Política

DANZAD, DANZAD, BANDERAS

IMG_20171015_142904[1]

Banderas rojigualda encontradas en una céntrica calle madrileña. / Foto: Jairo Máximo

Por Jairo Máximo

MADRID – España ─ (Blog do Pícaro) – Desde la cuna conviví con la bandera de Brasil a la vista. Todo un símbolo nacional venerado por todos; sin distinción de clase social, ideología o religión. Crecí con ella armoniosamente. La encontraba en las dependencias públicas, casas particulares, tiendas, garitos, conciertos, eventos deportivos, festivos, manifestaciones políticas, etcétera. En la adolescencia descubrí que muchas chicas llevaban braguitas con esta insignia. Me gustaban las chicas, pero no la seña de identidad nacional plasmada en sus prendas íntimas. Nunca me ha gustado ningún símbolo nacional: bandera, himno, uniforme, etcétera.

Décadas después, cuando vine a vivir a España, a finales de los años ochenta del siglo pasado, me desconcertó comprobar el rechazo explícito que la mayoría de los españoles manifestaban por su bandera nacional. Más tarde supe que la rojigualda estuvo relacionada con la dictadura fascista de Francisco Franco (1939-1975) que se apoderó de esta insignia nacional. ¡Pobre bandera!

El tiempo pasó… Y la bandera española constitucional, redefinida como tal en 1981, continuaba visiblemente ausente. Pero en 2010 cuando la selección de fútbol de España ─la roja─ ganó la XIX edición de la Copa Mundial de Fútbol, disputada en Sudáfrica, me sorprendió la cantidad de banderas que los madrileños ondeaban por las calles Princesa y  Gran Vía durante el desfile en carroza descubierta con los futbolistas campeones originarios de diferentes comunidades del país.

Resultado de imagen de imagen estelada

Una estelada al viento.

Años después, en 2014, encontré en Barcelona muchas banderas (estelada) colgadas en los balcones de la ciudad condal que me resultaron incomprensibles a primera vista. Al instante deduje que era una seña de identidad de los independentistas catalanes. “España nos roba”, era la consigna.

Posteriormente, en septiembre de 2017, cuando el Parlamento de Cataluña sin seny [sentido común] se saltó a la torera la legalidad y convocó un referéndum ilegal, que se llevó a cabo el día 01 de octubre, con el objetivo de validar una Declaración Unilateral de Independencia (DUI), empecé a ver bastantes banderas rojigualda en los balcones madrileños como símbolo de unidad, españolidad y patriotismo.

Llegado el 20 de octubre de 2017, durante la ceremonia de entrega de la XXXVII edición de los premios Princesa de Asturias, presididos por Su Majestad el Rey de España Felipe VI, en el teatro Campoamor de Oviedo, el presidente de la Comisión Europea (CE), Jean-Claude Juncker, durante su discurso en nombre de la premiada Unión Europea (UE), dijo: “Es la segunda vez que estoy en Oviedo, y tuve la ocasión de visitar la ciudad. Pero esta vez es un poco diferente. He visto banderas españolas por todas las calles y es una visión hermosa”.

Todo esto me trae a la memoria un empirismo. Poco antes de la muerte del periodista y ensayista español Eduardo Haro Tecglen (1924-2005), le pregunté el por qué un día había escrito: “No soy hombre de banderas, ni emblemas, ni marchas o uniformes, pero respeto a los que tienen”. Y él contestó: “¿Sabías qué toda guerra o conflicto social tiene como trasfondo la patria y la religión?”. Si, le contesté. Además, Oscar Wilde (1854-1900) ya escribió: “El patriotismo es la virtud de los sanguinarios”. •

Nota del autor: Artículo publicado en la Acpe

Anuncios
Estándar
Literatura

THOREAU: MANANCIAL DE IDEIAS

https://i2.wp.com/www.periodicodelbiencomun.com/wp-content/uploads/2015/03/imagen-Henry-Thoreau.jpg

Nem todos os homens sabem ser livres. (H. D. Thoreau)

Por Jairo Máximo

MADRI ―Espanha  ― (Blog do Pícaro) ― Este ano comemora-se o segundo centenário do nascimento do filósofo, escritor e poeta, Henry David Thoreau, que defendia o respeito à Vida, à Natureza e o direito de utilizar a desobediência civil ante os abusos do Estado.

Thoreau se autodefinia como “professor de escola, tutor particular, topógrafo, jardineiro, granjeiro, pintor (de paredes), carpinteiro, pedreiro, granjeiro, fabricante de lápis, fabricante de papel de lixa, escritor e poetastro”. No entanto, seu autêntico emprego foi “Inspetor de ventanias e dilúvios”, insistia.

“É necessário dizer: ame a verdade e escreva sinceramente”, dizia.

Henry David Thoreau (1817―1862, Concorde, Massachusetts, Estados Unidos) escreveu durante mais de duas décadas um diário contemplativo ―germe de sua frutífera obra – onde vertia suas ideias e visão de como viver em harmonia com a Natureza e a sociedade. Pensava que as ideias somente tinham sentido sob a condição de que tomassem corpo numa pratica eficaz e concreta.

“Elegi as letras como profissão”, escreveu Thoreau ao bibliotecário da Universidade de Harvard, em setembro de 1849. “A linguagem é a obra de arte mais perfeita do mundo. O cinzel de mil anos a retoca”, afirmava.

Foi seu amigo o escritor, filósofo e poeta, Ralph Waldo Emerson (1803-1882), quem lhe incentivou a escrever o diário. O resultado é um suculento experimento original, sem precedentes literários, publicado postumamente.

“Não busques expressões, busque ideias para expressar”.

“Não prefiro nenhuma religião ou filosofia por cima de outra. Não tenho nenhuma simpatia pelo fanatismo e a ignorância que fazem distinções transitórias, parciais ou supérfluas, entre a fé de outro, como cristão e pagão. Rezo para me ver liberto do pequeno olhar, da parcialidade, do exagero e do fanatismo. Para o sábio, todas as religiões, todos os países, são iguais. Amo a Brahma, Krishna, Buda e ao Grande Espírito tanto como a Deus”.

scaletowidth

FRUTÍFERO BOSQUE

Entrar no fantástico bosque ―literário, poético e filosófico― de Thoreau é encontrar um manancial luminoso de ideias. Sua sublime obra convida a levar uma vida filosófica no dia a dia, não a cinzelar conceitos para utilização exclusiva de bibliotecas.

“Assim é sempre a busca do saber. Os frutos celestiais, as maças douradas das Hespérides estão permanentemente escoltadas por um dragão de cem de cabeças que nunca dorme, e colhê-las é um trabalho hercúleo”, considerava.

Martin Luther King (1929-1968), Mahatma Gandhi (1869-1948) ou o ex-presidente dos EUA, Barack Obama, deixaram-se influenciar por suas ideias. Gandhi o descobriu enquanto cumpria pena de prisão e o adotou como seu mestre. Luther King afirmou ter dado vida aos ensinamentos do filósofo nas atitudes que tomou contra a segregação racial dos afro-americanos.

Michel Granger, professor emérito de literatura americana do século XIX na Universidade de Lyon, especialista nos escritores do “Renascimento norte-americano”, em particular Nathaniel Hawthorne (1804-1864), Herman Melville (1819-18912) e Thoreau, considera que convém ter em mente que Thoreau é principalmente um homem de letras, enquanto que, nestes últimos anos lhe queiram outorgar maior importância à sua faceta de filósofo ou de pensador político.

THOREAU

“O pensamento de Thoreau é complexo, mutante, paradoxo, provocador. É preciso ler (e reler) o texto de seus ensaios atentamente para levar em consideração à retórica, para interpretar corretamente a pose de orador, já que frequentemente seus ensaios foram, num primeiro lugar, conferências ou discursos: desta forma, evita-se reduzir seu pensamento a um punhado de ideias sem apenas relação com suas intenções”, explica o professor.

Caminhar, contemplar, voar, pensar, escrever, respeitar e preservar o planeta foram as consignas que Thoreau levou ao extremo; com beleza e simplicidade.

“Não existe em absoluto o sentido comum: é semsentido comum”.

Andar a Pé (Ebook)

POÇO SEM FUNDO

De seu legado literário já foi publicado tudo; ou quase tudo. Ensaios, poesias, conferências, reflexões e correspondências. De sua ─pessoa e vida─ também já foram publicados diversos ensaios, biografias e teses doutorais. Inclusive, atualmente, existem vários blogs dedicados unicamente ao estudo de seu Diário- 1837-1861, um poço sem fundo de ideias e pensamentos. Em 2013 foi publicada na França e na Espanha a deslumbrante história em quadrinhos Thoreau A vida sublime, autoria de A. Dan y Le Roy.

WaldenEntre suas obras mais emblemáticas estão Diário, A desobediência civil, Uma semana nos rios Merrimack e Concorde, Os bosques de Maine, Vida sem Princípio, Maças Silvestres & Cores de Outono, Cape Cod e a obra-prima Walden ou a Vida nos Bosques, escrita e reescrita entre 1847 e 1854.

 “Vive-se muito rápido. Os homens acreditam que o importante é que o país tenha comércio, que exporte gelo, que tenha comunicações telegráficas e que se possa viajar a quarenta quilômetros por hora; mas não param para pensar se eles a necessitam ou não. Resulta incerto se atuando assim vivemos como homens ou como babuínos”.

“A riqueza supérflua nos possibilita comprar somente coisas supérfluas. Para comprar aquilo que a alma necessita o dinheiro não faz falta”.

“Tinha três cadeiras na minha casa: uma para a sociedade, outra para a amizade e uma terceira para a sociedade”.

“O intelecto é uma navalha; discerne e abre caminho ao segredo das coisas”.

 DESOBEDIENTE TRANSCENDENTAL

A Desobediência Civil Seguido De Walden

Como consequência de sua decidida oposição a escravidão, ainda vigente nos Estados Unidos, e a guerra que seu país mantinha contra o México, em 1849 Thoreau publicou A resistência ao governo civil, republicado postumamente como A desobediência civil, que o levou a ser considerado como “pai” da desobediência civil: proposição individual e potencialmente coletiva que solicita impugnar um poder (um decreto, uma lei, etc.) ilegítimo ou autoritário, pelo método de negar seu consentimento─ que continua sendo válido e prático hoje em dia.

“A única obrigação que tenho direito de assumir é a de fazer em todo o momento aquilo que considero equânime”.

“Aceito de todo coração o lema: “O melhor governo é aquele que menos governa”, e gostaria que atuasse com mais honestidade e esforço. O qual, levado em pratica, significa que “o melhor governo é aquele que não governa em absoluto”, coisa que também estou convencido. E quando os homens estiverem preparados para isso, será o governo que terão”.

Seu magistral Diário (1837-1861), de 14 volumes, que foi publicado pela primeira vez em 1906, 44 anos depois da sua morte, continua sendo a grande referência para os estudiosos de sua obra. A Universidade de Princeton publica há 40 anos a edição mais completa e confiável dos escritos de Thoreau.

6-journal-open-to-nov-11

Diário original de Thoreau

O primeiro registro do Diário foi escrito no dia 22 de agosto de 1837; e o último em 3 de novembro de 1861, seis meses antes de sua morte. Nele, ele reflete sobre a vida e a escrita, e recria com minúcia o ambiente natural no qual vive. São mais de sete mil páginas.

“Este inverno estão cortando nossos bosques com mais intensidade que antes ─ Fair Haven Hill, Walden, Linnae Boreales, Wood etc. etc. Graças a Deus que não podem cortar as nuvens!”.

“Vida cidadã: milhões de seres vivendo juntos em solidão”.

“Quantas batalhas têm que enfrentar o homem por todas as partes para manter seu exército de ideias e marchar com elas em ordenada formação através de um território hostil! Quantos inimigos têm o pensamento lúcido!”.

“Uma lei jamais irá fazer livre o homem; são os homens quem tem que fazer livre as leis”.

“Um livro verdadeiramente bom é algo tão ferozmente natural e primitivo, misterioso e maravilhoso, fértil e celestial, como um líquen ou um fungo”.

“A imprensa é, quase sem exceções, corrupta”.

thoreau-portada

PINCELADAS DE UMA VIDA

Henry David Thoreau nasce no dia 12 de julho de 1817. Era o terceiro de quatro irmãos. Sua família era descendente de emigrantes franceses. Levou uma vida discreta; porém intensíssima. Faz parte do denominado “Renascimento norte-americano” junto a outros quatros criadores fundamentais: Ralph Waldo Emerson, Walt Whitman (1819-1892), Herman Melville e Nathaniel Hawthorne. São cinco nomes que nos campos do ensaio, da poesia e da novela constituem a grande tradição norte-americana, cinco pilastras que sustentam uma literatura.

Em 1837, com apenas 20 anos, graduou-se pela Universidade de Harvard. Este mesmo ano retornou a sua cidade natal e começou a dar aulas em um colégio, entretanto renunciou este trabalho depois que lhe obrigaram, contra sua vontade, a dar uma surra em seis alunos, seguindo as ordens do diretor da escola.

Em seguida, começou a trabalhar no negócio da família: fabricação de lápis de grafite. Quando teve êxito e seus amigos o felicitaram por ter criado a possibilidade de enriquecer, ele respondeu que jamais fabricaria outro lápis. ”Para quê?”, disse. “Não quero fazer outra vez aquilo que já fiz uma vez”.

PORTADA-BIO-THOREAU-OK-350x566

Em julho de 1845, abandonou a casa familiar de Concorde e foi morar na cabana que construiu às margens da lagoa de Walden Pond, em um terreno que lhe cedeu seu amigo Emerson. Durante dois anos escreveu ali a obra homonímia na qual descreve sua economia doméstica, seus experimentos em agricultura, seus visitantes e vizinhos, as plantas e a vida selvagem.

Em 1846, seu compromisso cívico gerou problemas com a justiça. É preso e passou uma noite na cela da cadeia por negar a pagar seus impostos como protesto contra a guerra com México (1846-1948), que considerava totalmente injustificada.

Um ano depois, em 1847, abandonou definitivamente a cabana de Walden. Em 1849, publicou seu primeiro livro, Uma semana nos rios Concorde e Merrimack, depois de se comprometer a arcar com os gastos da edição e renunciar seus direitos autorais. Neste mesmo ano, publicou o ensaio Resistência ao governo civil.

Comprometido com a causa contra a escravidão, participou no denominado “trem subterrâneo”, uma rede de pessoas que escondiam em suas casas os escravos que fugiam das plantações do Sul e os ajudavam a chegar ao Canadá. A prisão em Boston, em 1854, do escravo fugitivo Anthony Burns lhe inspirou a escrever o ensaio A escravidão em Massachusetts.

Cape Cod (Ebook)Durante uma viagem a Nova Iorque, em 1856, conheceu o poeta Walt Whitman, quem lhe presenteou com uma cópia dedicada de Folhas de relva. Thoreau ficou fascinado pelo pai da poesia norte-americana. Em uma carta que enviou ao seu amigo e discípulo Harrison Blake, explicou: “Parece o maior democrata que o mundo já viu. […] Mesmo que aparentemente seja peculiar e áspero, em essência é um cavaleiro”.

 Em 1861, a tuberculose que contraiu quando era adolescente piorou. Incapaz de sair de casa, e consciente que tinha pouco tempo de vida, revisou suas obras para que a sua irmã Sophie se responsabilize de sua publicação póstuma. Não teve força para materializar seu acariciado projeto de escrever um estudo etnográfico sobre os índios. Morreu no dia 6 de maio deste mesmo ano, com 44 anos. Suas últimas palavras foram: “alce” e “índio”.

Para o poeta e dramaturgo espanhol Antonio Machado (1875-1939), o norte-americano Thoreau era um “intelectual que sonhou como latino, e como anglo-saxão colocou em pratica seu sonho”. É um clássico, que emerge e submerge.

“Podemos estar seguros de que qualquer livro ou frase que suporta ser lida duas vezes foi pensado duas vezes”, dizia Thoreau. •

thoreau

Em 2013 foi publicada a história em quadrinhos Thoreau – A vida sublime, de A. Dan e Le Roy.

Nota do autor: Artigo publicado em espanhol no site da Acpe e na revista El Siglo de Europa

 

Estándar
Literatura

THOREAU: MANANTIAL DE IDEAS

images

No todos los hombres saben ser libres. (H. D. Thoreau)

Por Jairo Máximo

MADRID – España – (Blog do Pícaro) – Este año se cumple el segundo centenario del nacimiento del filósofo, escritor y poeta, Henry David Thoreau, que abogaba por respetar la Vida, la Naturaleza y, de paso, contemplar la Desobediencia civil frente a los abusos del Estado.

Thoreau se autodefinía como “profesor de escuela, tutor particular, topógrafo, jardinero, granjero, pintor (de paredes), carpintero, albañil, jornalero, fabricante de lápices, fabricante de papel de lija, escritor y poetastro”. No obstante, su auténtico empleo fue “Inspector de ventiscas y diluvios”, recalcaba.

“Es necesario decir: amad la verdad y escribid sinceramente”, decía.

Henry David Thoreau (1817― 1862, Concord, Massachusetts, Estados Unidos) escribió durante décadas un Diario contemplativo ―germen de su fructífera obra― donde vertía sus ideas y visión sobre cómo vivir en sintonía con la Naturaleza y la sociedad. Consideraba que las ideas solo tenían sentido a condición de que tomasen cuerpo en una práctica efectiva y concreta.

“Elegí las letras como profesión”, escribió al bibliotecario de la Universidad de Harvard, en septiembre de 1849. “El lenguaje es la obra de arte más perfecta del mundo. El cincel de mil años lo retoca”, sostenía.

Fue su amigo el escritor, filósofo y poeta, Ralph Waldo Emerson (1803-1882), que le incentivó llevar a cabo la escritura de un Diario. El resultado es un jugoso experimento original, sin precedentes literarios, publicado póstumamente.

“No busques expresiones, busca ideas para ser expresadas”.

“No prefiero ninguna religión o filosofía sobre otra. No siento ninguna simpatía por el fanatismo y la ignorancia que hacen distinciones transitorias, parciales y pueriles entre la fe de otro, como cristiano y pagano. Rezo por verme liberado de la estrechez de miras, la parcialidad, la exageración y el fanatismo. Para el sabio, todas las religiones, todos los países, son iguales. Amo a Brahma, Hari, Buda y al Gran Espíritu tanto como a Dios”.

scaletowidth

FRUCTÍFERO BOSQUE

Adentrarse en el fantástico bosque ―literario, poético y filosófico― de Thoreau es encontrar un manantial de ideas. Su sublime obra invita a llevar una vida filosófica en el día a día, no a cincelar conceptos para uso exclusivo de las bibliotecas.

“Así es siempre la búsqueda del conocimiento. Los frutos celestiales, las manzanas doradas de las Hespérides están permanentemente custodiadas por un dragón de cien cabezas que nunca duerme, y cogerlas es una labor hercúlea”, consideraba.

THOREAU

Martin Luther King Jr. (1929-1968), Mahatma Gandhi (1869-1948), Barack Obama y otros contemporáneos se dejaron influenciar por sus ideas. Gandhi le descubrió en la cárcel y lo eligió como su “maestro”. Luther King afirmó haber dado vida a las enseñanzas del filósofo en sus acciones contra la segregación racial de los afroamericanos.

Michel Granger, profesor emérito de literatura americana del siglo XIX en la Universidad de Lyon, y especialista en los escritores del “Renacimiento americano”, en particular Nathaniel Hawthorne (1804-1864), Herman Melville (1819-1891) y Thoreau, considera que conviene tener presente que Thoreau es principalmente un hombre de letras, mientras que, en estos últimos años, se ha querido otorgar mayor importancia a su faceta de filósofo o de pensador político.

“El pensamiento de Thoreau es complejo, cambiante, paradójico, provocador. Hay que leer (y releer) el texto de sus ensayos con una atención continua para tomar en consideración la retórica, para interpretar correctamente la pose del orador, ya que con frecuencia los ensayos fueron, en primer lugar, conferencias o discursos: de esta forma, se evita reducir su pensamiento a un entramado de ideas sin apenas relación con sus intenciones”, explica el profesor.

Caminar, contemplar, volar, pensar, escribir, respetar y preservar el planeta, fueron las consignas que Thoreau llevó al extremo; con brillantez y sencillez.

“No existe en absoluto el sentido común: es sinsentido común”.

3545732.__grande__

POZO SIN FONDO

De su legado literario ya se han publicado prácticamente todo ―o casi todo. Ensayos, poesías, conferencias, reflexiones y correspondencias. Sobre su personalidad y vida han sido publicados diversos ensayos, biografías y tesis doctorales. Asimismo, actualmente hay varios blogs dedicados exclusivamente al estudio de su Diario – 1837-1861 , un pozo sin fondo de ideas y pensamientos. En 2013 se publicó en Francia el cómic Thoreau – La vida sublime.

Entre sus obras de referencias están Diario, La desobediencia civil, Una semana en los ríos Merrimack y Concord, Cape Cod, Los bosques de Maine y la obra maestra Walden, escrita y rescrita entre 1847 y 1854.

“Dadles a los ancianos viejos retos y a los jóvenes retos nuevos”.

“Se vive demasiado deprisa. Los hombres creen que lo importante es que el país tenga comercio, que exporte hielo, que haya comunicaciones telegráficas y que pueda viajar a cuarenta kilómetros por hora; pero no se detienen a pensar si ellos lo necesitan o no. Resulta incierto si actuando de esta manera vivimos como hombres o como babuinos”.

“El intelecto es una cuchilla: discierne y se abre camino hacia el secreto de las cosas”.

“Tenía tres sillas en mi casa: una para la soledad, otra para la amistad y una tercera para la sociedad”.

 “La riqueza superflua nos permite comprar sólo cosas superfluas. Para comprar lo que necesita el alma no hace falta dinero”.

DESOBEDIENTE TRANSCEDENTAL

A raíz de su frontal oposición a la esclavitud, aún en vigor en los Estados Unidos, y a la guerra que su país mantenía contra México, en 1849 Thoreau publicó La Resistencia al gobierno civil, retitulado póstumamente como La desobediencia civil, que le llevó a ser considerado como “el padre” de la desobediencia civil ―proposición individual y potencialmente colectiva que reclama impugnar un poder (un decreto, una ley, etc.) ilegítimo o autoritario, por el método de negarse a consentirlo―que sigue teniendo aplicaciones prácticas hoy en día.images

 “La única obligación que tengo derecho a asumir es la de hacer en todo momento aquello que considero recto”.

“Acepto de todo corazón el lema: “El mejor Gobierno es el que menos gobierna”, y me gustaría que actuase con la mayor honestidad y diligencia. Lo cual, llevado a la práctica, significa que “el mejor Gobierno es el que no gobierna en absoluto”, de lo que también estoy convencido. Y cuando los hombres estén preparados para ello, será el gobierno que tendrán”.

Su magistral Diario, de 14 volúmenes, fue publicado por primera vez en 1906, cuarenta y cuatro años después de su muerte y, todavía, continúa siendo la gran referencia para los estudiosos de su obra. La Universidad de Princeton lleva cuarenta años publicando la edición más completa y fiable de los escritos de Thoreau.

La primera entrada del Diario corresponde al 22 de agosto de 1837; y la última al 3 de noviembre de 1861, seis meses antes de su fallecimiento. En él reflexiona sobre la vida y la escritura, y recrea minuciosamente el entorno natural en el que se mueve. Son más de 7.000 páginas

“Este invierno están cortando nuestros bosques con más seriedad que en ninguna otra ocasión anterior ―Fair Haven Hill, Walden, Linnae Boreales, Wood, etc., etc. ¡Gracias a Dios que no pueden cortar las nubes!  thoreau-portada

 “Vida ciudadana: millones de seres viviendo juntos en soledad”.

“¡Cuantas batallas debe librar un hombre por todas partes para mantener su ejército de ideas y marchar con ellas en ordenada formación a través de un territorio hostil! ¡Cuántos enemigos tiene el pensamiento lúcido!”.

 “Una ley jamás hará libre a un hombre; son los hombres quienes tienen que hacer libre a las leyes”.

“Un libro verdaderamente bueno es algo tan ferozmente natural y primitivo, misterioso y maravilloso, fértil y celestial, como un liquen o un hongo”.

“La prensa es, casi sin excepciones, corrupta”.

PINCELADAS DE UNA VIDA

Henry David Thoreau nació el 12 de julio de 1817. Era el tercero de cuatro hermanos. Su familia descendía de emigrantes franceses. Vivió una vida discreta; pero muy intensa. Forma parte de lo que se denomina “Renacimiento americano” junto con otras cuatro figuras capitales: Ralph Waldo Emerson, Walt Whitman (1819-1892), Herman Melville y Nathaniel Hawthorne. Son cinco nombres que en los campos del ensayo, la poesía y la novela forjan la gran tradición americana, cinco pilares que sustentan una literatura.

En 1837, con solo veinte años de edad, se graduó por la Universidad de Harvard, y regresa a su pueblo natal y empieza a dar clases en un colegio, pero renuncia después de verse obligado, en contra de su voluntad, a azotar a seis alumnos, siguiendo las órdenes de un superior.

15625524_6

En seguida se puso a trabajar en el negocio al que estaba dedicado su padre: la fabricación de lapiceros de grafito. Cuando tuvo éxito en este negocio y sus amigos lo felicitaron por haberse abierto la perspectiva de hacerse rico, él respondió que jamás fabricaría otro lapicero. “¿Para qué?”, dijo. “No quiero hacer de nuevo lo que haya hecho una vez”.

En julio de 1845 abandona la casa familiar de Concord y se instala en la cabaña que ha construido junto a la laguna de Walden Pond, en un terreno que le cedió su amigo Emerson. Durante dos años escribe allí la obra homónima en la que describe su economía doméstica, sus experimentos en agricultura, sus visitantes y vecinos, las plantas y la vida salvaje.

PORTADA-BIO-THOREAU-OK-350x566

En 1846 su compromiso cívico le provoca problemas con la justicia. La policía lo arresta y pasa una noche en la cárcel de Concord por negarse a pagar sus impuestos como protesta contra la guerra con México (1846-48), que considera totalmente injustificada.

Un año después, en 1847, abandona definitivamente la cabaña de Walden, y en 1849 publica su primer libro, Una semana en los ríos Concord y Merrimack, tras comprometerse a hacerse cargo del coste de la edición mediante la renuncia a sus derechos. Ese mismo año publica el ensayo Resistencia al gobierno civil.

Comprometido con la causa antiesclavista, participó en el llamado “tren subterráneo”, una red de personas que escondían en sus casas a los esclavos que huían de las plantaciones del Sur y les ayudaban a llegar a Canadá. El arresto en Boston en 1854 del esclavo fugitivo Anthony Burns le incita a escribir el ensayo La esclavitud en Massachusetts, que editan varias publicaciones progresistas.

En 1854 publicó Walden, que según los estudiosos “es un modo de escribir, de ponerse a disposición de las palabras, pero también es una Escritura, una forma de aprender lo que la vida nos enseña”.

6-journal-open-to-nov-11

Diario de Thoreau.

Durante un viaje a Nueva York, en 1856, conoce a Walt Whitman, quien le da una copia firmada de Hojas de hierba. Thoreau queda fascinado por el patriarca de la poesía norteamericana. En una carta que le envía el 19 de noviembre a su amigo y discípulo Harrison Blake, le explica: “Parece el más grande demócrata que ha visto el mundo. […] Aunque resulta peculiar y áspero a simple vista, es en esencia un caballero. Me ha dejado desconcertado”.

En 1861 la tuberculosis que contrajo cuando era adolescente empeora. Incapaz de salir de casa, y consciente de que le queda poco tiempo de vida, revisa sus obras para que su hermana Sophie se encargue de su publicación póstuma. No puede afrontar el acariciado proyecto de escribir un estudio etnográfico sobre los indios. Muere el 6 de mayo de este año, a los 44 de edad. Sus últimas palabras fueron “alce” e “indio”.

Para el poeta y dramaturgo español Antonio Machado (1875-1939), el estadounidense Thoreau era un “intelectual que soñó como latino, y como sajón puso en práctica su sueño”. Es todo un clásico, que emerge y desaparece.

“Podemos estar seguros de que cualquier libro o frase que soporta ser leído dos veces ha sido pensado dos veces”, decía Thoreau. ●

thoreau

En 2013 la editorial española Impedimenta publicó el cómic biográfico Thoreau―La vida sublime, de Maximilien Le Roy y A. Dan.

 Artículo publicado en la revista El Siglo de Europa y Acpe

Estándar