Arte e Cultura

Mauricio Villaça en bruto

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Mauricio Villaça fue uno de los precursores del Street art brasileño / Foto: Jorge Beraldo (Archivo Blog do Pícaro)

“Desde la prehistoria el hombre habla, come, baila y hace grafiti”.  (Mauricio Villaça, artista plástico brasileño)

Por Jairo Máximo

Madrid, España ─ (Blog do Pícaro) ─ Los primeros grafitis artísticos que llamaron mi atención, a finales de los años 70 y principios de los años 80 del siglo pasado, fueron realizados en las calles de São Paulo por los precursores del street art en Brasil, los artistas plásticos Alex Vallauri, Waldemar Zaidler, Carlos Matuck, Hudnilson Jr., John Howard, Julio Barreto, Ozi y Mauricio Villaça, entre otros.

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Obra de Mauricio Villaça, años 80 del siglo XX.

El Street art en Brasil arranca  en 1978. La ciudad de São Paulo ─fue y es─ la cuna de este movimiento. En sus orígenes algunos de sus precursores hasta llegaron a ser encarcelados. Por aquel entonces la dictadura militar brasileña (1964-1985) era muy diligente.

Actualmente, en Brasil, desde 1988, se celebra el día 27 de marzo como el Día Nacional del Grafiti, fecha de la muerte del artista plástico Alex Vallauri.

“Mi intención es engalanar la ciudad, transformar el paisaje urbano con un arte vivo, popular, en el cual las personas participen”, decía Alex Vallauri (1949-1987).

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Obra de Mauricio Villaça, años 80 del siglo XX.

En enero de 1990, entrevisté en São Paulo a Mauricio Villaça, uno de los precursores del movimiento street art brasileño, considerado maestro en la utilización del esténcil. Por aquel entonces el artista tuvo la generosidad de transformar su casa en una galería de arte denominada Art Brut, un punto de encuentro de la vanguardia artística brasileña afincada en la gran urbe. En 1993, Mauricio Villaça murió víctima del SIDA, dejando un legado aún por descubrir, aunque el artista quemó antes de su fallecimiento, casi el 80% de su producción artística.

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Obra de Mauricio Villaça, años 80 del siglo XX.

La entrevista exclusiva, destinada a la desaparecida agencia de noticias española Imagen Press, no fue publicada en su momento, y las palabras del artista se las llevó el viento, en un tiempo en que la computadora e Internet eran una quimera. Sin embargo, la imagen gráfica de aquél encuentro se quedó. Era inédita hasta este post. •

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Obra de Mauricio Villaça, 1988, que se podía encontrar en las calles de São Paulo.

Postal de Mauricio Villaça, de la serie Grafiti la Vida. / Archivo Blog do Pícaro.

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Postal de Mauricio Villaça, de la serie Grafiti la Vida. / Archivo Blog do Pícaro.

Catálogo de la exposición Electro Grafiti, de Mauricio Villaça, realizada a finales de los años ochenta del siglo pasado en São Paulo / Archivo Blog do Pícaro.

 

 

 

 

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Desvendando um jornalista de patas

Resultado de imagen de portadas del libro El oficio de contar“Ainda existem pátrias na terra para os homens livres”. (Chaves Nogales)

Por Jairo Máximo

Madri, Espanha  ─ (Blog do Pícaro) – Antes de começar a ler a bem documentada biografia Chaves Nogales – O ofício de contar, de Maria Isabel Cintas Guillén, catedrática de Língua Castelhana e Literatura e doutora em Filologia Hispânica pela Universidade de Sevilha, já tinha lido e ouvido boas críticas referentes a esta obra. Além disso, sabia do esforço que a autora fez ─depois de defender, em 1998, a tese “Manuel Chaves Nogales. Quatro reportagens entre a literatura e o jornalismo”─, para resgatá-lo do ostracismo imposto pelos franquistas e outras forças políticas.

Resgate histórico

Chaves Nogales, O ofício de contar (2011), é um primoroso trabalho de resgate histórico sobre a intensa e surpreendente trajetória profissional do jornalista e escritor espanhol.

“Manuel Jacinto José Domingo Chaves Nogales nasceu no dia 7 de agosto de 1897, na Rua Dueñas, nº 11, “rua triste e silenciosa”, como ele a definiu, no centro histórico de Sevilha”, escreve Cintas Guillén. “Morreu no dia 4 de maio em Londres vítima de uma peritonite. Foi enterrado no cemitério de Fulham (North Shueen y Mostake) em Richamond, Kew, perto de Londres, no dia 11 de maio de 1944. Assim consta no registro. Tumba CR19. A cova é identificável entre dois túmulos”.

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A perseverante Cintas Guillén durante a promoção do livro O ofício de contar.

Em uma fotografia que a autora encontrou em Londres, realizada durante o funeral de Chaves Nogales, estão: A. Sala (advogado catalão refugiado empregado da agência do jornalista), J. Motriz de Aragão, embaixador do Brasil; Mac Ewen, amigo; D. A. Rosenweig Díaz, embaixador do México; J. Jaramillo Araújo, embaixador da Colômbia; Frances Kaye, secretária e colaboradora de administração na empresa; J.M. Bianchi, embaixador do Chile; Márquez Ricaño, da embaixada do México; Paz Castillo, da Venezuela; os ministros de Cuba e da República Dominicana e outros.

Na capital inglesa, o jornalista fundou uma agência, escreveu artigos para jornais latino-americanos e trabalhou como jornalista no frente de guerra, ao lado dos exércitos aliados que lutavam na Europa contra a Alemanha nazista.

Para o escritor basco Pío Baroja (1872-1956), o sevilhano Chaves Nogales era um jornalista de patas, aquele que busca a notícia onde ela está, com eficácia e um ponto de risco.

Chaves Nogales – O ofício de contar é, simplesmente, um compêndio de dados sobre a sua vida profissional que reuni ao longo de um tempo determinado. Durante muitos anos consultei arquivos, bibliotecas e hemerotecas, primeiro em Sevilha e Madri, depois em Paris e Londres e, em seguida, na América Latina, procurando colaborações e informações numa averiguação minuciosa”, explica a autora.

 Boca a Boca

A primeira informação que Cintas Guillén encontrou sobre Manuel Chaves Nogales foi por intermédio do doutor Reyes Cano, da Universidade de Sevilha, em 1990, quando ela lhe pediu que sugerisse um tema para elaborar sua tese de doutorado.

Resultado de imagen de portadas del libro El oficio de contar“Ele disse-me que se tratava de um jornalista sevilhano que tinha escrito uma biografia do toureiro Belmonte, com a qual tinha obtido um relativo êxito: era o autor de outro livro sobre a revolução russa, O mestre Juan Martínez que estava ali, e, logicamente, falou-me do seu livro sobre Sevilha, A cidade, um dos melhores sobre o tema local tão em moda nas primeiras décadas do século XX. Proporcionou-me alguns poucos artigos de imprensa relacionados com o jornalista. Disse-me, também, que de vez em quando, algum intelectual intercedia por ele e lamentava que continuasse sofrendo um injusto ostracismo”, explica Cintas Guillén.Resultado de imagen de portadas del libro Belmonte, de Chaves Nogales

Oito anos depois, em 1998, Cintas Guillén defendeu a tese “Manuel Chaves Nogales. Quatro reportagens entre a literatura e o jornalismo”.

Em seguida, ela continuou averiguando a atividade profissional de Chaves Nogales, autor de uma inspiradora obra literária que inclui esplêndidos artigos jornalísticos, reportagens, biografias, contos e romances.

Na introdução do O ofício de contar, ela conclui que dois temas destacam-se no conjunto de interesses informativos de Chaves Nogales, “que não são outros que as duas grandes forças locomotoras de todas as comoções sofridas pela Europa no século passado: a revolução russa e as suas conseqüências, e a presença no panorama europeu do nazismo e do fascismo, expressões para o jornalista de um mesmo caráter antidemocrático, filhos de um mesmo sentir totalitário, implacável e destruidor. (…) Em um país pouco dado à imparcialidade e em uns momentos de posturas visceral como sinônimo de comprometidas, tentou manter a mente serena e relaxada ao julgar os acontecimentos, realizando contínuos apelos à calma e conciliação quando os gritos da luta impediam o sossego. Pagou com o ostracismo à ousadia deste intento, que se demonstrou inútil. No entanto, o tempo lhe traz de regresso, como uma onda de uma maré que volta a beira de uma Espanha que já conhece muito bem os resultados daquelas aventuras, e está em condições de evitar que se repita a história. Otimista sem trégua foi capaz de declarar, nos piores momentos do êxito que teve que viver em solidão: “Ainda existem pátrias na terra para os homens livres”.

Fragmentos de O ofício de contar

“Chaves Nogales era capaz de estabelecer conexões que atravessavam a mais simples notícia ao âmbito mais atual e denso de conteúdo”.

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“Uma editora portuguesa, a Editorial Enciclopédia Limitada (Lisboa – Rio de Janeiro) começou a publicar em 1935 a sua coleção “As grandes tragédias reais”, (dando à palavra real à acepção de verdadeira), com a reportagem “As ruínas do Império Russo”. A editora justificava a publicação deste trabalho assim:

            Chaves Nogales o narra [refere-se ao panorama da Rússia branca] com aguda e inexorável verdade, com a crueza e serenidade de um grande mestre da reportagem, ouvindo as misérias dos lábios dos próprios miseráveis, pintando uma extensa galeria de quadros ao ar livre, palpitante e surpreendente, sobre um fundo de sangue, ódio e neve, o mesmo telão de fundo que serve para a execução de Nicolau II, do pequeno herdeiro, da Imperatriz e das princesinhas, na grande ratoeira de Ecaterimburgo, sobre a neve implacável…”.

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Lo que ha quedado del imperio de los zares, foi publicado na Espanha em 1931.

“O governo de Franco quis eliminar o vestígio do jornalista condenando-o no dia 16 de maio de 1944 (uma semana após sua morte), e através do Tribunal de Repressão da Maçonaria e o Comunismo,

            (…) a pena de prisão de 12 anos e um dia de prisão de menor, e a proibição perpetua para ocupar qualquer cargo do Estado, Corporações Públicas e Oficiais, Entidades Subvencionadas, Empresas Concessionárias, Gerencias e Conselhos de Direção de empresas privadas, assim como cargos de confiança, chefia ou direção dos mesmos, afastando-o definitivamente dos mencionados cargos, que proceda a busca, captura e prisão do sentenciado. (…)*

*Expediente da condenação de Chaves Nogales por pertencer à Maçonaria. Aproximadamente dois milhões e meio de pessoas foram fichadas como “vermelhos” [comunistas] e inimigos do Estado Novo.Imagen relacionada

O homem que estava ali

Depois de terminar a leitura da biografia O oficio de contar, imagino uma novela ou uma série de TV sobre os 47 anos ─bem vividos?─ de Chaves Nogales, o homem que estava ali, de peito aberto, sem perder o estilo e a ética. Um espanhol inquieto dono de uma pluma privilegiada que desfrutou do êxito do profissional e acabou no ostracismo.

“Talvez alguém algum dia decida novelar a vida de Chaves Nogales, da qual nem tudo está dito e escrito. Não faltará nela fatos de grande interesse. No meu caso foi um atrevimento tentar fazer uma biografia, somente profissional, de quem foi considerado por seu Belmonte o melhor biógrafo do século XX espanhol”, constata Cintas Guillén. •

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Chaves Nogales, em Astúrias, Espanha, com as testemunhas do assassinato do padre de Sama (diário Ahora, 27 de outubro de 1934).

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