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DE CEMENTERA A VIVIENDAS

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

“La fotografía ayuda a las personas a ver”. (Berenice Abbott, fotógrafa estadounidense)

Por Jairo Máximo

Madrid, España ― (Blog do Pícaro) ― Durante más de tres años la mirada singular del renombrado fotógrafo estadounidense Robert Royal captó imágenes de la demolición de las instalaciones de una fábrica de  cemento y la posterior urbanización que creció en su lugar. A través de sus instantáneas contemplamos la transformación  de la cementera en un solar de  viviendas.

Con esta temática el fotógrafo acaba de presentar en Vicálvaro, Madrid, la exposición Proyecto Valderrivas 1998-2001, de innegable valor artístico compuesta por 30 imágenes que reflejan parte de la historia reciente de Vicálvaro.  La protagonista es la conocida fabrica Cementos Portland Valderrivas, ubicada en Vicálvaro, Madrid.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

En el texto de presentación de la exposición, Robert Royal  (Alabama, Estados Unidos, 1940), aclara  que  su proyecto empezó en 1998 cuando le han pedido documentar la demolición de la Fábrica de Cementos Portland Valderrivas, y la concluyó en 2001, con la posterior construcción de casi 6.000 viviendas en la primera fase.

“Esta exposición está dedicada a los vecinos que vivieron durante mucho tiempo prácticamente en las puertas de la fábrica”, confiesa Robert Royal.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

Para el sociólogo Jesús Martín, esta exposición en Vicálvaro es una oportunidad para que los vecinos sepan de donde vinieron.

“Me ha gustado mucho la exposición, sin embargo estoy molesto con las autoridades de entonces porque no han preservado la histórica chimenea. Las futuras generaciones tenían que saber que en aquél solar en un tiempo pasado reciente hubo una potente cementera  que tenía una chimenea que era un hito arquitectónico”.

Las bellas y reveladoras fotografías captadas por Robert Royal a lo largo de muchos años son un marco para el recuerdo de cómo fue aquél paraje que hoy es habitado por millares de familias españolas.

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

PLASMANDO EL CAMBIO

He aquí el texto de presentación de la exposición Proyecto Valderrivas 1998-2001 de Robert Royal:

“Trabajando como fotoperiodista en España tuve la oportunidad única de poder observar y documentar un periodo importante dentro de su larga historia, la transición política, que empezó en 1975, dando lugar a un desenfrenado crecimiento económico y al desarrollo social que ha permanecido casi ininterrumpidamente hasta el día de hoy.

 Cementos Portland Valderrivas se convirtió en protagonista clave de este periodo de crecimiento y desarrollo urbanístico ya que fabricaba el material de construcción más básico, el cemento. La empresa expandió sus fábricas, comprando y modernizando otras a lo largo de España, Norteamérica, Sudamérica y el norte del continente africano.  Tuve la suerte, como periodista y  proveedor privado de imágenes dentro de la compañía, de fotografiar el rapidísimo crecimiento del Grupo Cementos Portland Valderrivas en los tres continentes.

Un día en 1998 Vicente Ynzenga, alto ejecutivo encargado de la imagen corporativa de la empresa y descendiente de su fundador, solicitó mi presencia en la oficina del Grupo Cementos Portland Valderrivas, en la madrileña Calle de José Abascal. Aquella reunión fue para tratar sobre un proyecto nuevo y yo me imaginé que sería acerca de una nueva expansión o adquisición de la empresa.

Pero para mi gran sorpresa, se me pidió documentar la demolición y reciclaje de una fábrica ya existente: la Fábrica de Cementos Portland Valderrivas, localizada en el sureste de Madrid, en la vieja villa de Vicálvaro. Este proyecto fue denominado “Proyecto Valderrivas” por unos y “Proyecto Vicálvaro” por otros.

La Fábrica se había convertido en un gran obstáculo en el crecimiento y desarrollo urbano de esta zona y por ello el Ayuntamiento de Madrid y el Grupo Cementos Portland Valderrivas llegaron a un acuerdo para deshacerse de la gran fábrica y la cantera que había allí. El proyecto comenzó en 1998 y en su lugar se construyeron casi 6.000 viviendas en la primera fase.

Esta exposición de fotografías está especialmente dedicada a aquellos habitantes de Vicálvaro que vivieron durante mucho tiempo prácticamente en las puertas de la fábrica; muchos de ellos, a día de hoy, se han convertido en amigos como resultado de mis visitas semanales a Vicálvaro durante más de dos años mientras retrataba el desmantelamiento y reciclaje de la fábrica y la desaparición de su cantera.

Quisiera agradecer especialmente su colaboración a la Casa Consistorial del Distrito de Vicálvaro y a sus administradores que han permitido esta exposición”. ●

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Instantánea de Robert Royal que hace parte del Proyecto Valderrivas 1998-2001.

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“Sou um imigrante”

 

Royal, Robert Exhibit 2-2018

Robert Royal em Madri. / Foto: Adeline Royal

Por Jairo Máximo

Madri, Espanha – (Blog do Pícaro) – Logo após terminar os estudos universitários, no início dos anos 60, o estadunidense Robert Royal decidiu viajar para a Espanha à procura de trabalho de ator porque as ruas de seu país estavam quase como “em estado de guerra” e os estúdios cinematográficos espanhóis em estado de graça. No entanto, em terras ibéricas ele teve mais êxito como fotojornalista, do que como ator de spaghetti western.

Passo a passo documentou a agonia do franquismo e o processo de transição espanhol. Publicou suas reportagens nas revistas People e Time Magazine e no diário New York Times… Seus instantâneos podem ser contemplados em diversos museus e coleções privadas do mundo.

Recentemente exibiu em Madri, no Centro Internacional de Imprensa, a exposição Robert Royal. Fotografias espanholas. 1967-2014, que reúne 40 instantâneos que versam sobre política, moda, arquitetura e cultura.

“Cada foto desta exposição tem uma história que vivi”, revela Robert Royal.

Na mostra encontramos fotos do ditador Francisco Franco; dos políticos Leopoldo Calvo-Sotelo, Joseph Tarradellas, Adolfo Suárez, Rodolfo Martín Villa, Felipe González, Enrique Tierno Galván, José Maria Aznar, Santiago Carrillo; dos costureiros Manuel Pertegaz, Jesús del Pozo; dos músicos Andrés Segovia, Joaquin Rodrigo; do escultor Eduardo Chillida; da fotógrafa Ouka Leele…

Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, Robert Royal (Alabama, Estados Unidos, 1940), afirma: “Vi como uma câmera me abriu todas as portas”.

01- Francisco Franco en la Feria de Sevilla,1967

O ditador Francisco Franco passeando pela tradicional Feira de Abril de Sevilha, em 1967. / Foto: Robert Royal

Quem é Robert Royal? ―Um imigrante.

(risos) Com ou sem nacionalidade? ―Com nacionalidade espanhola há mais de 20 anos.

Gostaria de falar um pouco mais sobre quem é você? ―Também sou um refugiado. Sai dos EUA logo depois de terminar meus estudos universitários em Literatura Inglesa e Arte Dramática. Naquela época, o país estava em chamas. Era quase como em estado de guerra. Nas ruas das cidades tinha muita agitação por causa da guerra do Vietnam (1955-1975), da luta pelos direitos civis. Mas eu deixei para trás os EUA pela curiosidade de conhecer mundo.

E ainda não tinha sido assassinado o presidente John F. Kennedy, em novembro de 1963. ―Sim. Quando ele foi assassinado eu já estava em Madri. Fiquei sabendo da notícia por uma turista que tinha um radinho de pilha, no restaurante Botín, de Madri. Entretanto, quando mataram o seu irmão, Robert Kennedy, em junho de 1968, eu estava em Los Angeles, trabalhando na montagem de um filme, num lugar perto de onde ele foi abatido. Em Los Angeles sempre existiu distúrbios de rua. Foi neste momento que decidi retornar a Espanha. Tomei esta decisão porque o meu trabalho naquela época era de viajar, conhecer mundo, e isto continua sendo parte do meu trabalho, mesmo que eu esteja meio aposentado. Em 2016 estive na Guiné Equatorial montando minha exposição ―Três Continentes, um Fotógrafo, no Centro Cultural da Espanha, em Malabo. Na exposição de agora mostro uma imagem dos reis da Espanha, dom Juan Carlos I e dona Sofia, durante uma visita oficial realizada na Guiné Equatorial, em 1979.

26-Los Reyes en Guinea Ecuatorial

Visita dos Reis da Espanha, dom Juan Carlos I e dona Sofía, a Guiné Equatorial, em 1979. / Foto: Robert Royal

Como foi sua infância em Alabama? ―Perfeita, sob o sonho americano do pós-guerra. O único que lembro é o meu irmão, meu tio e meu cunhado de uniforme militar. Naquela época eu devia ter três ou quatro anos.

Essa imagem infantil impacta. ―Sim. Lembro também que em cada casa tinha uma estrela. Se uma família tivesse um membro familiar na Segunda Guerra Mundial (1939-1945) colocava-se uma estrela na porta ou na janela ou no jardim, em qualquer lugar externo da casa. A única diferença era que se o familiar estava vivo, a estrela era branca, com fundo vermelho e, se estivesse morto, a estrela era branca com fundo preto. Assim, era uma imagem muito triste.

Puta que pariu! ―Sim. Porque assim se deixava de luto toda a família. E os conhecidos também. Todos, sem distinção. Seja como for, o EUA ganhou esta guerra por sua habilidade para fabricar uma grande quantidade de armas diariamente. A maior surpresa dos alemães e japoneses foi constatar a quantidade de armas que podiam sair do EUA com destino à Europa. Estavam fabricando diariamente três barcos de armas de guerra.

O poeta alemão Rainer Maria Rilke disse: “A infância é a pátria da vida”. É assim? ―Não compreendo o que ele quer dizer. Mas eu passei uma infância idílica no berço de uma família idílica. No Alabama quase sempre faz bom tempo. Andava descalço. (Gosto de dizer isso consciente de que isso não é verdade). Não usei sapatos até os oito anos. (risos). Minha mãe me colocava os sapatos quando eu ia para a escola. Quando saía de casa… Adeus… calçado. Passava todo o verão descalço.

11- Tierno Galvan,1981

O carismático Enrique Tierno Galván, em 1981, considerado o melhor prefeito que Madri já teve. / Foto: Robert Royal

Como foi sua adolescência? ―Também feliz. O EUA atravessava um período de bonança econômica. Quase todo mundo, pelo menos meus parentes, vizinhos e amigos, tinham um trabalho estável. Tinha paz e tranquilidade. Porém, a partir do momento em que o país entrou na guerra do Vietnam e começou a luta pelos direitos civis, as coisas começaram a mudar radicalmente. Isso ocasionava muita amargura. Foi um mau período do qual a nação ainda não se recuperou. Além disso, EUA continua em guerra. Quando não estão matando alguns negros, estão matando a outros. Desculpa se te digo isso, mas é horroroso o que fazem com os negros, com os iraquianos…

(silêncio) Quando e por que decidiu viajar a Espanha? ―Foi em 1963. Eu estava estudando teatro no Berghof Studio, em Nova Iorque, que era a antessala para entrar no clássico Actors Studio. Minha professora de teatro era Irene Dailey, irmã do dançarino e ator Dan Dailey. Ela estava nos ensinando o método interpretativo Stanislavski, idealizado pelo russo Konstantín Stanislavski. Alguns dos exercícios que tínhamos que realizar era ir às audições, que era a parte mais importante da nossa preparação para ser ator. Um dia estava falando com uns amigos durante uma audição e disse que aqui não me davam nenhum trabalho. Neste momento, um deles me perguntou: você sabe cavalgar? Na Espanha tem muito trabalho de extra de cowboy nas produções cinematográficas. Lá estão rodando muitos filmes.

(risos) Então quer dizer que você veio para a Espanha para ser cowboy? ―Sim. Trabalhei em Huesca, em Almeria… Inclusive aqui em Madri. Em Hoyo del Manzanares existia um set de filmagem onde não tinha nenhum poste de luz a quilômetros e quilômetros de distância. Rodaram muitos filmes neste lugar. Ali fiz A queda do Império Romano (1964), direção de Antony Mann, estrelado por Sofia Loren, Chistopher Plummer, James Mason y Stephen Boyd. Até cheguei a falar em algumas cenas de alguns filmes. Acho que o extra que mais interpretei na minha vida foi o de cowboy.

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Robert Royal com Carmen Sevilla, no filme Caminho do Rocio (1966), direção de Rafael Gil / Foto: Cortesia de Robert Royal

(risos) Come cowboy, come. (Vamos, vaqueiro, vamos). ―(risos) Como se diz isso em espanhol?

A por ellos, vaquero (Vamos vaqueiro, acabe com eles). ―Exato. Hoje em dia alguns daqueles sets cinematográficos são considerados como clássicos. Neste momento os italianos estão recuperando, restaurando e remasterizando muitos daqueles filmes realizados aqui na Espanha.

22- Joaquin Rodridgo & Victoria Kamhi, 1985

Maestro Joaquín Rodrigo y su esposa, Victoria Kamhi, en 1985. / Foto: Robert Royal

Quando você descobriu o jornalismo e a fotografia? ―Temos que seguir uma história. No meu caso, a minha irmã era a fotógrafa familiar. Sempre gostei disto. Logo, quando estava na universidade pública, tinha que fazer o serviço militar. Ia às aulas diariamente e, nos fins de semana, às práticas militares. Era uma espécie de preparação para se tornar oficial, que se institui com a ideia de que quando terminasse a universidade poderia passar cinco anos como oficial do exército ou dois anos como soldado. Não gostava nada deste caminho.

E disse: tenho que encontrar um atalho. ―Sim. Considerava um retrocesso ter que aprender a marcar passo, atirar… De alguma maneira consegui um trabalho diferente dentro da instituição militar. Acho que foi porque causei uma boa impressão ao comandante militar. Tirava fotografias das cerimônias militares, dirigia seu carro. (risos). Foi assim que passei a maior parte do tempo do meu serviço militar: tirando fotos porque sempre tinha algum acontecimento importante para fotografar. Por coincidência, o chefe do departamento de teatro da universidade também estava fazendo o serviço militar ali e precisava de fotografias dos espetáculos que montava e também dos atores. Consequentemente, era eu quem tinha que realizar este trabalho. Continuei realizando este tipo trabalho quando estudava em Nova Iorque. Fazia os books dos atores. Gostava desta coisa de transformar uma pessoa normal e corrente em um personagem. Era um dom. Nunca pensei que um dia fosse ser fotógrafo profissional. Era somente um trabalho para ganhar uns dólares.

Sem grandes pretensões… ―Sim, mas tudo com muita alegria. Em Almeria era possível encontrar-se com muitos atores: Brigitte Bardot, Michael Redgrave, sua filha Vanessa Redgrave, e outros. Aqui eu também captava instantâneos. Naquela época filmaram num lugar chamado Mar de Castilha, entre Guadalajara e Cuenca, o filme As troianas (1971), um filme de Michael Cacoyannis com Vanessa Redgrave, Katherine Hepburn, Irene Papas y Geneviève Bujold. Era possível encontrar diariamente quase todos os grandes atores bem à vontade. Como eu era extra, levava a câmera ali os fotografava sem problemas. Hoje em dia com certeza não se pode fazer isso.

Impensável. ―Os instantâneos que eu captava no eram da filmagem e sim das estrelas descansando, almoçando, jantando etc. Fiz muitas fotos de Sean Connery, que vinha muito a Espanha filmar. Foi neste momento que comecei a vender as fotos para uma agência na Inglaterra. Vendia por um bom preço. Fotos de atores de Hollywood, franceses, italianos, ingleses que trabalhavam na Espanha. Foi assim como começou a minha carreira de fotógrafo profissional.

Algum dia já pensou para que serve as fotografias que faz? ―Neste caso para entreter. As últimas fotojornalísticas que fiz são as que estão nesta exposição. São as da proclamação do rei Felipe VI.

Uma revelação oportuna. ―Acho que fui eu quem fez a primeira foto reportagem internacional sobre o rei Juan Carlos I. Logicamente, em Palma de Maiorca, nas regatas, durante a Copa América, quando ele era príncipe. Eu estava na ilha fazendo uma série de reportagens sobre moda de rua e, coincidentemente, ele também estava por lá. Devia ter uns 26 anos. Todos lhe chamavam Johnny. Estava tranquilo. Penso que nem ele imaginava que um dia seria rei da Espanha.

Josep Tarradellas Return to Catalunya

Josep Tarradellas, durante sua proclamação como governador da Catalunha, acompanhado pelo primeiro-ministro, Adolfo Suárez e o ministro da Casa Civil, Rodolfo Martín Villa, em 1977. / Foto: Robert Royal

Outra revelação. ―Um dos instantâneos que eu mais me gosto desta exposição, e entre os que captei durante toda a minha vida, é a Joseph Tarradellas, acompanhado por Adolfo Suárez e Rodolfo Martín Villa, quando ele foi proclamado governador da Catalunha, após 23 anos no exílio. Notava-se uma comunicação fluída, cordial… Pode-se dizer que naqueles momentos existia entre o governo de Madri e da Catalunha uma relação calorosa que atualmente já não existe.

Vale uma foto mais que mil palavras? ―Não. Uma fotografia vale por si só. As mil palavras valem por suas mil palavras.

O que sentiu quando começou a organizar a exposição Robert Royal. Fotografias espanholas. 1967-2014. Momentos e personagens que marcaram a vida de um correspondente gráfico na Espanha. ―Quando faço uma fotografia é quando já sei que algum a exibirei. Quando vejo, digo: esta fotografia pode fazer parte de uma exposição. O que estou contando com a exposição de agora é mais ou menos a minha experiência profissional na Espanha. Ela está dedicada a todos os grandes jornalistas que trabalharam comigo durante este período.

Li no diário espanhol El País que você tem 15 mil negativos guardados. Estão todos catalogados? ―Estou catalogando. Mas a cifra de 15 mil negativos é uma aproximação. Podem ser 20 mil ou mais. Tenho em casa três armários cheios de negativos.

O que pensa da imprensa espanhola? ―Em que sentido? Eu leio o El País quase todos os dias.

No sentido de que são todos partidários. ―Mas em quase todo o mundo se associa um meio de comunicação com uma classe de gente ou de políticos. Ou seja, sempre está associado com ideais. Não vejo por nenhuma parte uma imprensa neutra, tampouco na Espanha. O que mais me atrai é a imprensa mais liberal, mais democrática. As notícias e os documentários é a única coisa que assisto atualmente na TV. Considero que o pior meio de comunicação da Espanha é a TV. Enquanto que sobre as televisões americanas é melhor nem falar. São horrorosas.

42- Firma del Adhesión de España a la CEE, 1985

Assinatura do tratado de incorporação da Espanha a Comunidade Econômica Europeia. No instantâneo, o primeiro-ministro Felipe González, o ministro de Relações Exteriores, Fernando Morán, e o secretário de Estado para as Relações com a Comunidade Europeia, Manuel Marín, em 1985. / Foto: Robert Royal

Um evento favorito. ―Foi fazer a cobertura da assinatura do tratado de incorporação da Espanha a Comunidade Econômica Europeia, realizada pelo primeiro-ministro Felipe González, em 12 de junho de 1985, no Salão de Colunas do Palácio Real de Madri. Sua majestade e muitos líderes europeus estiveram ali presente. Foi um evento espetacular. À medida que os líderes passavam pela mesa para ir assinando o tratado respirava-se um sentimento tremendo de paz e unidade.

O que pensa das guerras? ―Somos responsáveis delas. Somos nós que as deflagramos. É terrível.

Você viveu sob as presidências de John Kennedy, Richard Nixon, Jimmy Carter, George Bush (Pai), George Bush (Junior), Bill Clinton, Barack Obama e, agora, Donald Trump. O que pensa deles? ―Prefiro não pensar. No entanto, o único presidente que realmente gostei é Dwight D. Eisenhower, presidente de EUA de 1953 a 1961. Também gostei de Carter, presidente de 1977 a 1981.

E o Obama? ―Fez muitas coisas boas que Trump se dedica a criticar. Trump ainda não fez nada por si mesmo. Dedica-se em aniquilar aquilo que já estava feito, numa clara atitude de vendetta.

América first! ―É preciso ler América first na entrelinha. É Trump e os Meus primeiro. Trump é um mentiroso egocêntrico que funciona ao límite da ilegalidade. Cedo ou tarde ele vai cair em desgraça por seu comportamento e levará consigo a toda sua família. Suas ações e péssima administração já fizeram grandes estragos aos EUA. ●

27- Proclamación de S.M. el Rey Felipe VI 2014-01

Proclamação do rei Felipe VI, em Madri, em 2014. / Foto: Robert Royal

Nota do autor: Assista aqui a um vídeo informativo, em inglês, com subtítulo em espanhol, realizado por Adeline Royal sobre a exposição Robert Royal. Fotografias espanholas. 1967-2014. Momentos e personagens que marcaram a vida de um correspondente gráfico na Espanha.

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“Soy un inmigrante”

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Robert Royal en Madrid. / Foto: Adeline Royal

Por Jairo Máximo

Madrid, España ― (Blog do Pícaro) ― Tras finalizar sus estudios universitarios, a principios de los años sesenta, el estadounidense Robert Royal decidió viajar a España para buscar trabajo de actor porque las calles de su país estaban “casi como en estado de guerra” y los platós de cine en España en estado de gracia. Pero aquí él tuvo más éxito como fotoperiodista que como actor de spaghetti western.

Paso a paso documentó la agonía del franquismo y el proceso de Transición española. Publicó sus reportajes en las revistas Time Magazine, People, en el diario New York Times… Sus fotos pueden ser encontradas en diversos museos y en colecciones privadas del mundo.

En estos momentos exhibe en Madrid, en el Centro Internacional de Prensa, la exposición Robert Royal. Fotografías españolas. 1967-2014, compuesta de 40 fotografías en blanco y negro y en color, que tratan sobre política, moda, arquitectura y cultura.

“Cada foto de esta exposición tiene una historia que he vivido”, confiesa el fotoperiodista.

Hay fotos del dictador Francisco Franco; de los políticos Leopoldo Calvo-Sotelo, Joseph Tarradellas, Adolfo Suárez, Rodolfo Martín Villa, Felipe González, Enrique Tierno Galván, José María Aznar, Santiago Carrillo; de los modistos Manuel Pertegaz, Jesús del Pozo; de los músicos Andrés Segovia, Joaquín Rodrigo; del escultor Eduardo Chillida; de la fotógrafa Ouka Leele…

En esta entrevista exclusiva, concedida en Madrid, Robert Royal (Alabama, Estados Unidos, 1940) afirma: He visto como una cámara me abrió puertas a todo”.

01- Francisco Franco en la Feria de Sevilla,1967

El dictador Francisco Franco, de paseo por la Feria de Abril de Sevilla, en 1967. / Foto: Robert Royal

¿Quién es Robert Royal? ─Un inmigrante.

(risas) ¿Con o sin nacionalidad? ─Con nacionalidad española desde hace más de 20 años.

Te gustaría hablarme un poco más sobre quién eres…─También soy un refugiado. Salí de EE UU en 1963 tras finalizar mis estudios de Literatura Inglesa y Arte Dramático. En aquella época el país estaba en llamas. Era casi como en estado de guerra. En las calles de las ciudades había mucha agitación por causa de la guerra de Vietnam (1955-1975) y de la lucha por los derechos civiles. Sin embargo, me marché de EE UU por la curiosidad de conocer el mundo.

Y todavía no había sido asesinado el presidente John F. Kennedy en noviembre de 1963. ─Sí. Por entonces yo ya estaba en Madrid. Me enteré de su muerte por una turista que llevaba una radio portátil en el restaurante Botín. Ahora, cuando asesinaron a su hermano Robert, en junio de 1968, yo estaba en Los Ángeles, montando una película, cerca del hotel donde él fue abatido. En Los Ángeles siempre ha habido líos. Fue en ese momento cuando decidí volver a España. Tomé esta decisión porque mi trabajo en esa época era la de viajar, y esto continua siendo parte de mi trabajo, aunque esté casi jubilado. En 2016 estuve en Guinea Equatorial para montar una exposición de mis fotos en el Centro Cultural de España en Malabo: Tres Continentes, un Fotógrafo. Y en la exposición de ahora  expongo una foto hecha en Guinea Ecuatorial, en 1979, durante la visita de los Reyes de España, don Juan Carlos I y doña Sofía.

26-Los Reyes en Guinea Ecuatorial

Visita de los Reyes de España, don Juan Carlos I y doña Sofía, a Guinea Ecuatorial, en 1979. / Foto: Robert Royal

¿Cómo fue tu infancia? ─Perfecta, bajo el sueño americano de posguerra. Lo único que recuerdo es a mi hermano, mi tío y mi cuñado con uniforme militar. Por entonces yo debería tener 3 o 4 años.

Esa imagen infantil impacta. ─Si. Recuerdo también que en cada casa había una estrella. Si tenías un familiar en la Segunda Guerra Mundial (1939-1945), se colgaba una estrella en el porche, puerta, ventana, donde sea, de la casa. Lo único distinto era que si estabas vivo, la estrella era blanca, de fondo rojo;  y si estabas muerto, la estrella era blanca con fondo negro. Así que era una imagen muy triste.

¡Joder! ─Era muy jodido porque así se ponía de luto a toda la familia. Y el entorno también. A todos, sin distinción. En todo caso, EE UU ganó esta guerra por su habilidad para fabricar muchas armas de un día para otro. La gran sorpresa de los alemanes y japoneses fue la cantidad de armas de guerra que podían salir del país  rumbo a Europa. Estaban haciendo tres barcos diarios de armas de guerra.

El poeta alemán Rainer María Rilke dijo: “La infancia es la patria de la vida”. ¿Estás de acuerdo? ─No entiendo lo que él quiere decir. Pero yo he tenido una infancia idílica en el seno de una familia idílica. En Alabama casi siempre hace buen tiempo. Iba descalzo. (Me gusta decir eso, consciente de que sé que eso no es verdad). No usé zapatos hasta los 8 años de edad. (risas). Mi madre me ponía zapatos cuando iba a la escuela. Cuando salía de casa me los quitaba. Pasaba todo el verano descalzo.

¿Cómo fue tu adolescencia? ─También feliz. EE UU vivía un período de bonanza económica. Casi todo mundo, por lo menos mis familiares, vecinos y amigos tenían un trabajo. Había paz y tranquilidad. Luego el país entró en la guerra de Vietnam, y empezó la lucha por los derechos civiles. Eso generaba mucha amargura. Fue un bajón que la nación todavía no ha recuperado. Además, EE UU sigue en guerra. Si no están matando a algunos negros, están matando a otros. Perdóname lo que te digo, pero es horroroso lo que hacen con los negros, con los iraquíes.

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Enrique Tierno Galván, alcalde de Madrid, en 1981. / Foto: Robert Royal

(silencio) ¿Cuándo, y por qué, decides venir a España? ─En 1963. Estaba estudiando teatro en el Berghof Studio, en Nueva York, que era la puerta de entrada para acceder al Actors Studio. Mi profesora de teatro era Irene Dailey, hermana del bailarín y actor Dan Dailey. Ella nos enseñaba el método interpretativo Stanislavski, creado por el ruso Konstantín Stanislavski. Parte de los ejercicios era que teníamos que ir a los casting, a las audiciones, que era la parte más importante de nuestra preparación para trabajar en el teatro. Un día estaba hablando con otros compañeros en un casting y les dije que aquí no me daban ningún trabajo. Al momento uno de ellos me preguntó: ¿Sabes montar a caballo? Porque en España hay trabajo en el cine de extras de cowboy (vaquero). Allí están haciendo muchas películas…

¿Y viniste a España a ser vaquero? ─Si. Trabajé en Huesca, en Almería… Incluso aquí en Madrid, en Hoyo del Manzanares, había un plató donde no había ni un hilo de electricidad. Han rodado muchas películas en este sitio. Ahí hice La caída del Imperio romano, 1964, dirigida por Anthony Mann, y protagonizada por Sofía Loren, Christopher Plummer, James Mason y Stephen Boyd. Hasta llegue a hablar en algunas películas. Creo que el extra que más he interpretado en mi vida fue el de vaquero.

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Robert Royal junto a Paco Rabal en la película Camino del Rocío (1966), dirigida por Rafael Gil. / Foto: Cortesía del entrevistado

(risas) Come cowboy, come. (Vamos, vaquero, vamos). ─(risas) ¿Cómo se dice eso en castellano?

¡A por ellos! ─Eso es. Hoy en día algunos de aquellos platós están considerados como clásicos. En estos momentos los italianos están recuperando, restaurando y remasterizando muchas de aquellas películas hechas en España.

22- Joaquin Rodridgo & Victoria Kamhi, 1985

Maestro Joaquín Rodrigo y su esposa, Victoria Kamhi, en 1985. / Foto: Robert Royal

¿Cuándo descubriste el periodismo y la fotografía? ─Hay que seguir una historia. En mi caso, mi hermana era la fotógrafa familiar. Siempre me ha gustado eso. Pero luego, cuando estabas en la universidad estatal tenías que hacer el servicio militar. Acudías a clase todos los días y, los fines de semana, a las prácticas militares. Era una especie de preparación para ser oficial que se imponía con la idea de que cuando salieras de la universidad podrías pasar 5 años como oficial o 2 años como soldado raso. A mí no me gustó nada de eso.

Y dijiste: Me voy de aquí. ─Si. Encontraba un retroceso tener que ir marcar pasos, tirar con un rifle. De alguna manera conseguí un trabajo diferente dentro de la institución militar. Creo que fue porque caí bien al profesor militar. Hacía fotos de sus actos protocolarios, conducía su coche. (risas) Así que pasé mis tiempos de servicio militar haciendo fotos porque siempre había algún acontecimiento. Asimismo, el jefe del departamento de teatro de la universidad, estaba haciendo el servicio militar allí, y necesitaba fotos de los espectáculos que organizaba, de los actores, etcétera. Me tocaba a mí hacer este trabajo. Incluso seguí haciendo este trabajo cuando estudiaba en Nueva York. Hacía los álbumes de los actores. Me gustaba el lado temático de hacer de una persona normal y corriente un personaje. O sea, era un don que no podría hacer cualquier persona. No pensaba que iba a ser fotógrafo profesional. Era solo un trabajo para ganar un poco de dinero.

Sin grandes pretensiones. ─Sí, pero con mucha alegría. En Almería podías encontrarte con muchos actores: Brigitte Bardot, Michael Redgrave, su hija Vanessa Redgrave, y otros. Aquí yo también hacía mis fotos. Por entonces rodaron, en la zona denominada Mar de Castilla, entre las provincias de Guadalajara y Cuenca, la película Las troyanas (1971), dirigida por Michael Cacoyannis, con Vanessa Redgrave, Katherine Hepburn, Irene Papas y Geneviève Bujold en los papeles principales. Se veía a casi todos los grandes actores muy tranquilos. Como yo era extra, llevaba la cámara allí y hacía fotos. Hoy en día seguro que no se puede hacer eso.

Impensable. ─Las fotos que yo hacía no eran del rodaje, y si de las estrellas descansando, desayunando, comiendo, cenando. He fotografiado mucho a Sean Connery que venía a menudo a España a rodar. Fue en este momento cuando empecé a vender esas fotos para una agencia en Inglaterra. Las vendía a muy buen precio. Fotos de actores de Hollywood, franceses, italianos, ingleses… que trabajaban en España. Fue así como empezó mi carrera de fotógrafo.

¿Ya has pensado en algún momento para qué sirven las fotos que haces? ─En este caso para entretener. Las últimas fotos periodísticas que hice son las que están en esta exposición. Son las de la proclamación del rey Felipe VI. Sigo haciendo fotografías profesionalmente, mas que nada fotografías de carácter turístico, y por mi cuenta.

Una revelación que viene a cuento. ─Creo que fui yo quien hizo el primer reportaje internacional sobre el Rey Juan Carlos I. Y, por supuesto, en Palma de Mallorca, en las regatas, cuando él era príncipe. Yo estaba en Palma haciendo reportajes sobre moda, y él estaba allí. Debía tener veintiséis años. Todos le llamaban Johnny. Estaba muy relajado. Creo que ni él imaginaba que un día iba a ser Rey de España.

Josep Tarradellas Return to Catalunya

Josep Tarradellas, cuando fue proclamado presidente de la Generalitad de Cataluña, acompañado por el presidente del Gobierno, Adolfo Suárez y el ministro del Interior, Rodolfo Martín Villa, en 1977. / Foto: Robert Royal

Otra revelación. ─Una de las fotos que más me gustan de esta exposición, y de las que he hecho en mi vida, es la de Josep Tarradellas, acompañado por Adolfo Suárez y Rodolfo Martín Villa, cuando él fue proclamado presidente de la Generalitad de Cataluña, después de estar veintitrés años en el exilio. Se ve una comunicación. Podemos decir que en aquellos momentos existía entre el gobierno de Madrid y Cataluña una amistad, un calor, que ya no existe hoy en día.

¿Crees que una foto vale más que mil palabras? ─No. Una foto vale por lo que es por sí sola. Las mil palabras valen por sus mil palabras.

¿Qué has sentido cuando empezaste a organizar tu exposición: Robert Royal. Fotografías españolas. 1967-2014? ─Cuando hago una foto es cuando sé que algún día la voy a exponer. Al  verla digo: esto se puede exponer. Lo que estoy contando con esa exposición es más o menos mi experiencia profesional en España. Ella está dedicada a todos los grandes periodistas que trabajaron conmigo en todos estos años.

Leí en el diario español El País que tienes 15.000 negativos. ¿Están todos catalogados?─Estoy en eso. Pero la cifra de 15.000 negativos es una estimación. Pueden ser 20.000 o más. Tengo en casa tres armarios a rebosar de negativos.

¿Qué piensas de la prensa española? ─¿En qué sentido? Yo leo El País casi todos los días.

En el sentido de que son partidistas.─Pero en casi todo el mundo se asocia un periódico con una clase de gente o clase de políticos, o sea, siempre está asociada con ideales. No veo ninguna prensa neutral, tampoco en España. Lo que más me atrae es la prensa más liberal, más democrática. Los informativos y los documentales es lo único que veo en la tele. Considero que el peor medio de comunicación de España es la televisión.

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Firma del tratado adhesión de España a la Comunidad Económica Europea. En la imagen el presidente del Gobierno Felipe González, el ministro de Exteriores, Fernando Morán, y el secretario de Estado para las Relaciones con las Comunidades Europeas, Manuel Marín, en 1985. / Foto: Robert Royal

Un evento profesional favorito. ─Fue hacer fotos de la firma de tratado adhesión de España a la Comunidad Económica Europea, firmado por Felipe González, el día 12 de junio de 1985, en el Salón de Columnas del Palacio Real de Madrid. Su majestad estuvo allí y muchos otros líderes europeos. Fue un evento espectacular. A medida que los líderes pasaban por la mesa a firmar había un sentimiento tremendo de paz y unidad.

¿Qué piensas de las guerras? ─Somos responsables de ellas. Las hacemos. Es terrible.

Has vivido bajo la presidencia de Kennedy, Jimmy Carter, George Bush padre, George Bush hijo, Bill Clinton, Barack Obama y, ahora, Donald Trump. ¿Qué piensas de ellos?─Prefiero no pensar… Sin embargo, para mí el único presidente que realmente me ha gustado es Dwight D. Eisenhower, presidente entre 1953 y 1961. También me ha gustado Jimmy Carter, presidente entre 1977 y 1981.

¿Y Obama? ─Hizo muchas cosas buenas que Trump se dedica solamente a criticar. Trump no ha hecho nada por sí mismo, sino cambiar lo que estaba ahí, en plan vendetta.

¡América first! ─Hay que leer América first entre líneas, es Trump y los Míos First. Es un mentiroso egocéntrico que funciona al borde de la ilegalidad y, tarde o temprano, va caer en desgracia por su comportamiento y llevará abajo consigo toda su familia. Sus acciones y malísima administración han hecho mucho daño a Estados Unidos. •

27- Proclamación de S.M. el Rey Felipe VI 2014-01

Proclamación del Rey Felipe VI, en Madrid, en 2014. / Foto: Robert Royal

Nota del autor 1: He aquí el enlace del video informativo, en inglés con subtítulos en castellano, realizado por Adeline Royal sobre la exposición fotográfica: Robert Royal. Fotografías españolas. 1967-2014: Momentos y personajes que marcaron la vida de un corresponsal gráfico en España.

Nota del autor 2: Entrevista publicada en la ACPE

 

 

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1) GERVASIO SÁNCHEZ: Fotógrafo e jornalista

“MINHA ARMA É DIGNIFICAR AS VÍTIMAS DA GUERRA”

por Jairo Máximo

Gercasio Sánchez, por Mikkel Larsen

Gervasio Sánchez em Madri / Foto: Mikkel Larsen

Gervasio Sánchez (Córdoba, Espanha, 1959) Fotógrafo e jornalista. Já cobriu diferentes conflitos nos cinco continentes. Atualmente trabalha para os diários espanhóis Heraldo de Aragón e La Vanguardia, e também colabora com as rádios Cadena Ser e a BBC. Já recebeu diversos prêmios e publicou vários álbuns fotográficos. Desde 1998, é Enviado Especial para a Paz da Unesco. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, afirma: “A fotografia transcende mais que o texto escrito porque não precisa de tradução”.

Quem é Gervasio Sánchez?
Um simples fotógrafo e repórter que trabalha em áreas de conflitos, em lugares onde ocorrem fatos lamentáveis provocados pelo homem.

Quando você descobriu o jornalismo e a fotografia?
Comecei a viajar quando tinha 19 anos. Aliás, sou jornalista porque queria viajar. Quando era menino pensava que a única maneira que existia para viajar era ser jornalista… Na minha primeira viagem já levei uma câmera fotográfica. Mas foi a partir do final dos anos 80 e princípios dos 90 que compreendi que a câmera era uma ferramenta que podia utilizar para fazer um trabalho e que era preciso ter um conceito. Mas nunca fiz um curso de fotografia. Não sei nem revelar…

Por que resolveu ser fotógrafo?
Porque sou jornalista e vice-versa. Creio que a fotografia transcende mais que o escrito porque não necessita de tradução simultânea. Ela tem a possibilidade de impactar em qualquer cultura ou grupo étnico.

Qual é o papel da palavra em seu trabalho?
Dedico-me a histórias próprias. Escrevo o texto e faço a fotografia. Quero que seja um conjunto.

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Foto: Gervasio Sánchez

Como nasceu o projeto “Vidas Minadas”?
Nasceu casualmente, mas com duas razões de fundo. A primeira, uma revista espanhola dedicada a futilidades ―não uma revista ou um jornal serio― me encarregou de fazer um trabalho sobre mutilados pelas minas explosivas, em 1995. Isto me proporcionou a possibilidade de viajar a Angola. Lá havia minas em todos os lugares. Constatei a dramática situação em que vivem estas pessoas. A segunda razão é que isto coincidiu com o fato de que eu estava cansado de ir de guerra em guerra e ir embora quando era assinado o acordo de paz. Na realidade, a paz é o reinicio de um pós-guerra, que é tão duro como a guerra em si. Inclusive as minas começam a aparecer é quando chega a paz, porque durante a guerra elas são colocadas para proteger posições militares. Quando os militares deixam o terreno, eles as deixam abandonadas. No entanto, com a chegada da paz produz-se a liberdade de movimentos da população civil. E as minas estão ali, esperando as pessoas.

No que consiste a exposição “Vidas Minadas ― dez anos depois”?
É uma exposição de 100 imagens sobre os estragos que causam as minas no mundo inteiro, diferentes tipos de minas e próteses, um documentário e um álbum fotográfico de 365 retratos de mutilados. Trata-se da continuação de um projeto fotográfico que apresentei em 1997 que documentava as vítimas destas armas em países como Afeganistão, Angola, Bósnia, Camboja, Colômbia, El Salvador, Iraque, Moçambique ou Nicarágua. Para mim, “Vidas Minadas” é um projeto sem fim.

Na apresentação da exposição no Instituto Cervantes de Madri, em companhia de algumas das vítimas retratadas, você afirmou: “Minha exposição é incômoda. Sou incômodo”. Qual é o preço disto?
Quando seu discurso não é politicamente correto, existe muita gente que se sente incomodada. No entanto, faço um jornalismo que impossibilita que me golpeiem, pois sou eu o que tem uma informação importante de uma zona de guerra e ninguém pode tirá-la de mim. Seria outra coisa se eu fizesse um jornalismo local: Madri, Barcelona, Sevilha. É mais perigoso exercer o jornalismo local com liberdade que o internacional, que dá prestígio ao meio de comunicação.

Das histórias que você já cobriu qual a que mais lhe marcou?
São as histórias que vi desde o princípio. Algumas são dramáticas. A da angolana Joaquina que perdeu suas duas filhas, uma perna, foi abandonada pelo marido e vive na pobreza absoluta. Também é dramática a história do cambojano Skaheurm Man. Eu estive na sala de operação no momento em que lhe cortaram a perna.

Adis Smajic, em Sarajevo,  1996 / Foto: Gervasio Sánchez

Qual imagem captada que mais lhe inquietou?
Encontrar ao menino Adis Smajic, em Sarajevo, em 1996, com a cara deformada por uma mina, entre a vida e a morte me comoveu.

Qual foi à região de conflito que mais lhe chocou?
Provavelmente o país que mais choca é aquele que você está para ir. Em 1996, quando cheguei a Cabul, capital do Afeganistão, fiquei impressionado. Cheguei e vi uma metrópole totalmente destruída que acabava de sair de uma guerra civil tremenda, onde até seis grupos armados combateram no centro urbano. Por todas as ruas se podia encontrar minas que ocasionavam diariamente muitos acidentes. Os hospitais estavam cheios de crianças. Elas procuravam restos de projétil para poder vendê-los, e depois comer, porém encontravam as minas e se explodiam pelo ar.

É uma tragédia, cenas muito duras, não é?
Sim. Encontro histórias que acabam marcando com contundência minha vida. Acabo sendo um pouco arrastado por minha experiência, coisa que, desgraçadamente, muitas vezes, têm a ver com a morte, com a violência e o estilo brutal de atuar do homem.

Como você enfrenta emocionalmente tanta desgraça e sofrimento?
(silêncio) É um trabalho… Minha arma de trabalho é poder dignificar as vítimas da guerra. Mostrá-las com nomes e sobrenomes. Então, suponho que esta é minha armadura psicológica. É difícil trabalhar e ver como a gente sofre. Saber que existem causas concretas e responsáveis com nome e sobrenome. No obstante, quando faço uma exposição como esta, muitas pessoas que vêm vê-la me dizem que se inquietam com as imagens e se sentem-se solidárias com o trabalho. Inclusive alguns me parabenizam e recebo isto como combustível.

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Sofia Elface Fumo – 1997 / Foto: Gervasio Sánchez

Onde urge realizar um trabalho de limpeza de minas?
Em 78 países, entre eles Afeganistão, Angola, Bósnia, Colômbia, Camboja e Iraque. Desde quando assinaram o Tratado de Ottawa contra as minas, em 1997, somente em seis países elas foram retiradas. Quarenta países, dentre os quais se destacam Estados Unidos, Rússia e China ―principais produtores mundiais de minas e com direito a veto no Conselho de Segurança da ONU― continuam negando assinar o acordo. Anualmente 15 mil novas vítimas passam a fazer parte de um impressionante exército de mutilados. Segundo a ONU, faltariam 1.100 anos e 30 milhões de euros para erradicar os 167 milhões de minas plantadas em 78 países. O custo de uma mina terrestre não alcança R$ 7, porém localizá-la, desativá-la e destruí-la custa R$1.700.

Você disse, ao vivo, no canal 2 da Televisão Espanhola que “durante muitos anos a Espanha exportou morte”; e que “enquanto o governo do Partido Socialista Operário Espanhol exporta bombas de racimo (ou bomba clúster que é constituída por centenas de pequenas bombas que se disseminam sobre uma grande área), está fazendo um temível favor para a humanidade”.E agora quê?
(silêncio) Se estou documentando um drama é minha obrigação denunciar quem são os responsáveis. Não posso chegar na TV e dizer superficialidades. Tenho que dizer que o governo socialista duplicou a venda de armas, que atualmente somos a oitava potência do mundo em venda de armas, e que a Espanha está na Liga dos Campeões de vendas de armas. Como isto é possível?

Não sei!..

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Fanar Zekri – 2006 / Foto Gervasio Sánchez

E ainda mais: como é possível que continuemos fabricando e vendendo armas, tipos de bombas de racimo cuja ação é devastadora e atua como uma mina: explode, mata e mutila? Hoje, na Espanha, existem quatro empresas que estão fabricando estas minas. Não são empresas estratégicas. Isto é uma vergonha. É intolerável. Isto é preciso dizer com clareza que é isso que faz o mesmo governo que todo dia fala de aliança das civilizações e da luta pela paz.

O que mais se precisa dizer?
Que os ex-primeiros-ministros espanhóis ―Adolfo Suárez, Leopoldo Cavo Sotelo, Felipe González e José Maria Aznar― foram vendedores de armas. Que o atual primeiro-ministro, José Luis Rodríguez Zapatero, também é um vendedor de armas. Todos permitiram a venda de armas a países com conflitos armados internos ou regionais. Por exemplo, se amanhã se cria um Tribunal Penal Internacional para julgar os responsáveis pela venda destas armas, estes senhores serão chamados a depor.

Haya para eles?
Lembro como Bill Clinton e Al Gore estão tentando nos vender uma ideia de trabalho que contradiz as políticas de seus oito anos no governo, quando tomaram decisões vergonhosas. Eles não assinaram o Tratado de Ottawa quando estavam governando. Se tinham tanta sensibilidade por que não o assinaram? Essa gente está se enriquecendo com a denúncia fabricada.

O que pensa das guerras?
Que são o fracasso absoluto do Homem.

Em sua opinião, quem manda mais hoje no mundo?
Isso é um problema grave. É evidente que se são os políticos que mandam, não demonstram. E se mandam, não fazem nada para evitar este vergonhoso mercado de armas. Consequentemente, são cúmplices e culpados. E se não podem fazer nada que digam isso alto e claro e não utilizem o subterfúgio do segredo de Estado ou da mentira constante. Se é o primeiro-ministro Zapatero quem manda na Espanha, ele está permitindo que armas espanholas matem ou mutilem milhares de seres humanos inocentes.

O que você pensa da imprensa espanhola?
Vive um momento crítico. Já passamos dos anos da felicidade que se produziu depois da queda do franquismo, quando se lutava pela democracia, pelos direitos humanos. Hoje em dia ela não é mais virgem, têm interesses econômicos importantes. Cada vez mais existem grupos de mídia que obedecem a estratégias que não tem nada a ver com o jornalismo e que, além disso, esquecem de muitos temas relevantes. O purismo não existe no jornalismo.

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Monica Paola Ojeda – 2006 / Foto Gervasio Sánchez

Qual é a tua máxima na vida?
Não tenho. O que quero é fazer meu trabalho bem feito. Mostrar as contradições do mundo. Fugir do jornalismo de promoção. Considero que o jornalismo é tão importante como a medicina e a educação. Uma sociedade sem um bom jornalismo é uma sociedade fracassada.

Como vê o trabalho de Sebastião Salgado e o projeto Gênesis, que defende a biodiversidade e as formas de vida virgens do planeta?
Salgado é um grande fotógrafo. Gosto muito do projeto América. Hoje ele faz um trabalho de documentação importantíssimo. E com a idade que ele tem…

Quando os brasileiros terão o privilégio de contemplar a exposição “Vidas Minadas― dez anos depois”?
É complicado mover e montar esta mostra. Mas eu adoraria levá-la para o Brasil, um país supostamente do terceiro mundo que mais vende armas. Brasil é o campeão.

Você tem algum novo projeto fotográfico?
Sim. É sobre os desaparecidos das ditaduras e guerras no Afeganistão, Iraque, Argentina, Brasil, Colômbia, Chile, Guatemala, Peru e outros países dos cinco continentes.

Vale uma foto mais que mil palavras?
Não é que uma imagem valha mais que mil palavras, mas sim que a imagem pode chegar a mais pessoas, sem filtro e tradução simultânea. ●

  • Esta entrevista faz parte do projeto do livro A Tumba Aberta  e foi publicada na agência Eurolatinnews, no site da Associação de Correspondentes de Imprensa Estrangeira na Espanha (Acpe)  em abril de 2008.20160415_191046

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    Gervasio Sánchez na revista espanhola El Siglo de Europa em abril de 2008

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Gervasio Sánchez: Fotógrafo y periodista

“VIVIMOS FALTOS DE MORAL Y ÉTICA”

por Jairo Máximo

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Gervasio Sánchez fotografiado por su hijo Diego Sánchez

MADRID (Blogdopícaro) – El fotógrafo y periodista Gervasio Sánchez realiza un trabajo que atrapa y desasosiega. Ha cubierto conflictos en los cinco continentes, ganado diversos premios y publicados varios libros fotográficos. En marzo de 2012 inauguró en Madrid la espléndida y sobrecogedora exposición itinerante Antología, que tiene como objetivo divulgar un legado visual de enorme valor histórico y documental. En esta entrevista  exclusiva Gervasio Sánchez Fernández (Córdoba, 1959) confiesa: “Voy a proseguir intentando dignificar a las víctimas de las guerras. Todavía tengo energía”.

¿Para qué sirve la fotografía que haces?
Para documentar historias que si no fueran fotografiadas no existirían.antologia-gervasio-sanchez

¿Qué sintió al remover su historia para montar la exposición Antología (1984-2010), constituida de 148 imágenes (63 en color y 85 en blanco y negro), 96 retratos y 6 proyecciones complementar?
Mucha emoción. Aparecen en estas imágenes recuerdos de mucho dolor y de momentos bonitos. Creo que cuando uno pasa revista a su vida profesional también la está pasando a su vida personal. En mi caso vida e imagen van de la mano.

¿Qué emoción le produjo constatar que éramos casi un millar de personas las que acudimos a la inauguración de Antología, en la revitalizada antigua Tabacalera de Madrid?
Sinceramente me quedé sorprendido. Yo no había visto esto nunca. Además, las personas que estaban allí -para estar a mi lado y al lado de la exposición- sabían a lo que iban. Hay mucha gente interesada por este tipo de trabajo. Al mismo tiempo, es una buena idea poder dedicar un espacio así -como el de la Tabacalera de Madrid- para este tipo de exposiciones.

¿Por qué dedica Antología a los periodistas y fotógrafos españoles: Juantxu Rodríguez (muerto en Panamá en 1989), Jordi Pujol (muerto en Sarajevo en 1992), Luis Valtueña (muerto en Ruanda en 1997), Miguel Gil (muerto en Sierra Leona en 2000), Julio Fuentes (muerto en Afganistán en 2001), José Couso y Julio Anguita Parrado (muertos en Iraq en 2003) y Ricardo Ortega (muerto en Haití en 2004)?
En cierta manera lo dedico Antología a la gente que ya no está entre nosotros. A gente que ha dignificado el periodismo. Que ha muerto haciendo bien su trabajo. Que han hecho un periodismo de gran calidad y han tenido la mala suerte de morir haciéndolo. No obstante, hay mucha gente sin escrúpulos en el periodismo  y que desde sus puestos directivos se dedican a pisotear los principios básicos de la profesión y a defender a cualquier precio los intereses enmascarados de sus empresas. Su manera de actuar es contraria a lo que yo pienso que es el periodismo. Por lo tanto, me parece que esta es una buena manera de homenajear a los compañeros que ya no están.

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Foto: Gervasio Sánchez

¿Podría decirme que fotos le revuelven el alma y le hubiera gustado no haber hecho nunca?
Muchas fotografías de las  que están ahí no me habría gustado haberlas hecho nunca, porque están hablando de gente que muere. De gente que sufre sin saber por qué sufre y por qué muere. De gente –víctimas- que muchas veces tienen que enfrentarse al dolor sin ninguna ayuda y en condiciones muy duras. Estas son las cosas que cotidianamente encuentras en la guerra. Indudablemente que me gustaría captar otro tipo de imágenes y que en el mundo no hubiese guerras. Pero, lamentablemente, este es el pan nuestro de cada día. Es difícil que la sociedad en la cual vivimos sea capaz de vivir sin la guerra porque la guerra es un gran negocio que beneficia a mucha gente. Beneficia a la industria armamentística, a los intereses estratégicos, a los contratos de petróleo y a los negocios ocultos bajo las guerras.

¿A quién le interesa la guerra?
A quienes hacen negocio con el dolor y con la muerte. A las grandes compañías de armamento.

¿Y a quién pertenecen esas compañías?
A los países más desarrollados del mundo. Pertenecen a los cinco países con derecho a veto en la ONU -Estados Unidos, China, Rusia, Inglaterra y Francia- que son los cinco países mayores exportadores de armas del mundo. La UE es la máxima exportadora de armas del mundo. España es la sexta potencia en venta de armas. La guerra es un gran negocio. La economía norteamericana se ha restablecido de la crisis gracias a la industria armamentística. Eso resulta de un nivel de consternación absoluto. Luego también hay muchas empresas armamentísticas de armas ligeras y las grandes multinacionales que se benefician del caos de la guerra y hacen sus mejores negocios con gobiernos criminales o dictaduras.

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Adis Smajic en 1996 / Foto: Gervasio Sánchez

¿Qué análisis hace al saber que el comercio mundial de armas aumentó un 24 por ciento en los últimos cinco años?
Esto demuestra realmente que el mundo está falto de moral y ética. Los mismos países y gobiernos que hablan de embellecer el mundo, que hablan de los derechos humanos… son los mismos que más tráfico de armas producen. El anterior gobierno socialista de Rodríguez Zapatero durante ocho años prometió que trabajaría a favor de la paz, pero, al mismo tiempo, ha justificado la fabricación y venta de armas españolas. Y continúa pasando ahora con el gobierno popular de Mariano Rajoy, que ha nombrado como ministro de Defensa a Pedro Morenés Eulate, que era un consumado vendedor de armas, lo cual nos confirma la falta de moral y ética que tenemos. Son las frivolidades del poder. Es preciso que la ciudadanía se organice para luchar contra esta dinámica.

¿Qué opina de que BBVA, Santander, Bankia, Banca Cívica sean grandes inversores de armas?
Nos demuestra dónde estamos llegando. Los ciudadanos -todos los ciudadanos- deberíamos tomar decisiones para saber exactamente lo que hacen con nuestro dinero porque no sabemos lo que hacen con él. Esto ocurre  porque la mayoría de los medios de comunicación jamás lo denuncian.

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Foto: Gervasio Sánchez

¿Qué piensas del movimiento 15-M?
Me habría gustado que hubiese nacido hace cinco, seis, o siete años cuando en este país todo el mundo tenía trabajo. Cuando las autoridades económicas del país hablaban y mentían descaradamente diciendo que España era uno de los mejores países del mundo. En ese momento no hubo nadie que se organizase contra las mentiras del poder. El movimiento de los indignados se ha formado después que la situación económica se haya deteriorado y mucha gente haya perdido su trabajo. Me parece muy bien que él exista, pero insisto, un movimiento tiene que organizarse mucho antes de que llegue la crisis. Muchos movimientos llegan demasiado tarde y desaparecen demasiado pronto. En un año ya se podría hablar mucho más del movimiento 15-M. Ahora, evidentemente que el 15-M es muy importante, aunque sea un movimiento reciente en la sociedad española.

¿Cómo ve la condena a once años de inhabilitación impuesta al exjuez  español Baltasar Garzón por investigar la trama Gürtel?
Me parece increíble que un juez que ha intentado abrir un camino serio en el tema pendiente y más traumático de la sociedad española, como es el tema de los desaparecidos de la guerra civil española (1936-1939) y la posguerra, haya sido condenado, no por este caso, y sí por investigar la trama del caso Gürtel. Considero que ha habido un intento de quitarle de en medio como fuera. Han aprovechado –seguramente- un desliz del juez Garzón para golpearlo hasta el final. Me parece vergonzoso y sobre todo me parece más vergonzoso aún como toda la clase judicial española ha dado una lección de cobardía por no enfrentarse -nunca más- a la guerra civil española. El tema de los desaparecidos hay que investigarlo como sea. En todos los pueblos españoles ha habido corresponsabilidad. Sin embargo, el poder judicial ha evitado por todos los medios que se haga justicia.

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Fanar Zekri en 2006 / Foto: Gervasio Sánchez

En nuestra primera entrevista, en 2008, me dijiste: “Mi arma es dignificar a las víctimas de la guerra”. ¿Cree que lo está consiguiendo?
Mostrar con dignidad a las víctimas de la guerra es un trabajo pendiente de todos. Puede ser que en mis fotos -en algunas fotos- esté presente esta dignidad. No por eso me voy a echar a dormir. Al revés, voy a continuar trabajando con las víctimas. Voy a seguir acudiendo a lugares donde haya este tipo de historias. Voy a proseguir intentando dignificar a las víctimas de las guerras. Todavía tengo energía. No es un trabajo que se hace hoy, mañana y, pasado mañana se deja. Hay que hacerlo toda la vida. Siempre he dicho que el periodista que trabaja en zonas de conflictos tiene que trabajar para siempre. No se puede ir a la guerra como si fueras a un espectáculo. Tienes que estar dispuesto a sufrir los dolores de las víctimas de la guerra con decencia.

¿Cuál es tu próximo proyecto?
Es Desaparecidos en España, que desarrollaré en los próximos años.•

Entrevista  publicada en la Revista El Siglo de Europa , ACPE y Eurolatinnews.

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