del Mediterráneo (Éfeso, Antioquia, Mileto, Tesalónica, Tarso, Alejandría, Roma)”.

“En una calle de Nazaret, el hijo del carpintero continua jugando. Sobre él, un día, habrá leyendas, como la que nació de una virgen, uno de los arquetipos religiosos de la humanidad”.

“Las iglesias hicieron de él un retrato demasiado idealizado, bello rostro, casi andrógino, con grandes ojos soñadores, a veces, absurdamente azules en un semita sefardí: excesos de amor”.

“Traducciones (tanto católicas como protestantes) de los evangelios casi siempre vienen cargadas de añadidos de nombres y títulos de capítulos, que no existen en el original: los textos griegos de Mateo, Marcos, Lucas y Juan son fragmentos de episodios y relatos, sin titulares que dividan las partes”.

TROTSKI ―EL REVOLUCIONARIO RUSO

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Trotski, obra del mexicano Diego Rivera

Lev Davídovich Bronstein (1879-1940), más conocido como Trotski, fue político,  prestigioso revolucionario ruso, fundador del Ejército Rojo y condenado a muerte por Stalin. Murió asesinado en 1940, en Coyoacán, México, donde estaba exiliado. En ningún libro soviético de historia es mencionado. Los Estados totalitarios mienten a sus súbditos para “salvar la patria”.

De él Leminski escribe en la biografía titulada “La pasión según la revolución”:

“Lenin, Trotski y Stalin no son sus nombres propios. Son alias, nombre de pila de militancia subversiva, dos de ellos directamente relacionados con las vicisitudes de la vida de un criminal político. Vladimir IIich se llamó Lenin, porque estuvo encarcelado en un penal en interior de Siberia, a las márgenes de río Lena. Y Trotski era el nombre de uno de los guardias de prisión de Lev Davídovich, en una de sus innumerables prisiones, y que Lev adoptó cuando se fugó de la prisión, sabedor de que su verdadero nombre ya era conocido en todas las comisarias de Rusia”.

“Lenin siempre miró de reojo, desconfiado, para las manifestaciones de vanguardia artística que marcaran el inicio del comunismo en Rusia (futurismo, suprematismo, Eisenstein, Mayakovski, Meyerhold, Tatlin)”.

“De esa vanguardia, Trotski, agudísimo crítico literario, hizo lecturas más provechosas, como en los ensayos “El futurismo”, de 1922, y “O suicido de Mayakovski”, de 1939, incluidos en Literatura y revolución, el más extraordinario libro sobre literatura que un político jamás ha escrito”.

“Muchas veces he intentado leer a Mayakovski y nunca pude leer más que tres versos: siempre me duermo”. (Lenin).●

Artículo publicado en ACPE

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Deportes

MEDALLAS DE OROPEL EN RÍO2016

Por Jairo Máximo

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  “La cuestión no es que miras, sino como miras y si ves” H. D. Thoreau

MADRID, España ― (Blogdopícaro) ― Coincidentemente, tanto en el idioma español como en el portugués, la palabra oropel significa “lámina de latón, muy batida y adelgazada que imita al oro”.

Cuando en septiembre pasado, publiqué en español el artículo Oro COI Oropel Brasil, subrayando que la recién clausurada XXXI Olimpiada de la era moderna, celebrada en Río de Janeiro, ya contaba con un sinfín de inauditas historias que pasarían para la posteridad, tanto para bien como para mal, jamás imaginé que el oropel también podría estar camuflado en las mismísimas medallas destinadas a los medallistas.

Diversas medallas conquistadas por los deportistas en las competiciones de Río-2016 están descascarillándose, mucho antes de cumplir los cien días de vida. Algunos de los privilegiados medallistas ya han denunciado esa anomalía ―nunca antes vista― en su condecoración.

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¿LA CULPA ES DEL ATLETA?

Pero, como si se tratara de una afronta a la inteligencia de los brasileños y de la comunidad olímpica, el Comité Olímpico Río-2016, sostiene que lo que está ocurriendo es consecuencia del mal uso que hacen los deportistas con sus medallas. “Dejarlas caer al suelo o colgar tres medallas en el cuello de una sola vez. Eso crea una situación en la cual una se queda rozando a la otra, provocando así dicho daño”.

“Menos del 3% de las medallas concedidas (2.700) fueron devueltas”, informa el Comité Olímpico Río-2016. ¿Maldito legado?

Entre la cascada de comentarios que aparecieron en los medios brasileños relacionados a esta noticia, uno de ellos me llamó a la atención por su mordacidad. A saber: “La piscina se quedó de color verde, la culpa es de los atletas, que mearon en ella; el atleta es atracado, la culpa es del atleta, que se ha ido a callejear en sitios donde se atraca; el equipo del atleta fue robado, la culpa es del atleta, que se descuidó; la medalla se descascarilló, la culpa es del atleta, que hizo mal uso de la misma. Esos atletas son todos unos chulos y saboteadores”·

Sí en menos de 100 días después de la Olimpiada Río-2016, hay medallas descascarillándose, ¿será que en un futuro cercano asistiremos a una  retirada total de las medallas para su reparación?

¡Al loro medallistas olímpicos y paraolímpicos de todas las latitudes!

Olvídense de morder su medalla, al estilo del tenista español Rafa Nadal. Nunca las  saquen brillo de cara a las visitas. Puede descascarillarse. Manténganlas fuera del alcance y vista de los niños. Es medalla de oropel de pura cepa, made in Brazil.●

Artículo publicado en ACPE

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