“Do sublime ao ridículo, é só um passo.” (Napoleão)

Por Jairo Máximo

Madri, Espanha – (Blog do Pícaro) – No começo de dezembro de 2019 o governo chinês divulgou que uma “pneumonia desconhecida” circulava em Wuhan. No último dia do ano as autoridades chinesas reconheceram que era um novo coronavírus. No dia 11 de janeiro de 2020 o mundo foi alertado (e ficou indiferente) que um cidadão daquele país morreu vítima do coronavírus desconhecido. No dia 30 de janeiro a Organização Mundial da Saúde (OMS) declarou a denominada ESPII (Emergência de Saúde Pública de Importância Internacional) por causa da expansão do coronavírus identificado como SARS-CoV-2, que origina a covid-19. No dia seguinte foi registrado o primeiro caso da doença na Espanha. Uma semana depois, morreu vítima da covid-19 o oftalmologista chinês Li Wenliang, enquadrado pela policia por alertar o aparecimento do coronavírus antes que as próprias autoridades do país reconhecessem o risco. No dia 13 de fevereiro registra-se a primeira morte na Espanha. No dia 11 de março a OMS declara “Pandemia Mundial”. Três dias depois, o governo espanhol decretou o estado de alarme para frear o avanço da pandemia que durou três meses. Estamos na primeira quinzena de fevereiro de 2021 e mais de 65 mil pessoas já faleceram na Espanha vítimas da covid-19. No mundo inteiro faleceram pelo menos dois milhões de pessoas. O SARS-CoV-2 é um vírus pandêmico. Propaga-se com grande rapidez. Afeta a saúde pública universal e desmorona a economia universal.

Imoralidade. Durante todo o ano pandêmico a medicina lutou contra o relógio para encontrar a desejada vacina contra a covid-19. Com o seu descobrimento, em dezembro de 2020, o mundo inteiro celebrou essa façanha científica sem precedentes. No começo de janeiro de 2021 o governo espanhol colocou em prática o plano nacional de vacinação seguindo um rígido protocolo de prioridades. No entanto, muitos cidadãos espanhóis incivilizados – generais, tenente-coronel, prefeitos, vereadores, secretários de Saúde, secretários municipais, políticos, padres, bispos, e outros− foram descobertos violando os protocolos estabelecidos para a vacinação. Nenhum deles fazia parte dos grupos prioritários de imunização. O Ministério Público Federal vai investigar se estas denúncias constituem algum tipo de infração. “Estamos diante da prova mais evidente da falta de humanidade e moral de muitos servidores públicos”, alertou a escritora Almudena Grandes no diário El País. É óbvio que o general, chefe do Estado Maior da Defesa, se demitiu do cargo depois da publicação da notícia que ele e outros altos cargos militares sob sua ordem vacinaram-se violando o plano governamental estabelecido. Evidentemente que fura fila existe em qualquer lugar do mundo. No Canadá, um magnata e sua esposa simularam serem trabalhadores de um motel de uma aldeia canadense perto do Alasca para se imunizar antes que os índios nativos. Na Polônia, onde se encontra a maior proporção de cidadãos que temem mais a vacina que ao próprio vírus, um ex-primeiro-ministro, políticos e diversas personalidades do mundo da cultura, também desrespeitaram deliberadamente os protocolos estabelecidos. Quanta miséria moral sem fronteiras!

Pressa. Todos os governos devem acelerar as campanhas de imunização contra a covid-19. Neste momento, a infecção do vírus e suas variantes continuam ganhando terreno nos cinco continentes. Se não se controlar imediatamente a pandemia muito mais pessoas vão perder a vida e demorará muito mais tempo para se chegar à desejada e necessária recuperação econômica. O maldito coronavírus SARS-CoV-2 desordenou nossas vidas e está gerando uma depressão social sem precedentes. ●