Arte

GRAFITIS A PIE DE CALLE EN SÃO PAULO

Texto y fotos: Jairo Máximo*

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Desde los años setenta del siglo pasado São Paulo es la cuna del grafiti brasileño.

MADRID, España ― (Blogdopícaro) ― Los primeros grafitis conocidos datan de los tiempos del Imperio Romano, cuando las personas utilizaban el carboncillo para escribir palabras de protesta en las paredes de los monumentos.

Siglos después, en los años 60 del siglo XX, en la ciudad de Nueva York, Estados Unidos, muchos jóvenes del Bronx, empezaron a utilizar botes de espray para dibujar en las paredes de su entorno imágenes y mensajes de protesta contra el orden establecido.

Sin saberlo, iniciaron allí lo que hoy llamamos “arte urbano”.

En Brasil, fue en São Paulo, en la segunda mitad de los años 70, durante la dictadura militar (1964-1985), cuando esta manifestación artística llegó al país y, de inmediato, se expresó como un arte visiblemente transgresor.

Los primeros grafitis ―con arte― que llamaron mi atención en la juventud, a principios de los años 80, fueron los realizados por los artistas plásticos Alex Vallauri , Mauricio Villaça y John Howard, en las céntricas calles de São Paulo, la capital económica de Brasil.

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Portada del libro Alex Vallauri – Graffiti, dedicado al artista Alex Vallauri (1949-1987), uno de los precursores del grafiti brasileño.

Mauricio Villaça, reconocido como uno de los precursores del grafiti brasileño, que murió en 1993 dejando una herencia cultural y artística primorosa, decía que “desde la prehistoria el hombre habla, come, baila y hace grafiti”.

Actualmente, en los cinco continentes, abundan los grafitis y las publicaciones fotográficas, tesis doctorales, ficciones literarias, películas y documentales, que abordan el grafiti desde distintas perspectivas.

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Obra de Maurício Villaça que se podía encontrar en las calles de São Paulo en los años 80 del siglo pasado.

En Brasil este arte urbano está presente en todos los rincones de su geografía. Pero es en São Paulo, la pujante megalópolis de casi 12 millones de habitantes, la mayor ciudad de América del Sur, donde hasta existe una ruta turística para contemplar sus más emblemáticos grafitis, firmados por artistas nacionales reconocidos internacionalmente.

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Grafiti de John Howard -californiano de nacimiento, brasileño de corazón- hecho en São Paulo en 1984.

“Estas intervenciones urbanas, por su característica dinámica, pueden ser admiradas por un período limitado y al mismo tiempo indeterminado, pero pueden ser inmortalizadas con las fotos que ocasionalmente se exponen en galerías y otros espacios culturales”, reza el folleto turístico oficial de la ciudad.●

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*Nota del autor: Los grafitis que ilustran este artículo fueron fotografiados en las calles de São Paulo en 2014.

Artículo publicado en ACPE

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Arte

52) MAURÍCIO CHAER: Artista plástico

“CRESÇO DENTRO DO MEU TRABALHO”

por Jairo Máximo

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Maurício Chaer em Mogi das Cruzes / Foto: Nelson Rubens Spada

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Ilustração: Castilho

Maurício Chaer (Uberaba, Minas Gerais, Brasil, 1957) Artista plástico. Desde menino vive em Mogi das Cruzes, São Paulo. Sempre está com a mão na massa. Sua linguagem é direta e reta, tanto verbalmente como artisticamente. Está em evolução permanente. Resgata do Universo os elementos que se completam para reconstituir sua obra. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Mogi das Cruzes,  afirma: “O sonho é o trabalho diário”.

Busca constante do artista
Tenho uma vida simples. Acordo cedo para encarar meu ateliê que abandono no final da tarde. Considero fundamental para a elaboração do meu trabalho o toque do escultor inglês Henry Moore que assinala: “Embora seja a figura humana o que mais profundamente me interessa, consagrei grande atenção às formas naturais, tais como, ossos, as conchas, os seixos, etc.”.

Alquimia: do barro à Arte

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Vendedor (2005-06), Maurício Chaer / Coleção Willy Damasceno

Para elaborar uma obra, primeiro amasso o barro -mistura de chamote e argila. Depois crio a forma desejada e espero secar para poder passar o esmalte. Na sequencia levo ao forno de alta temperatura -1300 graus- para finalmente ser consumida dentro do restrito mercado brasileiro de arte. Este ciclo de produção é tal quais as estações do ano: primavera, verão, outono e inverno. Ano após ano.

Mania de caderno
Sempre tenho um caderno de anotação onde rascunho desenhos dos futuros trabalhos. Seleciono variadas formas, e as coleciono. Da natureza utilizo a forma de uma folha, de uma mancha, de um tronco de árvore, etc. Das formas mecanizadas revitalizo as já criadas pela sociedade industrial -parafusos, bico de mangueiras, caixas de isopor, etc. Minha obra sai da natureza e desemboca no urbano, como que acompanhando as transformações de paisagem até chegarmos à metrópole.

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Maurício Chaer / Foto: Nelson Rubens Spada

Revelação Um
Sou do Partido dos Trabalhadores, afinal é o último dos partidos.

Revelação Dois
Quando Tancredo Neves morreu fiquei emocionado com a Fafá de Belém cantando o Hino Nacional.

Liberará
Cedo ou tarde a maconha será liberada no Brasil. Porque só a Souza Cruz pode? É como o jogo do bicho e a loteca.

Punks
Os punks são o rococó do pop.

Tesão

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Jardim do artista / Foto: Divulgação

O sexo precisa ser livre.

Papel Molhado
Faculdade é um título, igual à carteirinha de identidade, bilhete de metrô: mas se não tiver não passa.

Centro Cultural de Mogi das Cruzes
O normal para não dizer o certo, seria a construção de um (porque só as outras áreas podem usar essa bonita palavra) no Centro Cívico, mas deixa isso para quando eu for Secretário de Cultura ou, melhor, Prefeito Municipal da cidade. Depois, claro, que me tornar um acadêmico. Assim, enquanto a cidade não conta com um Centro Cultural deveria chamar-se Secretaria do Teatro, ou do Carnaval, ou ainda da Merenda Escolar ou então limitar-se a divulgar para a população mogiana o que passou no programa televisivo Panorama, da TV Cultura de São Paulo, na noite anterior (será que eles assistem!), pois a maioria, como se sabe, está ligada na TV do Silvio Santos, ou no Jornal Nacional da TV Globo ou nas escolas de samba…

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Showrrom do artista / Foto: Divulgação

Trabalhar!
Vivo da arte. Não é fácil, mas acredito que vai dar. Não tenho dia para trabalhar. Todos os dias são iguais. Aumentar a produção é o objetivo. Cresço dentro do meu trabalho.

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Pintura, Maurício Chaer

Sonhos
O sonho é o trabalho diário.

Aforismo próprio Um
Se pintar de novo. Pinta na tela da Globo.

Aforismo própio Dois
Nossos valores [do Pícaro] são outros. ●

● Esta entrevista faz parte do projeto do livro A Tumba Aberta e foi publicada no jornal Pícaro de Mogi das Cruzes em maio de 1985.

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Maurício Chaer no jornal Pícaro em maio de 1985

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Arte

46) AKINORI NAKATANI: Ceramista

“MAS EU SOU UM JOVEM ARTISTA BRASILEIRO”

por Jairo Máximo

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Akinori Nakatani em Mogi das Cruzes / Foto: Nelson Rubens Spada

Akinori Nakatani (Osaka, Japão, 1943) Ceramista. Em 1966 formou-se em Artes Plásticas pela Faculdade Pedagógica de Kyoto.  Em 1971 aceitou o convite do corpo de Voluntários do Japão e veio para a América do Sul. Aportou primeiramente em El Salvador e foi lecionar arte cerâmica no Centro Nacional de Arte. Em 1974 chegou ao Brasil. Em 1978 veio para Mogi das Cruzes. Aqui continua sua produção artística sem concessões ao mercado artístico. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Mogi das Cruzes, afirma: “Quero conseguir com o trabalho de barro ser único”.

Primeiros passos no Oriente
Depois de terminar meus estudos de Artes Plásticas, em Kyoto, fui viver em Osaka e trabalhei como decorador. Em 1968 atraído pela cerâmica, tornei-me discípulo do professor Mitsuo Kanno, de Kyoto, assimilando a técnica tradicional japonesa em alta temperatura e outras técnicas modernas. Em 1969 fiz minha primeira exposição (coletiva) no Salão Kansai-ten, no Museu de Arte de Osaka, sendo que no ano seguinte me interessei pelo artesanato popular e fui viver num pequeno povoado rural de Fukuoka-ken entre artesões de cerâmica. Pra ser artista precisa ter curiosidade.

Primeiros passos no Ocidente

Sem título, Akinori Nakatani

Em 1979 realizei uma exposição no Museu de Arte de São Paulo (MASP), que segundo a crítica especializada definiu a linguagem Nakatânica. Em 1980 participei da Bienal Internacional de Cerâmica de Arte, Vallauris, França, e da exposição Cerâmica Hoje, realizada na Fundação Cultural de Brasília, DF, além de ter recebido o prêmio Medalha do Presidente da República, do Concurso Internacional de Arte, Faenza, na Itália. Em 81 retornei ao Japão e realizei várias exposições: Kyoto, Tókio, Osaka, etc. Em 83 realizei uma retrospectiva de minhas obras no Museu da Imagem e do Som, de São Paulo.

Sina do Homem
Eu -Akinori Nakatani- tenho cinco filhos e não é por acaso. É bom fazer filho. Se não existir filho o homem não existe. Uma pessoa nasceu de sua mãe por isso ela existe. Precisamos reproduzir.

Vitalidade do artista
Minha atitude diante da cerâmica é a de ultrapassar os limites da técnica, mas aprendendo uma a uma, praticando-se no sentido de extrair de cada uma delas a ampliação da criação através do barro.

Filosofia sim
Não tenho religião. Não sou budista. Acho que se falar assim brasileiro vai pensar que é muito esquisito. Mas tenho uma filosofia de vida, mas religião acho que não tenho.

Arte maior
Todo ceramista é concorrente meu, do meu trabalho. Acho que um artista deve pensar numa peça que não existe.

“Instrumento religioso”, obra de Akinori Nakatani

Não sei por que tem que gostar. Se for muito bom eu preciso concorrer com ele. Esse pensamento dá energia.

Vestindo camisa
Mas eu sou um jovem brasileiro. Para mim depois que termino de fazer a peça o objetivo termina. A relação com a venda não é bom, mas para sustentar a vida é preciso. Vender entristece.

Cultura em Mogi das Cruzes
Eu acho bem fraco. Só isto. Eu acho fraca a cultura em Mogi das Cruzes.

Criticar é necessário
Para o artista é bom ouvir crítica do crítico. Mas pouco crítico de arte sabe falar da obra. Eles não falam mal. Só falam bem. Às vezes nem interessa falar…

Política brasileira
É preciso suprir o gasto público. Se gasta muito com isso no Brasil. As coisas são de cima para baixo. Uma coisa imposta. A situação atual não está mudando nada.

Faculdade é piada
Não tem boa faculdade no Brasil. No caso das Artes Plásticas quem está ensinando em curso de cerâmica não sabe cerâmica. Este problema é o maior de tudo.

Dados anexos
Eu preciso dormir muito, quase dez horas por dia. Não ouço música, não vou ao teatro, cinema e não assisto TV. Tenho poucos amigos. Trabalho muito.

Didática pessoal
Quando faço os meus trabalhos, às vezes, faço o desenho antes, outras vezes, faço primeiro a miniatura e depois passo a execução da obra, ou ainda, vou fazendo sem planejamento e a forma vai surgindo à medida que vou trabalhando. O que fazer? Que forma dar a argila? São questões impossíveis de discorrer em poucas palavras, pois depende da filosofia da vida, da relação entre vida e cerâmica e do treinamento artístico de cada um.

Esclarecimento público
Apesar de fazer esculturas, considero-me antes de um escultor, um ceramista. Comecei a fazer cerâmica atraído pelas amplas possibilidades que o material oferece. E é com essa atitude de ceramista, de explorar as possibilidades de criação através do barro, que faço minhas esculturas. Às vezes faço também um cinzeiro, pratos ou xícaras para minha casa.

Ruínas fascinantes

Mary Noriko Nakatani, mulher de Nakatani, também é ceramista

Quando eu cheguei à América do Sul fui bastante influenciado pelas Ruínas Mayas, Incas e Astecas. Senti algo muito grande e forte visitando as ruínas astecas. Isso é difícil de te explicar.

Peroração
Quando eu trabalho com barro penso que para apresentar uma característica no barro, por exemplo, coloco a marca de um dos meus dedos… Quero conseguir com o trabalho de barro ser o único. As técnicas da cerâmica são aquelas que procuram extrair do material utilizado toda a beleza que lhe é própria e, por outro lado, nos auxiliam na realização de obras sem imperfeição.

Texto exclusivo para o Pícaro:

OBJETOS RITUAIS
(Akinori Nakatani)

Sem título, obra de Akinori Nakatani – Estação Metrô Tiradentes, São Paulo, Brasil

Ao examinarmos o processo histórico que conduz a humanidade, podemos constatar que nos últimos 200 anos a civilização europeia vem ocupando uma posição dominante, por vezes sobrepondo-se a outras civilizações. A maioria dos cientistas ocidentais pós-renascimento são europeus, assim como as bases do pensamento científico atual tem suas raízes europeias.

A ciência evoluiu a tal ponto que através dela podemos imaginar o futuro da civilização e dentro de que limite ela fará seu avanço. O efeito colateral dos medicamentos, os danos causados pelos agrotóxicos, pelas armas modernas ou pelos acidentes de trânsito, são contradições criadas pela civilização moderna. Para solucionar radicalmente esses problemas é preciso eliminar as conquistadas dessa civilização. Mas o avanço histórico é irreversível e a humanidade caminha implacavelmente apesar das pessoas que tomam consciência dessas contradições, apesar dos indivíduos que a querem modificar.

Atelier da família Nakatani em Mogi das Cruzes, São Paulo

Dos tempos primitivos aos dias atuais a humanidade passou por uma transformação completa em termos de complexidade, devido ao desenvolvimento do pensamento humano ou do cérebro humano. Entretanto o homem conservou não só a forma do seu corpo, mas também os seus instintos. O fenômeno de eclipse solar, por exemplo, nos provoca um sentimento de insegurança apesar de conhecermos cientificamente as causas do fenômeno; o conhecimento sobre a morte não aboliu o medo dela. Tais sentimentos, semelhantes ao sentimento de temor dos fenômenos da Natureza do homem primitivo, nos permitem constatar que os instintos humanos não mudaram desde os tempos primitivos.

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Akinori Nakatani / Foto: Nelson R. Spada

O meu trabalho tem o seu lado primitivo, justamente porque tem suas origens na ideia de que mesmo que os fenômenos da Natureza tenham sido esclarecidos pela ciência, os sentimentos ligados aos instintos humanos não foram alterados. O meu trabalho é, pois, a manifestação desses sentimentos. Tem a mesma função dos objetos utilizados nos rituais religiosos. O homem primitivo criou objetos para através de rituais -mágicos- afastar os temores dos fenômenos da Natureza. Participando da civilização moderna, procurando dar o meu trabalho uma função semelhante. Nesse sentido, o meu trabalho é sobre “objeto ritual religioso dos dias atuais”.●

● Esta entrevista faz parte do projeto do livro A Tumba Aberta e foi publicada no jornal Pícaro de Mogi das Cruzes em junho de 1986.

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Akinori Nakatani no jornal Pícaro em junho de 1986

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Arte

42) PIETRO MARIA BARDI: Jornalista, escritor e cofundador do MASP

“TENHO A VIRTUDE DE UM CONHECEDOR DE ARTE”

por Jairo Máximo

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Pietro Maria Bardi em São Paulo / Foto: Marisa Uchiyama

Pietro Maria Bardi* (La Spezia, Itália, 1900) Jornalista e escritor. Cofundador e diretor do Museu de Arte de São Paulo Assis Chateaubriand (MASP) que conta com a mais importante coleção de arte da América Latina. É autor de diversos livros e artigos sobre artes ou outras divagações. Chegou ao Brasil na década de 40 trazendo duas exposições de arte italianas. Nesta entrevista exclusiva, concedida em São Paulo, afirma: “Não sou um artista. Ser artista é fazer arte o dia todo e, se possível, a noite toda”.

Hoje

Não tenho amanhã, trabalho sempre pensando no agora.Resultado de imagen de libros de Pietro Maria Bardi

Bola pra frente

A vida se dá para frente. Sempre virá o amanhã.

Feliz!

Nunca me perguntei se sou feliz ou infeliz.

Domingão

Adoro o domingo porque tenho o dia todo livre para trabalhar.

Prazer

Gosto muito de trabalhar. O trabalho me dá o máximo de prazer.

Moleque esperto

Tenho um passado muito rico porque comecei minha vida muito cedo, bem cedinho.

Ser inteligente

Aí, levei um escorregão, bati a cabeça e fiquei inteligente, mas isso é só ironia.

Portinari, Di Cavalcanti e Lasar Segall

Quando abri o Museu de Arte de São Paulo, a primeira coisa que fiz foi comprar, pessoalmente, um Di Cavalcanti, um Lasar Segall e um Cândido Portinari e doar à Galeria de Arte Moderna de Milão. Não expuseram porque eram pintores do terceiro mundo.

Semana de 1922

A Semana de 22, apesar de ser a reprodução da Escola de Paris, foi à explosão de um desejo de novidades, onde se destacou também o valor de vários artistas.

“Futebol em Brodósqui”, de Cândido Portinari

Abre alas

Respeito muito os pioneiro todos os que rompem uma tradição, todos os que, ao invés de acomodarem na rotina, pensam em dar uma palavra nova.

Século fértil

Neste século tivemos muitas novidades.

Virtude

Eu tenho a virtude de um conhecedor de arte, conheço o passado, se isto é ser conservador.

Pietro Maria Bardi e Assis Chateaubriand

Não entramos (Bardi e Chateaubriand) para a história, entramos para a crônica, que é mais do que a primeira, pois está sendo discutida agora. A história só se faz um século depois, no mínimo.

“Duas Amigas”, de Lasar Segall

Mestre

Se ensino alguma coisa hoje é apenas para manifestar minhas ideias. Não tenho a intenção de que o outro as aceite. Manifestar-me sempre foi uma das minhas preferências.

Escrever

Toda semana escrevo uma página na revista Senhor. Chame a isto de mania, ou de vício, não sei, ou até de esquizofrenia.

Ser Artista

Não sou um artista. Ser artista é fazer arte o dia todo e, se possível, a noite toda. ●

N. do A. – Participou nesta entrevista Robson Regato, publicitário.

● Esta entrevista faz parte do projeto do livro A Tumba Aberta e foi publicada no jornal Pícaro de Mogi das Cruzes em dezembro de 1986.

* Pietro Maria Bardi morreu em outubro de 1999 em São Paulo, Brasil.

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Pietro Maria Bardi no jornal Pícaro em dezembro de 1986

 

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Arte

28) BARRY FLANAGAN: Escultor

“ODEIO CONCEDER ENTREVISTA”

por Jairo Máximo

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Barry Flanagan em Madri / Foto: Marisa Perles

Barry Flanagan* (Prestalyn, Flintshire, Gales do Norte, Inglaterra, 1942) Escultor. Sua obra é polifacética, camaleônica, individualista, excepcional e memorável. Suas esculturas ocupam uns lugares privilegiados nas principais coleções públicas e privados do mundo. Realiza um trabalho poético, nada conceptual. Sua religião é a Patafísica e seus heróis Alfred Jarry, Auguste Rodin y Joan Miró. Bebe de todas as fontes… E copos. Nesta entrevista exclusiva, concedida em Madri, afirma: “Sou operário da arte”.

Prefácio
Barry Flanagan nunca interpreta suas obras e foge dos discursos teóricos. Está considerado como um dos grandes da escultura, tendo incorporado a tradição escultórica que compreende a Constantin Brâncusi, Joan Miró e Henry Moore. Muitos teóricos constatam a relação da obra de Miró e Flanagan, ambos admiradores de Jarry. No final da década de sessenta converteu-se em uma importante referência dentro do panorama da revolução escultórica que aconteceu no eixo Estado Unidos/Europa, quando os pos-minimalistas, incorporado em distintas correntes artísticas -process-art, arte povera, anti-form, funk-art, arte conceptual e land-art-, revisaram as práticas artísticas tradicionais, e passaram a utilizar novos materiais e processos criativos, em um momento de grande agitação cultural e social.

Dados patafísicos ao vento
O espírito iconoclasta do escritor francês Alfred Jarry é parecidíssimo com o de Flanagan. Os traços de Jarry aparecem inclusive na forma de falar e viver do artista. Batizou seu filho de Alfred, em homenagem ao escritor predileto. No entanto, a ironia não é a única característica das esculturas de Flanagan, porém é necessário recordar está divida com o autor de Ubú Rei na hora de interpretar sua obra. Antes de cair na vida artística Flanagan estudou arquitetura, mas não concluiu. Em 1958 chega a Londres e trabalha de cozinheiro, pintor de parede, jardineiro… enquanto estuda na St. Martin’s School of Art, e inicia sua carreira artística. Sua linguagem mais original surge nos oitenta, como um todo, quando cria uma série de monumentais lebres de bronze, irônicas e pessoais, em posição e atividades antropomórficas, que traduz em si a mais pura tradição humorística britânica e a patafísica. Algumas esculturas chegam a pesar uma tonelada e medem entre três e quatro metros de altura. Estão bem cotizadas no mercado, sempre para mais. Também é executor de outra grande família animal em bronze integrado por unicórnios e cavalos. O unicórnio é o símbolo da fertilidade; o cavalo da virilidade, que ao mesmo tempo é o arquétipo da escultura clássica.

Revelações do artista
Em 1964 através da revista The Evergreen (número 13, 1960) conheci a Patafísica -Ciência das Soluções Imaginárias- e passei a ser discípulo desta imaginativa ciência. Neste mesmo ano aluguei um smoking e fui beijar a mão de Joan Miró, durante a retrospectiva do artista espanhol na Tate Gallery de Londres. No ano seguinte, pronunciei um poema silencioso com os lábios na II Mostra Internacional de Poesia Experimental, no St. Catherine’s College, Oxford. Em 66 realizei minha primeira exposição individual, no Rowan Art Gallery de Londres. Em 69 a Tate Gallery adquiriu minha obra aa ing! gni aa, de 65, considerada como a mais ambiciosa e de melhor resolução, entre as minhas primeiras obras. Em 1976 filiei-me a Zoological Society of London. Em 78 importei três toneladas de pedra de Pietrasanta (Itália). Em 1980 iniciei um estudo para produzir uma série de cavalos de bronze, de tamanho natural, em homenagem aos cavalos de São Marcos. Em 82 doei um grupo de esculturas cerâmicas para um leilão público organizado em prol da Anistia Internacional. Em 1990 chamei o bailarino Merce Cunninghan em cena seis vezes, ao menos recorda que foram seis, para que Merce sentisse minha apreciação.

Qual é a relação de sua obra com a Patafísica -a ciência das soluções imaginárias?
O trabalho é uma ocupação, mas não estou preocupado com ele, porém ajuda a ter umas ideias. É bonito trabalhar e receber. Que mais posso desejar… Mas eu não estou preocupado com ele, porque tenho uma bicicleta. Quanto mais trabalho mais tempo tenho para retrabalhar. É vital trabalhar. Sou um operário da arte. A Patafísica é a ciência que não propõe remédios, nem oferece solução de tipo nenhum. Tudo é indiferentemente válido, sem preconceitos sobre a matéria, as ideias e as intenções. A arma é o absurdo. Os colecionadores de arte necessitam de carinho, de cafuné… O nome traciona a escultura inclusive se não pudesse ter outro nome… O nome é uma piada, como é sua descrição… A existência é Patafísica, o espírito escapa… O mistério é soberbo pata físico.

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Barry Flanagan em Madri / Foto: Marisa Perles (Arquivo Blog do Pícaro)

De que toca (lugar-escondido) saiu sua lebre?
A lebre representa o indivíduo mais que o grupo, preocupação atual do Ocidente. Sou o caçador e a lebre. A lebre como animal do campo, do norte da Europa, e especialmente da Inglaterra, forma parte de um ritual. A caça da lebre com cachorros continua jogando com a moral do esporte. Um homem e o cachorro, ou um grupo de pessoas, caçam. O objetivo do esporte não é somente a perseguição. Emblematicamente a figura da lebre representa a liberdade de perseguir. É um modelo bastante rico e expressivo. Outorgar atributos humanos no mundo animal é um recurso habitual na literatura, no cinema, etc.…, que realmente é comovedor.

Por que ainda hoje em dia a cerâmica não está devidamente cotizada?
A fotografia hoje está cotizada. Falta pouco para a cerâmica ocupar seu lugar de arte nobre. Na cerâmica entrega seu trabalho a sorte e ordem: o mistério do fogo. Tenho que gostar de ser fotografado porque cada um tem que fazer seu trabalho.

Ibiza é Espanha, porém Espanha não é Ibiza…

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Convite da exposição de Flanagan em Madri em 1993

Ibiza tem uma posição similar a Manhattan na América do Norte. Geograficamente tem uma relação com a Península, da mesma forma que Manhattan nos Estados Unidos. Ibiza não é Espanha. Manhattan não é América. Ambas estrangeiras!

Arte é alquimia?
E se te disseres que não é… Posso não responder? Você tem bicicleta?

Somos livres… Depois de concluída uma obra você tem orgasmo?
Orgasmo é algo… A ideia representa a finalização como um estado físico de concentração; é a gratificação alcançada… mantida! O orgasmo assim como a alquimia é uma ideia naif, uma ingênua ideia de o simples conseguir. Eu prefiro ser, mas usual. Poderia até te dizer natural.

Onde está o novo?
A ideia do novo é também uma ideia ingênua. O novo é uma ideia contemporânea, a que compartimos o meio artístico. Neste momento o mundo está mudando, melhor dizendo, esta mesa de ideias que você contribuir, sem descontar a ideia de revolução envolvida no futuro. Nós também temos ideias ingênuas a respeito da revolução no mundo das artes, por exemplo, e é a de fazer algo novo. Este é um desafio normal. Bem, aqui estamos ambos, com nossas aspirações presentes na mente e que costumam serem necessidades. Aí estão alguns sonhos e que no caso da arte é talvez a primeira forma legítima de trabalho. Talvez…

Como deve definir a trajetória do artista Barry Flanagan?
A maneira mais fácil de definir minha trajetória é pela via do sensorial, e pelo visual, naturalmente. A visão é o principal para mim, e isso inclui a percepção do espaço através dos meus olhos. Odeio conceder entrevista. Vem comigo!

Tem bicicleta? Sabe montar?
Sim, tempo uma bicicleta e também sei montar. Mas não uso. Sou susceptível e nunca cai dela. Tchau! Vou embora. Vem comigo? Mas não esqueça que a escultura tem a capacidade de conectar diretamente com o impulso de todos os homens a pensar, estruturar e organizar sua existência; e que no comércio das artes as soluções imaginárias podem-se transformar em praticas.

Viva a liberdade!
A única ação útil que pode realizar um escultor é auto afirmar-se com o dobro de energia de uma forma negativa.
Comecei com materiais informais e pouco a pouco adquiri a técnica necessária para fazer peças em cerâmica, pedra e bronze.
Miró chega as suas formas mediante processos intelectuais, que não é o meu caso.
A escultura tem a capacidade de responder diretamente o impulso de todos os homens de pensar, estruturar e organizar sua existência.
No comércio, as soluções imaginárias podem converter-se em práticas.
A mitologia china considera que a lebre é o único habitante da Lua, e ao mesmo tempo, representa a imortalidade. Os japoneses dizem que os deuses ordenaram a que todos os animais trouxessem presentes para eles. Enquanto que todos os outros animais enviaram coisas variadas, a lebre se auto- apresentou, e ainda assada. Está identificada com o talento.
A liberdade de eleição não quer dizer preconceito de algo.
Good bye. Vem comigo? ●

● Esta entrevista faz parte do projeto do livro A Tumba Aberta e foi realizada para a agência Radial Press de Madri e revista Animal de São Paulo em novembro de 1993.

* Barry Flanagan morreu em agosto de 2009 em Ibiza, Espanha.

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