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CHAVES NOGALES: DE PEITO ABERTO

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Manuel Chaves Nogales / Foto: Arquivo Pessoal Pilar Chaves Jones.

Por Jairo Máximo

MADRI – Espanha – (Blog do Pícaro) – O jornalista e escritor espanhol Manuel Chaves Nogales é autor de uma inspiradora obra literária que inclui esplêndidos artigos jornalísticos, reportagens, biografias, contos e novelas.

“Minha técnica – a jornalística – não é uma técnica científica. Andar e contar é o meu ofício”, dizia o jornalista.

Segundo os estudiosos, alguns dos melhores livros jornalísticos de língua espanhola têm sua inconfundível autoria. A leitura de um deles conduz a outro e assim sucessivamente.

Manuel Chaves Nogales (Sevilha, 1897 – Londres, 1944) utilizou a pluma como uma navalha para contar os fatos tal como eram. Ia direto ao ponto sem subterfúgios. Fez parte de uma estirpe de jornalistas que nos anos 30 viajavam com frequência ao estrangeiro para realizar reportagens e entrevistas.

Democrata e republicano convencido, durante toda sua vida ―profissional e pessoal― lutou para ser livre e se manter livre. E conseguiu!

“Sou um pequeno burguês liberal cidadão de uma República democrática e parlamentaria”.

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Filho de mãe pianista e pai jornalista, desde jovem começou a exercer o ofício de jornalista em sua cidade natal. Em 1923, durante a entre guerra, chegou à Madri. Entre os anos 1927 e 1937 saboreou o êxito, escrevendo reportagens para os principais jornais da época.

A partir de 1931 foi diretor do diário Ahora (1930-1939), publicação favorável a Manuel Azaña (1880-1940) ―político e escritor que foi presidente do Governo entre 1931 e 1933, e presidente da Segunda República entre 1936 e 1939. Chaves Nogales era um reconhecido partidário de Azaña. Apoiava a República e não se deixava levar pelas correntes totalitárias que arruinavam Europa.

DAR A CARA

Quando estourou a Guerra Civil espanhola, no dia 18 de julho de 1936, Chaves Nogales se colocou ao serviço da Segunda República, até que o Governo abandonou definitivamente Madri, e se instalou em Valência, momento no qual, pressagiando a vitória dos franquistas e a posterior catástrofe eminente, em novembro deste mesmo ano, decide se exilar com sua família em Paris, sem ter renunciado nunca às suas convicções democráticas nem às suas lealdades republicanas.

Na capital francesa escreveu para um grande grupo de jornais americanos de língua espanhola que publicavam suas crônicas “redatadas única e exclusivamente ao serviço da causa francesa”, afirmava. Ao mesmo tempo, diariamente, a Rádio Francesa para Espanha e América do Sul divulgava seus comentários de atualidade. Além disso, em Paris, fundou e editou uma pequena publicação sobre atualidade destinada aos exilados republicanos na França.

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Em 1940, depois de saber que era objetivo dos nazistas que estavam às portas de Paris, Chaves Nogales se mudou para Bordeaux antes de ir morar definitivamente em Londres. Na capital inglesa, fundou uma agência, escreveu artigos para jornais latino-americanos e trabalhou como jornalista no frente de guerra, ao lado dos exércitos aliados que lutavam na Europa contra a Alemanha nazista.

“Porém, a catástrofe da França, como a da Espanha, não era a derrota definitiva. Era somente uma nova etapa dolorosa de uma luta que não tem pátrias nem fronteiras porque não é senão a luta da barbárie contra a civilização, das forças destruidoras contra o espírito construtivo e o instinto de conservação da humanidade, da mentira contra a verdade…”, escreveu no prólogo do relato A agonia da França, publicado em Montevidéu, em 1941, e reeditado na Espanha quase sessenta anos depois. Neste relato, Chaves Nogales conta com lucidez como o país que tinha sido durante um século e meio o faro da democracia no mundo se colocou em junho de 1940 aos pés do nazismo.

Em 1944 quando tinha apenas 47 anos, Manuel Chaves Nogales, morreu de uma peritonite, em Londres, Reino Unido, onde descansa em paz numa tumba desamparada. Dignificou uma profissão prisioneira do servilismo político. É um referencial do bom jornalismo. Construiu uma obra difícil de catalogar.

“Ambicioso, vazio, extravagante, a hora de Chaves Nogales passou. Nem foi, nem é e nem voltará a ser nada”, escreveu o desprestigiado jornalista Francisco Casares no livro Azaña e eles: cinquenta perfis vermelhos (1938).

Contudo, com o passar do tempo, Manuel Chaves Nogales seria considerado “um paradigma” de intelectual comprometido com seu tempo. “É um dos grandes, o que soube disparar de uma distância precisa”, considera o escritor e jornalista valenciano Manuel Vicent.

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Cartaz do documentário O homem que estava ali, sobre o inclassificável jornalista e escritor Manuel Chaves Nogales.

Banido e esquecido pela direita e pela esquerda espanhola durante mais de sete décadas, atualmente seus livros são reeditados com êxito. Sobre seu legado se organizam conferências, colóquios e se publicam diversos textos sobre sua pessoa. Como reconhecimento, o governo de Sevilha editou sua obra jornalística completa em três tomos. Em 2011, María Isabel Cintas Guillén publicou a premiada biografia Chaves Nogales, O ofício de contar, sobre a trajetória profissional do jornalista e escritor. Também, em 2013 se estreiou o documentário O homem que estava ali, baseado em sua pessoa e legado. Em Alcorcón, em Madri, há um colégio público que tem o seu nome e, na capital espanhola, tentam, sem muito êxito, honrar-lhe com o nome de rua depois de sete décadas de sua morte.

 PRONTO PARA LER

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Ler hoje a obra de Chaves Nogales ajuda a compreender a história do século XX. Inesquecíveis são: A defesa de Madri, reportagem publicada em 16 capítulos na imprensa mexicana, em 1938, e editado em livro em Sevilha em 2011; a biografia Juan Belmonte, matador de toros. Sua vida e suas façanhas (1935); a novela O maestro Juan Martínez que estava ali (1934), ou a surpreendente reportagem O que sobrou do Império dos czares (1931), publicada originalmente nesse mesmo ano no jornal Ahora. Revela a vida dramática dos dois milhões de pessoas que tiveram que abandonar à Rússia depois da Revolução de 1917, uma revolução que naquela época era defendida e admirada pela esquerda espanhola.

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Suas diversas reportagens, entrevistas e perfis de famosos e anônimos, realizadas de peito aberto, lhe levaram a ser considerado como um dos melhores jornalistas do século XX. Sua obra é um antídoto para aqueles que hoje em dia anseiam “conquistar o céu” a base de mentiras e manipulações. Nos não tão distantes anos 30 Chaves Nogales já denunciava contundentemente que o populismo mata.

“É uma lei histórica que todo povo vencido adota fatalmente a forma de governo do vencedor”.

Em Com sangue e fogo ―heróis, bestas e mártires da Espanha, publicado pela primeira vez no Chile em  1937, título de nove emocionantes e alucinantes relatos que ele escreveu sobre a Guerra Civil espanhola (durante seu exílio na França) é um manual que reforça o sem razão das guerras. Na Espanha são muitos aqueles que consideram que esta obra é um dos melhores livros escritos sobre a Guerra Civil espanhola (1936 ―1939).

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No prólogo desta obra, Chaves Nogales constatou: “Mas a estupidez e a crueldade se apoderaram da Espanha. Por onde começou o contágio? Os caldos de cultivo desta nova peste, germinada nesse grande panteão da Ásia, nos proporcionaram os laboratórios de Moscou, Roma e Berlim, com as etiquetas de comunismo, fascismo ou nacional-socialismo, e o despreocupado homem celtibero os absorveu avidamente. (…) É perder tempo tentar apontar os focos do contágio da velha febre fratricida neste ou naquele setor social, nesta ou naquela área da vida espanhola. Nem brancos nem vermelhos têm nada que dizer um do outro. Idiotas e assassinos foram produzidos e atuaram com idêntica profusão e intensidade nos dois bandos que se dividiram Espanha”.

TOUREANDO UM TOUREIRO

Na biografia Juan Belmonte, matador de touros: sua vida e suas façanhas, considerada a melhor biografia escrita em espanhol, Chaves Nogales conta a vida de seu compatriota, o toureiro Juan Belmonte García (1892―1962), que no começo do século 20 brilhou como ninguém ―dentro e fora― das arenas espanholas, numa época em que a devoção às touradas era transcendente e chegava a diversas classes sociais que professavam uma paixão febril pela tauromaquia, a arte de tourear.

A biografia do sevilhano Juan Belmonte, apelidado Pasmo de Triana, que foi escrita como uma autobiografia é fruto dos vários encontros que o jornalista, que não era amante das touradas, teve com o toureiro. Narra a apaixonante história daquele menino Juan que nasceu pobre e sofreu preconceitos na infância, porém, quando cresceu se tornou uma celebridade imensamente rica “fundadora do toureio moderno”.

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Depois de saborear a glória, e com quase 70 anos, Juan Belmonte se suicidou em abril de 1962. Apesar de ser um suicida, se permitiu que ele fosse enterrado no cemitério São Fernando de Sevilha.

Para Chaves Nogales, “Belmonte tinha um forte espírito de superação e caráter conciliador, inimaginável em um toureiro”.

No prólogo da reedição editada em 2009 pela editora catalã Libros del Asteroide, o poeta e escritor espanhol Felipe Benítez Reys, escreve: “Com este livro sobre Juan Belmonte, Chaves Nogales deu uma lição de literatura e uma lição de jornalismo que consegue ascender ao âmbito da grande literatura”.

Idealizado originalmente como folhetim, Juan Belmonte, matador de touros: sua vida e as suas façanhas, foi publicado pela primeira vez na revista espanhola Estampa, entre junho e dezembro de 1935 em 25 magníficos capítulos.

 PALAVRAS DE TOUREIRO

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“Tenho que insistir na minha convicção de que o toureio é fundamentalmente um exercício de ordem espiritual e não uma atividade simplesmente esportiva”.

“Uma tarde eu estava toureando em Tablada às margens do rio; tinha atravessado de uma margem a outra nadando, e toureava completamente desnudo. Da outra margem do Triana, umas mocinhas que voltavam do trabalho em alguma fazenda me cumprimentavam de longe, agitando alegremente os braços. Tinha conseguido separar um bezerro e quando percebi que estava sendo contemplado de longe por aquele grupo feminino, comecei a tourear com todo o estilo que era capaz. Em um dos lances o bezerro passou tão perto de mim, que me cortou o lábio. Rodei pelo chão. Já estava outra vez de pé e com a blusinha nas mãos quando ouvi o eco perdido do grito de terror que na outra margem deram as mulheres quando me viram ser ferido. Percebi que o ferimento era pequeno; no entanto, como acontece com todas as feridas no rosto, sangrava abundantemente. Percebi que o contratempo não era grave e deixei que o sangue escorresse por todo o corpo para continuar toureando. Não queria ser mal visto por aquelas mulheres que do outro lado do rio se entusiasmavam vendo aquele jovem garoto pelado que toureava sozinho o touro. Mas quando elas me viram com o corpo coberto de sangue se assustaram e começaram a dar uns gritos espantosos. Umas tapavam o rosto com as mãos, outras corriam até a margem do rio me chamando com vozes de angustias, outras fugiam horrorizadas. Levaram à Triana uma imagem espantosa daquele garoto que toureava sozinho, desnudo e sangrando em pleno campo de Tablada.”

“O dia em que se toureia a barba cresce mais rápido. É o medo. (…) Não é necessário dar muitas voltas. É o medo. (…) É um íntimo amigo meu. (…) O medo nunca me abandonou. É sempre o mesmo. Meu companheiro inseparável. (…) O medo que se passas nas horas que antecedem uma tourada é espantoso. (…) Muda o tom de voz, se emagrece de hora em hora, modifica-se o caráter e surgem na gente umas ideias extraordinárias. Depois, quando já se está frente ao touro, é distinto. O touro não deixa tempo para a reflexão”.

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“Sempre me sublevo ante aos abusos do poder”.

“Teve uma época que as touradas tinham uma ressonância e transcendência que hoje não tem. (…) Era a época em que depois de uma boa tourada se encontrava gente toureando pelas ruas”.

“Se eu fosse ensaísta no lugar de toureiro, me atreveria a esboçar uma teoria sexual da arte; pelo menos, da arte de tourear”.

“Hoje, depois de milhares de anos, todos nós comemos o touro. A besta está dominada e derrotada. E, naturalmente, o touro está em franca decadência. Se conseguiu tudo o que se podia conseguir. O touro não tem hoje nenhum interesse. É uma pobre besta derrotada. (…) Subiste a beleza da festa, mas o elemento, a emoção, a angústia sublime da luta selvagem se perdeu. A festa está em decadência”.

DANÇANDO COM JUAN

Na obra O mestre Juan Martínez que estava ali, Chaves Nogales realiza um comovedor relato sobre os passos que os dançarinos de flamenco Juan Martínez (1896-1961), e a sua mulher Sole, realizaram para subsistir durante a revolução bolchevique na Rússia do começo século 20.

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A dupla artística denominada “Los Martínez”, primeiro triunfou em Madri; depois na Paris boêmia, onde aceitaram um convite para realizar uma turnê na enigmática Turquia. Jamais poderiam imaginar as amargas experiências que o destino lhes tinha reservado. O casal embarcou em Marselha com destino ao Oriente no dia 26 de junho de 1914. Quarenta dias antes de começar a Primeira Guerra Mundial (1914-1919).

E foi assim que, sem querer, Los Martínez, encurralados em terras russas, viveram primeiro a guerra, depois a revolução bolchevique, que lhes perseguiam.  Foram testemunhas a força da violenta revolução bolchevique, que queria conquistar o céu- para eles- e o inferno para o outro.

No prólogo da reedição realizada em 2007 pela editora catalã Libros del Asteroide, o escritor e poeta Andrés Trapiello, escreve: “Chaves Nogales não quis fazer uma novela. As declarações de Martínez, que continuava trabalhando em Paris em cabarés, o impressionaram. É um relato linear, que após uma breve introdução, passa para os lábios de Martínez. Poderíamos considerar este livro como suas memórias russas. Não existe nela recordação íntima, nem estudos psicológicos, quase tudo transcorre em função dos acontecimentos”.

Em 1922, Los Martínez retornaram à Espanha, e pouco tempo depois voltaram a morar definitivamente em Paris. Chaves Nogales publicou sua história primeiro por capítulos no semanário Estampa, em 1934.

PALABRAS DE DANÇARINO DE FLAMENCO

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Retrato do espanhol Juan Martínez publicado na revista Estampa.

“Veja bem… Eu sou de Burgos, na Espanha, e apesar disso, estava entre os muçulmanos de Istambul como se estivesse na minha casa. (…) Poucos dias depois de estar ali se iniciou a guerra. Eu não compreendi o que era aquilo até que os diretores franceses do teatro onde trabalhávamos nos disseram que eles que não podiam nos pagar porque fechavam o negócio e abandonavam o país. Fomos ver o cônsul da Espanha. Como sempre passa com os nossos cônsules, não podia fazer nada. (…) No começo a guerra não se percebia muito, porém pouco a pouco, tudo foi mudando. As pessoas tinham a cara cada dia mais desconfiada, mais rude. Não voltamos a ver caras alegres, suaves, sorridentes, até muitos anos depois. E para ser sincero, acredito que caras amáveis como as de antes da Primeira Guerra não se voltaram a ser vistas pelas ruas da Europa”.

 “Eu nunca quis me meter em política”.

“Em Bucareste nos hospedamos no hotel Central, que estava em frente ao Correios. Apresentei-me pedindo trabalho num cabaré chamado Alhambra e estreamos cinco dias depois. Gostaram muito do nosso espetáculo e estávamos felizes. Tinha pão e paz. Quantas vezes depois presenciei homens matando homens, todos clamando por essas duas coisas: o pão e a paz!”.

“Naquela época aprendi que não é verdade que as revoluções se fazem com famintos. Quando se tem fome não se é capaz de nada”.

“Os bolcheviques, bons ou ruins, insistiam que os artistas de cabaré não tínhamos direito de viver e desejavam que morrêssemos o quanto antes”.

“Os vermelhos se impuseram utilizando o terror desde o primeiro momento, implantando o comunismo de guerra com uma ferocidade sem limites”.

“A viagem a Kiev foi um horror, porque o trem soviético ia cheio de militares, quer dizer, de camponeses que dias antes tinham recebido um fuzil e a autorização para assassinar qualquer pai de família que encontrasse pela frente, e aquela gente nos tratou a golpes. (…) Numa estação eu estava enchendo de água nosso bule, sem prestar muito atenção aos gritos que ouvia, quando de repente se aproximou um grandalhão grosseiro, que com violência pegou o utensílio da minha mão e disse:
― Vai embora daqui, porco burguês!
―Fora, se não quer ser preso! ―disseram em coro uns dez ou doze safados que lhes seguiam.
Fiquei furioso por ser tratado tão injustamente.
―Mas, por quê?
―Porque você é um burguês asqueroso e vamos te enforcar agora mesmo!
―Eu sou tão proletário como vocês.
Respondeu-me uma gargalhada coletiva. Realmente, eu, com meu pescoço rígido e o blazer curto que levava, devia ter para aqueles bárbaros que se vestiam de farrapos, uma presença ridícula.

Imagen relacionada ―Eu sou tão proletário como os senhores! Ou mais! ―gritei desesperado.
―Mentira!
―Mentira!
―Ou demonstra agora mesmo que você ganha à vida trabalhando como um operário ou te prenderemos.
―Quereis que eu lhes prove que sou um proletário? ―perguntei petulantemente.
―Se não provar agora mesmo não escapará de nossas unhas, canalha!
Ouve um momento de silêncio. Desafiante olhei para os seus olhos e gritei com raiva:
―Veja! Idiotas.
E mostrava, passando pelos seus narizes, as palmas de minhas mãos deformadas pelos enormes calos, cuja contemplação causou um grande impacto naquelas gentes.Eram os calos que saem em todos os dançarinos de flamenco de tanto tocar as castanholas.
Eles me salvaram”. ●

Artigo publicado em espanhol na revista El Siglo de Europa e Acpe

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CHAVES NOGALES: A PECHO DESCUBIERTO

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Manuel Chaves Nogales / Foto: Archivo de Pilar Chaves Jones.

Por Jairo Máximo

MADRID – España ― (Blog do Pícaro) ― El periodista y escritor Manuel Chaves Nogales es autor de una inspiradora obra literaria que abarca espléndidos artículos periodísticos, reportajes, biografías, cuentos y novelas.

“Mi técnica ―la periodística―no es una técnica científica. Andar y contar es mi oficio”.

Según los especialistas algunos de los mejores libros del reporterismo español llevan su inconfundible firma. La lectura de uno conduce a otro y así sucesivamente.

Manuel Chaves Nogales (Sevilla, 1897―Londres, 1944) utilizó la pluma como un cuchillo para contar los hechos tal como eran. Iba directo al grano sin subterfugios. Perteneció a una estirpe de periodistas que, en los años 30, viajaron a menudo por el extranjero, realizando reportajes y entrevistas.

Demócrata y republicano convencido, durante toda su vida ―profesional y personal― luchó por ser libre y mantenerse libre. ¡Y lo consiguió!

“Soy un pequeño burgués liberal, ciudadano de una República democrática y parlamentaria”.

Hijo de madre pianista y padre periodista del diario sevillano El Liberal, desde muy joven empezó a ejercer el oficio de periodista, primero en Sevilla y después en Córdoba. En 1923 se trasladó a Madrid de entreguerras. Entre los años 1927 y 1937 saboreó el éxito, escribiendo reportajes para los principales periódicos de la época.

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A partir de 1931 fue subdirector del diario Ahora (1930-1939), publicación afín a Azaña, de quien Chaves Nogales era un reconocido partidario. Apoyaba la República sin dejarse tentar por las corrientes totalitarias que asolaban Europa. Manuel Azaña (1880-1940), político y escritor fue presidente del Gobierno entre 1931 y 1933, y presidente de la Segunda República entre 1936 y 1939.

“Los totalitarismos son la puntilla de la República y la ignorancia su mortífero instrumento”, escribió proféticamente Chaves Nogales en 1934.

A LO HECHO, PECHO

Al estallar la Guerra Civil el 18 de julio de 1936 se puso al servicio de la Segunda República, hasta que el Gobierno abandona definitivamente Madrid, y se instala en Valencia, momento en que presagiando la victoria de los fascistas franquistas, y la subsiguiente catástrofe por venir, a finales de 1937 decide exiliarse con su familia en París, sin haber renunciado nunca ni a sus convicciones democráticas ni a sus lealtades republicanas.

Durante su paso por la capital gala, escribió para un grupo numeroso de periódicos americanos de lengua española que publicaba sus crónicas “redactadas única y exclusivamente al servicio de la causa francesa”, afirmaba. Al mismo tiempo, diariamente, la Radio Francesa para España y América del Sur divulgaba sus comentarios de actualidad. Además, en París fundó y editó una publicación artesanal sobre la actualidad española dirigida a los exiliados republicanos en Francia.

En 1940, tras saber que era “presa de caza” de los nazis, que estaban a las puertas de París, Chaves Nogales se trasladó a Burdeos y desde allí a Londres. En la capital inglesa fundó una agencia, escribió artículos para los periódicos latinoamericanos y trabajó como periodista en las filas de los ejércitos aliados que luchaban en Europa contra la Alemania nazi.

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“Pero la catástrofe de Francia, como la de España, no era la derrota definitiva. Era sólo una nueva etapa dolorosa de una lucha que no tiene patrias ni fronteras porque no es sino la lucha de la barbarie contra la civilización, de las fuerzas de destrucción contra el espíritu constructivo y el instinto de conservación de la humanidad, de la mentira contra la verdad…”, escribió en el prólogo del relato La agonía de Francia, publicado en Montevideo en 1941, y reeditado en España casi sesenta años después. Cuenta con lucidez cómo el país que había sido durante siglo y medio el faro de la democracia en el mundo se puso en junio de 1940 en manos del nazismo.

En 1944 con 47 años, Manuel Chaves Nogales falleció víctima de una peritonitis, en Londres, Reino Unido, donde cria malvas en una tumba desamparada. Dignificó una profesión presa del servilismo político. Es toda una referencia al buen hacer periodístico. Construyo una obra indecidible ―aquello que resulta imposible decidir si se trata de una cosa o de otra.

“Ambicioso, vacío, extravagante, la hora de Chaves Nogales pasó. Ni fue, ni ha sido ni volverá a ser nada”, escribió el deslucido periodista Francisco Casares (1899-1977) en su libro Azaña y ellos: cincuenta semblanzas rojas (1938).

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Con todo, con el paso del tiempo, Manuel Chaves Nogales sería considerado “un paradigma” del intelectual comprometido con su tiempo.

“Es uno de los grandes, el que supo disparar desde la distancia precisa”, considera el escritor y periodista valenciano Manuel Vicent.Resultado de imagen de portada del libro ¿Que pasa con Cataluña?, de Nogales

Desterrado y olvidado por la derecha e izquierda española durante más de siete décadas, actualmente sus libros son reeditados con éxito, y sobre su legado se organizan charlas, coloquios y se publican diversos textos. En 2001 la Diputación Provincial de Sevilla publicó su obra periodística completa en tres tomos, con edición y estudio introductorio de María Isabel Cintas Guillén. A continuación, en 2011, Cintas Guillén publicó Chaves Nogales, El oficio de contar, centrado en la trayectoria profesional del periodista. Y en 2013 se estrenó el documental El hombre que estaba allí, basado en su figura. En Alcorcón, Madrid, está ubicado un colegio público de educación secundaria que lleva su nombre, y actualmente en la capital española se intenta, a duras penas, honrarle con una calle tras más de siete décadas de su muerte.

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Cartel del documental El hombre que estaba allí, sobre el inclasificable Chaves Nogales.

LISTOS PARA LEER

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Leer hoy la obra de Chaves Nogales ayuda a comprender la historia del siglo XX. Inolvidables son: La defensa de Madrid, reportaje publicado en 16 entregas en la prensa mexicana en 1938 y editado como libro en Sevilla en 2011; la biografía Juan Belmonte, matador de toros. Su vida y sus hazañas (1935); la novela El maestro Juan Martínez que estaba allí (1934) o el sorprendente reportaje Lo que ha quedado del imperio de los zares (1931), publicado originalmente ese mismo año en el periódico Ahora, en 24 entregas, a lo largo de un mes. Revela la vida dramática de los dos millones de personas que tuvieron que salir de Rusia tras la Revolución de 1917, una revolución que por aquellos años era defendida y admirada por la izquierda española.

Sus diversos reportajes, realizados a pecho descubierto, y editados posteriormente en libros, le llevaron a ser considerado como uno de los mejores periodistas del siglo XX. Son un antídoto para aquellos que anhelan “conquistar el cielo” a base de mentiras y manipulaciones. En los años treinta del siglo pasado Chaves Nogales ya denunciaba a cuatro vientos que el populismo mata.

“Es una ley histórica que todo pueblo vencido adopta fatalmente la forma de gobierno del vencedor”.

En  A sangre y fuego – héroes, bestias y mártires de España, publicado por primera vez en Santiago de Chile en 1937, título de nueve emotivos y alucinantes relatos que él escribió sobre la Guerra Civil española (durante su exilio en Francia) es un manual que incide en la sin razón de las guerras. En España son muchos los que consideran que  esta obra es uno de los mejores libros que se han escrito jamás sobre la Guerra Civil española que ocurrió entre 1936 y 1939.

Resultado de imagen de imagenes publicas de chaves nogalesEn el prólogo de la obra el autor constató: “Pero la estupidez y la crueldad se enseñoreaban de España. ¿Por dónde empezó el contagio? Los caldos de cultivo de esta nueva peste, germinada en ese gran pudridero de Asia, nos los sirvieron los laboratorios de Moscú, Roma y Berlín, con las etiquetas de comunismo, fascismo o nacionalsocialismo, y el desapercibido hombre celtíbero los absorbió ávidamente. (…) Es vano el intento de señalar los focos de contagio de la vieja fiebre cainita en este o aquel sector social, en esta o aquella zona de la vida española. Ni blancos ni rojos tienen nada que reprocharse. Idiotas y asesinos se han producido y actuado con idéntica profusión e intensidad en los dos bandos que se partieron España.”

LIDIANDO UN MATADOR DE TOROS

Resultado de imagen de PORTADAS DE LIBROS DE CHAVES NOGALES En Juan Belmonte, matador de toros: su vida y sus hazañas, considerada una de las mejores biografías jamás escritas en castellano, Chaves Nogales realiza una magnífica biografía de su paisano, el matador de toros Juan Belmonte García (Sevilla, 1892 – Utrera, 1962), que a principios del siglo XX brilló como nadie ―dentro y fuera― de los ruedos españoles, en una época en la cual la afición a los toros era trascendente y llegaba a los diversos extractos sociales, que profesaban una pasión febril por la tauromaquia.

La biografía de Juan Belmonte, el llamado Pasmo de Triana, está redactada en forma de autobiografía a partir de las numerosas conversaciones que el periodista, que no era amante de la lidia, mantuvo con el diestro. Narra la apasionante historia de aquél niño que nació pobre y marginado, pero que de mayor se convirtió en una celebridad  “fundador del toreo moderno”.

Tras saborear la gloria y a punto de cumplir 70 años, Juan Belmonte se suicidó de un disparo en su cortijo de Gómez Cardeña en 1962. A pesar de ser un suicida se le permitió ser enterrado en el cementerio de San Fernando de Sevilla. Según Chaves Nogales, “Belmonte tenía un marcado espíritu de superación y talante conciliador, inimaginable en un torero”.

En el prólogo de la reedición editada en 2009 por la editorial catalana Libros del Asteroide, el poeta y escritor Felipe Benítez Reyes, escribe: “Con este libro sobre Juan Belmonte, Chaves Nogales dio una lección de literatura y una lección de periodismo: el periodismo que logra ascender al ámbito de la gran literatura”.

Concebida originalmente como un folletín, Juan Belmonte, matador de toros. Su vida y sus hazañas, apareció por primera vez por entregas en el semanario Estampa del 29 de junio al 14 de diciembre de 1935 en veinticinco magníficos capítulos.

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Juan Belmonte retratado en 1924 por Ignacio Zuloaga.

PALABRAS DE TORERO

“Tengo que insistir en mi convicción de que el toreo es fundamentalmente un ejercicio de orden espiritual y no una actividad meramente deportiva”.

“Siempre me han sublevado los abusos de poder”.

“Una tarde estaba yo toreando en Tablada junto a la orilla del río; había cruzado el cauce a nado y toreaba completamente desnudo. Desde la orilla de Triana, unas muchachas que volvían de trabajar en algún cortijo me saludaban a lo lejos agitando alegremente los brazos. Había conseguido apartar un becerro, y al sentirme contemplado a distancia por aquel grupo femenino me puse a torear con todo el estilo de que era capaz. En uno de los lances pasó el becerro tan cerca de mí, que me dio un puntazo con el pitón en la cara y me partió el labio. Rodé por el suelo. Ya estaba yo otra vez en pie y con la blusilla en las manos cuando llegó hasta mí el eco perdido del grito de terror que en la otra orilla dieron las mujeres al ver la cogida. La herida era pequeña; pero, como ocurre con todas las heridas en la cara, manaba sangre en abundancia. Me di cuenta de que el percance no era grave y dejé que la sangre me corriera por el cuerpo para seguir toreando. No quería quedar mal ante aquellas mujeres que desde la otra banda del río se entusiasmaban viendo aquel muchacho desnudo que lidiaba a solas a los toros. Pero cuando ellas me vieron con el cuerpo tinto en sangre se asustaron y se pusieron a dar unos gritos espantosos. Unas se tapaban la cara con las manos, otras avanzaban hasta el borde del agua llamándome con voces angustiadas, otras huían despavoridas. Llevaron a Triana una imagen pavorosa del aquel muchacho que toreaba solo, desnudo y sangrante en pleno campo de Tablada”.

“El día que se torea crece más la barba. Es el miedo. (…) No hay que darle vueltas. Es el miedo. (…) Es un íntimo amigo mío. (…) El miedo no me ha abandonado nunca. Es siempre el mismo. Mi compañero inseparable. (…) El miedo que se pasa en las horas que preceden a la corrida es espantoso. (…)  Se cambia el tono de la voz, se adelgaza de hora en hora, se modifica el carácter y se le ocurren a uno las ideas más extraordinarias. Luego, cuando ya se está ante el toro, es distinto. El toro no deja tiempo para la introspección”.

“Entonces, las corridas de toros tenían una resonancia y una trascendencia que hResultado de imagen de JUAN BELMONTEoy no tienen. (…) Era la época en que después de una buena faena se veía a la gente toreando por las calles”.

“Si yo fuese ensayista en vez de ser torero, me atrevería a esbozar una teoría sexual del arte; por lo menos, del arte de torear”.

“Hoy, al cabo de miles de años, todos nos comemos al toro. La bestia está dominada y vencida. Y, naturalmente, el toro está en franca decadencia. Se ha logrado todo lo que se podía lograr. El toro no tiene hoy ningún interés. Es una pobre bestia vencida. (…) Subsiste la belleza de la fiesta, pero el elemento dramático, la emoción, la angustia sublime de la lucha salvaje se ha perdido. Y la fiesta está en decadencia”.

 BAILANDO CON “LOS MARTÍNEZ”

 Resultado de imagen de PORTADAS DE LIBROS DE CHAVES NOGALESEn El maestro Juan Martínez que estaba allí, Chaves Nogales realiza un conmovedor relato novelado de los pasos que el bailaor Juan Martínez (1896-1961) y su esposa Sole, bailaora, que se hacían llamar Los Martínez, realizaron para subsistir durante la convulsa revolución bolchevique en Rusia de principios del siglo XX.

La pareja artística, primero triunfó en los tablaos de la Cava Baja de Madrid; después en el París bohemio, donde aceptaron una invitación para realizar una gira a la enigmática Turquía. Jamás podrían imaginar las amargas experiencias que el destino les tenía reservadas. La pareja embarcó en Marsella rumbo a Oriente el día 26 de junio de 1914. Cuarenta días antes de estallar la Gran Guerra (1914-1919).

Sin quererlo, Los Martínez, terminaron atrapados en tierras rusas donde primero la guerra, después la revolución bolchevique, les apretaban los talones. Fueron testigos forzosos de la violenta revolución bolchevique, que quería conquistar el cielo ―para ellos― y el inferno para ―el otro.

En el prólogo de la reedición editada en 2007 por la editorial Libros del Asteroide, el escritor y poeta Andrés Trapiello, escribe: “Chaves Nogales no quiso hacer una novela. El testimonio de Martínez, que seguía trabajando en París en lo suyo, el cabaret, le impresionó. Es un relato lineal, que tras una breve obertura, pasa a labios de Martínez. Podríamos considerar este libro sus memorias rusas. No hay en ellas recuerdos íntimos, ni estudios psicológicos, casi todo discurre por el nudo de los acontecimientos”.

Los Martínez regresaron a España en 1922 y, poco después, volvieron a instalarse definitivamente en París. Chaves Nogales publicó su historia primero por entregas en el semanario Estampa en 1934.

PALABRAS DE BAILAOR

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Retrato del bailaor burgalés Juan Martínez publicado en la revista Estampa a principios del siglo pasado.

Imagen relacionada “Ya ve usted. Yo soy de Burgos, pues, a pesar de eso, estaba entre los musulmanes de Estambul como en mi casa. (…) A los pocos días de estar allí se declaró la guerra. Yo no me di cuenta de lo que era aquello hasta que los directores del teatro donde trabajábamos, que eran franceses, nos dijeron que no podían pagarnos, que cerraban y que se iban. Fuimos a ver al cónsul de España. Como les pasa siempre a nuestros cónsules, no pudo hacer nada. (…) Al principio la guerra no se notaba mucho, pero poco a poco todo fue cambiando. La gente tenía la cara cada vez más apretada, más dura. Ya no volvimos a ver caras anchas, abiertas, sonrientes, hasta muchos años después. Y, la verdad, creo que caras amables como las de antes de la guerra no se han vuelto a ver por las calles de Europa”.

“Yo nunca me he querido meter en política”.

“En Bucarest fuimos a parar al hotel Central, que estaba frente a Correos. Me presenté pidiendo trabajo en un cabaret llamado Alhambra y debutamos a los cinco días. Gustamos mucho y nos sentimos felices. Había pan y paz. ¡Cuántas veces he visto después a los hombres hacerse matar, clamando por estas dos cosas: el pan y la paz!”.

“Aprendí entonces que no es verdad que las revoluciones se hagan con hambrientos. Cuando se tiene hambre no se es capaz de nada”.

“Los bolcheviques, buenos o malos, sostenían que los artistas de cabaret no teníamos derecho a la vida y deseaban que nos muriésemos cuanto antes”.

“Los rojos se impusieron por el terror desde el primer momento, implantando el comunismo de guerra con una ferocidad sin límites”.

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“El viaje a Kiev fue terrible, porque el tren soviético iba lleno de militares, es decir, campesinos a los que días antes les habían dado un fusil y la autorización para asesinar a los padres que se les pusiesen por delante, y aquella gente nos trató a baquetazos. (…) En una estación estaba yo llenando de agua nuestra tetera, sin hacer caso de los gritos, cuando se me acercó un hastial, que de un manotazo me tiró el cacharro, y me dijo:
― ¡Largo de aquí, cochino burgués!
― ¡Largo, si no quieres que te arrastremos! – corearon diez o doce gandules que le seguían.
Me revolví furioso al verme atropellado tan injustamente.
― Pero ¿por qué?
― ¡Porque eres un burgués asqueroso, y te vamos a colgar ahora mismo!
― Yo soy tan proletario como ustedes.
Me contestó una salva de carcajadas. Yo, realmente, con mi cuello almidonado y el gabancito corto que llevaba, debía de tener entre aquellos bárbaros, que lucían las ropas en jirones, un aire bastante ridículo.
― ¡Yo soy tan proletario como ustedes! ¡O más! ― grité exasperado.
― ¡Mentira!
― ¡Mentira!
―O demuestra ahora mismo que se gana la vida trabajando como un obrero o le arrastramos.
― ¿Queréis que os pruebe que soy un proletario? ― pregunté jactancioso.
― ¡Como no lo pruebes no sales de nuestras uñas, canalla!
Hubo un momento de silencio. Les miré a los ojos retándoles y les grité con rabia:
― ¡Mirad, idiotas!
Y les mostraba, metiéndoselas por las narices, las palmas de mis manos deformadas por dos callos enormes, cuya contemplación causó un gran estupor a aquellas gentes.
Eran los callos que a todos los bailarines flamencos nos salen en las manos de tocar las castañuelas.
Ellos me salvaron”. ●

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Busto de Manuel Chaves Nogales obra de Emiliano Barral.

Nota del autor: Artículo publicado en la revista El Siglo de Europa y Acpe

 

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